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{{mais-fontes|data=março de 2019}}
{{Marxismo}}
'''Marxismo''' é um método de análise socioeconômica sobre as relações de [[Classe social|classe]] e conflito social, que utiliza uma [[Materialismo histórico|interpretação materialista do desenvolvimento histórico]] e uma visão [[dialética]] de transformação social. A metodologia marxista utiliza inquéritos econômicos e sociopolíticos e que se aplica à crítica e análise do desenvolvimento do [[capitalismo]] e o papel da [[luta de classes]] na mudança econômica sistêmica. Na segunda metade do século {{séc|XIX}}, os princípios intelectuais do marxismo foram inspirados por dois [[Filosofia alemã|filósofos alemães]]: [[Karl Marx]] e [[Friedrich Engels]]. Análises e metodologias marxistas influenciaram várias ideologias políticas e movimentos sociais. O marxismo engloba uma [[Economia marxiana|teoria econômica]], uma [[Sociologia marxista|teoria sociológica]], um método filosófico e uma visão revolucionária de mudança social.<ref>[http://www.britannica.com/EBchecked/topic/551385/social-science/38930/Marxist-influences social science : Marxist influences – Britannica Online Encyclopedia]. Acessado em 1 de outubro de 2015.</ref>
 
'''Marxismo''' é um método de análise socioeconômica sobre as relações de [[Classe social|classe]] e conflito social, que utiliza uma [[Materialismo histórico|interpretação materialista do desenvolvimento histórico]] e uma visão [[dialética]] de transformação social. A metodologia marxista utiliza inquéritos econômicos e sociopolíticos e que se aplica à crítica e análise do desenvolvimento do [[capitalismo]] e o papel da [[luta de classes]] na mudança econômica sistêmica. Na segunda metade do século XIX, os princípios intelectuais do marxismo foram inspirados por dois [[Filosofia alemã|filósofos alemães]]: [[Karl Marx]] e [[Friedrich Engels]]. Análises e metodologias marxistas influenciaram várias ideologias políticas e movimentos sociais. O marxismo engloba uma [[Economia marxiana|teoria econômica]], uma [[Sociologia marxista|teoria sociológica]], um método filosófico e uma visão revolucionária de mudança social.<ref>[http://www.britannica.com/EBchecked/topic/551385/social-science/38930/Marxist-influences social science : Marxist influences – Britannica Online Encyclopedia]. Acessado em 1 de outubro de 2015.</ref>
 
A análise marxista tem sido aplicada a diversos temas e tem sido mal interpretada e modificada durante o curso de seu desenvolvimento, resultando em numerosas e às vezes contraditórias teorias que caem sob a rubrica de "marxismo" ou "análise marxista".<ref>{{citar livro|último = Wolff and Resnick|primeiro = Richard and Stephen |título= Economics: Marxian versus Neoclassical |publicado=The Johns Hopkins University Press|data=agosto de 1987|isbn= 0-8018-3480-5|página= 130|citação= Marxian theory (singular) gave way to Marxian theories (plural).}}</ref> O marxismo baseia-se em um entendimento [[Materialismo|materialista]] do desenvolvimento da sociedade, tendo como ponto de partida as atividades econômicas necessárias para satisfazer as necessidades materiais da sociedade humana. A forma de organização econômica ou [[modo de produção]] é compreendida como a origem, ou pelo menos uma influência direta, da maioria dos outros fenômenos sociais - incluindo as relações sociais, sistemas políticos e jurídicos, [[moralidade]] e [[ideologia]]. Assim, o sistema econômico e as relações sociais são chamadas de [[infraestrutura e superestrutura]]. À medida que as [[forças produtivas]] (principalmente a [[tecnologia]]) melhoraram, as formas existentes de organização social tornam-se ineficientes e asfixiam o progresso. Estas ineficiências se manifestam como contradições sociais na forma da luta de classes.<ref name="ComparingEconomic">''Comparing Economic Systems in the Twenty-First Century'', 2003, by Gregory and Stuart. P.62, ''Marx's Theory of Change''. ISBN 0-618-26181-8.</ref>
De acordo com a análise marxista, conflitos de classe dentro do capitalismo surgem devido à intensificação das contradições entre uma produção mecanizada e altamente produtiva e a socialização realizada pelo [[proletariado]], além da [[propriedade privada]] e da apropriação do produto excedente na forma de [[mais-valia]] (lucro) por uma pequena minoria de proprietários privados chamados coletivamente de [[burguesia]]. Como a contradição torna-se aparente para o proletariado, a agitação social entre as duas classes antagônicas se intensifica, culminando em uma revolução social. O eventual resultado a longo prazo dessa revolução seria o estabelecimento do [[socialismo]] - um sistema socioeconômico baseado na propriedade cooperativa dos [[meios de produção]], na distribuição baseada na contribuição e produção organizada diretamente para o uso. Karl Marx formulou a hipótese de que, como as forças produtivas e a tecnologia continuam a avançar, o socialismo acabaria por dar lugar a uma [[Comunismo|fase comunista]] de desenvolvimento social. O comunismo seria uma [[sociedade apátrida]] e [[Sociedade sem classes|sem classes]], erigida na propriedade comum e no princípio "[[de cada qual, segundo sua capacidade; a cada qual, segundo suas necessidades]]".
 
