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[[Ficheiroimagem:OrteliusWorldMap1570.jpg|thumb|upright=1.5|O "''[[Theatrum Orbis Terrarum]]''" ("Teatro do Globo Terrestre") de [[Abraham Ortelius]], publicado em 1570 em [[Antuérpia]], considerado o primeiro [[Atlas (cartografia)|atlas]] moderno, resultado das intensas explorações marítimas. Teve 31 edições, em sete idiomas: [[latim]], [[Língua neerlandesa|holandês]] (1571), [[Língua alemã|alemão]] (1572), [[Língua francesa|francês]] (1572), [[Língua castelhana|castelhano]] (1588), [[Língua inglesa|inglês]] (1606) e [[Língua italiana|italiano]] (1608)]]
 
'''Era dos descobrimentos''' (ou das '''Grandes Navegações''') é a designação dada ao período da [[história]] que decorreu entre o {{séc|XV}} e o início do {{séc|XVII}}, durante o qual, inicialmente, [[Portugal|portugueses]], depois [[espanhóis]] e, posteriormente, alguns países [[Europa|europeus]] [[Exploração|exploraram]] intensivamente o globo terrestre em busca de novas [[Rota de comércio|rotas de comércio]]. Os historiadores geralmente referem-se à "era dos descobrimentos" como as explorações marítimas pioneiras realizadas por [[Descobrimentos portugueses|portugueses]] e [[Descobrimentos espanhóis|espanhóis]] entre os séculos XV e XVI,<ref>{{citar web | url=http://www.ucalgary.ca/applied_history/tutor/eurvoya/index.html | título=The European Voyages of Exploration | acessodata=24 de agosto de 2011 | arquivourl=https://www.webcitation.org/61BPar7Na?url=http://www.ucalgary.ca/applied_history/tutor/eurvoya/index.html | arquivodata=24 de agosto de 2011 | urlmorta=yes }} The Applied History Research Group, University of Calgary</ref><ref>Arnold, David, ''The Age of Discovery, 1400-1600'', p.11, Lancaster pamphlets, Routledge, 2002, ISBN 0-415-27996-8</ref> que estabeleceram relações com a [[África]], [[Américas|América]] e [[Ásia]], em busca de uma rota alternativa para as "[[Índias]]", movidos pelo comércio de ouro, prata e [[especiarias]]. Estas explorações no [[Atlântico]] e [[Índico]] foram seguidas por outros países da Europa, [[França]], [[Inglaterra]] e [[Países Baixos]], que exploraram as rotas comerciais portuguesas e espanholas até ao [[oceano Pacífico]], chegando à [[Austrália]] em 1606 e à [[Nova Zelândia]] em 1642. A exploração europeia perdurou até realizar o [[Cartografia|mapeamento]] global do mundo, resultando numa nova mundivisão e no contacto entre civilizações distantes, alcançando as fronteiras mais remotas muito mais tarde, já no {{séc|XX}}.
== Antecedentes (1241-1439) ==
{{Mais informações|Périplo do Mar Eritreu}}
[[Ficheiroimagem:Silk route.jpg|thumb|As importantes rotas comerciais da [[Rota da Seda|seda]] e das [[especiarias]], bloqueadas pelo [[Império Otomano]] em 1453 com a [[queda de Constantinopla]] o que motivou a procura de um caminho marítimo pelo Atlântico, contornando [[África]].]]
[[Ficheiroimagem: Travels of Marco Polo.png|thumb|200px|Viagens de [[Marco Polo]] (1271-1295)]]
 
Os europeus tinham conhecimentos remotos sobre o [[Ásia|continente Asiático]], vindos de relatos parciais, muitas das vezes obscurecidos por [[lenda]]s, ainda dos tempos das explorações de [[Alexandre o Grande]] e dos seus sucessores. Outra fonte eram relatos [[árabes]] do tempo da ocupação cristã da [[Palestina (região)|Palestina]] e dos [[Estados cruzados|reinos cristãos]] da altura das cruzadas. Pouco era conhecido para lá da [[Anatólia]] e do [[mar Cáspio]], regiões bárbaras nos limites, sítios dos últimos cristãos "civilizados". O [[continente africano]] era conhecido parcialmente, não se conhecendo o seu limite a Sul, ou sequer se haveria esse limite, existindo apenas relatos de grandes reinos africanos para lá do [[Sahara]], sendo o conhecimento real dos europeus das costas mediterrânicas e pouco mais, já que o bloqueio turco não permitia explorações mais aprofundadas, senão o dos contatos com os escravos negros vendidos na Europa. O conhecimento das costas africanas atlânticas era remoto e provinha essencialmente de [[História do mapa-múndi|mapas antigos]] e de relatos de um tempo estranho e distante em que os [[Roma Antiga|romanos]] chegaram a explorar a [[Mauritânia]]. Do [[mar Vermelho]], sabia-se da sua existência e pouco mais, sendo que só com o desenvolvimento dos laços comerciais das [[repúblicas marítimas]] italianas, [[República de Gênova|Génova]] e [[República de Veneza|Veneza]] principalmente, se começou a verdadeira exploração dessa zona.
O prelúdio para a Era dos Descobrimentos foi uma série de expedições que atravessaram [[Eurásia]] por terra na [[Baixa Idade Média]].<ref>{{citar web|url=http://www.silk-road.com/artl/srtravelmain.shtml|titulo=Ancient Silk Road Travelers |publicado=www.silk-road.com|acessodata=2008-07-02}}</ref> Embora os [[mongóis]] tivessem ameaçado a Europa com a pilhagem e destruição, os estados mongóis também unificaram grande parte da Eurásia. A partir de 1206, a ''[[Pax Mongolica]]'' permitiu criar [[rota de comércio|rotas comerciais]] e vias de comunicação que se estendiam desde o [[Médio Oriente]] até à [[China]].<ref name="Jensen-p328">Jensen, De Lamar (1992), ''Renaissance Europe 2nd ed.'' pg. 328</ref> Uma série de europeus aproveitaram para explorar o Oriente. Estes eram maioritariamente italianos, pois o comércio entre a Europa e o Médio Oriente era então quase totalmente controlado por comerciantes das [[repúblicas marítimas]] - [[República de Gênova|Génova]], [[República de Veneza|Veneza]] e [[República de Ragusa|Ragusa]]. A estreita relação dos italianos com o [[Levante (Mediterrâneo)|Levante]] suscitou uma grande curiosidade e interesse comercial sobre os países situados a oriente.
 
O primeiro desses viajantes foi [[Giovanni da Pian del Carpine]], que viajou para a [[Mongólia]] e de volta entre 1241-1247.<ref name="Jensen-p328"/> O viajante mais famoso, porém, foi o veneziano [[Marco Pólo]] que na sua obra "[[As Viagens de Marco Polo|As Viagens]]" relatou as suas viagens em toda a Ásia entre 1271-1295, descrevendo ter sido um convidado da [[dinastia Yuan]] na corte de [[KublaiCublai Khan]]. A sua obra foi lida por toda a Europa e tornou-se num dos grandes mananciais de informação na época. De 1325-1354, um estudioso marroquino de [[Tânger]], [[Ibnibne BattutaBatuta]], viajou do Norte de África ao Sul da Europa, Médio Oriente e Ásia, tendo chegado à China. Após regressar, ditou o relato destas viagens a um estudioso que conhecera em [[Granada (Espanha)|Granada]], a ''Rihla'', ( "A viagem"),<ref>{{citar livro |último=Dunn |primeiro=Ross E. |titulo=The adventures of Ibn Battuta, a Muslim traveler of the fourteenth century |ano=2004 |publicado=University of California Press |isbn=0-5202-4385-4 |páginas=310 }}</ref> única e então pouco divulgada fonte de informação sobre suas aventuras. Em 1439, [[Niccolò Da Conti]] publicou um relato das suas viagens à [[Índia]] e ao [[Sudeste Asiático]].
 
