Diferenças entre edições de "O Navio Negreiro"

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{{ver desambig|redir="Navio Negreiro"|o filme com Gary Cooper|Souls at Sea}}
{{sem-fontes|data=Janeiro de 2013}}
{{Info/Livro
|nome =O Navio Negreiro
|imagem = NavioNegreiro.gif
|legenda = Ilustração de um navio negreiro
|autor = [[Castro Alves]]
|tradutor =
|genero = Poema
|editora =
|lancamento = [[18691870]]
|paginas =
|isbn =
}}
[[Imagem:CastroAlves.jpg|thumb|left|130px|Castro Alves, autor do poema ''O navio negreiro''.]]
'''O Navio Negreiro (Tragédia no Mar)''' é um [[poema]] de [[Castro Alves]] e um dos mais conhecidos da [[literatura brasileira]]. O poema descreve com imagens e expressões terríveis a situação dos [[África|africanos]] arrancados de suas terras, separados de suas famílias e tratados como animais nos [[navios negreiros]] que os traziam para ser propriedade de senhores e trabalhar sob as ordens dos [[feitor]]es.
 
[[Imagem:NavioNegreiro.gif|thumb|right|150px|Um navio negreiro.]]
Foi escrito em [[São Paulo (cidade)|São Paulo]], nodatada anode 18 de [[1869]]abril de 1868,<ref name=tomo2/> quando o poeta tinha vinte e dois anos de idade, e quase vinte anos depois da promulgação da [[Lei Eusébio de Queirós]], que proibiu o [[tráfico de escravos]], em [[4 de setembro]] de [[1850]].
 
Foi escrito em [[São Paulo (cidade)|São Paulo]], no ano de [[1869]], quando o poeta tinha vinte e dois anos de idade, e quase vinte anos depois da promulgação da [[Lei Eusébio de Queirós]], que proibiu o [[tráfico de escravos]], em [[4 de setembro]] de [[1850]].
''O navio negreiro'' é composto de seis partes, e alterna métricas variadas para obter o efeito rítmico mais adequado a cada situação retratada no poema.
 
== Publicação ==
Os versos d'O Navio Negreiro foram publicados na obra [[Os Escravos]], obra que o poeta tencionava publicar contendo, ainda, uma parte final com versos românticos sob o título "[[A Cachoeira de Paulo Afonso]]" e que chegou a ser publicada separadamente em 1876 e desta forma até as edições comemorativas do cinquentenário do poeta.<ref name=tomo2>{{citar livro|autor=Castro Alves |título=Obras Completas de Castro Alves |editora=[[Companhia Editora Nacional]] |ano=1944 |volume=vol. 2 |páginas=562 |citação=Introdução e notas de Afrânio Peixoto }}</ref>
 
[[Afrânio Peixoto]], na edição de sua ''Obras Completas de Castro Alves'', informa que sua versão fora feita de acordo com manuscrito pertencente ao cunhado do poeta, Augusto Álvares Guimarães e cópia mantida por sua irmã e esposa deste, Adelaide, e que fora publicado originalmente na edição número 200 do [[Jornal da Tarde (Rio de Janeiro)|Jornal da Tarde]], em 23 de junho de 1870.<ref name=tomo2/> Ele informa, ainda, que em 1880 foi feita por Serafim José Alves, no Rio de Janeiro, uma edição intitulada "''Vozes d'África - Navio Negro (Tragédia no Mar)''" e edições seguintes, onde "o poema vem sendo reproduzido com absurdas e profundas alterações, na ordem das estrofes, a saber: 1 a 11; seguem-se 16 a 23; seguem-se 12 a 15; seguem-se 24 a 34. A divisão em partes, ou cantos, também foi modificada".<ref name=tomo2/> Em sua edição Peixoto diz restituir a ordem originalmente publicada em 1870 e confirmada pelo manuscrito obtido com a família.<ref name=tomo2/>
 
==Análises e crítica ==
Segundo [[Manuel Bandeira]] este poema, junto a "''Vozes d'África''", deveria pertencer ao livro [[Os Escravos]] e que ambos são os "poemas em que o Poeta atingiu a maior altura de seu estro".<ref name=manuel>{{citar livro|autor=Manuel Bandeira|título=Apresentação da Poesia Brasileira|editora=Ediouro|ano=|páginas=451|id=}}</ref> Completa sua análise informando que nele "evoca o Poeta os sofrimentos dos negros na travessia da África para o Brasil. Sabe-se que os infelizes vinham amontoados no porão e só subiam ao convés uma vez ao dia para o exercício higiênico, a dança forçada sob o chicote dos capatazes", situação que Castro Alves sublimou nos versos:<ref name=manuel/>
<poem>
"''Era um sonho dantesco!... o tombadilho,''
''que das luzernas avermelha o brilho,''
''Em sangue a se banhar!...''
''Tinir de ferros, estalar de açoite...''
''Legiões de homens negros como a noite,''
''Horrendos a dançar...''</poem>
(...)
<poem>
''E ri-se a orquestra irônica e estridente...''
''E da ronda fantástica a serpente''
''Faz doidas espirais...''"</poem>
 
Bandeira termina sua análise desta poesia falando de seu desfecho: "O poema conclui com três oitavas reais, num misto de revolta e tristeza ao assinalar que a bandeira emprestada «para cobrir tanta infâmia e covardia» era o pendão brasileiro".<ref name=manuel/>
 
==="Inspiração" em Heine ===
Ainda no século XIX foi feita alusão de que o poeta teria feito ali uma "versão, ou transposição, ou reminiscência" dos versos de [[Henri Heine]] em "O Negreiro"; já em 1896 [[Múcio Teixeira]] rebateu tais "insinuações" na seu livro "Vida e obras de Castro Alves", corroborado por Afrãnio Peixoto: "Além de uma cena terrível do tráfico de escravos (que nem Heine, nem Castro Alves, inventaram) a ideia que domina nos dois é o contraste trágico da dança dos desgraçados, ainda a chicote, para distração da nostalgia que os fazia morrer. Certamente realidade contada por algum negreiro, que inspirou a ironia de Heine, como a piedade de Castro Alves."<ref name=tomo2/>
 
{{referências}}
 
==Ligações externas==