Diferenças entre edições de "Racismo no Brasil"

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O racismo no Brasil é um legado da colonização portuguesa.<ref name="botosso">{{citar web |url=http://www.acaoeducativa.org.br/fdh/wp-content/uploads/2013/03/Tatiana-Botosso.pdf |título=Racismo no Brasil |editor=Ação Educativa |data=2012 |autor=Tatiana Cavalcante de Oliveira Botosso |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Os índios brasileiros não se viam como um povo uno e as tribos nutriam animosidades entre si, gerando guerras constantes.<ref name="darcy">{{citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=0phkBQAAQBAJ|título=O Povo Brasileiro|autor=Ribeiro|primeiro=Darcy|editora=[[Companhia das Letras|Companhia de Bolso]]|ano=2003|local=São Paulo|páginas=435&ndash;|autorlink=Darcy Ribeiro|acessodata=}}</ref> Contudo, o preconceito baseado na aparência física, na cultura ou na religião foi trazido junto com os colonizadores portugueses. À época do descobrimento do Brasil, Portugal era uma das sociedades mais intolerantes da [[Europa]]. Em 1496, os [[judeus]], que viviam há séculos em Portugal, foram expulsos do país, em decorrência do crescente [[antissemitismo]] na [[Península Ibérica]].<ref name="green">{{citar livro |título = Inquisição- O Reinado do Medo|autor = Toby Green|páginas = 463&ndash;463|ano = 2011|editora = [[Editora Objetiva|Objetiva]]}}</ref> Os [[cigano]]s também eram uma [[etnia]] profundamente marginalizada em terras lusitanas.<ref name=donas>{{citar livro|título=Donas e Plebeias na Sociedade Colonial|autor =Maria Beatriz Niza da Silva|páginas=-&ndash;-|ano=2002|publicado=Estampa}}</ref>
 
Chegando ao que viria a ser o Brasil, os portugueses se depararam com os povos indígenas. Durante séculos, grupos "científicos" <ref>{{Citar periódico|ultimo=Arteaga|primeiro=Juanma Sánchez|data=2016-05-23|titulo=Biological Discourses on Human Races and Scientific Racism
Chegandoin aoBrazil que(1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal viriaof athe serHistory oof Brasil, os portugueses se depararam com os povos indígenasBiology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10. Durante séculos, grupos "científicos"1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref> e religiosos debateram se os índios eram seres humanos ou animais. A cultura e a religião indígenas foram sempre vistas como inferiores e demoníacas, resultando numa "ação civilizadora" da [[Igreja Católica]] a fim de aculturar os nativos ao [[cristianismo]]. Camuflada de boas intenções, o objetivo final era a dominação. Os [[bandeirantes]], hoje considerados heróis, promoveram verdadeiras atrocidades contra as populações indígenas. Escravizados e despojados de suas terras, a maior parte da população nativa foi fisicamente aniquilada.<ref name="botosso"/><ref name="darcy"/>
 
Com a chegada dos escravos africanos, a sociedade brasileira dividiu-se em duas porções desiguais, semelhante a um sistema de [[casta]]s, formada por uma parte branca e livre e outra parte negra e escrava. Mesmo os negros livres não eram considerados cidadãos.<ref name="botosso"/> O racismo no Brasil colonial não era apenas consuetudinário, vez que tinha base legal também. Para ocupar serviços públicos da Coroa, da municipalidade, do judiciário, nas igrejas e nas ordens religiosas era necessário comprovar a "pureza de sangue", ou seja, apenas se admitiam brancos, banindo negros e mulatos, "dentro dos quatro graus em que o mulatismo é impedimento". Era exigida a comprovação da "brancura" dos candidatos a cargos.<ref name=libertos>{{citar livro|título=Escravos e Libertos no Brasil Colonial|autor =A.J.R RUSSEL-WOOD|páginas=-&ndash;-|ano=2005|publicado=Civilização Brasileira}}</ref>
 