O marxismo desenvolveu-se em diferentes ramos e escolas de pensamento. Algumas vertentes colocam uma maior ênfase em determinados aspectos do marxismo clássico, enquanto rejeitam ou tiram a ênfase de outros aspectos do marxismo, às vezes combinando a análise marxista com conceitos não-marxistas. Outras variantes do marxismo veem algumas de suas características como uma força determinante no desenvolvimento social - como o modo de produção, de classe, relações de poder ou propriedade - enquanto discutem outros aspectos como menos importantes ou irrelevantes. Apesar de compartilhar premissas semelhantes, as diferentes escolas de pensamento do marxismo podem chegar a conclusões contraditórias entre si.<ref>{{citar livro|último = O'Hara|primeiro = Phillip |título= Encyclopedia of Political Economy, Volume 2 |publicado= [[Routledge]]|data=setembro de 2003|isbn= 0-415-24187-1|página= 107}}</ref> Por exemplo, diferentes economistas marxistas têm explicações contraditórias de crise econômica e previsões diferentes para o resultado de tais crises. Além disso, diferentes variantes do marxismo aplicam a análise marxista para estudar diferentes aspectos da sociedade (por exemplo, [[Crise econômica|crises econômicas]] ou [[feminismo]]).<ref>{{citar livro|último = Wolff and Resnick|primeiro = Richard and Stephen |título= Economics: Marxian versus Neoclassical |publicado=The Johns Hopkins University Press|data=agosto de 1987|isbn= 0-8018-3480-5|página= 130}}</ref> Estas diferenças teóricas levaram vários partidos socialistas e comunistas e movimentos políticos a adotar diferentes estratégias políticas para alcançar o socialismo e defender diferentes programas e políticas entre si. Um exemplo disso é a divisão entre socialistas revolucionários e reformistas que surgiram no [[Partido Social-Democrata Alemão]] (SPD) durante o início do século {{séc|XX}}. Da mesma forma, embora os [[bolcheviques]] da [[Rússia]] terem declarado o [[leninismo]] e, posteriormente, o [[marxismo-leninismo]] como o único desenvolvimento legítimo do marxismo, os [[mencheviques]] e muitos outros [[sociais-democratas]] em todo o mundo considerou-os desvios [[Totalitarismo|totalitários]]. As compreensões marxistas da história e da sociedade têm sido adotadas por acadêmicos nas disciplinas de [[arqueologia]] e [[antropologia]],<ref>Bridget O'Laughlin (1975) ''Marxist Approaches in Anthropology'' Annual Review of Anthropology Vol. 4: pp. 341–70 (October 1975) {{doi|10.1146/annurev.an.04.100175.002013}}.<br />William Roseberry (1997) ''Marx and Anthropology'' Annual Review of Anthropology, Vol. 26: pp. 25–46 (October 1997) {{doi|10.1146/annurev.anthro.26.1.25}}</ref> estudos midiáticos,<ref>S. L. Becker (1984) "Marxist Approaches to Media Studies: The British Experience", Critical Studies in Mass Communication, 1(1): pp. 66–80.</ref> [[ciência política]] e [[filosofia]].<ref>Ver [[Manuel Alvarado]], Robin Gutch, and Tana Wollen (1987) ''Learning the Media: Introduction to Media Teaching'', Palgrave Macmillan.</ref>
 