Estas viagens tiveram contudo pouco efeito imediato: o [[Império Mongol]] desmoronou-se quase tão rápido como se formara fazendo com que as rotas para o Oriente se tornassem muito mais difíceis e perigosas. A epidemia de [[peste negra]] do século XIV também bloqueou as viagens e o comércio.<ref>Jensen, De Lamar (1992), ''Renaissance Europe 2nd ed.'' pg. 329</ref> e a ascensão da agressiva e expansionista do [[Império Otomano]], que em 1453 viria a tomar [[Constantinopla]], limitou ainda mais as rotas terrestres para a Ásia.
 
=== Missões chinesas ===
[[Ficheiroimagem:Stellardiagram-Zhengho.jpg|thumb|leftesquerda|Mapa "Mao Kun", que se acredita baseado nas viagens de [[Zheng He]], com direcções de navegação entre portos do Sudeste Asiático e até Malindi, 1628]]
Em 1368, destronada a [[dinastia Yuan]], os Mongóis perderam grande parte da China para a rebelde [[dinastia Ming]]. Os chineses tinham estabelecido uma vasta rede de relações comerciais na Ásia, Arábia, África Oriental e Egipto desde a [[dinastia Tang]] (618-907 dC). Entre 1405 e 1421 o terceiro imperador Ming, [[Yongle]], patrocinou uma série de [[Tributo|missões tributárias]] de longo curso no Oceano Índico sob o comando do almirante [[Zheng He]] (Cheng Ho).<ref>[[#Arnold 2002|Arnold 2002]], p.7</ref>
 
 
== Exploração marítima no Atlântico ==
[[Ficheiroimagem:Republik Venedig Handelswege01.png|thumb|Rotas comerciais [[República de Génova|genovesas]] (vermelho) e [[República de Veneza|venezianas]] (verde) no [[Mediterrâneo]] e no [[mar Negro]]]]
 
Do {{séc|VII}} ao {{séc|XV}}, a [[República de Veneza]] e vizinhas [[repúblicas marítimas]] detiveram o monopólio do comércio europeu com o [[Médio Oriente]]. O comércio de [[seda]] e de [[rota das especiarias|especiarias]], envolvendo [[incenso]]s, ervas, drogas e ópio, tornou estas [[cidades-Estado]] do Mediterrâneo fenomenalmente ricas.
=== Primeiras expedições portuguesas do Atlântico (1419-1460) ===
{{Artigos principais|[[Descobrimentos portugueses]]}}
[[Ficheiroimagem:Niger saharan medieval trade routes.PNG|thumb|Rotas trans-Saharianas de comércio circa 1400]]
 
Em 1415, [[Ceuta]] foi ocupada pelos portugueses visando o controlo da navegação na costa norte Africana, evento geralmente convencionado como o início da expansão portuguesa. O jovem príncipe [[infante D. Henrique]], que participou na conquista, tomou aí conhecimento das possibilidades de lucro das rotas comerciais transaarianas. Durante séculos, rotas de escravos e do comércio de ouro ligavam a África Ocidental ao [[Mediterrâneo]] atravessando o [[deserto do Saara]], controladas por poderes muçulmanos hostis do [[Norte de África]]. O infante D. Henrique propôs-se então saber até onde os territórios muçulmanos se estendiam, na esperança de ultrapassá-los e negociar directamente por mar, encontrar aliados nas terras cristãs que se imaginavam existir para o sul,<ref>[[#DeLamar|DeLamar]], p.&nbsp;333</ref> como lendário [[Preste João]]<ref name="ReferenceB">Rafiuddin Shirazi, Tazkiratul Mulk.</ref><ref>[[#refAnderson|Anderson]], p.&nbsp;50</ref> e sondar se seria possível chegar às Índias, origem do lucrativo comércio de especiarias. Investiu então o seu património pessoal no patrocínio de viagens exploratórias na costa da [[Mauritânia]], reunindo um grupo de comerciantes, armadores e interessados em novas rotas marítimas.
 
=== Explorações após o Infante D. Henrique (1460-1488) ===
[[Ficheiroimagem:Caravel Boa Esperanca Portugal.jpg|thumb|leftesquerda|Réplica de [[caravela]], utilizada a partir de meados do século XV na exploração oceânica]]
Em 1460, [[Pêro de Sintra]] atingiu a [[Serra Leoa]]. Em Novembro desse ano faleceu o [[infante D. Henrique]] e, em 1469, dadas as poucas receitas da exploração, [[Afonso V de Portugal|Afonso V, Rei de Portugal]] concedeu o monopólio do comércio no [[golfo da Guiné]] ao mercador lisboeta [[Fernão Gomes da Mina]], contra uma renda anual de 200.000 réis.<ref name="rt">{{citar web| url = http://www.thornr.demon.co.uk/kchrist/discpde.html| titulo = Discoveries After Prince Henry| acessodata = 2006-12-24| último = Thorn| primeiro = Rob}}</ref> Segundo [[João de Barros (1496)|João de Barros]], ficava aquele "honrado cidadão de Lisboa" com a obrigação de continuar as explorações, pois o exclusivo do comércio era garantido com "condição que em cada um destes cinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa em diante cem [[légua]]s, de maneira que ao cabo do seu arrendamento desse quinhentas léguas descobertas"<ref>[[João de Barros (1496)|Barros, João]], ''Décadas da Ásia''</ref>».
 
=== Colombo chega às "Índias Ocidentais" (1492) ===
{{Ver artigos principais|[[Descoberta da América]], [[Descoberta do Brasil]]}}
[[Ficheiroimagem:Viajes de colon en.svg|thumb|As quatro viagens de [[Cristovão Colombo]] 1492-1503]]
 
