Diferenças entre edições de "Folheto embrionário"

8 890 bytes adicionados ,  16h37min de 1 de abril de 2019
Acrescentei mais informações e editei a gramática do texto.
(Acrescentei mais informações e editei a gramática do texto.)
Etiquetas: Editor Visual Inserção do elemento "nowiki", possivelmente errônea Possível conteúdo ofensivo
 
{{Ver desambig|prefixo=Se procura|outros significados|Folículo}}
'''Folhetos embrionários''' (ou '''folhetos germinativos''') são camadas de células formadas durante o desenvolvimento embrionário de vertebrados e invertebrados. Essas camadas surgem, nos vertebrados, durante a [[gastrulação]], a partir de [[Célula-tronco|células tronco]] pluripotentes que vão se tornando progressivamente mais restritas até que seu desenvolvimento se torna determinado para a formação de uma das três camadas: ectoderme, mesoderme e endoderme.
Um '''folheto embrionário''' é a camada primária de células que vai dar origem posteriormente a todos os outros tecidos e órgãos dos animais durante o processo de organogênese. Os três folhetos embrionários, ou '''camadas germinativas''',se formam durante a [[embriogénese]] e,em vertebrados, são particularmente acentuados. No entanto, todos os Eumetazoas (animais mais complexos que Esponjas e Placozoa) produzem dois ou três folhetos embrionários. Animais com simetria radial, como Cnidários, produzem duas camadas (a '''ectoderme''' e a '''endoderme''') levando a classificação de diblásticos. Animais com simetria bilateral produzem uma terceira camada (a '''mesoderme'''), entre as duas outras camadas, levando a classificação de triblásticos.
 
Todos os [[Eumetazoa|Eumetazoas]] produzem folhetos embrionários, porém alguns grupos diferem no número desses folhetos. Animais '''diblásticos''' produzem apenas duas camadas germinativas, a '''ectoderme''' e a '''endoderme.''' Nesse grupo encontramos apenas os [[Porifera|Poríferos]] e [[Cnidaria|Cnidários]]. Já os animais '''triblásticos''' produzem os três folhetos embrionários: ectoderme, mesoderme e endoderme. Dentro dessa classificação estão presentes todos os demais grupos de animais pluricelulares.
== Formação dos Folhetos Embrionários ==
 
== Formação dos FolhetosTrês EmbrionáriosFolhetos ==
A fertilização leva a formação do zigoto. Na clivagem, divisões mitóticas celulares transformam o zigoto em uma esfera oca de células, a blástula. Essa forma embrionária sofre [[gastrulação]], formando a gástrula com suas duas ou três camadas (os '''folhetos embrionários'''). Na gastrulação, processo pelo qual movimentos altamente integrados de células e tecidos reorganizam a blástula, essas células recebem novas posições e novos vizinhos, e é estabelecido o multifacetado plano do corpo do organismo. As células que formarão os órgãos endodérmicos e mesodérmicos são trazidas para dentro do embrião, na medida em que as precursoras da pele e do sistema nervoso são distribuídas na superfície externa. Assim, as três camadas germinativas são produzidas inicialmente durante a gastrulação. Em todos os vertebrados, essas células progenitoras se diferenciarão em tecidos adultos e órgãos.
 
Os folhetos germinativos são gerados durante uma fase do desenvolvimento embrionário denominada '''gastrulação.''' Para compreender esse processo, no entanto, é necessário revisar as etapas que o antecedem.
 
