Diferenças entre edições de "Paços de Ferreira"

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→‎História do território: o equívoco dos templários
(→‎História do território: Freamunde, município.)
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=== História do território ===
O território do atual concelhoé depovoado Paçosdesde o Neolítico. Desse período resta o Dólmen da Leira Longa, em [http://www.patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/72395 FerreiraLamoso]. foi palcoPalco de intensos e prolongados conflitos., Aa Colina e a Chã de Ferreira foram zona de fronteiras religiosas, militares , políticas e administrativas. Território povoado desde o neolítico, teve o seu ponto alto naDa Idade do Ferro, nopartindo do alto da colina, [[Citânia de Sanfins|Citânia]], temos, para um lado e para o outro, um notável conjunto de outros castros. Do período [[Reino Suevo|suévico]] temos topónimos que persistem, como [[Freamunde]][[Eiriz|, Eiriz]]. O primeiro documento, em papel, sobre este território, refere-se a uma doação de bens ao Mosteiro de Santa Maria de Cacães (Eiriz)[https://digitarq.arquivos.pt/details?id=4381031] de Ferreira, datado de 0976. Esta "Villa Colina" e "Villa Cova" são referências fundamentais do Livro de [[Mumadona Dias]], quando a Condessa de Portugal no século X, elenca os seus bens e igrejas em Ferreira. No período da fundação da Nacionalidade, os Ferreira e a sua Quinta e Honra _Casa do Paço, na freguesia de Eiriz_ foram cavaleiros de grande importância no seu serviço ao [http://www.soveral.info/mas/Ferreira.htm Reino]. É à volta deste Termo de Ferreira que se afirmam as famílias nobiliárquicas dos Sousa e dos Ferreira. O cavaleiro [[Mem Viegas de Sousa]] foi senhor e cavaleiro de honrarias em [[Carvalhosa]], [[Eiriz]], [[Sanfins de Ferreira]], como se vê [[Gonçalo Mendes de Sousa]].
 
==== Ferreira: os coutos, os mosteiros, as dioceses, os forais e as comendas ====
[[Ficheiro:Em Ferreira, posses de Mumadona Dias, séc. X.jpg|alt=Posses e Igrejas constantes no livro de Mumadona, no território de Ferreira|esquerda|miniaturadaimagem|250x250px|Posses de Mumadona, séc. X, no território de Ferreira]]
 
No período da reconquista, foi restaurada a Diocese de Braga e a Chã de Ferreira ficou a pertencer-lhe. Há registos que afirmam que, no ano de 1111, o cavaleiro Soeiro Viegas é senhor do “Couto de Fins de Ferreira” e que aqui fundou um mosteiro. Inicia-se a construção do Mosteiro de Ferreira e logo se divide este território. A diocese do Porto pretende recuperar os antigos limites e entra em conflito pela posse do território de Ferreira. Os século XII e XIII foram de grandes conflitos religiosos; o que obrigou a intervenção papal. Na prática, a diocese Braga ficou com as paróquias do norte do atual concelho, com o seu Mosteiro de "Sam Fins de Ferreira[http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/1737/4/21893_ulfl061171_tm_corpo_documental.pdf Ferreira" http://repositorio.ul.pt/] e igreja de S. Pedro Fins de Ferreira. A diocese do Porto ficou com as paróquias a sul do atual concelho, com o seu Mosteiro de "S. Pedro de Ferreira" e [[igreja de São Pedro de Ferreira]]. O título nobiliárquico de “senhor do Couto de Fins de Ferreira” é referido ainda ao longo do século XIIIXII[http://www.decarne.com/gencar/dat216.htm .http://www.decarne.com/gencar/dat216.htmI] e foi este esta Igreja/Mosteiro que foi transformada em Comenda, cujo primeiro comendatário foi D. [[Miguel da Silva (cardeal)]].
 
A restauração das Dioceses provocou disputas entre Braga e Porto que se prolongaram até 1882, data em que a Diocese de Braga devolveu à Diocese do Porto as igrejas dos medieovos Termo de Ferreira e Terra de Ferreira.
No Foral da [[Terra de Ferreira]] apenas as freguesias da Diocese de Braga e a norte do atual concelho de Paços de Ferreira são referidas: Raimonda, Codessos, Lamoso, Figueiró e Sanfins de Ferreira. Sanguinhedo, junto à nascente do [[Rio Ferreira]] mais distante da foz, já em Lustosa (no concelho de Lousada), são os terrenos centrais e com que se inicia o Foral da [[Terra de Ferreira]].
 
A Terra de Frazão [https://www.jf-frazaoarreigada.pt/index.php/juntfreguesia/fraz%C3%A3o.htmlhtm Frazão] , Honra desde o século XIII, também recebeu Foral de D. Manuel, em 1514. A sede da Honra encontrava-se em Santa Maria Alta, hoje o S. Brás da Poupa. Com o Liberalismo obteve o estatuto de Concelho, sendo que a 20 de novembro de 1836, na Igreja Matriz de S. Martinho, se registou o último ato de vulto da autonomia administrativa, que se estendia pela Seroa e tinha marca histórica na Torre dos Alcoforados, na atual freguesia de [[Lordelo (Paredes)]]. Em 1742, no Catálogo dos bispos do Porto, a sede do atual concelho de Paços de Ferreira é referida como Santa Eulália de Paços; dando a perceber o tardio determinativo de [https://books.google.pt/books?id=PG1QAAAAcAAJ&pg=RA1-PA263&lpg=RA1-PA263&dq=meixomil+comenda&source=bl&ots=7nT670o53I&sig=gERGWv_76pC6M995kLJLtVWsu98&hl=pt-PT&sa=X&ved=2ahUKEwjjns2Xr6nfAhUP4YUKHcEbCuwQ6AEwDHoECAoQAQ#v=onepage&q=meixomil%20comenda&f=false Ferreira].
 