O [[Reino de Castela]] (precursor de [[Espanha]]) rival de [[Portugal]], foi um pouco mais lento a começar a explorar o Atlântico. Apenas no final do [[século XV]], após a unificação das coroas de Castela e [[Reino de Aragão|Aragão]] e uma vez concluída a [[reconquista]], os espanhóis se mostraram empenhados na procura de novas rotas comerciais e na expansão. A coroa de Aragão fora um potentado marítimo do [[Mediterrâneo]], controlando territórios no leste da Espanha, sudoeste da [[França]] e ilhas principais como [[Maiorca]], [[Sicília]] e [[Malta]], o [[Reino de Nápoles]] e a [[Sardenha]], em domínios que se estendiam até a [[Grécia]]. Em [[1492]], os [[reis católicos]] conquistaram o reino mouro de [[Reino de Granada|Granada]] que vinha fornecendo mercadorias africanas através de tributo a Castela, e decidiram financiar a expedição do genovês [[Cristóvão Colombo]] - que por duas vezes, em [[1485]] e [[1488]], se apresentara ao rei D. [[João II de Portugal]], sem sucesso - "na esperança de desviar o comércio de Portugal com África e daí com o Oceano Índico, chegando à Ásia viajando para oeste."<ref>Jensen, De Lamar (1992), ''Renaissance Europe 2nd ed.'' pg. 341</ref>
Navegando para a coroa espanhola, [[Cristóvão Colombo]] partiu de [[Palos de la Frontera]] em [[3 de agosto]] de [[1492]], com três pequenas embarcações: a [[nau]] [[Santa Maria (nau)|Santa Maria]] e as [[caravela]]s [[Niña]] e [[Pinta (caravela)|Pinta]]. A [[12 de outubro]] de [[1492]], Cristóvão Colombo chegou ao que chamou as "[[Índias ocidentais]]", um ilhéu das [[Bahamas]] a que deu o nome de [[São Salvador (Bahamas)|São Salvador]]. Continuando a navegar acostou em [[Cuba]] (segundo os próprios cubanos<ref>{{Citar web |url=http://www.cubanow.net/global/loader.php?&secc=5&item=1405&cont=show.php |título=Título ainda não informado (favor adicionar) |data= |acessodata=}}</ref> o nome é derivado da palavra [[Taíno]], "''cubanacán''", significando "um lugar central") e chegou ao [[Haiti]] a que deu o nome de [[Hispaniola]]. Supondo de ter chegado à [[Índia]] deixou uma pequena colônia e regressou à [[Europa]]. Na segunda viagem em [[1493]], avistou as [[Antilhas]] e abordou a [[Martinica]]. Rumou depois para o norte e alcançou [[Porto Rico]]. Foi a [[Hispaniola]], onde a pequena colônia tinha sido arrasada pelos [[indígena]]s. Tendo ali deixado outro contingente de homens, navegou para o ocidente e chegou à [[Jamaica]]. Nessa viagem fundou Isabela, atual [[Santo Domingo]], na [[República Dominicana]], a primeira povoação europeia no continente americano.
 
[[Ficheiroimagem:TresCarabelas.jpg|thumb|leftesquerda|Réplicas das caravelas ''[[Niña]]'', ''[[Pinta (caravela)|Pinta]]'' e da nau ''[[Santa Maria (nau)|Santa María]]'' (centro) em [[Palos de la Frontera]], Espanha]]
Os espanhóis ficaram inicialmente decepcionados com as suas descobertas - ao contrário de [[África]] ou da [[Ásia]], as ilhas do [[Caribe]] pouco comércio permitiam. As ilhas tornaram-se assim o foco de esforços de colonização. Só mais tarde, quando o interior do continente foi explorado, é que que a Espanha encontraria a riqueza que tinha procurado na forma de prata e ouro abundante.
 
=== O Tratado de Tordesilhas (1494) ===
{{Artigo principal|[[Tratado de Tordesilhas]]}}
[[Ficheiroimagem:Spain and Portugal.png|thumb|[[Meridiano de Tordesilhas]] (rosa) de 1494 e o seu [[antimeridiano]] (verde) estabelecido pelo Tratado de Saragoça em 1529.]]
 
Depois da chegada de Colombo às "Índias Ocidentais", uma divisão da zona de influência tornou-se necessária para evitar futuros conflitos entre espanhóis e portugueses.<ref>Jensen, De Lamar (1992), ''Renaissance Europe 2nd ed.'' pg. 345</ref> Isto foi resolvido em 1494, com a assinatura sob egide papal do [[Tratado de Tordesilhas]] que "dividia" o mundo entre as duas potências da época, Portugal e Espanha.{{vago}}
 
=== O Novo Mundo (1497-1507) ===
[[Ficheiroimagem:Nau de Pedro Álvares Cabral.jpg|thumb|leftesquerda|[[Nau]] de Pedro Álvares Cabral no [[Livro das Armadas]] (Biblioteca da [[Academia das Ciências de Lisboa]]).]]
Só uma pequena parte da área dividida pelo Tratado de Tordesilhas havia sido vista pelos europeus, sendo dividida apenas no papel. Imediatamente após a primeira viagem de Colombo vários exploradores navegaram na mesma direção. Em 1497, [[Giovanni Caboto]], também um italiano, obteve uma [[carta-patente]] do rei [[Henrique VII de Inglaterra]]. Partindo de [[Bristol]], provavelmente apoiado pela associação local "Society of Merchant Venturers", Caboto cruzou o Atlântico mais a norte, esperando que a viagem fosse mais curta<ref name="virginia">{{citar web|ano = 2007|url = http://etext.lib.virginia.edu/journals/EH/EH33/croxto33.html|titulo = The Cabot Dilemma:John Cabot's 1497 Voyage &the Limits of Historiography|publicado = [[University of Virginia]]|acessodata = 2008-05-17|último = Derek Croxton|arquivourl = https://web.archive.org/web/20070317235814/http://etext.lib.virginia.edu/journals/EH/EH33/croxto33.html|arquivodata = 17 de março de 2007|urlmorta = yes}}</ref> e aportou algures na [[América do Norte]], possivelmente na [[Terra Nova]].
 
====O descobrimento da América ====
[[Ficheiroimagem:Waldseemuller map closeup with America.jpg|thumb|Pormenor do mapa de [[Martin Waldseemüller]] de 1507 onde se lê o nome "América" pela primeira vez.]]
[[Ficheiroimagem:Oscar Pereira da Silva - Nau Capitania de Cabral, Índios a Bordo da Capitania de Cabral, Acervo do Museu Paulista da USP.jpg|thumb|Nau de Pedro Álvares Cabral, com indígenas a bordo]]
No ano de [[1497]], cumprindo o projecto do seu antecessor de encontrar uma rota para as Índias, o recém-coroado rei D. [[Manuel I de Portugal]] enviou uma frota exploratória para este. Em [[1499]] espalhou-se a notícia de que os portugueses tinham chegado às "verdadeiras Índias", como constava numa carta imediatamente enviada pelo rei Português aos Reis Católicos um dia após a chegada da celebrada frota.<ref>[[#Diffie 1977|Diffie 1977]], p. 185.</ref>
 
=== O caminho marítimo para a Índia e as expedições portuguesas no Índico (1498-1517) ===
{{Artigos principais|[[Descoberta do caminho marítimo para a Índia]]|[[Descobrimentos portugueses]]}}
[[Ficheiroimagem:Caminho maritimo para a India.png|thumb|Caminho percorrido pela expedição de [[Vasco da Gama]] (a preto), por [[Pêro da Covilhã]] (a laranja) e de [[Afonso de Paiva]] (a azul) depois da longa viagem juntos (a verde).]]
 
Protegida da concorrência directa espanhola pelo [[Tratado de Tordesilhas]], a exploração portuguesa continuou a ritmo acelerado. Por duas vezes, em 1485 e em 1488, Portugal rejeitara oficialmente a proposta de [[Cristovão Colombo]] de chegar à [[Índia]] navegando para oeste. Os peritos do rei eram da opinião que a estimativa de Colombo de uma viagem de 2.400 milhas (3.860&nbsp;km) estava subavaliada. Além disso pouco depois, [[Bartolomeu Dias]] regressara a Portugal a seguir a dobrar com sucesso a ponta sul da África, mostrando que o [[oceano Índico]] era acessível pelo Atlântico e, portanto, sabiam que navegando para oeste para chegar às Índias exigiria uma viagem muito mais longa.
Após o contornar do [[Cabo da Boa Esperança]] por Bartolomeu Dias em 1487, e [[Pêro da Covilhã]] ter atingido a [[Etiópia]] por terra, mostrando que a riqueza do oceano Índico era acessível a partir do [[Atlântico]], [[Vasco da Gama]] partiu rumo à [[descoberta do caminho marítimo para a Índia]], e chegou em [[Calecute]] em [[20 de maio]] de [[1498]], retornando em glória para Portugal no ano seguinte. Em [[1500]], na segunda expedição enviada para a Índia, [[Pedro Álvares Cabral]] avistou o litoral brasileiro. Dez anos depois, [[Afonso de Albuquerque]] conquistou [[Goa]], na Índia e pouco depois, em [[1511]], [[Malaca]], na [[Malásia]]. Simultaneamente investiu esforços diplomáticos com os mercadores do [[sudeste asiático]], como os chineses, na esperança de que estes fizessem eco das boas relações com os portugueses. Conhecendo as ambições siamesas sobre Malaca, imediatamente enviou [[Duarte Fernandes]] em missão diplomática ao [[Reino do Sião]] (actual [[Tailândia]]), onde foi o primeiro europeu a chegar viajando num junco chinês que retornava à [[China]], estabelecendo relações amigáveis entre os reinos de Portugal e do Sião.<ref>Donald Frederick Lach, Edwin J. Van Kley, "Asia in the making of Europe", p.520-521, University of Chicago Press, 1994, ISBN 978-0-226-46731-3</ref>
 