Inicialmente, o processo de fertilização leva à formação de um zigoto. Esse zigoto então passará pela [[Clivagem (embriologia)|clivagem]], uma série de divisões celulares mitóticas onde o volume de citoplasma diminui a cada divisão, resultando em células menores denominadas [[Blastómero|blastômeros]], que inicialmente se agrupam em uma massa celular que recebe o nome de [[mórula]]. Após uma reorganização dessas células, há a formação de uma cavidade preenchida por fluido, a blastocele, e neste estágio, o [[embrião]] passa a se chamar [[blástula]].
Em humanos, aproximadamente três dias após a fecundação, o zigoto se divide em uma massa sólida de 16 células, chamada de mórula. Essa mórula consiste de um pequeno grupo de células internas rodeadas por um grupo maior de células externas. A maior parte dos descendentes das células externas se tornam células do [[trofoblasto]]. Esse grupo de células forma o tecido do cório, a parte embrionária da placenta e não são capazes de produzir células do próprio embrião. Elas são necessárias para implantar células do embrião na parede uterina.
[[Imagem:Blastocisto.jpg|thumb|300px|'''Formação do Blastocisto:''' Zigoto, estágio de 8 células; sofre divisão formando massa de 16 células, a Mórula; sofre divisão para estágio de 32 células, o Blastocisto, onde se observa o trofoblasto rodeando a blastocele ]]
O embrião é derivado das células internas do estágio de 16 células, suplementada por células divididas do trofoblasto durante a transição para o estágio de 32 células. Essas células geram a massa celular interna que dará origem ao embrião, acompanhada da bolsa com vitelo, alantóide e âmnio. Durante o estágio de 64 células, a massa celular interna (aproximadamente 13 células) e as células do trofoblasto se tornam camadas de células separadas, nenhuma delas contribuindo para células do outro grupo. De 7 a 12 dias após a fecundação, a célula do trofoblasto secreta um fluido para dentro da mórula para criar a blastocele, dando origem a uma estrutura chamada [[Blástula|blastocisto]]. Essa estrutura vai se expandindo dentro da zona pelúcida até fazer contato com o útero. A primeira segregação de células dentro da massa celular interna após sua fixação no útero forma o [[hipoblasto]]. Essas células se separam para revestir a cavidade da blastocele, que depois vai dar origem a endoderme do saco vitelínico. O tecido da massa celular interna remanescente, acima do hipoblasto, é agora chamado de [[epiblasto]]. As células do epiblasto são separadas por pequenas fendas que se juntam para separar o epiblasto embrionário das outras células do epiblasto que formarão o revestimento do âmnio.
 
A blástula vai se vai se expandindo dentro da zona pelúcida até fazer contato com o útero. A primeira segregação de células dentro da massa celular interna após sua fixação no útero forma o [[hipoblasto]]. Essas células se separam para revestir a cavidade da blastocele. A massa celular remanescente, acima do [[hipoblasto]], é agora chamada de [[epiblasto]]. Essa separação entre hipoblasto e epiblasto faz com que o embrião adquira uma estrutura em '''disco bilaminar.'''
Na terceira semana da gestação dos humanos acontece a [[gastrulação]], onde ocorre o espessamento do epiblasto na região posterior, originando a [[linha primitiva]]. Esse espessamento é causado pelo ingresso de células do epiblasto para dentro da blastocele , e pela migração de células da região lateral do epiblasto posterior em direção ao centro. Assim que a linha primitiva se forma, as células do epiblasto migram para dentro da blastocele, migram anteriormente formando o intestino anterior, o mesoderma da cabeça e a [[notocorda]]; células passando através das porções laterais da linha primitiva dão origem à maioria dos tecidos endodérmicos e mesodérmicos. Na ponta anterior da linha primitiva há um espessamento de células chamado nódulo primitivo ou '''nó de Hensen'''. As próximas células que entram na blastocele através do nó de Hensen se movem anteriormente, permanecendo entre o '''endoderma''' e o epiblasto para formar as células do '''mesoderma''' da cabeça e da notocorda. Quando entram na blastocele, essas células se separam por dois caminhos. Um se move mais profundamente e encontra o hipoblasto, deslocando as células hipoblásticas para os lados, dando origem a todos os órgãos endodérmicos do embrião, assim como a maioria das membranas extra-embrionárias. O outro se espalha através da blastocele como uma camada frouxa, dando origem as porções mesodérmicas do embrião e das membranas extra-embrionárias.
 
Nesse disco embrionário bilaminar, será formado um espessamento no epiblasto, que recebe o nome de '''linha primitiva.''' A formação da linha primitiva marca o início da gastrulação, processo que irá culminar com a origem dos três folhetos embrionários.
Após 22 horas de incubação, a maior parte das células presuntivas endodérmicas estão no interior do embrião e as células presuntivas mesodérmicas continuam a migrar para o interior. Enquanto continua o ingresso do mesoderma, a linha primitiva começa a regredir, movendo o nó de Hensen de uma posição próxima do centro da área pelúcida, para uma posição mais posterior. Ela deixa em seu lugar o eixo dorsal do embrião e o processo cefálico. Ao mesmo tempo que o nódulo avança posteriormente, a porção posterior da notocorda é estabelecida. O nó regride para sua posição mais posterior, formando a região anal. Nesse ponto, o epiblasto é composto inteiramente de células '''ectodérmicas'''.
Enquanto as células presuntivas do mesoderma e do endoderma se moviam para dentro, os precursores ectodérmicos proliferavam para se tornar a única população de células remanescente na camada superior, migrando para fora do blastodisco para envolver o vitelo. O enclausuramento do vitelo dura 4 dias para ser completada e envolve a produção contínua de novo material celular e a migração das células ectodérmicas ao longo da superfície inferior do envoltório vitelínico. Assim, chegando ao fim da gastrulação, o ectoderma envolveu o vitelo, o endoderma substituiu o hipoblasto e o mesoderma se posicionou entre essas duas regiões.
 