== Visão Geral ==
A análise marxista começa com uma análise das condições materiais e das atividades econômicas necessárias para satisfazer as necessidades materiais da sociedade. Assume-se que a forma de organização econômica, ou [[modo de produção]], origina, ou pelo menos influencia diretamente, a maioria dos outros fenômenos sociais - incluindo relações sociais, sistemas políticos e legais, códigos morais e ideologia. O sistema econômico e essas relações sociais formam [[Infraestrutura e superestrutura|base e superestrutura]]. As [[Forças produtivas|forças de produção]], principalmente a [[tecnologia]], melhoram, as formas existentes de organização social tornam-se ineficientes e sufocam novos progressos. Como [[Karl Marx]] observou: "Em um determinado estágio de desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em conflito com as relações de produção existentes ou - isso simplesmente expressa o mesmo em termos legais - com as relações de propriedade no âmbito das quais operaram até então a partir das formas de desenvolvimento das forças produtivas, essas relações se transformam em grilhões. Então começa uma era de revolução social "<ref>{{citar livro|título=Contribuição para a crítica a economia política, Introdução|ultimo=Marx|primeiro=karl|editora=|ano=1859|local=|páginas=|acessodata=}}</ref>. Essas ineficiências se manifestam como contradições sociais na sociedade sob a forma de luta de classes.<ref>{{citar livro|título=Comparing Economic Systems in the Twenty-First Century,|ultimo=Gregory|primeiro=and Stuart|editora=|ano=2003|local=|páginas=62 Marx's Theory of Change|acessodata=}}</ref> Sob o modo de produção capitalista, essa luta se materializa entre os a minoria (a burguesia) que possui os [[meios de produção]] e a grande maioria da população (o proletariado) que produz bens e serviços. Começando com o pressuposto de que a mudança social ocorre por causa da luta entre diferentes classes da sociedade que estão em contradição uma contra a outra, o analista marxista resumiria dizendo que o capitalismo explora e oprime o proletariado, que leva a uma revolução proletária.
 
O capitalismo (de acordo com a teoria marxista) não pode mais sustentar os padrões de vida da população, devido à necessidade de compensar a queda das taxas de lucro ao diminuir os salários, reduzindo os benefícios sociais e perseguindo através da agressão militar. O sistema socialista sucederia o capitalismo como forma de produção da humanidade através da revolução dos trabalhadores. De acordo com o marxismo, especialmente decorrentes da teoria da crise, o socialismo é uma necessidade histórica (mas não uma inevitabilidade).<ref>Free will, non-predestination and non-determinism are emphasized in Marx's famous quote "Men make their own history ..." The Eighteenth Brumaire of Louis Bonaparte, Karl Marx 1852.</ref>
 
== História ==
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{{Sem-fontes|Esta seção|sociedade=sim|data=junho de 2009}}
[[Imagem:Marx color2.jpg|thumb|upright|[[Karl Marx]]]]
[[Imagem:Engels.jpg|thumb|upright|[[Friedrich Engels]]]]
[[Imagem:Henri de Saint-simon portrait.jpg|thumb|upright|[[Conde de Saint-Simon]]]]
[[Imagem:Fourier.gif|thumb|upright|[[Charles Fourier]]]]
Pode-se dizer que o pensamento de [[Karl Marx]] (1818-1883) foi desenvolvido fundamentalmente a partir de seus estudos sobre as três tradições intelectuais já bem desenvolvidas na [[Europa]] do [[século {{séc|XIX]]}}: a filosofia idealista alemã de Hegel e dos neohegelianos, o pensamento da economia-política britânica e a teoria política socialista utópica, dos autores franceses.
 
