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Czeresnia,<ref>Czeresnia, Dina. Do contágio à transmissão, ciência e cultura na gênese do conhecimento epidemiológico. RJ, Fiocruz, 1997</ref> utilizando o conceito de Fabre<ref>Fabre G. La notion de contagio au regard du sida, ou comment intèrferent logiques sociales et catégories médicales. Sciences Sociales et Santé, XI (1):5-32, mars, 1993.</ref> sobre a transmissão de doenças que orienta a formulação de um discurso preventivo assim como a constituição de normas e leis que buscam definir direitos, deveres e argumentos em oposição a atitudes hostis e irracionais contra os doentes e grupos sociais mais atingidos, a exemplo da hanseníase ([[lepra]]) no passado e [[SIDA]] e [[tuberculose]] em nossos dias. Considera que este, ao definir as formas específicas em que um agente etiológico da doença passa de um indivíduo para outro, construiu uma racionalidade capaz de romper com o medo difuso associado à velha noção de contágio incorporando progressivamente as conquistas da epidemiologia, sobre a susceptibilidade dos hospedeiros e constituição epidêmica.
 
Em recente encontro realizado no México<ref>OPAS / OMS. Taller: Economía de la prevención de enfermedades no transmisibles y sus factores de riesgo. México, 14 - 15 de noviembre del 2011.</ref> experts da [[OMS]] e [[OPAS]] consideraram que para desenvolver uma estratégia abrangente de abordagem das Doenças Não Transmissíveis é necessário o desenvolvimento de evidências sobre o impacto sócio-econômico destas sobre os sistemas de saúde avaliando concomitantemente a eficácia das diferentes formas de intervenção com o objetivo de definir prioridades locais e justificar as políticas públicas para essas patologias que somente na região das Américas atinge aproximadamente 250.000.000 (milhões) de pessoas.<ref>Hospedales, C. James. NCDs in Latin America & the Caribbean in: Regional Workshop on Economic Dimensions of NCDs. PAHO/WHO [http://new.paho.org/bra/apsredes/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=206&Itemid= download apresentação da OPS]{{Ligação inativa|1={{subst:DATA}} }} Dez. 2011</ref>
 
== Classificação ==
A noção de processos crônico-degenerativos, geralmente são associadas aos problemas decorrentes do [[envelhecimento]] dos indivíduos e populações e o grupo relacionado às [[CID-10 Capítulo XX: Causas externas de morbidade e de mortalidade|causas externas.]] possuem uma característica comum de causalidade multi-fatorial sendo que as [[Violência]]s dos acidentes e agressões estão mais diretamente associados às más condições de vida, urbanização desorganizada e problemas sócio-econômicos que expõem grandes segmentos da população condições de carência e demanda de consumo não satisfeito ou fatores geradores da [[Criminologia|criminalidade]].
 
Exemplos de doenças não transmissíveis incluem [[hipertensão]], [[diabetes]], [[doenças cardiovasculares]] - ([[arteriosclerose]]), [[cancro|neoplasias]], (tomados como prioridade no [https://web.archive.org/web/20120611175025/http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/visualizar_texto.cfm?idtxt=31877&janela=1 Brasil]) doenças respiratórias crônicas ([[asma]]), doenças renais ([[Insuficiência renal crônica]]), doenças músculo-esqueléticas ([[reumatismo]], [[artropatia]]s), problemas de [[saúde mental]], doenças dos [[Sistema sensorial|órgãos sensoriais]] e [[Patologia bucal|doenças dentárias e periodontais]] (estas últimas consideradas relevantes na [https://web.archive.org/web/20090709040650/http://www.euro.who.int/Document/RC56/edoc08.pdf Europa])
 
