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Apesar de tudo isto, alguns historiadores, como Vladislav Zubok e Constantine Pleshakov, sugerem que "''o ateísmo de Stalin manteve-se enraizado em alguma vaga ideia de Deus da natureza''".<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=kjVpAAAAMAAJ&dq=isbn:0674455312&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwj23O-FoKDUAhUDTJAKHa-3DLEQ6AEIJzAA|título=Inside the Kremlin's Cold War: From Stalin to Khrushchev|ultimo=Zubok|primeiro=Vladislav Martinovich|ultimo2=Pleshakov|primeiro2=Konstantin|data=1996|editora=Harvard University Press|lingua=en|isbn=9780674455313}}</ref> Apontam como evidência disto vários fatos, por exemplo: Stalin reabriu as igrejas russas durante a [[Segunda Guerra Mundial]] seguindo um sinal que ele acreditava ter recebido dos céus. Ainda, Stalin nunca foi contra a religião fora da [[União Soviética]] e por várias vezes chegou a apoiar facções religiosas no exterior, como foi o caso dos separatistas muçulmanos de Uyghur Ili, que fundaram uma [[teocracia]] [[Islamismo|islâmica]] no [[Turquestão]].
 
== Morte, funeral e eventos posteriores==
Na manhã de 1 de março de 1953, depois de um jantar que durou a noite toda e ter visto um filme, Stalin chegou à [[Datcha de Kuntsevo|sua datcha em Kuntsevo]], a 15 km a oeste do centro de Moscovo com o Ministro do Interior, Lavrentiy Beria, e os futuros ministros Georgy Malenkov, Nikolai Bulganin e Nikita Khrushchev, retirando-se para o quarto para dormir. À tarde, Stalin não saiu do quarto.
 