A linha primitiva é resultado da proliferação e migração de células do epiblasto para o plano mediano do disco embrionário, e ela continua se alongando por meio da adição de células em sua '''extremidade caudal,''' ao passo que na '''extremidade cranial''' a proliferação celular dará origem ao '''nó primitivo'''. Em toda a extensão da linha primitiva será formado também um '''sulco primitivo,''' que termina em uma pequena depressão no nó primitivo, a '''fosseta primitiva.''' Dessa forma, o surgimento da linha primitiva define todos os principais eixos corporais: como ela se forma na linha  mediana  caudal  do  disco  embrionário,  é possível identificar o eixo craniocaudal (extremidades cranial e caudal), as superfícies dorsal e ventral, e os lados direito e esquerdo.
 
As células do epiblasto nas laterais da linha primitiva começam a se mover para dentro dela e a sofrer uma '''transformação epitélio‑mesenquimal (EMT'''). Durante essa transformação, as células do epiblasto se alongam e assumem uma forma de “frasco”. Sob a influência de diversos fatores de crescimento embrionários, incluindo a sinalização de BMP (proteínas morfogenéticas ósseas), as células do epiblasto migram através da linha primitiva e pelo sulco primitivo para espaço entre o epiblasto e o hipoblasto (ou dentro do próprio hipoblasto). Um outro fator de crescimento importante nessa migração celular é o '''fator de crescimento de fibroblastos 8 (FGF8'''), que é sintetizado pelas próprias células da linha primitiva. Esse fator de crescimento controla o movimento celular regulando a caderina E, uma proteína que normalmente mantém as células do epiblasto unidas. O FGF8 também controla a especificação celular na mesoderme ao regular a expressão do gene BRACHYURY, que codifica uma proteína que atua como fator de transcrição. Essa movimentação coletiva de células pela linha primitiva e para o interior do embrião recebe o nome de '''ingressão''' e será responsável por formar as três camadas germinativas primárias.
== Endoderma ==
 
*  A '''EMT''' é um processo que envolve modificações na maneira de adesão da célula e na sua forma, sendo esta última mediada por mudanças no [[citoesqueleto]]. Durante a EMT, as células do epiblasto no interior da linha primitiva substituem seu método de adesão de célula-célula para célula-substrato (adesão entre membranas basais e matriz extracelular). Um gene responsável pela repressão das características epiteliais nas células mesenquimais da linha é o ''Snail.'' Sob a sua influência, cessa a expressão de moléculas de adesão  célula‑célula,  como a  caderina E,  enquanto é  induzida  a expressão  de  proteínas do citoesqueleto, como a vimentina. Além disso, o citoesqueleto é alterado pela expressão de membros da família Rho de [[GTPase|GTPases]], como RhoA e Rac1. Eles são necessários para regular a organização da actina das células em gastrulação na linha primitiva. Quando essas GTPases são perturbadas, as células se acumulam e morrem no espaço entre o epiblasto e o hipoblasto. De maneira similar, as mutações com perda de funções de uma variedade de moléculas de adesão e do citoesqueleto perturbam a EMT.  Além de mudanças na adesão e no citoesqueleto, o sinalizador FGF1 também atua na EMT. Em mutações com perda de funções do FGF1, as células perdem sua capacidade de ingressar, e, como consequência, se acumulam na linha primitiva.
 
Quando as células do epiblasto migram para dentro do hipoblasto, formam a endoderme, e quando migram para dentro da camada média, formam a mesoderme. As primeiras células do epiblasto a se movimentar invadem o hipoblasto e deslocam suas células, substituindo completamente os hipoblastos por uma nova camada de células, a '''endoderme.''' Posteriormente, algumas células do epiblasto migram através da linha primitiva, estendem‑se pelo espaço entre o epiblasto  e  a endoderme em formação  e  constituem  a '''mesoderme'''. Recentes estudos indicam que moléculas sinalizadoras da superfamília do fator transformador de crescimento-β (TGF- β) induzem a formação da mesoderme.
 
