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desambig., -itálicos, -mar de lama, outros
O líder político gaúcho [[José Gomes Pinheiro Machado|Pinheiro Machado]] foi um dos primeiros a perceber que Getúlio tinha aptidão para a política. Estudou em sua terra natal, depois em [[Ouro Preto]], em [[Minas Gerais]]. Quando Getúlio estudou em Ouro Preto, ele e seus irmãos se envolveram numa briga que terminou com a morte do estudante paulistano Carlos de Almeida Prado Júnior em 7 de junho de 1897.<ref>{{citar web|url=http://hojeemdia.com.br/primeiro-plano/pol%C3%ADtica/o-crime-cometido-por-getúlio-vargas-e-seus-irmãos-em-minas-gerais-1.219229|titulo=O crime cometido por Getúlio Vargas e seus irmãos em Minas Gerais|data=9/11/2013|acessodata=22/9/2017|publicado=Hoje em Dia|ultimo=Ribeiro Jr|primeiro=Amaury}}</ref> O acontecimento precipitou a volta de Getúlio e de seus irmãos para o Rio Grande do Sul.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=p-4SAQAAIAAJ&q=Get%C3%BAlio+Vargas+e+seu+Tempo,+2+vol.&dq=Get%C3%BAlio+Vargas+e+seu+Tempo,+2+vol.&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwi2ksmwtZ_QAhUHgZAKHabYB5EQ6AEIMzAA|titulo=Getúlio Vargas e o seu tempo: 1900-1925|ultimo=Jorge|primeiro=Fernando|data=1985-01-01|editora=T.A. Queiroz|isbn=9788571820388}}</ref> Voltando ao Rio Grande do Sul, inicialmente tentou a carreira militar, tornando-se, em 1898, soldado na guarnição de seu município natal. Soldado, com apenas 16 anos, já que nascera em 1882, constatou a citada "Revista do Globo", em 1950.
 
Em 1900, matriculou-se na Escola Preparatória e de Tática de [[Rio Pardo]], onde não permaneceu por muito tempo, sendo transferido para [[Porto Alegre]], a fim de terminar o [[serviço militar]], onde conheceu os [[cadete]]s da [[Escola Militar de Porto Alegre]] [[Eurico Gaspar Dutra]] e [[Pedro Aurélio de Góis Monteiro]]. Com a [[patente]] de [[sargento (militar)|sargento]], Getúlio participou da Coluna Expedicionária do Sul, que se deslocou para [[Corumbá]], em 1902, durante a disputa entre a [[Bolívia]] e o Brasil pela posse do [[Acre]].
 
Sua passagem pelo [[exército]] e a origem militar, (o seu pai lutou na [[guerra do Paraguai]]), seriam decisivos na formação de sua compreensão dos problemas das [[forças armadas]], e no seu empenho em modernizá-las, reequipá-las, mantê-las disciplinadas e afastá-las da política, quando chegou à presidência da república.
Quando quatro jovens estudantes paulistanos (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo) são assassinados no dia 23 de Maio de 1932, diversos setores da sociedade paulista se mobilizam com o evento, e toda a sociedade passa a apoiar a causa constitucional. No dia 9 de Julho do mesmo ano, a revolução explode pelo estado. Os paulistas contavam com apoio de tropas de diversos estados, como Rio de Janeiro, Minas e Rio Grande do Sul, mas Getúlio Vargas foi mais rápido e conseguiu reter esta aliança, isolando São Paulo. Sem qualquer apoio, os flancos paulistas ficaram vulneráveis, e o plano de rápida conquista do Rio de Janeiro transformou-se em uma tentativa desesperada de defender o território estadual. Sem saída, o estado se rende em 28 de setembro.
 
Mesmo com a vitória militar, Getúlio Vargas atende alguns pedidos dos republicanos e aprova a [[Constituição de 1934]]. O estado de São Paulo não conseguiu a adesão de praticamente nenhum outro estado brasileiro. Os paulistas, chefiados por Isidoro Dias Lopes, permaneceram isolados, sem adesão das demais unidades da federação, excetuando um pequeno contingente militar vindo do [[Mato Grosso]], sob o comando do general [[Bertoldo Klinger]]. Claramente porque era uma revolução encabeçada basicamente pela elite do [[PRP]] - Partido Republicano Paulista]] -(PRP) que, por meios de propagandas eficientes, conseguiu galgar apoio de diversos setores da sociedade paulista - taxando Getúlio Vargas como um cruel ditador fascista.
 