Observe-se que, como assinala Mendes, 2010<ref>Mendes, Eugênio Vilaça. Guia do Participante da oficina sobre aspectos teórico conceituais relativos ao manejo das condições crônicas, no marco das redes integradas de atenção à saúde. (Produto Nº 2 do Contrato de Serviços Br/Cnt/1000713.001) - Organização Pan-Americana da Saúde, agosto de 2010 [http://new.paho.org/bra/apsredes/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=8&Itemid= PDF]{{Ligação inativa|1={{subst:DATA}} }} Abril, 2011</ref> as '''condições crônicas''' vão muito além das '''doenças''' crônicas (diabetes, doença cardiovascular, câncer, doença respiratória crônica etc), envolvem as condições ligadas à maternidade e ao período perinatal (acompanhamento das gestantes e atenção perinatal, às puérperas e aos recém-natos); condições ligadas à manutenção da saúde por ciclos de vida ([[puericultura]], hebicultura e monitoramento da capacidade funcional das pessoas idosas); os [[Transtorno mental|distúrbios mentais]] de longo prazo como assinalados acima, onde pode-se fazer um destaque para o retardamento mental e [[Deficiência mental|deficiência intelectual]] associado ou não às deficiências físicas e estruturais contínuas (amputações, cegueiras, deficiências motoras persistentes etc); doenças metabólicas; as já citadas, doenças bucais e paradoxalmente, também envolvem, as doenças infecciosas persistentes (hanseníase, tuberculose, HIV/AIDS, hepatites virais etc),
 
Tais doenças e condições crônicas podem ser causadas por fatores [[Genética|genéticos]] ou do [[estilo de vida]]. Uma doença não transmissível não é uma doença que é causada por algo [[patógeno]] em si, apesar de algumas destas, especialmente neoplasias, já estarem sendo associadas a [[microorganismos]] específicos. Resultam da interação de fatores hereditários, nutricionais relacionadas à alimentação inadequada ou contaminada por poluentes, ocupações de risco, [[alcoolismo]], [[tabaco|tabagismo]] ou outros hábitos. Esses fatores são resultantes do estilo de vida que às vezes são chamados de [[Classe social|doenças de riqueza]] e modernidade.
A humanidade em distintos períodos históricos já padeceu de grandes crises de mortalidade causadas por devastadoras [[epidemias]] e paulatinamente desenvolveu estratégias para seu controle. Atribui-se [[Tucídides]], 430 a.C. relato da epidemia da peste em [[Atenas]], seguida das proposições [[Hipócrates|hipocráticas]] das constituições epidêmicas de Água, Ares e Lugares e das teorias do contágio a partir dos esporos ou partículas da doença de [[Girolamo Fracastoro]] (1478 - 1553) e [[Thomas Sydenham]] (1624 –1689). Esse último em ''On Epidemics'', 1680 (Sobre Epidemias), retomando as teorias hipocráticas relacionou as epidemias a interação entre as qualidades físicas da atmosfera (sazonais) de dados intervalo de tempo à desordens peculiares dos corpos.
 
Em função da transição epidemiológica ou seja a redução da mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias o aumento das causas crônico degenerativas e agravos relacionados aos acidentes e violências (causas externas)<ref>Carmo, Eduardo H.; Barreto, Maurício L.; Silva Jr., Jarbas B. Mudanças nos padrões de morbimortalidade da população brasileira: os desafios para um novo século. Epidemiol. Serv. Saúde v.12 n.2 Brasília jun. 2003 [http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v12n2/v12n2a02.pdf disponível em pdf] {{Wayback|url=http://scielo.iec.pa.gov.br/pdf/ess/v12n2/v12n2a02.pdf |date=20070711195722 }}</ref> tem-se retomado a idéia de constituição epidêmica, tal como foi descrita, de forma muito próxima à forma [[Ecologia médica|ecológica]], agregando o conjunto de circunstâncias (geográficas, históricas, [[Antropologia da saúde|antropológicas]], [[Sociologia médica|sociológicas]]) que condicionam o surgimento das epidemias.<ref>Czeresnia, Dina Constituição epidêmica: velho e novo nas teorias e práticas da epidemiologia. História, Ciências, Saúde — Manguinhos, vol. VIII(2): 341-56, jul.-ago. 2001. [http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v8n2/a03v08n2.pdf disponível em pdf]</ref>
 
{{Referências}}
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