Finalizada a formação da endoderme e da mesoderme, as células do epiblasto param de se movimentar e migrar pela linha primitiva. O epiblasto remanescente passa então a compor a '''ectoderme.''' A partir desse momento, a gastrulação está finalizada e a formação dos três folhetos embrionários está completa. Em conclusão, todas as camadas germinativas derivam do epiblasto durante a gastrulação.[[Imagem:Blastocisto.jpg|thumb|300px|'''Formação do Blastocisto:''' Zigoto, estágio de 8 células; sofre divisão formando massa de 16 células, a Mórula; sofre divisão para estágio de 32 células, o Blastocisto, onde se observa o trofoblasto rodeando a blastocele ]]
== Derivados da Ectoderme ==
[[Imagem:Endoderm2.png|thumb|'''Endodrme:''' Camada interna, constroi o revestimento do tubo respiratório (ex:células alveolares), bolsões epiteliais da faringe (ex:células da tireóide) e o revestimento do tubo digestivo (ex:células pancreáticas) ]]
 
Após a sua formação, o folheto embrionário ectodérmico vai gradualmente adquirindo uma forma discoide, e se diferencia em [[Placa neural|'''placa neural''']] na região central do disco e em '''ectoderme cutânea''' na região periférica. As células da placa neural irão constituir a '''neuroectoderme.'''
 
Através de sinalizações por '''fatores''' '''de crescimento do fibroblasto (FGF)''' e inibição da atividade da '''proteína morfogenética óssea 4''' (BMP4, um membro da família do TGF-β), será iniciado o processo de [[neurulação]] por meio da '''indução da placa neural'''. O FGF é responsável pela ativação de genes que auxiliam no desenvolvimento neural e pela inibição da BMP4. Em condições normais, BMP4 induz a diferenciação da ectoderme em tecido epidérmico, porém, quando esta proteína é inativada, a ectoderme passa a se diferenciar em tecido neural.
 
Essa inibição da BMP4 é dada por moléculas que recebem o nome de '''indutores neurais,''' e tem sua expressão aumentada pelo FGF. Alguns desses indutores são as proteínas ''NOGGIN'', ''CHORDIN'' e ''FOLLISTATIN'', presentes no nó primitivo do embrião. Vale ressaltar que essas proteínas induzem a formação dos tecidos neurais do [[prosencéfalo]] e [[mesencéfalo]] apenas. O [[rombencéfalo]] e medula espinal, estruturas caudais da placa neural, tem seu desenvolvimento induzido pelas proteínas ''WNT3a'' e FGF.
A função do endoderma embrionário é construir o revestimento de dois tubos dentro do organismo. O tubo digestivo (de onde vão se formar o fígado, vesícula biliar e o pâncreas) e é o tubo respiratório, que cresce a partir do tubo digestivo, finalmente se bifurcando e se transformando nos dois pulmões. Os tubos digestivo e respiratório dividem uma câmara comum na região anterior do embrião, a faringe. Bolsões epiteliais exteriores da faringe dão origem as amígdalas, as glândulas tireóide, timo e paratireóide.
 
A indução da placa neural marca o início do processo de neurulação, que resultará na formação do [[tubo neural]]. Por meio da neurulação, a o tubo neural será responsável pela formação de [[Neurónio|neurônios]], [[Neuróglia|células gliais]] e [[Ependimócito|células ependimárias]] do [[sistema nervoso central]]. Também dará origem à [[retina]], ao corpo pineal e à parte posterior da [[hipófise]].
 
Paralelamente, nas bordas laterais da neuroectoderme, algumas células passam a se dissociar de suas vizinhas. Essa população celular recebe o nome de '''[[crista neural]]''' e passa a migrar para fora da neuroectoderme e penetrar e mesoderme subjacente. Durante essa passagem, essas células sofrem transformações epitélio-mesenquimais (EMTs), e de acordo com suas rotas de migração, darão origem a diferentes tipos celulares. As células que migram pela '''via dorsal,''' através da mesoderme, penetram a ectoderme cutânea, onde se diferenciarão em [[Melanócito|melanócitos]] da pele e '''folículos pilosos.''' Já as células que migram pela '''via ventral,''' através dos [[Somito|somitos]], se tornarão '''gânglios sensoriais''', '''neurônios simpáticos''' e '''entéricos''', [[Célula de Schwann|células de Schwann]] e '''células da medula suprarrenal.''' Há também células da crista neural que permanecem no tubo neural, e nesse caso elas auxiliam principalmente na formação do '''esqueleto craniofacial''', de '''gânglios''' e '''nervos craniais e sensoriais.'''
 
