Diferenças entre edições de "Iemanjá"

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Para recuperar sua esposa, Okerê decidiu interferir no curso do rio, ao se transformar em uma montanha. Mas com a ajuda de seu filho Xangô (que abriu passagem no meio dos vales criados por Okerê), Iemanjá conseguiu seguir seu caminho, tornando-se então a Rainha do Mar.
 
== Influências ==
=== Iemanjá e a Música Popular Brasileira ===
Iemanjá, além da Bahia e dos candomblés, com as práticas de seu povo e sua religiosidade, dos temas da vida árdua litorânea e do cotidiano dos pescadores, no cenário da [[música popular brasileira]], já é presente em letras de canções desde os primórdios da [[radiodifusão]] em alguns de seus versos mais líricos.<ref name=vallado/> Podemos citar ''É Doce Morrer no Mar'' (1943) e ''Quem vem pra Beira do Mar'' (1954) de [[Dorival Caymmi]]. Caymmi demonstra profunda devoção ao orixá em ''Dois de Fevereiro'' (1957), título que refere-se ao seu grande festejo na Bahia na [[praia do Rio Vermelho]],<ref name=marleine>Marleine Paula Marcondes e Ferreira de Toledo. ''Cultura brasileira: o jeito de ser e de viver de um povo.'' Nankin Editorial, 2004 - 367 páginas.</ref> considerado por [[Jorge Amado]] como o único que se poderia considerar descendente espiritual de [[Castro Alves]], sendo mencionado na obra de louvores a este último como "''Poeta de negros pescadores, de Iemanjá e dos mistérios pobres da Bahia(...)''".<ref>[[Jorge Amado]]. ''ABC de Castro Alves.'' Editora Companhia das Letras, 20 de dez de 2011 - 304 páginas.</ref> Em ''Bahia de Todos-os-Santos'', Jorge Amado nos revela mais da natureza dessa relação de Caymmi com Iemanjá: "''A música religiosa do negro baiano, com suas promessas a dona Janaína, com suas superstições e sua intimidade com os deuses, ele a recuperou para nós do abandono em que estava desaparecendo, abandono que não se explica como tanta coisa não se explica no [[Brasil]]. Muitas de suas canções são dedicadas a Iemanjá, deusa das águas da Bahia, música de pescadores, da praia e do mar, canções que formam a parte mais poderosa e permanente de sua obra, a maior de toda a música popular brasileira.''"<ref>[[Jorge Amado]]. ''Bahia de Todos-os-Santos.'' Editora Companhia das Letras, 20 de set de 2012 - 400 páginas.</ref> R. Antonio abordando o contexto em torno de Iemanjá da primeira metade do século XX, complementa: "''(...) [[Caymmi]], na década de de [[1930]], cantando uma [[canção]] para Iemanjá.<ref group="nb">R. Antonio aqui menciona ''Rainha do Mar'' ou ''Promessa de Pescador'' (1939).</ref> Em muitos lugares do Brasil e para muitas plateias, naquela época, a canção soou de modo algo obscuro, não de todo compreensível. Havia, ali, estranheza, uma face não iluminada, misteriosa. Porque as pessoas, sem dominar por completo a dimensão referencial da mensagem, não tinham como decodificá-la por inteiro. Mas, com o tempo - com a crescente visibilidade da cultura negromestiça ''([[sic]])'' em nosso país; com a entronização dos orixás no [[mundo]] da assim chamada 'cultura superior' -, tudo mudou. A canção se tornou universalmente clara para os brasileiros.''"<ref name=utopia/>
 
No ''[[Os Afro-sambas (1966)|Afrosambas]]'' (1966), trabalho de [[Baden Powell]] e [[Vinícius de Moraes]] com [[Maestro|regência]] e [[Arranjo (música)|arranjo]] de [[César Guerra-Peixe]], um dos mais representativos da discografia brasileira, que foi um divisor de águas, aparece, em ''Canto de Iemanjá'', uma das diversas faixas que fazem alusões a divindades do [[candomblé]].<ref>Organizadores, Antonio Guerreiro Faria, Luitgarde Oliveira Cavalcanti Barros e Ruth Serrão. ''Guerra-Peixe: um músico brasileiro.'' Ed. lumiar, 2007 - 261 páginas. ISBN 978-85-7736-003-1</ref> No mesmo ano, é figura central em ''Beiramar opus 21b'', do compositor [[Marlos Nobre]], ciclo composto por três canções populares, duas delas ligadas diretamente a Iemanjá: ''Estrela do Mar'' e ''Iemanjá Ôtô''.<ref>Luciana Nascimento, Andrea Maria Favilha Lobo. ''Mosaicos da Cultura Brasileira''. Rio de Janeiro : Letra Capital editora, 2012. ISBN 978-85-7785-148-5</ref><ref>[http://www.virtuosi.com.br/tag/marlos-nobre/ MARLOS NOBRE. (acessado em 08 de dezembro de 2015)]</ref> Na voz de Ely Camargo, considerada uma das mais agradáveis e bem timbradas a serviço da música popular brasileira, foi reverenciada em ''Yemanjá'' (Paulo Ruschell) no disco ''Canções da minha terra - Volume 4'' (1964), e em ''Mamãe Iemanjá'' ([[César Guerra-Peixe|Guerra-Peixe]]) no disco ''Outras Canções de Minha Terra'' (1967).<ref>[http://www.cantorasdobrasil.com.br/cantoras/eli_camargo.htm/ Discogradia de Ely Camargo], (acessado em 12 de dezembro de 2015).</ref><ref>Tinhorão, José Ramos. ''Música popular: o ensaio é no jornal. -- ( Encontro de pesquisadores da MPB ).'' MIS Editorial/ Secretaria de Estado de Cultura / FAPERJ, 2001 - 152 páginas. ISBN 8573260726; ISBN 9788573260724</ref>
 