[[Ficheiroimagem:Replica Museum portuguese ship 'Flor de La Mar'(25-10-07).JPG|thumb|leftesquerda|Réplica do navio "[[Frol de la mar]]", sede do Museu Marítimo de [[Malaca]], em 2007]]
Ainda em novembro daquele ano, ao tomar conhecimento da localização secreta das chamadas "ilhas das especiarias", ordenou a partida dos primeiros navios portugueses para o [[sudeste asiático]], comandado pelo seu homens de confiança [[António de Abreu (navegador)|António de Abreu]] e por [[Francisco Serrão]], guiados por pilotos malaios. Estes são os primeiros europeus a chegar às [[ilhas Banda]] nas [[ilhas Molucas]]. A nau de Serrão encalhou próximo a Ceram e o sultão de [[Ternate (Indonésia)|Ternate]], Abu Lais, entrevendo uma oportunidade de aliar-se com uma poderosa nação estrangeira, trouxe os tripulantes para Ternate em 1512. A partir de então os portugueses foram autorizados a erguer uma fortificação-[[feitoria]] na ilha, na passagem para o oceano Pacífico: o [[Forte de São João Baptista de Ternate]].
 
 
== Exploração no Oceano Pacífico ==
[[Ficheiroimagem:Balboa Voyage 1513.PNG|thumb|Viagem de [[Vasco Núñez de Balboa]] em 1513]]
Em 1513, a cerca de 40 quilómetros a sul de [[Acandí]], na actual [[Colômbia]], o espanhol [[Vasco Núñez de Balboa]] ouviu dos [[cacique]]s a notícia inesperada de que existiria um "outro" mar rico em ouro, que recebeu com grande interesse. Com poucos recursos e utilizando a informação dos caciques, atravessou o [[istmo do Panamá]]<ref>Asenjo García, Frutos (11/1991). Vasco Núñez de Balboa: El descubrimiento del Mar del Sur. Madrid: Sílex Ediciones. ISBN 84-7737-034-6</ref> com 190 espanhóis, alguns guias nativos e uma matilha de cães. Usando um [[bergantim]] e dez pequenas canoas nativas, navegou ao longo da costa até aportar. A 6 de Setembro a expedição foi reforçada com 1.000 homens, travou diversas batalhas, entrou numa densa selva e subiu a serra ao longo do [[rio Chucunaque]] de onde esse "outro" mar podia ser visto. Balboa avançou e, na manhã de 25 de Setembro, avistou no horizonte um mar desconhecido, tornando-se o primeiro europeu a ter visto ou alcançado o [[oceano Pacífico]] a partir do Novo Mundo. A expedição desceu em direção à praia para uma curta viagem de reconhecimento. Depois de viajar mais de 110&nbsp;km, Balboa chamou a baía onde chegaram de baía de San Miguel. Nomeou o novo mar "Mar do Sul", pois havia viajado para sul para alcançá-lo. O principal objectivo da expedição fora a busca de ouro e riquezas.Com este fim, cruzou as terras dos caciques até às ilhas, nomeando a maior ilha Rica (hoje conhecida como Ilha do Rei) e o arquipélago [[ilhas Pérola]], nome que conserva até hoje. Em 1515-1516, [[Juan Díaz de Solís]] navegou até ao [[Río de la Plata]], que nomeou, morrendo na tentativa de encontrar uma passagem na América do Sul para o "[[Oceano Pacífico|mar do Sul]]" ao serviço de Espanha.
 
=== Primeira circum-navegação por Fernão de Magalhães (1519-1522) ===
{{Artigo principal|[[Fernão de Magalhães]]}}
[[Ficheiroimagem:Magellan's voyage EN.svg|thumb|Mapa da viagem de [[Fernão de Magalhães]] à volta do mundo (1519-1522)]]
 
A partir de 1516, vários portugueses descontentes com a coroa portuguesa reuniram-se [[Sevilha]], ao serviço do recém coroado [[Carlos I de Espanha]]. Entre eles estavam os navegadores Diogo e [[Duarte Barbosa]], [[Estevão Gomes]], [[João Serrão]], [[Fernão de Magalhães]], os cartógrafos [[Jorge Reinel]]<ref>{{citar web | url=http://cvc.instituto-camoes.pt/conhecer/bases-tematicas/navegacoes-portuguesas.html | título=Reinel, Pedro e Jorge }}</ref> e [[Diogo Ribeiro]], os [[cosmógrafo]]s Francisco e [[Rui Faleiro]] e o mercador flamengo [[Cristóvão de Haro]].
A coroa espanhola e Cristovão de Haro financiaram a expedição de [[Fernão de Magalhães]]. A 10 de agosto de 1519 partiu de [[Sevilha]] a frota de cinco navios - a caravela ''Trinidad'' como [[navio-almirante]] sob o comando de Magalhães, e as naus ''San Antonio'', ''Concepción'', ''Santiago'' e ''Victoria'' com uma tripulação de cerca de 237 homens de várias nações, com objetivo era chegar às ilhas Molucas por ocidente, tentando recuperá-las para a esfera económica e política da Espanha.<ref>Jensen, De Lamar (1992), ''Renaissance Europe 2nd ed.'' pg. 349</ref>
A frota navegou para sul, evitando o território Português no Brasil, tornando-se a primeira a chegar à [[Tierra del Fuego]], no extremo das Américas.
[[Ficheiroimagem:Detail from a map of Ortelius - Magellan's ship Victoria.png|thumb|leftesquerda|''Victoria'', o único navio da frota de Magalhães a ter completado a circum-navegação. Detalhe do mapa "Maris Pacifici", o primeiro dedicado ao Pacífico, [[Abraham Ortelius|Ortelius]], 1589).]]
Em 21 de Outubro, a partir do cabo Virgenes, começou uma árdua viagem de 600&nbsp;km através do estreito nomeado então ''de todos os Santos'', actual [[estreito de Magalhães]]. Em 28 de Novembro três navios entraram no oceano Pacífico - então chamado "mar Pacífico", devido à sua aparente quietude.<ref>"Ferdinand Magellan", Catholic Encyclopedia (New Advent), [http://www.newadvent.org/cathen/09526b.htm], retrieved January 14, 2007</ref> A expedição conseguiu atravessar o Pacífico. Magalhães morreu em batalha em Mactan, próximo de [[Cebu]], nas [[Filipinas]], deixando ao espanhol [[Juan Sebastián Elcano]] a tarefa de completar a viagem, chegando às [[Ilhas das Especiarias]] em 1521. Em 6 de setembro de 1522 a ''Victoria'' regressou a Espanha com apenas dezoito membros da tripulação inicial, completando assim a primeira [[circum-navegação]] do mundo. Dos homens que partiram nos cinco navios, apenas 18 completaram a circum-navegação e conseguiram voltar para a Espanha em 1522 com Elcano.<ref>{{Harvnb|Swenson|2005}}.</ref><ref>{{Harvnb|Stanley|1874|pp=[http://dlxs.library.cornell.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=sea&cc=sea&idno=sea061&frm=frameset&view=image&seq=123 39], [http://dlxs.library.cornell.edu/cgi/t/text/pageviewer-idx?c=sea&cc=sea&idno=sea061&frm=frameset&view=image&seq=248 162]}}.</ref> Dezessete outros regressaram mais tarde: doze, capturados pelos portuguêses em Cabo Verde, entre 1525-1527, e cinco sobreviventes da ''Trinidad''. [[Antonio Pigafetta]], um académico veneziano que insistira embarcar e se tornou um fiel assistente de Magalhães, escreveu um diário detalhado que se tornou a principal fonte do que hoje se sabe sobre esta viagem.
 