=== Pensamento filosófico alemão ===
 
=== Pensamento político francês ===
Desde autores da antiguidade, do [[Novo testamento]] com as primeiras comunidades cristãs e modernamente no século {{séc|XVI}}, autores como [[Thomas More]] (1478-1535) e [[Tommaso Campanella]] (1568-1639) imaginavam uma sociedade de iguais. Na [[França]] do século {{séc|XVIII}}, o revolucionário [[Gracchus Babeuf]] (1760-1797) escreve o manifesto dos iguais que coloca o abismo que separa a igualdade formal da tríade "liberdade, igualdade, fraternidade" e a desigualdade real. No século {{séc|XIX}}, com as condições [[Economia|econômicas]] e o [[capitalismo]] se desenvolvendo desde a [[revolução industrial]], as cidades incham de [[Proletariado|proletários]] com baixos salários. As críticas ao [[liberalismo]] resultam da constatação de que a livre concorrência não trouxe o equilíbrio prometido e, ao contrário, instaurou uma ordem de expropriação, competição e opressão econômica. As novas teorias exigem então a igualdade real e não apenas a ideal. Em 1848 Marx lança o manifesto comunista e em 1864 é fundada em [[Londres]] a Associação Internacional dos Trabalhadores, mais tarde conhecida como [[Primeira Internacional]] (face à segunda, terceira e quarta, constituídas posteriormente), visando a luta para emancipação do proletariado através da libertação da classe operária. Esta união de grupos operários de vários países [[Europa|europeus]] teve em Marx seu principal inspirador e porta-voz, tendo este lhe dedicado boa parte do seu tempo.
 
Na França, o pensamento [[Socialismo|socialista]] teve como porta-vozes [[Conde de Saint-Simon|Saint-Simon]], [[Charles Fourier|Fourier]] e [[Proudhon]], mas sem haver ocorrido uma grande industrialização tal como na [[Inglaterra]]. Os diversos teóricos do socialismo (utópico) têm ideias diferentes e propõem soluções diversas, mas é possível reconhecer traços comuns: tentam reformar a sociedade através da boa vontade e participação de todos.{{carece de fontes|data=abril de 2017}}
Saint-Simon pensa uma sociedade industrial dirigida por produtores (classe operária, empresários, sábios, artistas e banqueiros). Fourier tenta organizar os [[Falanstério]]s (pequena unidade social abrangendo entre 1.200 e 5.000 pessoas vivendo em comunidade). [[Proudhon]] teve plena consciência do antagonismo entre as classes, afirmava que a [[propriedade privada]] significava uma espoliação do trabalho. Ele preconizava a igualdade e a liberdade, que para ele era sinônimo de [[Solidariedade (conceito)|solidariedade]], pois o homem mais livre é aquele que encontra no outro uma relação de semelhantes. Isso já é um forte indício de uma crítica ao individualismo da concepção [[Burguesia|burguesa]] de liberdade.
 
Segundo Marx e Engels, os socialistas utópicos são inócuos porque são paternalistas, pois eles não colocam nenhuma iniciativa histórica e nenhum movimento político que lhe seja próprio. Idealistas, não reconhecem quais seriam as condições históricas materiais da emancipação. Ainda segundo Marx e Engels, eles são moralistas, pretendem reformar a sociedade pela força do exemplo, pensam que as experiências em pequenas escalas poderão se frutificar e se expandir, por meios pacíficos. A grande questão aqui é também histórica, está dentro da pretensão cientificista do [[século {{séc|XIX]]}}, positivista, que vê no socialismo utópico o precursor ultrapassado do marxismo científico, que mostra o movimento operário em sua plenitude.
 
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=== Pensamento econômico britânico ===
No tocante às questões sobre economia, Marx tinha como plano de fundo seus estudos sobre [[Economia Política]], conhecido pela Escola Clássica, constituída basicamente pelo pensamento econômico britânico, com destaque para [[Adam Smith]] (1723-1790) e [[David Ricardo]] (1772-1823). Assim, escreve [[Paul Singer]] em sua introdução ao pensamento econômico de [[Marx]]:
 
{{Quote2|''Quando Marx começou a se dedicar ao estudo da economia política, na quinta década do século {{séc|XIX}}, esta ciência já tinha recebido uma formulação teórica bastante completa, abrangentemente sofisticada por uma série de autores, que passaram a ser conhecidos como "clássicos". Estes autores produziram suas principais obras no último quartel do século {{séc|XVIII}} e no primeiro quartel do [[século XIX]] e eram, em sua maioria da [[Grã-Bretanha]] - onde transcorria então a [[Revolução Industrial]]''<ref>Singer, Paul. Marx – Economia in: Coleção Grandes Cientistas Sociais; Vol 31.</ref>}}
 