A ectoderme cutânea, por sua vez, consiste inicialmente em uma única camada de células. Após a neurulação, essas células passam a se dividir e produzem uma nova camada, a '''periderme,''' composta por células achatadas. A camada subjacente de células é agora denominada camada basal, responsável pela produção de novas células que darão origem às camadas defitinivas da epiderme. A ectoderme cutânea também produzirá todas as '''glândulas cutâneas''' e '''mamárias''', além de outras estruturas de revestimento como '''pelos, unhas''' e '''esmalte dos dentes'''. A porção anterior da hipófise também será gerada pela ectoderme cutânea.
== Mesoderma ==
 
== Derivados da Mesoderme ==
[[Imagem:Mesoderm.png|thumb|'''Mesoderma:''' De seus diferentes tipos podem dar origem à Músculo Cardíaco, Músculo esquelético, Células do Rim, Células sanguíneas e Muscúlo Liso]]
 
As primeiras células mesodérmicas inicialmente formarão uma camada fina de tecido ao redor de cada lado da linha primitiva. As células mais interiores passarão a se dividir até constituírem uma placa espessa, denominada '''mesoderme paraxial.''' Nas regiões laterais, a camada mesodérmica permanece fina e recebe o nome de '''placa lateral''', tecido que, posteriormente, irá se dividir em duas camadas: uma camada que cobrirá o âmnio do embrião, a '''mesoderme parietal'''; e uma camada que cobrirá a vesícula vitelínica, a '''mesoderme visceral.''' Entre a mesoderme lateral e paraxial, fica a mesoderme '''intermediária.'''
A primeira região é o cordomesoderma, que se forma no centro do embrião no futuro lado dorsal. Esse tecido forma a notocorda, que vai induzir a formação do tubo neural e estabelecer o eixo corporal ântero-posterior.
 
As células da mesoderme paraxial irão se organizar em formas intermediárias denominadas somitos, cuja formação é induzida por vias de sinalização das proteínas ''NOTCH'' e ''WNT,'' além de serem também influenciados pelo FGF8. De acordo com sua posição nessas estruturas, as células dos somitos poderão constituir o '''esclerótomo''', que irá se diferenciar em vértebras e costelas; além disso, formarão '''precursores de células musculares''', que culminarão com a formação da maior parte da musculatura corporal e dos membros; e irão gerar também o '''dermomiótomo''', estrutura cujas células darão origem à [[derme]] da pele e aos [[Músculo|músculos]] dorsais e intercostais. Essa diferenciação dos somitos é ativada através de sinalização pelos produtos proteicos dos genes ''NOGGIN'' e ''sonic hedgehog (SHH)'', que induzem a formação do esclerótomo. O esclerótomo, por sua vez, passa a expressar o fator de transcrição ''PAX1'', que então ativa uma cascata de genes indutores da formação de cartilagens e músculos.
A segunda região é o mesoderma dorsal somítico (Mesoderma Paraxial), onde as células nessa região formam somitos, que vão dar origem a vários tecidos conjuntivos das costas (osso, músculo, cartilagem e derme).
 
A mesoderme intermediária se diferencia em estruturas urogenitais, formando os '''nefrótomos,''' [[Gónada|gônadas]]''', ductos''' e '''glândulas acessórias''' dos órgãos excretores.
O mesoderma intermediário forma o sistema urinário e os dutos genitais.
 
A mesoderme lateral, como mencionado, se divide em duas camadas. A camada parietal atuará na formação da derme da pele na parede corporal e dos membros, dos ossos e do [[tecido conjuntivo]]. A camada visceral irá constituir, juntamente com a endoderme, a parede do tubo intestinal. Ambas as camadas formarão membranas serosas, que revestem os órgãos, as cavidades peritoneal, pleural e plericárdica. A mesoderme lateral também é responsável pela formação das [[Célula sanguínea|células sanguíneas]] e [[Sistema linfático|linfáticas]], por meio de indução por FGF2 e VEGF (fator de crescimento endotelial vascular), que são secretados pelas células mesodérmicas.
Mais distante da notocorda, o mesoderma da placa lateral dá origem ao coração, vasos sangüíneos e células sangüíneas do sistema circulatório, como também ao revestimento da cavidade do corpo e de todos os componentes mesodérmicos dos membros exceto os músculos. Irá formar também uma série de membranas extra-embrionárias que são importantes para o transporte de nutrientes para o embrião.
 