=== Período contemporâneo ===
Porém, o racismo que persiste de forma intensa no país é voltado contra negros, mulatos e índios, mas sobretudo contra os primeiros.<ref name="darcy"/> De acordo com [[Darcy Ribeiro]], as atuais classes dominantes brasileiras "guardam, diante do negro, a mesma atitude de desprezo vil" que seus antepassados escravocratas tinham. Os pobres e os negros em geral são vistos como culpados de sua própria desgraça, explicada por suas características raciais e não devido à escravidão e à opressão. Contudo, segundo Ribeiro, não é só o branco que discrimina o negro no Brasil. O preconceito é assimilado pelos próprios [[mulatos]] e até pelos negros que ascendem socialmente, "os quais se somam ao contingente branco para discriminar o negro-massa".<ref name="darcy"/> [[Jessé de Souza]] também inclui na chamada "ralé brasileira" pessoas brancas de classes sociais inferiores e considera que o [[racismo científico]] sempre influenciou as ciências sociais no Brasil.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=rwJDDwAAQBAJ|título=A Elite do Atrasoperiódico|ultimo=SouzaArteaga|primeiro=Jessé|data=2017|editora=Leya|ano=|local=Rio de Janeiro|páginas=|isbn=9788544105382|autorlink=Jessé de Souza|acessodata=}}</ref> Por isso ainda há resquícios do mito da [[democracia racial]], que propagava que no Brasil não existia racismo ou que ele era menor que no restante do mundo. O preconceito racial persiste na sociedade brasileira, embora muitas vezes camuflado.<ref name="dm">{{citar web |título=O racismo camuflado no Brasil |url=http://www.dm.com.br/cidades/goias/2014/04/o-racismo-camuflado-no-brasil.html |editor=Diário da ManhãJuanma Sánchez|data=11 de abril de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Os negros são hoje no Brasil o grupo étnico2016-racial mais pobre e com menor nível de escolaridade. Também são os que mais morrem assassinados e são as maiores vítimas da violência policial.<ref name="correio">{{citar web |título=Brasil é um país dividido entre brancos escolarizados e negros mais pobres |url=http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia05-e-saude/2012/12/25/interna_ciencia_saude,340941/brasil-e-um-pais-dividido-entre-brancos-escolarizados-e-negros-mais-pobres.shtml 23|editortitulo=[[CorreioBiological Braziliense]]Discourses |data=25on deHuman dezembroRaces deand 2012Scientific |acessodata=4Racism de maio de 2014}}</ref><ref name="cartacapital">{{citar web |título=Negros são 70% das vítimas de assassinatos no Brasil, reafirma Ipea |url=http://negrobelchior.cartacapital.com.br/negros-sao-70-das-vitimas-de-assassinatos-no-brasil-reafirma-ipea/ |data=18 de outubro de 2013 |acessodata=9 de outubro de 2018 |editor=[[CartaCapital]]}}</ref> Os seguidores de [[religiões afro-brasileiras]] são ainda [[Preconceito contra religiões afro-brasileiras|vítimas de discriminação]] e tachados como praticantes de seitas demoníacas, tendo seus [[Terreiro (religião)|terreiros]] invadidos e depredados por [[Fanatismo religioso|fanáticos religiosos]].<ref name="diario">{{citar web |título=Preconceito e intolerância ainda são grandes nas religiões afro-brasileiras |url=http://www.diariodovale.com.br/noticias/0,90303,Preconceito-e-intolerancia-ainda-sao-grandes-nas-religioes-afro-brasileiras.html#axzz3YHXPcRHJ |data=31 de maio de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015 |editor=Diário do Vale}}</ref> A [[televisão]] brasileira também discrimina os negros, que são subrepresentados na sua programação, sobretudo nas [[telenovela]]s.<ref name="raça">{{Citar web |url=http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000429421&loc=2004&l=a53f9ea881157d5a|título=O Negro Representado na Revista Raça |editor=[[Universidade Federal do Rio Grande do Sul]] |autor=João Batista Nascimento dos Santos |data=2004 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Segundo a [[ONU]], o racismo é um problema estrutural do Brasil.<ref name="ONU">{{Citar web |url=http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/12/grupo-da-onu-reconhece-racismo-como-problema-estrutural-da-sociedade|título=Grupo da ONU reconhece o racismo como problema estrutural do Brasil |língua= |editor=ONU |data=dezembro de 2012 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref>
in Brazil (1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal of the History of Biology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10.1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref>sempre influenciou as ciências sociais no Brasil.<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=rwJDDwAAQBAJ|título=A Elite do Atraso|ultimo=Souza|primeiro=Jessé|data=2017|editora=Leya|ano=|local=Rio de Janeiro|páginas=|isbn=9788544105382|autorlink=Jessé de Souza|acessodata=}}</ref> Por isso ainda há resquícios do mito da [[democracia racial]], que propagava que no Brasil não existia racismo ou que ele era menor que no restante do mundo. O preconceito racial persiste na sociedade brasileira, embora muitas vezes camuflado.<ref name="dm">{{citar web |título=O racismo camuflado no Brasil |url=http://www.dm.com.br/cidades/goias/2014/04/o-racismo-camuflado-no-brasil.html |editor=Diário da Manhã |data=11 de abril de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Os negros são hoje no Brasil o grupo étnico-racial mais pobre e com menor nível de escolaridade. Também são os que mais morrem assassinados e são as maiores vítimas da violência policial.<ref name="correio">{{citar web |título=Brasil é um país dividido entre brancos escolarizados e negros mais pobres |url=http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/ciencia-e-saude/2012/12/25/interna_ciencia_saude,340941/brasil-e-um-pais-dividido-entre-brancos-escolarizados-e-negros-mais-pobres.shtml |editor=[[Correio Braziliense]] |data=25 de dezembro de 2012 |acessodata=4 de maio de 2014}}</ref><ref name="cartacapital">{{citar web |título=Negros são 70% das vítimas de assassinatos no Brasil, reafirma Ipea |url=http://negrobelchior.cartacapital.com.br/negros-sao-70-das-vitimas-de-assassinatos-no-brasil-reafirma-ipea/ |data=18 de outubro de 2013 |acessodata=9 de outubro de 2018 |editor=[[CartaCapital]]}}</ref> Os seguidores de [[religiões afro-brasileiras]] são ainda [[Preconceito contra religiões afro-brasileiras|vítimas de discriminação]] e tachados como praticantes de seitas demoníacas, tendo seus [[Terreiro (religião)|terreiros]] invadidos e depredados por [[Fanatismo religioso|fanáticos religiosos]].<ref name="diario">{{citar web |título=Preconceito e intolerância ainda são grandes nas religiões afro-brasileiras |url=http://www.diariodovale.com.br/noticias/0,90303,Preconceito-e-intolerancia-ainda-sao-grandes-nas-religioes-afro-brasileiras.html#axzz3YHXPcRHJ |data=31 de maio de 2014 |acessodata=4 de maio de 2015 |editor=Diário do Vale}}</ref> A [[televisão]] brasileira também discrimina os negros, que são subrepresentados na sua programação, sobretudo nas [[telenovela]]s.<ref name="raça">{{Citar web |url=http://www.bibliotecadigital.ufrgs.br/da.php?nrb=000429421&loc=2004&l=a53f9ea881157d5a|título=O Negro Representado na Revista Raça |editor=[[Universidade Federal do Rio Grande do Sul]] |autor=João Batista Nascimento dos Santos |data=2004 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref> Segundo a [[ONU]], o racismo é um problema estrutural do Brasil.<ref name="ONU">{{Citar web |url=http://www.ebc.com.br/noticias/brasil/2013/12/grupo-da-onu-reconhece-racismo-como-problema-estrutural-da-sociedade|título=Grupo da ONU reconhece o racismo como problema estrutural do Brasil |língua= |editor=ONU |data=dezembro de 2012 |acessodata=4 de maio de 2015}}</ref>
 
