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A '''Revolução Sandinista''' (em espanhol: ''Revolución Nicaragüense'' ou ''Revolución Popular Sandinista'') refere-se à revolução popular ocorrida na [[Nicarágua]] entre [[1979]] e [[1990]], sob a égide da [[Frente Sandinista de Libertação Nacional]] (FSLN) - assim chamada em memória ao líder de esquerda [[Augusto César Sandino]], morto em 1934. A Revolução pôs fim a uma ditadura instaurada no país desde 1936, ao depor o então presidente [[Anastasio Somoza Debayle]]. A FSLN foi a primeira revolução que aliou o [[Teologia da libertação|cristianismo de libertação]] e o [[marxismo]], e governou o país por onze anos.
 
[[Imagem:Cartel Carlos Fonseca.JPG|thumb|300px|Ato no [[Dia Internacional da Mulher]] trabalhadora em Manágua, 8 de março de 1988.]]
A definição do período correspondente à Revolução Sandinista pode suscitar controvérsias, pois não houve uma declaração formal de guerra que definisse o seu início. Quanto ao seu final geralmente se considera o dia em que o ''antigo regime'' cai ou o dia em que cessaram as hostilidades (o que poderia ser posterior à queda do antigo regime), ou mesmo uma data posterior, que incluiria o período de reconstrução e estabelecimento do novo regime, após a tomada do poder pela FSLN. Uma definição bastante ampla do período da revolução nicaraguense poderia até mesmo considerar o ano de fundação da FSLN, em 1961, até a vitória eleitoral de [[Violeta Chamorro]] em 1990, pela [[União Nacional Opositora]], que marca o fim do primeiro período dos sandinistas no poder.
 
A ''revolução sandinista'' é a primeira desde [[Revolução Francesa|1789]] na qual os cristãos - leigos e clero - jogaram tiveram um papel determinante tanto na base como na direção do movimento. ATambém é a primeira na qual os cristãos não foram "aliados" (táticos ou estratégicos), mas uma componente ''orgânica'' da [[Vanguarda (marxismo)|vanguarda revolucionária]], a Frente Sandinista de Libertação Nacional. E a primeira na qual o [[cristianismo]] foi um dos ingredientes essenciais - junto com o marxismo e com a tradição de Sandino - na formação da [[ideologia]] que inspirou o combate [[revolucionário]]<ref>{{Citar periódico|ultimo=Löwy|primeiro=Michael|data=1989-11-01|titulo=Marxismo e cristianismo na América Latina|jornal=Lua Nova: Revista de Cultura e Política|numero=19|paginas=05–22|issn=0102-6445|doi=10.1590/S0102-64451989000400002|url=http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-64451989000400002&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt}}</ref>. <!-- O governo de Chamorro iniciou em 25 de abril de 1990. -->
 
Uma definição mais restrita seria a de que seu início remonta à [[década de 1970]], quando começacomeçam propriamente as ações contra o governo , culminando com a queda de [[Anastasio Somoza Debayle]], em [[19 de julho]] de [[1979]].
 
De todo modo, a compreensão da revolução sandinista requer o entendimento de um contexto histórico, onde se destacam:
 
# A [[Igreja Católica]], nos anos 60, passa a olhar de forma mais crítica a realidade social da América Latina e toma a "opção pelos pobres". Teólogos como [[Gustavo Gutiérrez Merino|Gustavo Gutierrez]] e [[Juan Luis Segundo]] organizaram encontros para refletir acerca das relações  entre fé e justiça social, Evangelho e pobreza. Neste período, o [[Papa João XXIII]] publica as encíclicas ''Mater et Magistra'' (1961) e ''Pacem in Terris'' (1963); ambas de forte conteúdo social. Em março de 1970, realizou-se o primeiro congresso sobre uma [[Teologia da Libertação]], em Bogotá. No ano seguinte, Gustavo Gutierrez escreveu um livro considerado inaugural, intitulado Teologia da Libertação, Perspectivas. No Brasil, Leonardo Boff escrevia um artigo denominado “Cristo Libertador”<ref>{{citar web|url=http://anais.anpuh.org/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S23.0930.pdf|titulo=A Revolução Sandinista e a Teologia da Libertação|data=2005|acessodata=2016|obra="História Hoje", ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA – ANPUH-Brasil|publicado=ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE HISTÓRIA - ANPUH|ultimo=Ferreira da Silva|primeiro=Sandro Ramon}}</ref>.
# A [[Revolução Cubana]], que inspirou vários movimentos da [[esquerda política|esquerda]] em diferentes países da [[América Latina]], os quais, em muitos casos derrotados, acabaram por suscitar a instauração de regimes de [[Direita política|direita]] .
# A [[queda do Muro de Berlim]], em [[9 de novembro]] de [[1989]], e a [[Reunificação Alemã]], em [[3 de outubro]] de [[1990]], que marcam o final da [[Guerra Fria]] e da polarização do mundo entre os blocos [[capitalista]] (países membros da [[OTAN]], liderada pelo Estados Unidos) e [[socialista]] (países membros do [[Pacto de Varsóvia]], sob a égide da URSS). Também em 1990 a derrota eleitoral de [[Daniel Ortega]], da FSLN, para [[Violeta Chamorro]], da ''Unión Nacional Opositora'' (formada por uma ampla coalizão de partidos, majoritariamente de [[centro político|centro]]), marca o fim do governo dos Sandinistas. A FSLN retorna ao poder em [[2006]] com Ortega.
O Movimento Nova Nicarágua estabeleceu sua base em três cidades, [[Manágua]], [[Leon (Nicarágua)|Leon]] e [[Estelí]]. Embora a sua sede tenha sido nas proximidades de Honduras. Sua primeira atividade pública foi realizada em março de 1961 em apoio à Revolução Cubana e, em protesto contra a posição adotada pelo governo da Nicarágua com relação a Cuba, pois ela se alinhou aos interesses americanos. O MNN é dissolvido para dar lugar a Frente de Libertação Nacional.<ref name=manfut>{{citar web
|url = http://www.manfut.org/museos/fsln.html#Fundación
|título = Fundación del FSLN, 1960-1964 |acessodata = 26 de janeiro de 2009
|acessodata = 2009
|autor = Matilde Zimmermann