===== Guerras Liberais e os alinhamentos =====
Até ao liberalismo estes territórios do atual concelho de Paços de Ferreira, integravam a Honra de Sobrosa, o couto de S. Pedro de Ferreira, a Honra e a Comenda de Frazão; a Comenda de S. Pedro Fins de Ferreira, a Comenda de [http://pesquisa.adporto.pt/details?id=481847 Penamaior] , a Honra de Paços de Ferreira. Com a reforma administrativa de 1836, com a diferença de uma ou outra freguesia, o concelho de Paços de Ferreira sobrevive e afirma-se sobre todos os outros. A 06 de novembro de 1836, afirma-se a vitória dos liberais pacenses e dissolvem-se os poderes dos nobres conservadores (Sobrosa e Frazão) e da Igreja (Ferreira e Sanfins de Ferreira). Os conflitos deixaram as suas marcas e, neste contexto, [[Freamunde]], que pertencera à Honra (Sobrosa) e Couto (Ferreira), mesmo sendo a freguesia mais desenvolvida e com maior vitalidade desta região, foi preterida. O atual concelho de Paços de Ferreira corresponde à bacia hidrográfica das nascentes do rio Ferreira e integra os extintos concelhos de [[Frazão]] e de [[Ferreira (Paços de Ferreira)|Ferreira]], algumas freguesias do extinto concelho de [[Sabrosa|Sobrosa]] e uma freguesia (Penamaior) que, até 1855, pertencia ao extinto concelho de [[Negrelos]]. Paços de Ferreira deixou, por breves tempos, de ser concelho e os seus territórios chegaram a estar distribuídos por Paredes e por Barrosas.
 
==== O Brasão Municipal e o equivoco dos Templários ====
O Brasão do Concelho, tal como o temos, foi publicado em “Diário da Governo” em 25 de Agosto de 1932 (portaria n.º 7:406), durante o 8º governo da '''[[Ditadura Nacional|Ditadura portuguesa]]'''. O concelho de Paços de Ferreira foi criado sobre o verde dos campos mas a colocação central da Cruz do  Templo,  "''da cor própria vermelha (Alusão aos Templários que viveram nesta região"'' carece de fundamentação e foi geradora de equívocos. Na realidade, não temos referenciadas quaisquer provas de vivência dos Templários no território que hoje constitui o concelho de Paços de Ferreira e, segundo as Inquirições de 1220, nesta região não havia um único casal da Ordem do [https://books.google.pt/books/about/A_Igreja_de_S_Pedro_de_Ferreira.html?id=_J58AQAACAAJ&redir_esc=y Templo], mesmo que por “região” se pretendesse entender o Termo  de Ferreira e o Termo de Aguiar de Sousa juntos. Entretanto, o equívoco sobre a ausência da Ordem do Templo levou a que várias coletividades e Assembleias de Freguesias adotassem esta Cruz para suas bandeiras e brasões.
 
A prova material da existência da Cruz do Templo, que se reflecte nos nossos brasões, é o cruzeiro de Sanfins de Ferreira. Esta “bonita e imponente Cruz que muitos julgaram simbolizar a passagem dos Templários por estas bandas serve para desmitificar alguns “erros do passado e explicar a tradição agrícola do concelho”, disse o Professor Armando Coelho, ao Jornal Imediato, aquando a inauguração do Museu Municipal. A existência desta Cruz Templária, que até ao último quartel do século XX estava no largo Confraria, em Sanfins de Ferreira, também não é de fácil compreensão. As origens e a história do cruzeiro, objecto integrante de vivência de Fé dos cristãos daquela Igreja, são incertas.
 
====== As Cidades de Paços de Ferreira e de Freamunde ======
A sede concelhia, Paços de Ferreira, foi elevada ao estatuto de cidade em [[20 de Maio]] de [[1993]]. Freamunde foi elevada ao estatuto de cidade em 19 de abril de 2001.
 
A unidade territorial deste concelho nunca foi pacífica. Em 1998, o desejo de [[Freamunde]] se assumir como sede de concelho, com as antigas freguesias da Terras de Ferreira (Raimonda, Figueiró, Lamoso, Sanfins de Ferreira) voltou a afirmar-se e apresentou proposta na Assembleia da República, com publicação, a 05 de março, no Diári[http://debates.parlamento.pt/catalogo/r3/dar/s2a/07/03/034/1998-03-05/792?pgs=792-796&org=PLC o]da República.
 
Paços de Ferreira é conhecido como «Capital do Móvel», por ser o mais proeminente centro de produção e venda de mobiliário em Portugal.