Na voz de [[Clara Nunes]], foi romantizada em ''Conto de Areia'' (1974), música de Romildo Bastos e [[Toninho Nascimento]], uma entre tantas outras do cancioneiro popular brasileiro que reverenciam Iemanjá. Na [[telenovela brasileira]] ''[[Porto dos Milagres]]'' (2001), é tema de abertura na canção ''Caminhos do Mar'', interpretada por [[Gal Costa]].<ref name="carneiro">Carneiro, Sueli. ''[https://books.google.com.br/books?id=-qw-jvCDTeYC&pg=PP171&dq#v=onepage&q&f=false RACISMO, SEXISMO E DESIGUALDADE NO BRASIL: Consciencia em Debate].'' Selo Negro, 18 de abr de 2011. ISBN 978-85-87478-74-0</ref><ref>Alencar, Mauro. ''A Hollywood brasileira: panorama da telenovela no Brasil.'' Senac Rio, 2002 - 175 páginas.</ref>
 
=== Cinema e Teledramaturgia ===
Suas aparições no [[Cinema do Brasil|cinema brasileiro]] são [[Drama|dramáticas]]. Vale destaque o filme ''[[Barravento (filme)|Barravento]]'' (1962), dirigido por [[Glauber Rocha]], com sua retratação crítica ao [[misticismo]] religioso popular. O filme retrata o papel e os dilemas de uma figura masculina escolhida por Iemanjá em uma pequena aldeia de pescadores. Este personagem [[Símbolo|emblemático]] deveria seguir uma vida [[Celibato|celibatária]] para não ofender a muito ciumenta divindade, vindo a felicidade e estabilidade do pequeno povoado a depender dessa relação. O filme explora o aspecto [[Posse (direito)|possessivo]] e [[Vingança|vingativo]] do orixá, que causaria a morte da mulher que se deitasse com o seu protegido.<ref>Johnson, Randal. ''[https://books.google.com.br/books?id=2KV0BQAAQBAJ&pg=PT191&dq#v=onepage&q&f=false/ Cinema Novo x 5: Masters of Contemporary Brazilian Film]'' (em inglês). University of Texas Press, 6 de nov de 2014 - 262 páginas. ISBN 0-292-71090-9, ISBN 0-292-71091-7.</ref><ref>da Costa, Claudio. ''[https://books.google.com.br/books?id=2mHuqLDtgjcC&pg=PA58&dq=#v=onepage&q&f=falsee Cinema brasileiro, anos 60-70: dissimetria, oscilação e simulacro]''. Ed. 7 letras, Rio de Janeiro, 2000. ISBN 85-7388-196-8, p.58</ref> Em ''[[Noites de Iemanjá]]'' (1971), o filme dirigido por Milton Barragan alcança um diálogo com a platéia a partir de elementos bem sucedidos popularmente como mistério, erotismo e folclore, apresenta uma personagem enigmática numa trama cercada por mortes, este arquétipo de ''[[Mulher fatal|femme fatale]]'' associado a figura de Iemanjá em referência às sereias mitológicas já evidenciava-se em estudos como o de Edson Carneiro.<ref>Miranda, Luiz Felipe. ''Dicionario de Cineastas Brasileiros.'' Art Editora, 1990 - 408 páginas.</ref><ref>''[http://cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=P&nextAction=search&exprSearch=ID=023859&format=detailed.pft FILMOGRAFIA - AS NOITES DE IEMANJÁ]''. Ministério da Cultura, acessado em 04 de janeiro de 2015.</ref><ref name=noronha>Noronha, Estela. ''Tenha Fé, Tenha Confiança, Iemanjá é uma Esperança! - Um estudo à luz da socioantropologia e da psicologia analítica do fenômeno do "Iemanjismo" entre os não devotos das religiões afro-brasileiras.'' Tese apresentada como dissertação (Mestrado - Ciências da Religião, Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, 2005).</ref> Em ''Espaço Sagrado'', (1976) [[documentário]] realizado na Bahia, o diretor [[Geraldo Sarno]], que apresenta o candomblé e suas práticas dentro do espaço sagrado, retrata o ato de uma oferenda a Iemanjá.<ref>Bernardet, Jean Claude. ''Filme cultura, Edições 32-42.'' Brazil. Ministério da Educação e Cultura, Instituto Nacional do Cinema Educativo (Brazil), Empresa Brasileira de Filmes, Fundação do Cinema Brasileiro Centro Técnico Audiovisual, 2010.</ref> Em ''[[O Escolhido de Iemanjá]]'' (1978), com direção de [[Jorge Durán]], é invocada como intercessora de uma comunidade pobre através dos terreiros e seu escolhido, o Comandante Nelson, no conflito contra ''Gangsters'' imobiliários.<ref>''[http://cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=P&nextAction=search&exprSearch=ID=024962&format=detailed.pft FILMOGRAFIA - O ESCOLHIDO DE IEMANJÁ].'' Ministério da Cultura, acessado em 05 de janeiro de 2015.</ref> Deste mesmo ano há também o [[curta-metragem]] ''Dia de Iemanjá'', dirigido por [[Lula Oliveira]].<ref>Nagib, Lúcia. ''[https://books.google.com.br/books?id=5fH9bMp--b4C&pg=PA330&dq#v=onepage&q&f=false O cinema da retomada: depoimentos de 90 cineastas dos anos 90].'' Editora 34, 1ª edição, 2002 - 526 páginas. ISBN 85-7326-254-0, p. 330</ref> Vale destaque ''[[A Filha de Iemanjá]]'' (1981) com direção de Milton Barragan e a atuação de [[Mary Terezinha]] como protagonista, onde Iemanjá é representada através da personagem que se diz sua filha, que ressurge ao final do [[Longa-metragem]] para o marido e a filha na praia.<ref>''[http://cinemateca.gov.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=P&nextAction=search&exprSearch=ID=006172&format=detailed.pft FILMOGRAFIA - A FILHA DE IEMANJÁ].''Ministério da Cultura, acessado em 05 de janeiro de 2015.</ref>
 