 
=== As navegações portuguesas para leste e espanholas para oeste cruzam-se (1525-1529) ===
[[Ficheiroimagem:Tidore.jpg|thumb|Vista de [[Ternate (Indonésia)|Ternate]] para [[Tidore]], as [[ilhas Molucas]] onde as explorações portuguesas para oriente e espanholas para ocidente acabaram por se cruzar em 1525]]
Três anos após o regresso da expedição de Magalhães, em 1525, o rei [[Carlos I de Espanha]] enviou nova expedição navegando para oeste liderada por [[García Jofre de Loaísa]] para ocupar e colonizar as [[ilhas Molucas]], alegando que estas estavam na sua zona do [[Tratado de Tordesilhas]]. A frota de sete navios e 450 tripulantes incluia os mais notáveis navegadores espanhóis: Jofre de Loaísa, [[Juan Sebastián Elcano]] (que perderiam a vida nesta expedição) e o jovem [[Andrés de Urdaneta]]. Frente ao [[estreito de Magalhães]] um dos navios foi empurrado para sul por um vendaval e chegou a 56 ° S, onde pensaram ver "o fim da terra": cruzaram assim pela primeira vez o [[cabo Horn]]. A expedição de atingiu com dificuldade as Molucas, ancorando em [[Tidore]]. Logo estalou o conflito com os portugueses estabelecidos na vizinha ilha de [[Ternate (Indonésia)|Ternate]] desde 1512, iniciando quase uma década de escaramuças.
 
 
=== Cortés: exploração do México e conquista do Império Asteca (1519-1521) ===
[[Ficheiroimagem:Ruta de Cortés.svg|thumb|Rota de [[Hernán Cortés]] no interior, 1519-1521]]
Em 1517, o governador de [[Cuba]] [[Diego Velázquez de Cuéllar]] ordenou a uma frota para explorar a [[Península do Iucatão]]. Atingiram a costa onde [[Maias]] os convidaram a aportar, mas foram atacados durante a noite e apenas um resquício da tripulação voltou. Velázquez enviou então outra expedição liderada por seu sobrinho [[Juan de Grijalva]], que navegou ao longo da costa para sul até [[Tabasco]], território [[asteca]]. Em 1518 Velázquez atribuiu ao prefeito da capital de Cuba, [[Hernán Cortés]], o comando de uma expedição para segurar o interior do México mas, devido a uma antiga disputa entre ambos, revogou o alvará.
 
Em Julho os seus homens tomaram [[Veracruz (cidade)|Veracruz]] e Cortés colocou-se sob as ordens directas do novo rei [[Carlos I de Espanha]]<ref>Bernard Grunberg, "La folle aventure d'Hernan Cortés", in L'Histoire n°322, July-August 2007</ref>. Aí Cortés pediu uma audiência com o imperador asteca [[Montezuma II]], que foi repetidamente recusada. Seguiram então para [[Tenochtitlán]] e no caminho estabeleceram alianças com diversas tribos. Em Outubro, acompanhados por cerca de 3.000 [[Tlaxcaltecas]] marcharam para [[Cholula]], a segunda maior cidade da região central do México. Para instilar o medo nos astecas que os aguardavam ou (como Cortés afirmaria mais tarde) por preterem dar um exemplo, ao temer a traição nativa, massacraram milhares de membros desarmados da nobreza reunidos na praça central e parcialmente queimaram a cidade.
 
[[Ficheiroimagem:Tenochtitlan y Golfo de Mexico 1524.jpg|thumb|leftesquerda|Mapa da cidade-ilha [[Tenochtitlán]] e do [[golfo do México]] feito por um membro da expedição de Cortés, 1524, Newberry Library, Chicago]]
Chegando a Tenochtitlan com um grande exército, a 8 de Novembro foram pacificamente recebidos por Montezuma, que deliberadamente deixou Cortés entrar no coração do império asteca, na esperança de conhecê-los melhor para esmagá-lo mais tarde.<ref>Grunberg</ref> O imperador presenteou-os pródigamente com ouro, que os seduziu a saquear grande quantidade. Nas suas cartas a Carlos I, Cortés afirmou ter sabido que era considerado pelos astecas um emissário da divindade [[Quetzalcóatl]] (serpente emplumada) ou a própria divindade- uma opinião contestada por alguns historiadores modernos.<ref>Restall, Matthew (2003). ''Seven Myths of the Spanish Conquest''. Oxford University Press; Townsend, Camilla (2003). "Burying the White Gods: New Perspectives on the Conquest of Mexico." American Historical Review 108, no. 3: 659-687.</ref> Mas logo souibe que os seus homens na costa tinha sido atacados, e decidiu tornar Moctezuma refém no seu palácio, solicitando-lhe a jurar fidelidade a Carlos I.
 
 
=== Pizarro: exploração do Peru e da conquista do Império Inca (1524-1532) ===
[[Ficheiroimagem:Conquest peru 1531 edited.png|thumb|Rota de [[Francisco Pizarro]] na exploração e conquista do [[Peru]] (1531–1533)]]
A primeira tentativa de explorar a costa oeste da América do Sul foi feita em 1522 por [[Pascual de Andagoya]], tendo chegado a [[Rio San Juan]] (Colômbia), onde populações locais lhe descreveram um território rico em ouro junto a um rio chamado "Pirú". Andagoya adoeceu e regressou ao [[Panamá]], onde espalhou a notícia sobre o "Pirú" como o lendário [[El Dorado]]. Este relato, juntamente com o sucesso de Cortés, chamaram a atenção de Pizarro.
 