Para reprimir a rebelião paulista, Getúlio Vargas enfrentou sérias dificuldades no setor militar, pois inúmeros generais simplesmente recusaram a missão, tendo em vista que estes temiam a ameaça de perder os cargos. Percebendo o débil apoio que tinha no seio da cúpula do Exército, e a fim de conquistá-lo, Vargas rompeu em definitivo com os tenentes, que não eram bem vistos pelos oficiais legalistas. Em 3 de outubro de 1932, em meio à crise militar e apesar dela, Getúlio conseguiu conter a revolta paulista.
== O intervalo 1945 - 1950 ==
=== Getúlio senador da República e seu apoio à candidatura Dutra ===
[[Imagem:100 Réis de 1940 (verso).png|miniatura|A efígie de Getúlio figurava as moedas de 100 e 300 [[réis]] (até 1942), e posteriormente a de 50 [[centavo]]s de [[cruzeiro (moeda)|cruzeiro]] (até 1946). Também estampou a cédula de 10 cruzeiros.]]
 
Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o [[exílio]], como o que ele próprio impusera ao presidente [[Washington Luís]] ao depô-lo. Getúlio não teve os seus [[direitos políticos]] cassados e não respondeu a qualquer [[processo judicial]]. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em [[São Borja]], a Estância Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general [[Eurico Gaspar Dutra]], o ex-ministro da [[Guerra]] (hoje Comando do Exército) durante todo o Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições negociadas para que Getúlio não fosse exilado.
 
{{Quote
|Quando a minha candidatura à presidência da República foi lançada pelo governador Ademar de Barros e pelo Diretório do Partido Trabalhista Brasileiro, dirigi ao senador [[Joaquim Pedro Salgado Filho|Salgado Filho]] uma carta-manifesto, declarando-me pronto a renunciar em benefício de uma conciliação geral da política brasileira. Minha proposta não foi atendida e fui forçado a aceitar a minha candidatura, por imposição popular.<ref name="VARGAS, Getúlio 1951"/>
|Getúlio Vargas.
}}
* A ei nº 1.521,<ref name=":2">{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=108079&tipoDocumento=LEI&tipoTexto=PUB|titulo=LEI ORDINÁRIA - 1522 de 26/12/1951 - Publicação: Diário Oficial da União de 28/12/1951|data=|acessodata=2016-11-10|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> de 26 de dezembro de 1951, sobre crimes contra a economia popular, ainda em vigor.
 
* A lei nº 1.522,<ref name=":2" /> de 26 de dezembro de 1951, que autoriza o governo federal a intervir no domínio econômico para assegurar a livre distribuição de produtos necessários ao consumo do povo. Esta lei foi substituída pela ''[[lei delegada]] nº 4'',<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=114035&tipoDocumento=LDL&tipoTexto=PUB|titulo=LEI DELEGADA - 4 de 26/09/1962 - Publicação: Diário Oficial da União de 27/09/1962|data=|acessodata=2016-11-10|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> em 26 de setembro de 1962.
 
* O decreto nº 30.363,<ref name=":2" /> de 3 de janeiro de 1952, que dispôs sobre o retorno de capital estrangeiro, limitando-o a 8% do total dos lucros de empresas estrangeiras para o país de origem, revogado em 1991.
* O decreto nº 31.546,<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=108508&tipoDocumento=DEC&tipoTexto=PUB|titulo=DECRETO - 31546 de 06/10/1952 - Publicação: Diário Oficial da União de 11/10/1952|data=|acessodata=2016-11-11|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> de 6 de outubro de 1952, regulamentou o trabalho do menor aprendiz e vigorou até 2005.
 
* A lei nº 1.802,<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=108738&tipoDocumento=LEI&tipoTexto=PUB|titulo=LEI ORDINÁRIA - 1802 de 05/01/1953 - Publicação: Diário Oficial da União de 07/01/1953|data=|acessodata=2016-11-11|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> de 5 de janeiro de 1953, que definia os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social, e que revogava a ''[[Lei de Segurança Nacional]]'' de 1935. A lei 1.802 vigorou até 1967 quando foi substituída por outra Lei de Segurança Nacional.
 
* A [[Lei Federal do Brasil 2004 de 1953|lei n° 2004]],<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=165796&tipoDocumento=LEI&tipoTexto=PUB|titulo=LEI ORDINÁRIA - 2004 de 03/10/1953 - Publicação: Diário Oficial da União de 03/10/1953|data=|acessodata=2016-11-11|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> de 3 de outubro de 1953, sobre o monopólio estatal da exploração e produção de [[petróleo]], revogada em 1997.
* Em 19 de julho de 1952, pela lei nº 1.649,<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=108380&tipoDocumento=LEI&tipoTexto=PUBi|titulo=LEI ORDINÁRIA - 1649 de 19/07/1952 - Publicação: Diário Oficial da União de 24/07/1952|data=|acessodata=2016-11-11|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> o [[Banco do Nordeste]].
 