O pensamento clássico se desenvolve na [[Grã-Bretanha]] durante segunda metade do século {{séc|XVIII}} e no século XIX, centrando suas reflexões nas transformações do processo produtivo, trazidas pela [[Revolução Industrial]]. [[Adam Smith]] afirma que não é ouro ou qualquer outro metal que determina a prosperidade de uma nação, mas sim o trabalho humano. Em consequência disso, qualquer transformação que aprimore as forças produtivas (produtividade do trabalho) enriquece uma nação. A principal delas – além da mecanização – é a divisão social do trabalho, amplamente estudada por ele. A Escola Clássica também aborda as causas das crises econômicas, as implicações do crescimento populacional e a acumulação de capital.<ref>Karl Marx, Capital, vol. 3, New York International publishers, 1967; Monthly Review, John Bellamy Foster</ref>
 
O pensamento econômico de Marx aparece exposto em ''Grundrisse der Kritik der politischen Ökonomie'' (''Fundamentos da Crítica da Economia Política''), de 1857 e em ''Das Kapital'' ([[O Capital]]), de 1867-1869. Sua teoria econômica materialista histórica procura explicar como o modo de produção capitalista propicia a acumulação contínua de capital, e sua resposta está na confecção das mercadorias. Elas resultam da combinação de [[meios de produção]] (ferramentas, máquinas e [[matéria-prima]]) e do trabalho humano. No marxismo, a quantidade de trabalho socialmente necessária para produzir uma mercadoria é o que determina o seu valor mínimo. A ampliação do capital através da [[mais-valia]], conceito já criado, mas plenamente desenvolvido apenas por Karl Marx, demonstrando que o trabalho produz valores superiores ao dos salários (que é o valor necessário à reprodução da força de trabalho). A esse diferencial, que irá se tornar um conceito fundamental da teoria de Marx, é considerado a fonte dos lucros e da acumulação capitalista.
A realidade não é estática, ela é dinâmica, está sempre em transformações, tanto qualitativas quanto quantitativas. No contexto dialético, também o espírito não é consequência passiva e/ou mecânica da ação da matéria, podendo reagir sobre aquilo que o determina. Isso significa que a consciência, mesmo sendo determinada pela matéria e estando historicamente determinada, não é pura passividade: o conhecimento do determinismo liberta o homem por meio da ação deste sobre o mundo, possibilitando inclusive a ação revolucionária. Assim, Marx se denominava um materialista, não idealista. O [[Materialismo Histórico]] e o [[Materialismo Dialético]] podem, grosso modo, serem tomados por termos intercambiáveis, sendo o primeiro mais adequado ao se tratar de "coisas humanas" e o segundo adequado para aspectos do real. Engels acabou desenvolvendo mais do que Marx acerca do Materialismo Dialético.<ref name="Dialético">[http://dce.unifesp.br/textos/materialismo.pdf Introdução ao materialismo dialético]. [[Unifesp]]. Acessado em 1 de outubro de 2015.</ref>
 
Alguns autores, como [[Karl Popper]], discordam da cientificidade das ideias marxistas - sendo comum que os críticos deste ideário utilizem a derrocada dos países denominados "comunistas" para fundamentar estas afirmações. O "erro" de Marx, talvez, possa ter sido o de superestimar a previsibilidade das sociedades humanas. Sem dúvida, nenhuma das sociedades que se autoproclamavam "marxistas" desenvolveu-se de acordo com as teorias de Marx, uma crítica que inclusive foi feita internamente nestas sociedades através da corrente política denominada como "[[esquerda comunista]]", composta pelos mais ortodoxos marxistas, que argumentavam que jamais existiu nem a remota possibilidade da construção do socialismo em uma única nação, uma vez que o socialismo marxista opõe-se ao nacionalismo, abraçando um viés internacionalista. A despeito dessas críticas, as ideias de Marx permanecem influenciando as ciências sociais de tal forma que o filósofo alemão tornou-se um dos mais influentes pensadores da história.<ref>{{citar web|url=http://diversao.terra.com.br/arteecultura/noticias/0,,OI591739-EI3615,00-BBC+elege+Marx+mais+importante+filosofo+da+historia.html|título=BBC elege Marx mais importante filósofo da história|acessodata=|autor=[[Terra Networks|Terra]]}}</ref> Ainda que pouco previsíveis, as sociedades humanas certamente devem render muitas graças a este homem nascido em [[Tréveris]], pelos grandes avanços teórico-metodológicos prestados ao campo das ciências humanas, por sua militância pela emancipação da humanidade, pelo desenvolvimento da concepção materialista dialética e Histórica, dentre várias outras contribuições, feitas durante o século {{séc|XIX}}.<ref name="Dialético"/>
 