 
== Chegada ao Japão e as novas rotas comerciais (1542-1565) ==
[[Ficheiroimagem:16th century Portuguese Spanish trade routes.png|thumb|Rotas comerciais portuguesas até [[Nagasaki]] e a rota rival espanhola, o chamado [[galeão de Manila]], iniciada em 1565 (branco)]]
Em 1543, acidentalmente, três mercadores portugueses [[Francisco Zeimoto]], [[António Mota (Navegador)|António Mota]] e [[António Peixoto]] foram os primeiros ocidentais a atingir o [[Japão]] e aí negociar. Segundo [[Fernão Mendes Pinto]], que afirmou ter participado nesta viagem, terão aportado a [[Tanegashima]] em [[23 de setembro]], tendo sido este primeiro contacto directo europeus com o Japão. Segundo este, espantaram os autóctones não só com o relato de terras e costumes estranhos como com a novidade das armas de fogo, os [[arcabuz]]es que seriam imediatamente [[Período Nanban|fabricadas pelos japoneses em grande escala]].<ref>Arnold Pacey, "Technology in world civilization: a thousand-year history", ISBN 0-262-66072-5</ref>
 
A rota leste das Filipinas foi navegada pela primeira vez por [[Álvaro de Saavedra]] em 1527. O percurso de regresso foi mais difícil de encontrar.<ref>{{citar livro |último=Fernandez-Armesto |primeiro=Felipe |titulo=Pathfinders: A Global History of Exploration |ano=2006 |publicado=W.W. Norton & Company |página=202 |isbn=0-393-06259-7}}</ref> em 1565. A conquista espanhola das [[Filipinas]] foi ordenada por [[Filipe II de Espanha]]. Por fim, os espanhóis estabeleceram uma presença no Pacífico com a expedição de [[Miguel López de Legazpi]], que partiu de [[Acapulco]], [[Nova Espanha]] em 1565.
 
[[Ficheiroimagem:Namban-11.jpg|thumb|leftesquerda|[[Carraca]] portuguesa em [[Nagasaki]], pintura [[Período Nanban|Nanban]] atribuída a [[Kano Naizen]] (1570-1616)]]
[[Andrés de Urdaneta]] fora o comandante designado, mas embora tenha acordado acompanhar a expedição, recusou o comando e Legazpi foi nomeado em seu lugar. A expedição partiu em Novembro de 1564. Depois de passar algum tempo nas ilhas, Legazpi enviou Urdaneta de volta para encontrar uma melhor rota de retorno. Urdaneta partiu de San Miguel, na ilha de [[Cebu]] em Junho de 1565, mas foi obrigado a navegar para norte até à [[Paralelo 38 N|latitude 38 graus norte]] até obter os ventos favoráveis.
 
 
=== Explorações costeiras da América do Norte (1524-1611) ===
[[Ficheiroimagem:Henry Hudson Map 26.png|thumb|right|Mapa das viagens de [[Henry Hudson]] entre 1609-1611 à América do Norte ao serviço da [[Companhia das Índias Orientais Holandesas]] (VOC)]]
 
A primeira expedição norte europeia (1497) foi inglesa, liderada pelo italiano [[John Cabot]] (''Giovanni Caboto''). Foi a primeira de uma série de missões francesas e inglesas a explorar [[América do Norte]]. Espanha dedicara esforços limitados a explorar a parte norte das Américas, com os recursos totalmente tomados pelos seus esforços na [[América Central]] e do Sul, onde mais riqueza havia sido encontrada. As expedições de Cabot, [[Jacques Cartier]] (primeira viagem de 1534) e outros seguiam na esperança de encontrar uma [[passagem do Noroeste]] oceânica para chegar ao comércio asiático. Esta nunca foi descoberta, mas, nestas viagens, outras possibilidades foram encontrados e, no início do {{séc|VII}} colonos de vários estados norte europeus começaram a estabelecer-se na costa leste da América do Norte.
 
=== Barents e a busca de uma rota no Norte (1525-1611) ===
[[Ficheiroimagem:Barentsz Full Map.jpg|thumb|Mapa da terceira exploração do [[Árctico]] por [[Willem Barents]], 1599 ]]
França, Holanda e Inglaterra haviam ficado sem uma [[rota comercial]] para a Ásia, pois África estava dominada pelos portugueses e a América do Sul pelos espanhóis. Quando se tornou evidente que não havia nenhuma passagem através do continente americano, as atenções voltaram-se para a possibilidade de uma passagem pelas águas do norte, a que os ingleses chamavam a [[passagem do Noroeste]], procurada desde a viagem de [[John Cabot]]. O desejo de estabelecer uma rota motivou a exploração europeia, tanto nas costas da América do Norte como na [[Rússia]]. Na Rússia, a ideia de um possível caminho marítimo que ligasse o Atlântico ao Pacífico foi apresentado pela primeira vez pelo diplomata Dmitry Gerasimov, em 1525.
 
No ano seguinte, o príncipe [[Maurício de Orange]] nomeou Barents como piloto de uma nova expedição de seis navios, carregados com mercadorias holandesas para o esperado comércio com a China. Ao descobrir o Mar de Kara congelado acabou por que regressar. Em 1596, os estado holandês instituiu uma recompensa a quem navegasse com sucesso a Passagem Nordeste. A cidade de Amesterdão comprou e equipou dois pequenos navios, sob o comando de Barents. Partiram em Maio e chegaram a Bear Island e [[Spitsbergen]], avistando a costa noroeste. Encontraram uma grande baía, a que deram o nome de Tusk Bay, mas foram obrigados a voltar. Em 28 de Junho, contornaram a ponta norte da [[Prins Karls Forland]] e navegaram para sul.
 
[[Ficheiroimagem:Polar bear, Gerrit de Veer (1596).jpg|thumb|leftesquerda|Tripulante da expedição de Willem Barents enfrentando um [[urso polar]]]]
 
Retornaram a Bear Island, onde se separaram, continuando Barents para nordeste e o piloto Rijp rumo ao norte. Barents atingiu Nova Zembla, e, para evitar ficar preso no gelo, dirigiu-se para o Estreito Vaigatch onde ficou preso e a tripulação de 16 homens foi forçada a passar o inverno. Enfrentando um frio extremo, usaram madeira do navio para construir um abrigo, e os tecidos que transportavam para fazer roupas, caçaram [[raposa do ártico|raposas do ártico]] e ursos polares em armadilhas primitivas. Junho chegou, mas o gelo ainda não havia afrouxado sobre o navio. Os sobreviventes, atacados de escorbuto, partiram em dois botes em direção ao mar. Barents morreu no mar em 20 de Junho de 1597, enquanto estudava os seus mapas. Só passadas sete semanas os barcos chegarem a Kola, onde foram resgatados por um navio mercante russo. Apenas 12 tripulantes sobreviveram, atingindo Amesterdão em Novembro. Dois dos companheiros de Barents publicaram os seus relatos: [[Jan Huygen van Linschoten]], que o acompanhara nas duas primeiras viagens, e Gerrit de Veer, carpinteiro do navio.
=== Chegada dos holandeses à Austrália e à Nova Zelândia (1606-1644) ===
{{Ver artigos principais|[[Descoberta da Austrália]]}}
[[Ficheiroimagem:Tasmanroutes.PNG|thumb|As viagens de [[Abel Tasman]] em 1642 e 1644 na Nova Holanda (actual [[Austrália]]) ao serviço da VOC (a [[Companhia Holandesa das Índias Orientais]])]]
 
''[[Terra Australis Incognita]]'' ("terra desconhecida do sul" em [[latim]]) era um continente hipotético que surgia representado nos mapas europeus, com raízes num conceito introduzido inicialmente por [[Aristóteles]]. Pode ver-se nos [[mapas de Dieppe]] do século XVI e de [[Abraham Ortelius]], a sul das [[Índias Orientais]], com o litoral elaborado e uma grande riqueza de detalhes fictícios. Os descobrimentos reduziram a área em que o continente poderia ser encontrado, no entanto, muitos cartógrafos mantinham a opinião de Aristóteles. [[Gerardus Mercator]] (1569) e [[Alexander Dalrymple]] defenderam a sua existência até 1767,<ref name="Wilford">John Noble Wilford: The Mapmakers, the Story of the Great Pioneers in Cartography from Antiquity to Space Age, p. 139, Vintage Books, Random House 1982, ISBN 0-394-75303-8</ref> argumentando que deveria haver uma massa de terra grande no sul como contraponto para as massas de terra conhecidas no Hemisfério Norte. À medida que novas terras eram descobertas, eram muitas vezes assumidas como sendo partes deste continente hipotético.
 