Embora os seus guardas estranhassem que ele não se levantasse à hora usual, tinham ordens estritas para não o perturbar e deixaram-no sozinho o dia inteiro. À cerca das 22 horas Peter Lozgachev, o Commandante de Kuntsevo, entrou no quarto e viu Stalin caído de costas no chão perto da cama, com o pijama e ensopado em urina. Assustado, Lozgachev perguntou a Stalin o que aconteceu, mas só obteve respostas ininteligíveis. Lozgachev usou o telefone do quarto para chamar oficiais, dizendo-lhes que Stalin tinha tido um ataque e pedia que mandassem doutores para a residência de Kuntsevo imediatamente. Lavrentiy Beria foi informado e chegou algumas horas depois, mas os doutores só chegaram no início da manhã de 2 de março, mudando as roupas da cama e deitando-o. O acamado líder morreu quatro dias depois, em 5 de março de 1953, aos 74 anos de idade de [[hemorragia cerebral]] (derrame), em circunstâncias ainda pouco esclarecidas, sendo embalsamado a 9 de março. [[Avtorkhanov]] desenvolveu uma detalhada teoria, publicada inicialmente em 1976, apontando [[Lavrenty Beria|Beria]] como o principal suspeito de tê-lo envenenado. Todavia, outros historiadores ainda consideram que Stalin morreu de causas naturais.{{Carece de fontes|biografia=sim|data=dezembro de 2008}}
Em 1 de março de 1953, a equipe pessoal de Stalin encontrou-o semi-consciente no chão do quarto de sua [[Datcha de Kuntsevo|datcha de Volynskoe]].{{sfnm|1a1=Conquest|1y=1991|1p=311|2a1=Volkogonov|2y=1991|2pp=571–572|3a1=Service|3y=2004|3pp=582–584|4a1=Khlevniuk|4y=2015|4pp=142, 191}} Ele havia sofrido uma [[hemorragia cerebral]].{{sfn|Conquest|1991|p=312}} Ele foi movido para um sofá e permaneceu lá por três dias.{{sfnm|1a1=Conquest|1y=1991|1pp=311–312|2a1=Volkogonov|2y=1991|2p=572|3a1=Khlevniuk|3y=2015|3p=142}} Ele foi alimentado à mão com uma colher, recebeu vários remédios e injeções, e [[sanguessugas]] foram aplicadas a ele.{{sfn|Conquest|1991|p=312}} Svetlana e Vasily foram chamados à dacha em 2 de março; o último estava bêbado e gritou com raiva para os médicos, resultando em ele ser mandado para casa.{{sfnm|1a1=Conquest|1y=1991|1p=312|2a1=Khlevniuk|2y=2015|2p=250}} Stalin morreu em 5 de março de 1953.{{sfnm|1a1=Conquest|1y=1991|1p=313|2a1=Volkogonov|2y=1991|2p=574|3a1=Service|3y=2004|3p=586|4a1=Khlevniuk|4y=2015|4p=313}} Segundo Svetlana, foi "uma morte difícil e terrível".{{sfnm|1a1=Conquest|1y=1991|1p=313|2a1=Khlevniuk|2y=2015|2pp=313–314}} Uma [[autópsia]] revelou que ele havia morrido de uma hemorragia cerebral e que ele também sofria de graves danos a suas artérias cerebrais devido à [[aterosclerose]].{{sfn|Khlevniuk|2015|p=189}} É possível que Stalin tenha sido assassinado.{{sfn|Service|2004|p=587}} Beria foi suspeito de assassinato, embora nenhuma evidência firme tenha aparecido.{{sfn|Conquest|1991|p=312}}
[[Imagem:Stalin's casket on howitzer carriage draught by horses.jpg|miniatura|Caixão de Stalin puxado por carruagem durante seu funeral]]
A morte de Stalin foi anunciada em 6 de março.{{sfn|Service|2004|p=588}} O corpo foi [[embalsamado]]{{sfnm|1a1=Service|1y=2004|1p=588|2a1=Khlevniuk|2y=2015|2p=314}} e depois exposto na Casa dos Sindicatos de Moscou por três dias.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=317}} Multidões eram tais que um [[pisoteamento]] matou cerca de 100 pessoas.{{sfnm|1a1=Service|1y=2004|1p=588|2a1=Khlevniuk|2y=2015|2p=317}} O funeral envolveu o enterro do corpo no [[Mausoléu de Lenin]], na Praça Vermelha, em 9 de março; centenas de milhares compareceram.{{sfnm|1a1=Volkogonov|1y=1991|1p=576|2a1=Service|2y=2004|2p=589|3a1=Khlevniuk|3y=2015|3p=318}} Naquele mês, houve uma onda de detenções por "agitação anti-soviética", quando os que celebravam a morte de Stalin chamaram a atenção da polícia.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=319}} O governo chinês instituiu um período oficial de luto pela morte de Stalin.{{sfn|Li|2009|p=75}}
 