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=== Estado ===
 
{{Sem-fontes|Esta seção|sociedade=sim|data=junho de 2009}}
Marx e Engels desenvolveram uma concepção de Estado que foge da linha do pensamento dominante de sua época e, inclusive, de Hegel, grande influência dos autores. Para Marx o Estado não é o ideal de moral ou de razão, mas uma força externa da sociedade que se põe acima dela não para conciliar interesse, mas para garantir a dominação de uma classe por outro e a manutenção da propriedade. Engels, em seu livro [[A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado|A origem da propriedade privada, do Estado e da família]] esclarece que o Estado surgiu junto com a propriedade privada para protege-la. Para os autores a propriedade privada gerou um conflito inconciliável, o conflito entre as classes sociais. Para impedir que os membros da sociedade se devorassem a classe dominante criou o Estado, forma pela qual se mantém no poder. Por isso todo Estado, por mais democrático que seja é uma ditadura. Marx e Engels mostram que as principais características do Estado são a burocracia, a divisão dos súditos por território e uma força militar, um exército permanente.
 
=== Modo de produção ===
{{Artigo principal|Economia heterodoxa|Economia planificada}}
{{Sem-fontes|Esta seção|sociedade=sim|data=junho de 2009}}
Marx e Engels elaboraram minuciosamente o modo de produção comunista e valorizavam a parte material da economia em suas análises,<ref>[http://dollarsandsense.org/archives/2009/0409bichlernitzan.html Contours of Crisis II: Fiction and Reality] SHIMSHON BICHLER E JONATHAN NITZAN</ref> muito embora estes autores não tenham previsto a ascensão do capital financeiro do século seguinte.<ref>The Cancer Stage of Capitalism: From Crisis to Cure. London: Pluto e Palgrave-Macmillan, 2013.</ref> Segundo eles o comunismo seria dividido em duas fases. Durante a primeira fase, o socialismo, Marx propõe a divisão da produção segundo o trabalho, pois primeiro não haveria produção suficientemente para distribuir segundo as necessidades, segundo a mentalidade coletiva ainda estaria vinculada à moral burguesa e, por isso, o homem não poderia trabalhar a quantidade de horas que quisesse pela sua própria consciência e mesmo assim iria requerer mais do que os outros. Assim neste momento a produção deveria ser distribuída segundo o trabalho.
 
 
Em resposta, as correntes leninistas tradicionais afirmam que tal interpretação de Marx seria equivocada na medida em que Engels está a falar do Estado moderno (ou Estado burguês) e que, realmente a estatização da produção sob o Estado burguês realmente não representa a socialização dos meios de produção. Mas o bolchevismo de Lenin trata da propriedade estatizada pelo Estado Operário, pelos mecanismos de poder que a classe constitui ainda na sociedade capitalista como organismos de duplo poder e se convertem em Poder de Estado. Sendo o Estado Operário a gestão coletiva organizada nos mecanismos de poder do proletariado, os meios de produção administrados por este "Estado que já não é mais um Estado propriamente dito" são socializados. No entanto, essa afirmação inverte o método de Marx, pois não explica o Estado (se proletário ou burguês) pelas relações de produção (trabalho assalariado, servil, escravista etc), mas as relações de produção (no caso capitalista ou comunista) pelo Estado. Os regimes influenciados por Lenine mantiveram o trabalho assalariado, a produção de mercadorias, a mais-valia, e o processo de produção do capital através do ciclo D - M - D´ realizando a profecia de Engels: "Os operários continuam sendo operários assalariados, proletários. A relação capitalista, longe de ser abolida com essas medidas, se aguça.". Um Estado que mantém exatamente as mesmas relações de produção capitalistas não pode ser um Estado Operário. A questão, entretanto, não resolvida, encontra-se sem um consenso definido e os debates acerca do assunto continuam com acusações de ambos os lados.
 
