Diferenças entre edições de "Miguel da Silva"

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===Recepção na Corte de Lisboa===
[[Imagem:D._João_III_-_Cristóvão_Lopes_(attrib).png|thumb|260px|Retrato de [[D. João III]] por [[Cristóvão Lopes]].]]
Devido à animosidade que lhe votava D. João III, a sua recepção na corte não foi muito calorosa. Foram-lhe concedidas algumas rendas eclesiásticas, nomeadamente: o [[prior]]ado perpétuo do [[mosteiro de Landim]] ([[Vila Nova de Famalicão]]) e [[Abade|abadia]] do [[Mosteiro de Santo Tirso]] em Riba de Ave (hoje em [[Santo Tirso]])e a Comenda de [[Sanfins de Ferreira]] ([[Paços de Ferreira]]) .<ref name=castro/> Veio a somar-se-lhes as rendas da [[Diocese de Viseu]], pois foi eleito por intersecção de Clemente VII para Bispo de Viseu a 21 de Novembro de [[1526]]. O anterior prelado, Frei João das Chaves, que era capelão de D. João III, morreu entre finais de 1525 e 1526.<ref name="PAIVA 2006 pg.50"/> A intervenção do Papa permitiu a eleição de D. Miguel, permanecendo o rei pouco entusiasmado com a nomeação; porventura recordando-se que o anterior Papa, Adriano VI, recusara o nome de seu irmão D. Henrique para a mesma diocese em 1522. Esta relutância régia pode ser apreciada no tempo que transitou antes da ordenação de D. Miguel como bispo, o que só veio a ocorrer no final de 1529.<ref name=castro/><ref name="BUESCU 2010 pg.158, 159">BUESCU(2010).''D.João III e D.Miguel...''.pg.158, 159</ref> Já a 4 de Fevereiro de 1527 anunciava o novo bispo em carta ao Cabido da Sé a sua tomada de posse para breve, mas tal não veio a suceder. Contudo, parece que D. Miguel tomou as rédeas à diocese para que fora eleito independentemente de ainda não estar ordenado, tendo feito publicar em Outubro de 1527 as ''Ordenações do Bispado de Viseu''. No frontispício da obra podem apreciar-se as insígnias de Bispo de Viseu, Fidalgo do Conselho Real e Escrivão da Puridade de D. João III.<ref>BUESCU(2010).''D.João III e D.Miguel...''.pg.159, 160</ref>
 
De facto, a contento da Casa de Portalegre e do núncio apostólico, D. João III havia nomeado D. Miguel da Silva para o cargo de [[Escrivão da puridade]]. Embora as acções beneméritas de D. João III para com o prelado possam ser interpretadas à luz da pressão do Papado, há quem lhes note alguma ambiguidade, especulando-se se agia D. João III:'' " com a esperaça de o atraír; se com o desejo de o anular".<ref name="BUESCU 2010 pg.158, 159"/>'' D. Miguel ocupava assim um cargo que seu pai desempenhara junto de D. Manuel I até à sua morte em 1504. O cargo pertencera desde então ao seu cunhado D. Afonso de Noronha, Conde de Linhares, cujo afastamento de tão elevada posição parece não ter sido pacífico.<ref name=castro/><ref name="BUESCU 2010 pg.152"/> O cargo de escrivão da puridade remontava aos secretários particulares dos soberanos da Alta Idade Média. Contudo, com o tempo, o cargo veio a ocupar o espaço político de um verdadeiro primeiro-ministro. Ao tempo de D. João III, contudo, o cargo perdera já grande parte da sua importância real, se bem que nenhum do prestígio. As acções de [[António Carneiro, Vedor da Fazenda|António Carneiro]] e depois do seu filho [[Pedro de Alcáçova Carneiro, 1.º Conde de Idanhas|Pedro de Alcáçova Carneiro]], Vedores da Fazenda, esvaíram o cargo da sua antiga relevância política. Os Alcáçova Carneiro foram na corte de D. João III os verdadeiros validos do monarca, não os conseguindo suplantar a Casa de Portalegre detentora da puridade.<ref name=castro/><ref>BUESCU(2010).''D.João III e D.Miguel...''.pg.152, 153</ref> Sintomático dessa situação é o facto de, após a saída de D. Miguel do Reino, em 1540, mais nenhum escrivão da puridade ter sido nomeado, sendo o cargo extinto com a criação das Secretarias de Estado nas reformas administrativas de [[Sebastião de Portugal|D. Sebastião]].