[[Nikita Khrushchov]] escreveu em suas memórias que, imediatamente após a morte de Stalin, [[Lavrenty Beria]] teria começado a "vomitar seu ódio (contra Stalin) e a zombá-lo", e que quando Stalin demonstrou sinais de consciência, Beria teria se colocado de joelhos e beijado as mãos de Stalin. No entanto, assim que Stalin ficou novamente inconsciente, Beria imediatamente teria se levantado e cuspido com nojo.<ref name=":6" />
Stalin não apontou nenhum possível sucessor, nenhuma estrutura dentro da qual uma transferência de poder pudesse ocorrer.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=310}} O Comitê Central se reuniu no dia de sua morte, com Malenkov, Beria e Khrushchev emergindo como figuras-chave do partido.{{sfn|Service|2004|pp=586–587}} O sistema de liderança coletiva foi restaurado e medidas foram introduzidas para impedir que qualquer membro atingisse a dominação autocrática novamente.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=312}} A liderança coletiva incluía os seguintes oito membros seniores do [[Politburo do Partido Comunista da União Soviética|Presidium do Comitê Central do Partido Comunista da União Soviética]], listados de acordo com a ordem de precedência formalmente apresentada em 5 de março de 1953: [[Georgy Malenkov]], [[Lavrentiy Beria]], [[Vyacheslav Molotov]], [[Kliment Voroshilov]], [[Nikita Khrushchev]], [[Nikolai Bulganin]], [[Lazar Kaganovich]] e [[Anastas Mikoyan]].<ref>{{citar livro|url=https://books.google.com/?id=NoIajCLpLigC&pg=PA20&lpg=PA20&dq=order+of+precedence++1953+++Mikoyan++Vorosilov++Kaganovich#v=onepage&q=order%20of%20precedence%20%201953%20%20%20Mikoyan%20%20Vorosilov%20%20Kaganovich&f=false|título=Flawed Succession: Russia's Power Transfer Crises|primeiro=Uri|último=Ra'anan|local=Oxford|publicado=Lexington Books|página=20|ano=2006|ISBN=978-0-7391-1403-2}}</ref> As reformas do sistema soviético foram imediatamente implementadas.{{sfn|Service|2004|p=591}} A reforma econômica reduziu os projetos de construção em massa, colocou uma nova ênfase na construção de casas e facilitou os níveis de tributação sobre o campesinato para estimular a produção.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=315}} Os novos líderes buscaram a aproximação com a Iugoslávia e um relacionamento menos hostil com os EUA,{{sfn|Service|2004|p=593}} buscando o fim negociado da Guerra da Coréia em julho de 1953.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=316}} Os médicos que foram presos foram libertados e os expurgos antissemitas cessaram.{{sfnm|1a1=Etinger|1y=1995|1pp=120–121|2a1=Conquest|2y=1991|2p=314|3a1=Khlevniuk|3y=2015|3p=314}} Anistia em massa para os presos por crimes não-políticos foi emitida, reduzindo para metade a população carcerária do país, enquanto os sistemas de segurança do estado e do Gulag foram reformados, com a tortura sendo banida em abril de 1953.{{sfn|Khlevniuk|2015|p=315}}
 
Em 2003, um grupo de historiadores russos e americanos anunciaram sua conclusão de que Stalin ingeriu [[varfarina]], um poderoso veneno de rato que inibe a coagulação sanguínea e predispõe a vítima à [[hemorragia cerebral]] (derrame). Como a varfarina é insípida ela provavelmente teria sido o veneno utilizado. No entanto, os fatos exatos envolvendo a morte de Stalin provavelmente nunca serão conhecidos.<ref>Brent & Naumov 2004.</ref>
 
O período imediatamente anterior ao seu falecimento, nos meses de fevereiro-março de 1953, foi marcado por uma atividade febril de Stalin nos preparativos de uma nova onda de perseguições e campanhas repressivas, exceção até para os padrões da era stalinista. Tratava-se do conhecido [[complô dos médicos]]: em 3 de janeiro de 1953, foi anunciado que nove [[catedrático]]s de [[medicina]], quase todos [[judeu]]s e que tratavam dos membros da liderança soviética, tinham sido "desmascarados" como agentes da [[espionagem]] [[Estados Unidos|americana]] e [[Reino Unido|britânica]], membros de uma organização judaica internacional, e assassinos de importantes líderes soviéticos.
 
[[Imagem:Bundesarchiv Bild 183-18686-0001, Rostock, Trauermarsch zum Tode Stalins.jpg|thumb|300px|direita|Manifestação de luto por Stalin ([[Rostock]], [[Alemanha Oriental]], 9 de março de 1953).]]
 
