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Perante a decisão de aderir à nova nacionalidade ou deixar o Brasil, Saldanha pediu a sua demissão, sendo a 8 de agosto de 1822 chamado de volta ao Rio de Janeiro. Partiu a 29 de agosto para aquela cidade, acompanhado por uma escolta, numa situação de quase prisão, publicando ali a carta com que pedira a demissão.<ref>''Carta do brigadeiro João Carlos de Saldanha dirigida aos membros do governo provisório da província do Rio Grande do Sul, pedindo a demissão dos seus empregos e passaporte para se retirar para Lisboa''. No mesmo ano de 1822 publicou uma 2.ª edição, com o título de ''Representação que faz João Carlos de Saldanha aos membros do governo provisório da província do Rio Grande do Sul, pedindo a demissão dos seus empregos e passaporte para se retirar para Lisboa''.</ref> Consumada a independência brasileira a 7 de setembro daquele ano, apesar do novo imperador lhe oferecer um posto no novo exército brasileiro, insistiu no seu desejo de regressar a Portugal e foi autorizado a partir a bordo do brigue ''Três Corações'', embarcando a 4 de dezembro de 1822. Deixara no Rio Grande a esposa, que fora ter com ele, e os filhos que tinham ali nascido, que pouco depois partiram para Portugal.
 
===Regresso a Portugal, a ''Vilafrancada'' e a restauração da monarquiaabsolutista===
Chegado a Lisboa, foi de imediato nomeado comandante de uma expedição que ia embarcar para a [[Bahia]] com o objectivoobjetivo de submeter o recém-independente Brasil à obediência da metrópole. Perante a ordem para que embarcasse imediatamente na fragata ''[[Fragata Pérola|Pérola]]'', Saldanha declarou ao [[Ministro da Guerra]], então [[Manuel Gonçalves de Miranda]], ser-lhe impossível partir sem conhecer a missão e as forças de que dispunha. Perante a recusa, em Fevereirofevereiro de 1823, por ordem das Cortes, foi enviado preso para o [[Castelo de São Jorge]], aguardando julgamento em conselho de guerra. Entretanto, em sua defesa publicou um opúsculo expondo os motivos da recusa.<ref>''Exposição ingénua dos motivos que decidiram o brigadeiro João Carlos de Saldanha a não aceitar o comando da expedição à Baía''. Lisboa, 1823.</ref>
 
Estava na prisão quando ocorreu a ''[[Vilafrancada]]'', sendo então liberto. Apresentou-se de imediato a [[João VI de Portugal|D. João VI]], a quem ofereceu os seus serviços, sendo dispensado pelo rei de responder em conselho de guerra. Foi então nomeado comandante do exército de observação que se formou no [[Alentejo]] em consequência de, no [[Congresso de Verona]], a [[Santa Aliança]] ter imposto o restabelecimento do [[absolutismo]] de [[Fernando VII de Espanha]] e enviado um numeroso contingente de tropas francesas (os [[Cem Mil Filhos de São Luís]]) para território espanhol. O restabelecimento do absolutismo em Espanha era visto como uma ameaça ao regime português, o que impunha uma especial protecçãoproteção das fronteiras, daí a criação daquele exército de observação na região onde se previa pudesse haver incursão. Esse exército foi dissolvido quando, no início de 1825, a situação política em Espanha sossegou. Saldanha foi então nomeado, a 8 de Abrilabril de 1825, para o cargo de [[governador das armas]] da cidade do [[Porto]].
 
Quando D. João VI faleceu em 10 de Marçomarço de 1826, a regência do Reino ficou assegurada por um conselho presidido pela infanta D. [[Isabel Maria de Bragança]]. Proclamada a impossibilidaderealeza do imperadorinfante D. [[Pedro, IVcom deo Portugal|Pedronome Ide doD. Brasil]][[Pedro de ser ReiIV de Portugal]], o novo soberano enviou do Brasil, pelo antigo embaixador britânico [[Charles Stuart]], uma ''[[Carta Constitucional portuguesa de 1826|Carta Constitucional]]'', recebida com entusiasmo pela Maçonariapelos Portuguesaliberais, que deveria ser solenemente jurada. Entretanto, a infanta D. Isabel Maria, que se havia rodeado dum ministério claramente conservador, usou vários pretextos para impedir a publicação e o juramento da Carta. Pois nunca o povo quisera semelhante coisa. Perante o impasse, foi grande a impaciência dados maçonarialiberais, que protestouprotestaram energicamente contra a demora. Em 1828 um grupo de nobres portugueses, suplica a D. Miguel que aceite a coroa, logo que este chega da Áustria. e assim foi feito, reúnem-se as [[Côrtes de Lisboa de 1828|Côrtes]] de Lisboa de 1828, as maiores de que há memória até hoje e delas saiu legitimamente aclamado como Rei de Portugal, o Infante Dom Miguel, Duque de Beja, Senhor do Infantado e Conde de Samora Correia.
 
Foi nesse contexto que Saldanha desempenhou pela primeira vez um papel político de primeira plana ao impor à regência, em julho de 1826, a imediata proclamação da Carta Constitucional:<ref name="dbp"/> como governador militar, escreveu à regente e ao governo, e como as respostas tardassem, enviou a Lisboa o coronel [[Rodrigo Pinto Pizarro]], que não só repetiu as instâncias do brigadeiro Saldanha para que fosse jurada a Carta, mas que da parte do mesmo general convidou os comandantes dos corpos militares da capital a dirigirem à regente um manifesto no mesmo sentido.<ref name="dic"/> Perante a intimação e a ameaça de revolta do exército, a regência cedeu, e a 12 de julho a Carta Constitucional foi publicada na ''[[Gazeta de Lisboa]]'', marcando-se o dia 31 daquele mês para o juramento. Quando a notícia chegou ao Porto, Saldanha foi aclamado como um herói, realizando-se entusiásticas manifestações, com festas para celebrar o juramento da Carta e o levantamento de arcos triunfais em diversas ruas.