===Amplitude do preconceito racial===
No Brasil, o [[mestiço]], dependendo do tom da sua pele, era classificado como quase-branco, semibranco ou sub-branco, e tinha tratamento diferenciado do negro retinto, porém nunca era classificado como quase-negro, seminegro ou sub-negro. Por isso, a mestiçagem no Brasil sempre foi vista como o "clareamento" da população, e não como o "enegrecimento" dela.<ref name="alma"/> A ideologia do branqueamento criou raízes profundas na sociedade brasileira no início do século XX. Muitos negros assimilaram os preconceitos, os valores sociais e morais dos brancos. Por isso, "desenvolveram um terrível preconceito em relação às raízes da negritude". A recusa da herança africana e o isolamento do convívio social com outros negros eram características desses negros "branqueados socialmente". Para se tornarem "brasileiros", os negros tinham que abdicar de sua ancestralidade africana e assumir os valores "positivos" dos brancos, pois o próprio "abrasileiramento" passava por uma assimilação dos valores e modos dos brancos. Nesse contexto, o racismo brasileiro é peculiar pois a própria vítima do racismo assume o papel de seu próprio algoz, ao reproduzir o discurso discriminatório do qual ela mesmo é vítima e ao interiorizar esses conceitos dentro de sua própria comunidade.<ref name="alma"/>
 