[[Imagem:Stali.jpg|thumb|300px|direita|[[Museu Josef Stalin]] em [[Gori]] na [[Geórgia]].<ref name="Ioseb Stalin Museum"/>]]
 
Tratava-se da preparação de um novo julgamento-espetáculo, desta vez com claros traços de [[anti-semitismo]], que certamente levaria a um [[pogrom]] nacional, e que implicaria, segundo [[Isaac Deutscher]], na auto-destruição das próprias raízes ideológicas do regime, razão pela qual a morte de Stalin pareceu a muitos ter sido provocada pelos seus seguidores imediatos, claramente alarmados diante da iminente [[Fascismo|fascistização]] promovida por Stalin. O fato de que Beria estivesse alheio à preparação deste novo expurgo fêz com que ele fosse apresentado como possível autor intelectual do suposto assassinato de Stalin; o fato é, no entanto, que Stalin era idoso e que sua saúde, desde o final da [[Segunda Guerra Mundial]], era precária; aqueles que tiveram contato pessoal com ele nos seus últimos anos lembram-se do contraste entre sua imagem pública de ente semi-divino e sua aparência real, devastada pela idade. [[Simon Sebag Montefiore]] considera que, apesar de Stalin haver recebido assistência atrasada para o [[derrame]] que o vitimaria, a tecnologia médica da época nada poderia fazer por ele em termos terapêuticos.
 
Seu corpo ficaria exposto no mesmo salão que [[Vladimir Lenin|Lenin]] até o [[XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética|XX Congresso do Partido Comunista da União Soviética (PCUS)]], realizado as portas fechadas em fevereiro de 1956, no qual [[Nikita Khrushchov]], seu sucessor, denunciou no chamado "relatório secreto" as práticas [[stalinismo|stalinistas]], particularmente o chamado "[[culto à personalidade]]".
 
[[Malenkov]] assume o governo após a morte de Stalin mas, devido às posições que defendia, foi forçado a renunciar à liderança do Partido em 13 de março, sendo sucedido por Nikita Khruschev em setembro.
 
Após o XX Congresso do PCUS o corpo de Stalin foi enterrado próximo aos muros do [[Kremlin]],<ref>{{Citar web|url=http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=970|titulo=Josef Stalin (1878 - 1953)|data=|acessodata=2017-06-02|obra=www.findagrave.com|publicado=Find A Grave Memorial|ultimo=|primeiro=}}</ref> sendo o túmulo mais visitado ali. Seu epíteto era "O Pai dos Povos".
 
Uma década após a morte de Stalin, sua política seria defendida e até seguida em parte por parte do novo secretário-geral, [[Leonid Brejnev]], que após a saída de [[Khrushchov]], tentaria "reabilitar" o nome de Stalin.
 
{{quote2|''Não devemos encobrir os erros, mas também não devemos encobrir os méritos, portanto, respeitemos Stalin.''|[[Leonid Brejnev]], 1965<ref>[http://www.ng.ru/ideas/2005-05-20/10_stalin.html - Традиции сталинизма как идеологии и практики будоражат воображение влиятельных политических сил]</ref>}}
 
Em 1965, em uma comemoração dos vinte anos da [[Grande Guerra Patriótica]], sob aplausos, citou pela primeira vez positivamente o nome de Stalin após sua morte, e disse que iria usar o mesmo título que usava o antigo líder, [[Secretário-Geral]], o que na época era algo intolerável; realmente, [[Brejnev]] fora impedido por forças maiores de realizar a reabilitação de Stalin, mas seguiu uma política que se estruturava bastante nas raízes do [[Stalinismo]], chamada [[Brejnevismo]], que defendia a [[burocracia]] no estado, o [[culto da personalidade]], a [[hegemonia]] soviética e o [[expansionismo]] do país, uma das poucas diferenças, era a invocação da paz pela parte desta doutrina; ficaria conhecida como "[[neostalinismo]]" e "[[doutrina Brejnev]]".<ref>{{Citar livro|url=https://books.google.com.br/books/about/The_Soviet_Colossus.html?id=BHaWGEZA5zMC&redir_esc=y|título=The Soviet Colossus: History and Aftermath|ultimo=Kort|primeiro=Michael|data=1996|editora=M.E. Sharpe|lingua=en|isbn=9780765628459}}</ref>
 
Em 1979, centenário de seu nascimento, a mando de [[Leonid Brejnev]], seu [[túmulo]] foi reformado e um [[busto]] do antigo líder erguido sobre ele, tornando-se um túmulo de [[herói nacional]].
 
== Família ==
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