* Pela lei nº 1.779,<ref>{{Citar web|url=http://legis.senado.leg.br/legislacao/ListaPublicacoes.action?id=108703&tipoDocumento=LEI&tipoTexto=PUB|titulo=LEI ORDINÁRIA - 1779 de 22/12/1952 - Publicação: Diário Oficial da União de 23/12/1952|data=|acessodata=2016-11-11|obra=legis.senado.leg.br|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> de 22 de dezembro de 1952, o [[IBC]] (Instituto Brasileiro do Café]] (IBC), o qual foi extinto em 1990.
 
* Em 1953, a [[PETROBRAS]], no aniversário da Revolução de 1930, 3 de outubro, pela citada lei nº 2.004.
Foi assinado, em março de 1952, um acordo de cooperação e ajuda militar entre o Brasil e os Estados Unidos. Este acordo vigorou de 1953 até 1977, quando o presidente [[Ernesto Geisel]] denunciou o mesmo.
 
Houve uma série de acusações de corrupção a membros do governo e pessoas próximas a Getúlio, o que levou Getúlio a dizer que estava sentado em um "[[mar de lama]]". O caso mais grave de corrupção, que jogou grande parte da opinião pública contra Getúlio, foi a [[comissão parlamentar de inquérito]] (CPI) do jornal ''[[Última Hora]]'', de propriedade de [[Samuel Wainer]]. Samuel Wainer era acusado por Carlos Lacerda e outros de receber dinheiro do [[Banco do Brasil]] para apoiar Getúlio. O jornal ''Última Hora'' era praticamente o único órgão de imprensa a apoiar Getúlio.
 
=== O atentado da Rua Tonelero ===
}}
 
Uma versão datilografada, feita em três vias, e mais extensa desta carta-testamento, foi lida, de maneira emocionada, por [[João Goulart]], no enterro de Getúlio em [[São Borja]]. Nesta versão datilografada é que aparece a frase "Saio da vida para entrar na história". Esta versão datilografada da carta-testamento até hoje é alvo de discussões sobre sua autenticidade. Chama muito a atenção nela, a frase em [[língua castelhana|castelhano]]: "Se queda desamparado". Assim, tanto na vida quanto na morte, Getúlio foi motivo de polêmica. Também fez um discurso emocionado, no enterro de Getúlio, na sua cidade natal São Borja, o amigo e aliado de longa data [[Osvaldo Aranha]] que disse: "Nós, os teus amigos, continuaremos, depois da tua morte, mais fiéis do que na vida: nós queremos o que tu sempre quiseste para este País. Queremos a ordem, a paz, o amor para os brasileiros"!''|Osvaldo Aranha''"<ref name=":3">{{Citar web|url=https://upassos.com/2007/08/24/o-discurso-de-oswaldo-aranha-no-enterro-de-getulio-vargas/|titulo=O DISCURSO DE OSWALDO ARANHA NO ENTERRO DE GETÚLIO VARGAS|data=2007-08-24|acessodata=2016-11-11|obra=Bira e as Safadezas...}}</ref>
 
Osvaldo Aranha, que tantas vezes rompera e se reconciliara com Getúlio, acrescentou: "Quando, há vinte e tantos anos, assumiste o governo deste País, o Brasil era uma terra parada, onde tudo era natural e simples; não conhecia nem o progresso, nem as leis de solidariedade entre as classes, não conhecia as grandes iniciativas, não se conhecia o Brasil. Tu entreabriste para o Brasil a consciência das coisas, a realidade dos problemas, a perspectiva dos nossos destinos".<ref name=":3" />
No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o "último adeus" ao "pai dos pobres", chocadas com o que ouviram no noticiário radiofônico mais popular da época, o [[Repórter Esso]]. Enquanto isso, retratos de Getúlio eram distribuídos para o povo durante o dia. [[Carlos Lacerda]] teve que fugir do país, com medo de uma perseguição popular.
 
Anos mais tarde, em 1962, na 6ª faixa do disco [[LP]]: ''Saudades de Passo Fundo'', [[Teixeirinha]] homenageou o presidente gaúcho Getúlio Vargas, com a faixa de nome: ''"24 de Agosto''", lembrando o impacto popular que foi a morte repentina do então presidente do Brasil. Um trecho da música de Teixeirinha mostra claramente este fato:
 
<center>[[Imagem:Cquote1.png‎]]<poem>Vinte e quatro de agosto