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=== Socialismo real ===
== Críticas ==
{{Ver artigos principais|Críticas ao marxismo}}
De acordo com seus críticos, as ideias e conceitos descritos por Marx que foram implantadas em alguns países no século {{séc|XX}} na implementação de reformas sociais, desencadeou conflitos internos e guerras civis responsáveis por milhões de perdas em vidas humanas. Como por exemplo na União Soviética, em fatos citados por diversos autores como [[Martin Amis]],<ref>Amis, Martin - Koba the Dread: Laughter and the Twenty Million - Vintage - 2002</ref> [[Orlando Figes]],<ref>Figes, Orlando - Peasant Russia, Civil War : The Volga Countryside in Revolution - 1917-1921 - Oxford - 1989</ref> [[Varlam Shalamov]],<ref>Shalamov, Varlam - Kolyma Tales - Penguin - 1995</ref> A.I. Solzhenitsyn,<ref>Solzhenitsyn, A.I. - The Gulag Archipelago: 1918-1956 - Harper Perennial - 2002</ref> [[Richard Pipes]],<ref>Pipes, Richard - The Russian Revolution - Vintage - 1991</ref> [[Robert Service]],<ref>Service, Robert - Comrades!: A History of World Communism - Harvard University Press - 2007</ref> [[Robert Conquest]],<ref>Conquest, Robert - The Harvest of Sorrow: Soviet Collectivization and the Terror-Famine - Oxford University Press - 1987</ref> [[Simon Sebag Montefiore]],<ref>Montefiore, Simon Sebag - Stalin: The Court of the Red Tsar - Vintage - 2003</ref> e [[Anne Applebaum Elizabeth|Anne Applebaum]].<ref>Applebaum, Anne - Gulag: A History - Anchor - 2004</ref>
 
A aplicação de reformas econômicas, onde os conceitos marxistas foram usados como justificativas, foi responsável por milhões de mortes no século passado. Podem ser citadas especialmente as catástrofes de famintos em 1921-1922 e 1931-1934 na União Soviética, descritas por autores como Orlando Figes<ref>Figes, Orlando - A Tragédia de Um Povo: A Revolução Russa 1891-1924 - Editora Record - 1999</ref> e Alan Bullock,<ref>Bullock, Alan - Hitler and Stalin: Parallel Lives - Vintage Books - 1993</ref> e 1959 - 1961 na China, descrita por Philip Short.<ref>Short, Philip - Mao: A Life - Henry Holt - 2000</ref>
 
== Influências ==
A partir dos pensamentos de Marx, várias vertentes do socialismo científico surgiram, como o comunismo, a social-democracia, o [[stalinismo]], o [[trotskismo]], o [[maoísmo]], etc. Os ideais de Marx influenciaram também muitos movimentos sociais dos séculos XIX e XX, e ainda influenciam até os dias de hoje. O marxismo teve uma boa recepção em grupos revolucionários e também grupos [[neoconservador]]res,<ref>[http://www.independent.co.uk/voices/where-marx-was-right-and-thatcher-wrong-1172150.html Where Marx was right and Thatcher wrong]</ref> [[LGBT]]S<ref>[http://www.marxismo.org.br/content/movimento-lgbt-libertacao-e-revolucao/ Wilhelm Reich, “A luta pela ‘nova vida’ na União Soviética”, em “Die Sexualität im Kulturkampf”, 1936]</ref> [[Feminismo|feministas]]<ref>{{citar web|URL = http://www.marxists.org/portugues/harman/1979/marxismo/cap12.htm|título = Marxismo e Feminismo|data = |acessadoem = |autor = |publicado = marxists.org}}</ref>, [[sindicato]]s <ref>{{citar livro|título = Sindicatos, cooperativas e socialismo|sobrenome = Haddad|nome = Fernando|edição = |local = |editora = |ano = 2003|página = |isbn = }}</ref>, [[Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra|MST]], e diversos grupos e movimentos sociais que buscam especificamente a justiça social, seja ligado ao combate das desigualdades do capitalismo ou ao combate do [[preconceito]]<ref>{{citar web|URL = http://www.vermelho.org.br/noticia/159449-2|título = Socialismo e inclusão|data = |acessadoem = |autor = |publicado = Portal Vermelho}}</ref>, questão esta que está cada vez mais sendo acolhido pelas organizações de esquerda. No âmbito religioso o marxismo foi bem recebido pelos adeptos da teologia da libertação. Os ideais de Marx e Engels ainda influenciaram muitos partidos políticos em diversos países e organizações partidárias internacionais.
 
=== Marxianismo ===