Diferenças entre edições de "Abel Gance"

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Gance não conseguiu fazer bem a transição do [[filme mudo]] para o falado. Embora ele tenha continuado a fazer filmes por muitas décadas, ele nunca mais alcançou o reconhecimento e o sucesso que ele havia experimentado nos anos de 1920. Ele gastou muito do seu tempo modernizando seus antigos filmes mudos, produzindo versões sonoras para suas obras-primas anteriores, ''J'Accuse'' e ''Napoléon''.
[[Ficheiro:Abel Gance com José Lewgoy (1954).tif|esquerda|miniaturadaimagem|Abel Gance e [[José Lewgoy]], 1954. [[Arquivo Nacional (Brasil)|Arquivo Nacional]]]]
 
Abel Gance foi um gigante que teve sua ambições frustradas. Em ''La Roue'', ele empregou, pela primeira vez, a chamada "montagem acelerada", com o intuito de transmitir a ideia abstrata da velocidade. Um maquinista enlouquece e abandona o trem que, desembestado, corre em direção à catástrofe. Os planos decupados mostram sucessivamente o trem, as rodas em movimento, o rosto calmo de uma passageira que ignora o seu destino. A cada momento, essas imagens são retomadas em planos cada vez mais curtos e gestos cada vez mais rápidos, fazendo o público acompanhar a marcha para o desastre. Em ''Napoléon''(1928), Gance introduz as técnicas narrativas mais revolucionárias que o cinema conheceu até então: emprega câmeras em trenós, movidas por controle remoto, e objetivas envolvidas em espuma, para serem socadas, câmeras movidas a cilindros de ar comprimido e postas em dorsos de cavalos; tela dividida em nove imagens; câmera acoplada a um pêndulo; máquinas para fazer jorrar milhares de litro de água numa simulação de tempestade; e "polivisão" com projeção de cenas em três telas justapostas. Na sua versão original, o filme durava 9 horas. Pouco sobrou desse monumento. A indústria cinematográfica era pequena demais para a visão de Gance. Lançado na transição do mundo para o sonoro, o filme foi mutilado de todas as formas pelos distribuidores, para viabilizar sua comercialização. Deve-se ao [[historiador]] [[Kewin Bownlow]] a mais completa reconstituição de Napoléon com pouco mais de cinco horas. Abel Gance também sonhou, durante toda a vida, em materializar num épico a aventura de Cristóvão Colombo, num filme que deveria ser ainda mais grandioso. Sem obter apoio fincanceiro, o projeto de Gance modificou-se com o tempo, até transformar-se num esboço de minissérie de televisão; mas nem assim conseguiu ser realizado; dele restou "apenas" um roteiro de quase mil páginas.
 
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