Assim, muitos negros brasileiros cultuaram o padrão de beleza branco, associando os traços africanos à fealdade e recorrendo a diversos métodos para "mascarar" suas próprias características físicas, criando uma obsessão nas mulheres negras em alisar o [[cabelo]], estimulando a venda de produtos que prometiam "clarear a pele" e por meio de métodos excêntricos de tentar se branquear, como na crença de que beber muito [[leite]] daria esse resultado. Também por meio da assimilação dos valores morais e sociais das classes dominantes, fazendo com que toda a característica cultural que remetesse ao passado africano fosse considerada inferior e motivo de vergonha. Por meio do branqueamento biológico, muitos<ref>{{Citar negrosperiódico|ultimo=Arteaga|primeiro=Juanma optaram por se casar com parceiros de pele mais clara, preferencialmente brancos. Quando o parceiro era branco e rico, simbolizava uma melhoria dupla: de raça e de classe social. A procura por parceiros de pele mais clara estava enraizada na mentalidade de muitos membros da comunidade negra, inclusive por pais negros que compeliam seus filhos a se casarem com pessoas de tom de pele mais claro, na esperança de que seus filhos e netos se parecessem cada vez menos com a filiação afroSánchez|data=2016-05-negra.23|titulo=Biological NaDiscourses mentalidadeon dessasHuman pessoas,Races quandoand oScientific filhoRacism nascia mais claro que os pais, simbolizava uma vitória, mas quando nascia mais escuro, uma derrota. Ter um filho de pele mais clara simbolizava que ele teria menos chances de sofrer e mais oportunidades de vencer na vida.<ref name="alma"/>
in Brazil (1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal of the History of Biology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10.1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref>, muitos negros optaram por se casar com parceiros de pele mais clara, preferencialmente brancos. Quando o parceiro era branco e rico, simbolizava uma melhoria dupla: de raça e de classe social. A procura por parceiros de pele mais clara estava enraizada na mentalidade de muitos membros da comunidade negra, inclusive por pais negros que compeliam seus filhos a se casarem com pessoas de tom de pele mais claro, na esperança de que seus filhos e netos se parecessem cada vez menos com a filiação afro-negra. Na mentalidade dessas pessoas, quando o filho nascia mais claro que os pais, simbolizava uma vitória, mas quando nascia mais escuro, uma derrota. Ter um filho de pele mais clara simbolizava que ele teria menos chances de sofrer e mais oportunidades de vencer na vida.<ref name="alma"/>
 
A ideologia do branqueamento no Brasil teve consequências nefastas, à medida que parte da comunidade negra absorveu o branqueamento estético, biológico e<ref>{{Citar socialperiódico|ultimo=Arteaga|primeiro=Juanma comoSánchez|data=2016-05-23|titulo=Biological metas.Discourses Aon historiadoraHuman AngelaRaces Figueiredoand chegaScientific mesmoRacism a afirmar que no Brasil "todos nós nascemos embranquecidos", pois há a predominância da cultura "branca", "e só enegrecem ou se tornam negros ao longo dos anos os que optam por
in Brazil (1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal of the History of Biology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10.1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref> e social como metas. A historiadora Angela Figueiredo chega mesmo a afirmar que no Brasil "todos nós nascemos embranquecidos", pois há a predominância da cultura "branca", "e só enegrecem ou se tornam negros ao longo dos anos os que optam por
incluir em suas vidas os aspectos identificados com a "cultura negra" e se tornam curiosos em conhecer o seu passado".<ref name="alma"/>
[[Imagem:Street dwellers Rio.JPG|miniatura|Moradores de rua no [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]].]]
 
