Diferenças entre edições de "Iemanjá"

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Para recuperar sua esposa, Okerê decidiu interferir no curso do rio, ao se transformar em uma montanha. Mas com a ajuda de seu filho Xangô (que abriu passagem no meio dos vales criados por Okerê), Iemanjá conseguiu seguir seu caminho, tornando-se então a Rainha do Mar.
 
== Representações ==
[[Ficheiro:Yemoja Ibadan.jpg|thumb|left|180px|Representação de Iemanjá em [[Ibadan]], na [[Nigéria]].]]
[[Ficheiro:Carybè, rilievi degli orixas, yemanjá.JPG|thumb|180px|right|''Iemanjá'' de [[Carybé]], no [[Museu Afro-Brasileiro]], em [[Salvador (Bahia)|Salvador]], na [[Bahia]].]]
[[Ficheiro:Image of Lemanjá, Brazil.jpg|thumb|left|180px|Representação sincretizada com uma [[sereia]] europeia.]]
Em [[África]], Iemanjá é senhora de traços negros com formas bem evidenciadas e seios muito volumosos, por vezes representada grávida. [[Richard Francis Burton|R. F. Burton]] menciona: "''Ela é representada por um pequeno ídolo com a pele de um amarelo desbotado. Tem os cabelos azuis, usa contas brancas e uma roupa listrada''".<ref name=burton>[[Richard Francis Burton|Burton, Richard Francis, Sir]]. ''Abeokuta and the Camaroons Mountains : an exploration''. London, Chatto & Windus, 1884.</ref> P. Baudin e outros autores também nos apresentam a mesma descrição.<ref name="notasverger.295"/> Omari-Tunkara é primorosa em sua descrição: "''Suas imagens contemporâneas são esculturas em madeira pintada a esmalte que geralmente retratam uma mulher com seios muito grandes amamentando um ou mais filhos e, muitas vezes cercada por outras crianças. As esculturas figuram o papel de ''Yemọjá'' como mãe carinhosa, protetora, vigilante e agente de [[fertilidade]]. Um colar especial composto por várias vertentes de pequenas [[miçanga]]s de cristal claro atadas por dois ou três contas maiores em vermelho, branco e azul veneziano serve como um símbolo de ''Yemọjá'' em Ibara e está representado nas esculturas que se conformam em grande estilo para o cânone [[Iorubás|iorubá]] típico.''"<ref name=mikelle/> [[Sandra Epega|S. Epega]] escreve: "''Suas estátuas enfatizam o aspecto da maternidade. Ela é uma mulher tranquila, com grande ventre túrgido, seios imensos, pés bem plantados no chão, pondo as mãos sobre crianças''". Essa [[iconografia]], segundo Agbo Folarin, muito se assemelha às representações das tradicionais [[Epa (máscara)|Máscaras-Epa]] de festejos tradicionais da [[Nigéria]].<ref name=epega/><ref name=ibadan>Folarin, Agbo. ''MATERNAL GODDESS IN YORUBA ART: A New Aesthetic Acclamation of Yemoja, Oshun and Iya-Mapo.'' Ann Arbor, Michigan: MPublishing, University of Michigan Library, 1993.</ref> Não há menções antigas de sua representação como peixe da cintura para baixo.<ref name="utopia">Risério, Antonio. ''A utopia brasileira e os movimentos negros''. Ed. 34, São Paulo, 2007. ISBN 978-85-7326-385-5</ref>
 
No Brasil nos âmbitos populares ocorreu uma aproximação entre a figura africana e a sereia europeia branca, com seus atributos de sedução e cantos enfeitiçadores, já confundida com a [[Iara]], a ''Mãe d'Água''. Até o séc. XIX encontramos representações de Iemanjá na [[Bahia]] como uma senhora, expondo seus grandes seios, não aludindo em nada a figura mitológica da sereia, no entanto neste mesmo século já nos é possível reconhecer representações que, fundem os atributos do [[orixá]] com a figura europeia.<ref name=utopia/>
 
Dessas representações, explica R. Antonio, "''descendem os orixás de [[Carybé]] e Cravo júnior - embora [[Carybé]] que mais interessante, em termos estéticos, seja o [[desenho|desenhista]], senhor do [[nanquim]], conciso e elegante, tendendo a uma espécie de figurativismo quase-abstracionista. De outra parte, também o [[geometria|geometrismo]] trazidos pelos escravos - as formas abstratas ligadas direta ou indiretamente aos cultos religiosos - permanece vivo na criação plástica brasileira.''"<ref name=utopia/> Da influência de [[Angola]] temos também atributos de Quianda, L. C. Cascudo critica: "''Quianda é a sereia marítima. Vive nas águas salgadas ao redor de [[Luanda]] e por toda orla do [[Atlântico]] angolano(...) Quianda é vista como uma pessoa humana, peixe grande e brilhante, sombra, ou unicamente a presença sensível mas invisível. Jamais como vemos no ''pêji'' dos candomblés da [[Bahia]]; mulher até a cintura, peixe da cinta para baixo, o ''desinat in piscem mulier formosa superne,'' de [[Horácio]]. As serias angolanas são sempre pretas e as da [[Bahia]] sempre brancas, louras, olhos azul, espantosa reversão inexplicável para os descendentes de africanos escravos que pintavam de escuro as imagens dos Santos católico preferidos.''"<ref name=quianda>Cascudo, Luís da Câmara. ''Made in Africa.'' Global Editora e Distribuidora, 2015.</ref>
 
