Diferenças entre edições de "Migrações dos povos bárbaros"

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[[Imagem:Sarcofago dio portonaccio, 03.JPG|thumb|upright=1.25|Sarcófago de Portonaccio, de um general romano envolvido nas campanhas de [[Marco Aurélio]], representa a batalha entre romanos e germânicos, 180-190 dC.<br><small>[[Museu Nacional Romano]], Itália<ref name="Legenda">[http://archeoroma.beniculturali.it/it/palazzo_massimo Legenda do Museu Nacional de Roma ao lado do sarcófago, primeiro andar, sala XII]</ref></small>]]
 
Os limites do [[Império Romano]] no {{séc|IV}}, já dividido em duas metades ([[Império Romano do Ocidente|Ocidente]] e do [[Império Bizantino|Oriente]]), faziam fronteira com várias culturas não romanizadas: na [[África Proconsular|África]], os [[Berberes]] e as tribos do [[Sudão]], a norte, desde a [[Escandinávia|península Escandinava]] em direcção ao [[mar Negro]], na região além do [[Reno]] e o [[rio Danúbio|Danúbio]], os [[Germanos]], populações tipicamente nómadas. Estes povos foram genericamente designados pelos Romanos como [[bárbaros]], numa clara alusão ao facto de não partilharem o mesmo nível civilizacional e costumes de [[Roma Antiga|Roma]]. No entanto, estes grupos já conheciam estes aspectos do império e, inclusive, alguns transitavam livremente para dentro e fora das fronteiras. Várias tribos [[Germanos|germanas]] se instalaram pacificamente no interior do império, chegando mesmo a integrar o [[exército romano]], quer como soldados quer como [[mercenário]]s, contribuindo reciprocamente na defesa das fronteiras. Este fenómeno ganhou particular dimensão após a [[crise do terceiro século]]. Por volta do ano 400, entre trinta e cinquenta por cento do exército romano era composto de [[mercenário]]s germânicos. Sem outra saída, alguns grupos bárbaros foram alistados no exército de Roma como unidades inteiras para ajudar na defesa contra outros grupos. Isso foi muito popular durante as guerras civis do {{séc|IV}}, quando aspirantes ao trono romano precisavam levantar exércitos rapidamente. Essas unidades bárbaras mantinham seus próprios líderes e não tinham a lealdade e a disciplina das [[Legião romana|legiões]].
 
Vivendo em solos pouco férteis, os Germanos dedicavam-se, sobretudo, ao [[pastoreio]], embora, à data do contacto com os Romanos, já se dedicassem ao cultivo de cereais. As terras não cultivadas pertenciam à [[tribo]], enquanto que as casas e mobiliário eram propriedade privada; as terras de cultivo eram sorteadas equitativamente de ano a ano entre as famílias, embora no {{séc|II}} este tipo de propriedade passasse a ser propriedade familiar, apenas alienável pelo consentimento de todos os membros da família. Organizavam-se politicamente através de um [[rei]], escolhido de uma família particular (considerada de origem divina), embora a autoridade estivesse formalmente nas mãos de uma assembleia de homens livres e com idade suficiente para usar armas. Nos tempos de guerra, era eleito um general que detinha todo o poder. Por esta altura, os Germanos coexistiam pacificamente com o império: os utensílios e moedas encontrados em túmulos germanos provam a existência de relações comerciais entre as duas civilizações, principalmente nas regiões entre o [[rio Elba|Elba]] e o [[Mar Mediterrâneo|Mediterrâneo]], ao longo do vale do [[Reno]], e pelo [[Rio Vístula|Vístula]] e [[mar Negro]].
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