[[Juan Fernández]], navegando do [[Chile]] em 1576, reclamou ter descoberto o continente do Sul.<ref>José Toribio Medina, ''El Piloto Juan Fernandez,'' Santiago de Chile, 1918, reprinted by Gabriela Mistral, 1974, pp.&nbsp;136, 246.</ref> [[Luís Vaz de Torres]], um navegador português ao serviço da coroa espanhola, provou a existência de uma passagem ao sul da [[Nova Guiné]] que hoje é conhecida como o [[estreito de Torres]]. [[Pedro Fernandes de Queirós]],outro navegador português para a coroa espanhola, viu uma grande ilha sul da [[Nova Guiné]] em 1606, a que deu o nome de "La Austrália del Espiritu Santo" que apresentou ao rei de Espanha como a ''Terra Australis incognita''.
[[Ficheiroimagem:Duyfken replica, Swan River.jpg|thumb|leftesquerda|Réplica do Duyfken, Swan River, Australia]]
O navegador holandês e governador colonial, [[Willem Janszoon]] foi o primeiro europeu reconhecido como tendo visto a costa da [[Austrália]]. Janszoon partira da [[Países Baixos|Holanda]] para as Índias Orientais pela terceira vez em [[18 de dezembro]] de 1603, como capitão do ''[[Duyfken]]'' (ou ''Duijfken'', que significa "pequena pomba"), um de doze navios da frota de [[Steven van der Hagen]]. Uma vez na Índia, Janszoon foi enviado para procurar outros [[entreposto]]s de comércio, particularmente na "grande terra da Nova Guiné e outras Terras a este e a sul." Em 18 de novembro de 1605, o ''Duyfken'' partiu de [[Bantam (Austrália)|Bantam]] para a costa oeste Nova Guiné. Janszoon então cruzou a extremidade oriental do [[mar de Arafura]], sem ver o Estreito de Torres, no [[golfo de Carpentária]]. Em 26 de fevereiro de 1606, desembarcou no [[rio Pennefather]] na costa oeste do [[cabo York]], em [[Queensland]], perto da actual cidade de [[Península do Cabo York|Weipa]]. Este foi o primeiro desembarque europeu registado no continente australiano. Janszoon procedeu ao mapeamento de cerca de 320&nbsp;km de costa, do que ele pensava ser uma extensão do sul da Nova Guiné. Em 1615, [[Jacob Le Maire]] e [[Willem Schouten]] contornaram o [[cabo Horn]] provando que a [[Tierra del Fuego]] era uma ilha relativamente pequena.
 
{{Ver artigos principais|[[Intercâmbio colombiano]], [[Colonização]], [[Globalização]]}}
 
[[Ficheiroimagem:New World Domesticated plants.JPG|thumb|Plantas nativas do [[Novo Mundo]]. No sentido horário, do topo à esquerda:: 1. [[Milho]] (Zea mays) 2. [[Tomate]] (Solanum lycopersicum) 3. [[Batata]] (Solanum tuberosum) 4. [[Baunilha]] 5. [[Seringueira]] (Borracha -Hevea brasiliensis) 6. [[Cacau]] (Theobroma cacao) 7. [[Tabaco]] (Nicotiana rustica)]]
[[Ficheiroimagem:Colonisation2.gif|thumb|[[Colonialismo|Impérios coloniais]] europeus desde [[1492]]]]
A expansão ultramarina europeia desencadeou o intenso contacto entre o [[Velho Mundo]] e o [[Novo Mundo]] nomeado [[intercâmbio colombiano]]<ref>Crosby, Alfred W., Jr. "The Columbian Exchange: Biological and Cultural Consequences of 1492"</ref>. Este fenómeno envolveu a transferência de produtos até então exclusivos de cada hemisfério, como [[gado bovino]], [[cavalo]]s, [[algodão]] e [[cana-de-açúcar]] da Europa para o Novo Mundo, ou [[tabaco]], [[batata]], [[cacau]] e [[milho]], trazidos do Novo para o Velho Mundo. Entre os produtos que moveram o comércio global destacam-se a cana-de-açúcar e o algodão que foram cultivados intensamente nas Américas, e o ouro e prata trazidos das Américas que moveram não só a economia da Europa, mas de outras partes do mundo como o Japão e a China.
 
 
Durante o século XVI, a economia chinesa sob a [[dinastia Ming]] foi estimulada pelo comércio com portugueses, espanhóis e holandeses, envolvendo-se no comércio mundial de mercadorias, plantas, animais e culturas alimentares. O comércio com europeus e japoneses trouxe grandes quantidades de [[prata]], que substituiu o cobre e o [[papel-moeda]] como meio de pagamento na China. Nas últimas décadas da dinastia Ming, o fluxo de prata diminuiu muito, comprometendo as receitas estatais e, assim toda a economia. Esse dano foi agravado pelos efeitos sobre a agricultura da [[Pequena Idade do Gelo]], calamidades naturais, más colheitas e epidemias frequentes. A resultante quebra da autoridade permitiu que líderes rebeldes como [[Li Zicheng]] desafiassem a autoridade Ming.
[[Ficheiroimagem:Namban-08.jpg|thumb|leftesquerda|Portugueses ''[[Gaijin|Nanbanjin]]'' chegando ao Japão, para surpresa dos habitantes, detalhe de painel [[Nanban]] por Kano Domi, 1593-1600]]
Novas culturas vindas das Américas contribuíram para o crescimento da população asiática<ref>{{citar web | url=http://afe.easia.columbia.edu/china/geog/population.htm | título=China's Population: Readings and Maps }} [[Columbia University]], [[East Asia]]n Curriculum Project</ref>. Embora a principal importação chinesa fosse a prata, os chineses importaram também culturas do Novo Mundo através do Império Espanhol. Estas incluíam a [[batata doce]], milho e [[amendoim]], que podiam ser cultivados em terras onde as culturas base tradicionais de [[trigo]], [[painço]] e [[arroz]] não conseguiam crescer, facilitando o aumento na população da China.<ref name="crosby 2003 198 201">Crosby (2003), 198-201.</ref> Na [[dinastia Song]] (960-1279), o arroz tornara-se a principal plantação de subsistência,<ref>Gernet (1962), 136.</ref> mas desde que a [[batata doce]] foi introduzida na China, por volta de 1560, tornou-se gradualmente a comida tradicional das classes mais humildes.<ref name="crosby 2003 200">Crosby (2003), 200.</ref>
 
=== Impacto económico e cultural da era dos descobrimentos na Europa ===
{{Ver artigos principais|[[Revolução Comercial]], [[Renascimento]], [[Século de Ouro dos Países Baixos]]}}
[[Ficheiroimagem:Kepler-world.jpg|thumb|Mapa múndi das Tabelas Rodolfinas de [[Johannes Kepler]] (1627), incorporando muitas das novas descobertas.]]
Com a maior variedade de produtos de luxo a entrarem no mercado europeu por via marítima, os anteriores mercados europeus de bens de luxo estagnaram. O comércio do Atlântico suplantou largamente as anteriores potências comerciais italianas ([[repúblicas marítimas]]) e alemãs ([[Liga Hanseática]]), que baseavam as suas relações comerciais no Báltico, com russos e muçulmanos. Os novos produtos causaram também mudanças sociais, à medida que [[açúcar]], [[especiarias]], [[seda]]s e [[porcelana]]s entraram no mercado de luxo da Europa.
 