== Derivados da Endoderme ==
Por último, o mesênquima da cabeça irá contribuir para os tecidos conjuntivos e a musculatura da face.
== Ectoderma ==
[[Imagem:Ectoderm.png|thumb|'''Ectoderma:''' Camada externa, pode dar origem à células da pele, Neurônios, células pigmentadas, etc]]
 
A funçãoprincipal doderivação endodermada embrionárioendoderme éembrionária construiré o revestimento de dois tubos dentro do organismo. O [[tubo digestivo]] (de onde vão se formar o '''fígado''', '''vesícula biliar''' e o '''pâncreas''') e é o tubo respiratório, que cresce a partir do tubo digestivo, finalmente se bifurcando e se transformandobifurca nos dois [[Pulmão|pulmões]]. Os tubos digestivo e respiratório dividem uma câmara comum na região anterior do embrião,: a [[faringe.]], Bolsõesque epiteliaistambém exterioresserá darevestida faringepor dãoderivados origemda asendoderme. amígdalas, as glândulas tireóide, timo e paratireóide.
O ectoderma produz três conjuntos de células durante a neurulação. O tubo neural que dá origem aos neurônios, às células gliais e às células ependimárias do sistema nervoso central; as células da crista neural, que dão origem ao sistema nervoso periférico, células pigmentadas, medula da suprarenal e certas áreas da cartilagem da cabeça; e a epiderme da pele, que contribui para a formação das estruturas cutâneas como o pêlo, penas, escamas e glândulas sudoríparas e sebáceas, como também a cobertura protetora externa dos nossos corpos.
 
Inicialmente, o folheto embrionário endodérmico dará origem ao revestimento epitelial do '''intestino''', e ao longo do seu desenvolvimento formará o epitélio de todo o trato gastrointestinal (fígado, pâncreas e bexiga). Além disso, a partir da endoderme surgirá o epitélio de revestimento do sistema respiratório, incluindo a [[traqueia]], os pulmões e [[Brônquio|brônquios]]. Todos os componentes epiteliais da faringe, cavidade dos tímpanos, tonsilas e glândulas tireoides e paratireoides também serão originados a partir da endoderme.
 
== Resumo: derivados de cada folheto em Vertebrados ==
 
== O que cada folheto nos vertebrados origina ==
{| border="4" cellpadding="2"
|+
 