A importância cultural e social de Iemanjá, segundo M. C. Azevedo, cresce na sociedade brasileira surgindo com frequência em novelas, estas de acordo com uma publicação de ''Resistência'', documentam a "''análise de almas trágicas, abeberadas de sonhos, traçando destinos opostos, construindo quimeras logo destruídas pela realidade abismática de vida''".<ref name=marcello/><ref>''Resistência'', Edições 129-140. Editorial Resistência, 1976.</ref> Em ''[[A Indomada]]'' (1997) telenovela dirigida por [[Marcos Paulo]] que extrapola em alegorias, a personagem Eulália interpretada por [[Adriana Esteves]], surge das águas como em referência à Iemanjá.<ref>Maria Immacolata Vassallo de Lopes, Silvia Helena Simões Borelli, Vera da Rocha Resende. ''[https://books.google.com.br/books?id=GuvDNRo4jfwC&pg=PA360&dq#v=onepage&q&f=false Vivendo com a telenovela: mediações, recepção, teleficcionalidade].'' Summus Editorial, 2002 - 394 páginas. ISBN 85-323-0770-1, p. 360</ref> Vale destaque ''[[Porto dos Milagres]]'' (2001), livre adaptação de [[Aguinaldo Silva]] e [[Ricardo Linhares]] do livro ''[[Mar Morto (livro)|Mar Morto]]'' de [[Jorge Amado]], com música-tema dedicada à Iemanjá na voz de [[Gal Costa]]. A história do livro era muito curta para uma novela, mas como a [[Rede Globo]] possuía os direitos do livro decidiu fazer a adaptação. A telenovela demonstrava a forte influência de culto de Iemanjá e as práticas do candomblé, o que causou uma repercussão negativa entre telespectadores evangélicos e católicos.<ref name=carneiro/><ref>João Emanuel Carneiro, Manoel Carlos, Maria Adelaide Amaral, Miguel Falabella, Ricardo Linhares, Silvio de Abreu, Walcyr Carrasco, Walther Negrão. ''[https://books.google.com.br/books?id=DvLFkjuQd2YC&pg=PA245&dq=#v=onepage&q&f=false Autores: histórias da teledramaturgia].'' Globo Livros, 2008.</ref>
 
Em representações em [[minisséries]] podemos citar ''[[O Canto da Sereia (minissérie)|O Canto da Sereia]]'' (2013) com direção de [[José Luiz Villamarim]] e [[Ricardo Waddington]], baseado no livro de mesmo nome de [[Nelson Motta]].<ref>Redação Rede Globo (6 de novembro de 2012). [http://redeglobo.globo.com/novidades/series/noticia/2012/11/o-canto-da-sereia-nova-serie-da-globo-estreia-em-janeiro-saiba-tudo.html O Canto da Sereia: série da Globo estreia em 8 de janeiro; saiba tudo]. Acessado em 08 de janeiro de 2016.</ref>
 
== Iemanjá no Novo Mundo ==
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