 
Apesar das hostilidades iniciais, a partir de 1549 os portugueses enviavam missões comerciais anuais para [[Sanchoão]], na China.<ref name="brook 1998 124">Brook (1998), 124.</ref> Em 1557 conseguiram convencer a corte Ming a chegar a um tratado comercial que estabelecia [[Macau]] como uma base comercial oficial Portuguesa.<ref name="brook 1998 124"/> Em 1569 o português Frei [[Gaspar da Cruz]] publicou o "Tratado das cousas da China", primeira obra completa sobre a China e a Dinastia Ming publicada na Europa desde Marco Pólo, que incluia informações sobre a geografia, províncias, realeza, funcionários, burocracia, transportes, arquitetura, agricultura, artesanato, assuntos comerciais, de vestuário, costumes religiosos e sociais, música e instrumentos, escrita, educação e justiça.<ref name="dictionary of ming biography">The Ming Biographical History Project of the Association for Asian Studies (1976), 410-411.</ref> influenciando a imagem que os europeus tinham da China.
[[Ficheiroimagem:DelftChina18thCenturyCompanieDesIndes.jpg|thumb|leftesquerda|Porcelana de [[Delft]] com motivos chineses, século XVIII. <br><small>[[Museu Ernest Cognacq]]]]
As principais importações vindas da China eram [[seda]]s e [[porcelana]]s, adaptadas aos gostos europeus. As porcelanas chinesas eram tão apreciadas na Europa que, em Inglês, ''"china"'' tornou-se sinónimo de ''"porcelana"''. A chamada [[porcelana kraak]] (cujo nome terá origem nas "carracas" portuguesas em que era transportada) estava entre as primeiras cerâmicas chinesas a chegar à Europa em quantidades maciças. Apenas os mais ricos podiam pagar estas primeiras importações, que foram frequentemente representadas nas naturezas mortas holandesas.<ref>Para um estudo sobre os elementos estrangeiros na pintura holandesa veja-se Hochstrasser, ''Still Life and Trade''.</ref>
 
Depressa a [[Companhia Holandesa das Índias Orientais]] estabeleceu um dinâmico comércio com o Oriente, tendo importado 6 milhões de items de porcelana da China para a Europa entre os anos de 1602 para 1682.<ref>Volker, T. ''Porcelain and the Dutch East India Company'', 1602-1683, Leiden, 1955) p.22.</ref><ref name="brook 1998 206">Brook (1998), 206.</ref> A mestria chinesa impressionou muitos. Entre 1575 e 1587, a porcelana [[Família Médici|Médici]] de [[Florença]] foi a primeira tentativa bem sucedida para imitar a porcelana chinesa. Apesar dos ceramistas holandeses não terem copiado imediatamente a porcelana chinesa, começaram a fazê-lo quando o abastecimento para a Europa foi interrompido, após a morte do [[Dinastia Ming#Reinado do Imperador Wanli|Imperador Wanli]] em 1620. A porcelana Kraak, principalmente a azul e branca, foi imitada em todo o mundo, primeiro pelos oleiros em Arita, Japão e Pérsia - para onde os comerciantes holandeses se viraram quando a queda da dinastia Ming tornou os originais chineses indisponíveis<ref>Crowe, p. 22; Howard, p. 7 of "Introduction."</ref> - e, em última instância nas porcelanas de [[Delft]]. As loiças holandesas e inglesas inspiradas em desenhos chineses persistiram desde cerca de 1630 até meados do século XVIII, junto com os padrões europeus.
Antonio de Morga (1559-1636), um oficial espanhol em [[Manila]], inventariou exaustivamente os bens negociados pela China Ming na viragem para o século XVII, notando que havia "raridades tais que, se referisse todas elas, nunca iria acabar, nem o papel seria suficiente."<ref>Brook (1998), 205-206.</ref> Num caso, um galeão com destino ao território espanhol no Novo Mundo transportava mais de 50.000 pares de meias de seda. Em troca, a China importava principalmente prata das minas peruanas e mexicanas, transportada através de [[Manila]]. Os comerciantes chineses eram ativos neste comércio, e muitos emigraram para locais como as [[Filipinas]] e o [[Bornéu]] para aproveitar as novas oportunidades comerciais.<ref name="ebrey cambridge 211">Ebrey (1999), 211.</ref>
[[Ficheiroimagem:Heem, Jan Davidsz. de - A Richly Laid Table with Parrots - detail cup.jpg|thumb|''Uma mesa ricamente posta com papagaios'', (pormenor) c. 1650<br><small>[[Natureza morta]] de [[Jan Davidszoon de Heem]]. Baixela de prata</small>]]
O aumento da riqueza experimentado pela Espanha dos [[Habsburgos]] coincidiu com um grande ciclo [[inflacção|inflacionário]] tanto em Espanha como na Europa, conhecido como [[revolução dos preços]]. Em 1520 iniciara-se a extração de prata em grande escala em [[Guanajuato]], no [[México]]. Com a abertura das minas de prata em [[Zacatecas]] e [[Potosí]], na [[Bolívia]], em 1546 grandes carregamentos de prata tornaram-se a fonte da fabulosa riqueza espanhola. Durante o século XVI, Espanha realizou o equivalente a 1,5 triliões de U.S.$ (valor de 1990) em [[ouro]] e [[prata]] da [[Nova Espanha]]. Sendo o mais poderoso monarca europeu numa época cheia de guerras e conflitos religiosos,<ref>Fernández Álvarez, Manuel. ''Felipe II y su tiempo''. Espasa Calpe, Madrid, 6th Ed. ISBN 84-239-9736-7 Na introdução desta obra, Filipe é referido como o mais poderoso monarca europeu em recursos e armamento, retratando a Europa de então como um mundo cheio de problemas por resolver e conflitos religiosos</ref> [[Filipe II de Espanha|Filipe II]] dispersou a riqueza nas artes e nas guerras europeias. "Aprendi aqui um provérbio", afirmava um viajante francês em 1603: "Tudo é estimado em Espanha, excepto a prata."<ref>Citado em [[#Braudel2|Braudel]], p.&nbsp;171</ref> A prata, subitamente espalhada por uma Europa até então carente de moeda, provocou a inflação generalizada.<ref>{{citar livro |autor=Tracy, James D. |titulo=Handbook of European History 1400-1600: Late Middle Ages, Renaissance, and Reformation |publicado=Brill Academic Publishers |local=Boston |ano= 1994|páginas=655 |isbn=90-04-09762-7 }}</ref> A inflação foi agravada por uma população em crescimento, mas um nível de produção estático, baixos salários e um aumento do custo de vida. Espanha tornou-se cada vez mais dependente das receitas provenientes do império nas Américas, levando à primeira [[falência]] estatal em 1557 devido ao aumento das despesas militares.<ref>{{citar web | url=https://www.geology.ucdavis.edu/~cowen/~GEL115/115CH8.html | título=Gold and Silver: Spain and the New World }}{{Ligação inativa|1={{subst:DATA}} }} University of California</ref> Filipe II de Espanha, em [[insolvência]] face à sua dívida várias vezes, teve de declarar quatro falências do estado em 1557, 1560, 1575 e 1596, tornando-se a primeira nação soberana da história a declarar falência. O aumento dos preços resultante da circulação monetária estimulou o crescimento de uma [[classe média]] comercial na Europa, que viria a influenciar a política e a cultura de muitos países.