Esse sincretismo de ideias e artístico que observa-se por exemplo na escultura de [[Carybé]], também é bem visível nas representações de qualquer ponto de [[Salvador (Bahia)|Salvador]],<ref name=utopia/> em oposição com a representação distinta da [[umbanda]], especialmente nos estados da [[Região Sudeste do Brasil]], que nos apresenta uma mulher de pele branca, com longos cabelos negros e lisos e roupa azul.<ref name=vallado/>
 
Referindo-se a essa nova manifestação da figura de Iemanjá, escreve Verger: "''Ela é representada como uma espécie de fada, com a pele cor de alabastro, vestida numa longa túnica, bem ampla, de musselina branca com uma longa cauda enfeitada de estrelas douradas; surgindo das águas, com seus longos cabelos pretos esvoaçando ao vento, coroada com um diadema feito de pérola, tendo no alto uma estrela-do-mar. Rosas brancas e estrelas douradas, desprendidas de sua cauda, flutuam suavemente no marulho das ondas. Iemanjá aparece magra e esbelta, com pequenos seios e o corpo imponentemente encurvado.''"<ref name=verger/>
[[Ficheiro:Iemanjá yemanjá rainha do mar.JPG|thumb|left|185px|Representação popular de Iemanjá difundida pela [[Umbanda]].]]
Alguns autores atribuem que essa adaptação tenha surgido do [[sincretismo]] religioso com a figura de [[Nossa Senhora]], já que, para os baianos, Iemanjá está ligada a [[Nossa Senhora da Conceição]].<ref name=festa>Couto, Edilece Souza. ''Tempo de festas: homenagens a Santa Bárbara, Nossa Senhora da Conceição e Sant’Ana em Salvador (1860-1940)''. Ed. SciELO - EDUFBA, 1 de jan de 2010 - 217 páginas.</ref> Essa forma de representação persistiu em especial com a [[teledramaturgia]], como na [[novela]] [[Porto dos Milagres]], em que, em nenhum momento, a figura da Iemanjá branca, personagem que sutura silenciosamente a trama, cede a alguma representação negra. A imagem de Iemanjá totalmente branca viria a atender a devoção da [[umbanda]], que, nos últimos anos, tem se espalhado pelo território nacional brasileiro, introduzindo essa nova percepção popular.<ref>Orphanake, J. Edson. ''Conheça a umbanda''. Tríade Editorial, 1985 - 150 páginas.</ref> T. Bernardo é bastante incisiva em sua pesquisa: "''Monique Augras, em 1989, analisa a imagem de Iemanjá que já mostra ter sofrido um processo de [[moral]]ização realizado pela [[umbanda]]. Mais precisamente, essa expressão religiosa parece dar sinais de haver uma transformação da imagem de Iemanjá em andamento. Em 1991, Pedro Iwashita publicou ''Maria e Iemanjá: análise de um sincretismo''. Ao estudar as duas deusas, mostrou que são duas faces do mesmo [[arquétipo]]. No entanto, provavelmente para não parecer [[Racismo|racista]], não confronta Maria diretamente com Iemanjá, mas interpõe uma terceira deusa, [[Ísis]], a grande mãe do [[Egito antigo]], distante da realidade aqui tratada e, portanto, figura neutra para o debate atual''".<ref>Bernardo, Terezinha. ''Negras, mulheres e mães: lembranças de Olga de Alaketu.'' Educ, 2003 - 194 páginas.</ref>
 
A gradação da "cor da pele" dos [[orixá]]s "''reflete a miscigenação racial da população que os cultua e o movimento de 'abrasileiramento' da religião. Outra interpretação da concepção do [[orixá]], mais radical quanto à desvinculação entre a origem racial, de cor de pele e os deuses, é aquela que pensa os [[orixá]]s como forças da [[natureza]]''", apontam M. Moura e J. B. Santos, e acrescentam, "''Nesta concepção, Iemanjá é o [[mar]], Oxum os [[rio]]s, Iansã os [[vento]]s(...)''", aqui fazem alusão a uma nova concepção [[brasil]]eira do [[orixá]] como divindade [[panteísmo|panteísta]] e não de culto [[ancestralidade|ancestral]], o que justificaria a perda de seus traços étnicos.<ref>Carlos Eugênio Marcondes de Moura, João Batista dos Santos. ''So̲màvo̲: o amanhã nunca termina : novos escritos sobre a religião dos voduns e orixás''. Ed. Empório de Produção e Comunicação, 2005 - 190 páginas.</ref>
 
== Influências ==
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