Muito se comparou os [[Afro-americano|negros americanos]] com os brasileiros, fazendo uma crítica que a sociedade americana era marcada pelo ódio e segregação racial, enquanto que no Brasil havia uma harmonia e paz entre as raças. Porém, enquanto nos Estados Unidos o racismo estava escancarado e qualquer pessoa com uma gota de sangue africano era excluída socialmente, favorecendo a união desses excluídos que lutavam pelos seus direitos, no Brasil o racismo foi camuflado pela ideologia do branqueamento. Para a pessoa tentar conseguir ascender socialmente ela tinha que passar por um processo de "branqueamento" estético, biológico e social, criando um profundo complexo de inferioridade na população brasileira e uma consequente negação de qualquer elemento que remetesse à sua negritude.<ref name=alma>{{citarCitar livroperiódico|ultimo=Arteaga|primeiro=Juanma Sánchez| título data= Negros de alma branca2016-05-23|autortitulo=PetrônioBiological JoséDiscourses Domingues|páginason =–|anoHuman =Races |editoraand =Scientific Racism 34}}</ref>
in Brazil (1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal of the History of Biology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10.1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref>. Para a pessoa tentar conseguir ascender socialmente ela tinha que passar por um processo de "branqueamento" estético, biológico e social, criando um profundo complexo de inferioridade na população brasileira e uma consequente negação de qualquer elemento que remetesse à sua negritude.<ref name=alma>{{citar livro | título = Negros de alma branca-|autor=Petrônio José Domingues|páginas =–|ano = |editora = 34}}</ref>
 
=== Preconceito à brasileira ===
 
=== Ordenamento jurídico brasileiro ===
Uma das características do preconceito brasileiro é seu caráter não oficial. Porém, o silêncio não é sinônimo de inexistência, e o racismo foi aos poucos adentrando na sociedade brasileira, primeiro de forma “científica” com<ref>{{Citar operiódico|ultimo=Arteaga|primeiro=Juanma darwinismoSánchez|data=2016-05-23|titulo=Biological racial,Discourses eon depoisHuman pelaRaces própriaand ordemScientific doRacism costume.<ref name="lilia"/>
in Brazil (1832–1911)|url=http://dx.doi.org/10.1007/s10739-016-9445-8|jornal=Journal of the History of Biology|volume=50|numero=2|paginas=267–314|doi=10.1007/s10739-016-9445-8|issn=0022-5010}}</ref>com o darwinismo racial, e depois pela própria ordem do costume.<ref name="lilia"/>
 
Aos fins da [[Segunda Guerra Mundial]], durante a vigência do [[Estado Novo (Brasil)|Estado Novo]], que compreendeu a última parte da [[Era Vargas]], foi instituída, por meio do Decreto-Lei 7967 de 27 de agosto de 1945,<ref name="Lei7967-45">{{citar web|url=http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/1937-1946/Del7967impressao.htm|título=DEL7967impressao|website=www.planalto.gov.br}}</ref> a política imigratória oficial do estado brasileiro que estabelecia, no artigo 2.º, "Atender-se-á, na admissão dos imigrantes, à necessidade de preservar e desenvolver, na composição étnica da população, as características mais convenientes da sua ascendência europeia, assim como a defesa do trabalhador nacional". Essa lei somente foi revogada através da artigo 141 da Lei 6815, de 19 de agosto de 1980,<ref name="Lei6815-80">{{citar web|url=http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6815.htm|título=L6815|website=www.planalto.gov.br}}</ref> que estabelece a situação jurídica dos imigrantes no Brasil vigente até hoje.
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