== Bibliografia ==
 
*# CATALA, M. (2003). Embriologia – Desenvolvimento Humano Inicial. 1a ed. Rio de Janeiro:. Editora Guanabara Koogan. 2003.
*# FERNANDEZ, CASIMIRO GARCIA; GARCIA, SONIA MARIA LAUER DE. (2001). Embriologia. 2 ed. Editora Artmed. 2001.
* GILBERT, S. F. Developmental Biology. 5a.ed. Sinauer Associates, Inc. Suunderland, Massachusetts.U.S.A.,1997.
# GADUE, P., HUBER, T., NOSTRO, C., KATTMAN, S., KELLER, G. (2005) Germ layer induction from embryonic stem cells. Experimental Hematology, 33(5), 955-964. <nowiki>https://doi.org/10.1016/j.exphem.2005.06.009</nowiki>
* JUNQUEIRA, L. C., CARNEIRO, J. Noções Básicas de Citologia, Histologia e Embriologia.São Paulo: Nobel, 1998.
# GAO, X., TATE, P., HU, P., TJLAN, R., SKARNES, W., WANG, Z. (2008). ES cell pluripotency and germ-layer formation require the SWI/SNF chromatin remodeling component BAF250a.  Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America, 105(18), 6656-61. <nowiki>https://doi.org/10.1073/pnas.0801802105</nowiki>
* LANGMAN, S.T.; SADLER, W. Embriologia Médica. 9a ed. Rio de Janeiro Guanabara Koogan. 2005.
*# GILBERT, S. F. (1997). Developmental Biology. 5a.ed. Sinauer Associates, Inc. Suunderland, Massachusetts.U.S.A.,1997 USA.
* MAIA, G. D. Embriologia Humana. Rio de Janeiro: Atheneu, 1998.
# ITSKOVITZ-ELDOR, J., SCHULDINER, M., KARSENTI, D., EDEN, A., YANUKA, O., AMIT, M., SOREQ, H., BENVENISTY, N. (2000). Differentiation of human embryonic stem cells into embryoid bodies comprising the three embryonic germ layers. Molecular Medicine, 6(2), 1528-3658. <nowiki>https://doi.org/10.1007/BF03401776</nowiki>
* MELLO, R. A. Embriologia Humana. São Paulo: Atheneu, 2000.
*# JUNQUEIRA, L. C., CARNEIRO, J. (1998). Noções Básicas de Citologia, Histologia e Embriologia. 1a ed. São Paulo:. Nobel,Editora 1998Nobel.
* MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N. Embriologia Clínica. 7a ed., Rio de Janeiro:Guanabara Koogan,2005.
# KELLER, R. (2005). Cell migration during gastrulation. Current Opinion in Cell Biology, 17(5), 533-541. <nowiki>https://doi.org/10.1016/j.ceb.2005.08.006</nowiki>.
* WOLPERT, L. Principles of Development. 4th Edition. United States. Oxford. 2011.
# KIM, B., KIM, S., SHIM, J. WOO, D. GIL, J., KIM, S. KIM, J. (2006). Neurogenic effect of vascular endothelial growth factor during germ layer formation of human embryonic stem cells. FEBS Letters, 580(25), 5869-5874. <nowiki>https://doi.org/10.1016/j.febslet.2006.09.053</nowiki>
# KREZEL, L. S., SEPICH, D. (2012) Gastrulation: making and shaping germ layers. Annual Review of Cell and Developmental Biology, 28(1), 687-717. <nowiki>https://doi.org/10.1146/annurev-cellbio-092910-154043</nowiki>
*# LANGMAN, S.T.; SADLER, W. (2005). Embriologia Médica. 9a ed. Rio de Janeiro. Guanabara Koogan. 2005.
# LYASHENKO, N., WINTER, M., MIGLIORINI, D., BIECHELE, T., MOON, R., HARTMANN, C. (2011). Differential requirement for the dual functions of β-catenin in embryonic stem cell self-renewal and germ layer formation. Nature Cell Biology, 13(1), 753-761. <nowiki>https://doi.org/10.1038/ncb2260</nowiki>
*# MAIA, G. D. (1998). Embriologia Humana. 1a ed. Rio de Janeiro:. Atheneu,Editora 1998Atheneu.
*# MELLO, R. A. (2000). Embriologia Humana. 1a ed. São Paulo:. Atheneu,Editora 2000Atheneu.
*# MOORE, K. L.; PERSAUD, T. V. N. (2005). Embriologia Clínica. 7a ed., Rio de Janeiro:. Editora Guanabara Koogan,2005.
# MOREIRA, C. (2014) Desenvolvimento embrionário dos animais. Ciência Elementar, 2(4), 247. <nowiki>http://doi.org/10.24927/rce2014.247</nowiki>
# SCHOENWOLF, Gary C. et al. (2006). ''Larsen Embriologia Humana.'' 5a ed. Rio de Janeiro. Editora Elsevier.
# SUGIHARA, K., NAKATSUJI, N., NAKAMURA, K., NAKAO, K., HASHIMOTO, R., OTANI, H., SAKAGAMI, H., KONDO, H., NOZAWA, S., AIBA, A., KATSUKI, M. (1998). Rac1 is required for the formation of three germ layers during gastrulation. Oncogene, 17(1), 3427-3433. <nowiki>https://doi.org/10.1038/sj.onc.1202595</nowiki>
# VISINTIN, J., MENDES, C., GOISSIS, M., KERKIS, I. (2013) Diferenciação de gametas in vitro a partir de células-tronco. Reprodução Animal, 37(2), 140-144.
# WENG, W., STEMPLE, D. Nodal signaling and vertebrate germ layer formation. (2003). Birth Defects Research, 69(4), 325-332. <nowiki>https://doi.org/10.1002/bdrc.10027</nowiki>
# WILES, M.; JOHANSSON, B. (1997). Analysis of factors controlling primary germ layer formation and early hematopoiesis using embryonic stem cell in vitro differentiation. Leukemia, 3(11), 454-456.
*# WOLPERT, L. (2011). Principles of Development. 4th Edition. United States. Oxford. 2011.