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Alterações

Aspeto característico deste palácio, rapidamente identificado pelos turistas, é o par de altas [[chaminé]]s [[cone|cónicas]] com 33 metros de altura. O [[alçado]] principal está organizado em três corpos, sendo o central mais elevado e recuado relativamente aos extremos. Existe ainda no piso térreo uma [[arcaria]] com quatro [[arco quebrado|arcos quebrados]], encimada por cinco [[janela]]s [[mainel]]adas e emoludramento [[calcário]]. As outras frentes do edifício apresentam um complexa articulação de corpos salientes e reentrantes, destacando-se o volume cúbico da '''Sala dos Brasões'''.
 
Os compartimentos internos refletem-se em núcleos organizados em torno de pátios. Destacam-se os seguintes: a '''Sala dos Archeiros''', a '''Sala Moura''' (ou dos Árabes), a '''Sala das Pegas''', a '''Sala dos Cisnes''' e a '''Sala dos Brasões''' — que ostenta a representação das armas de 72 famílias nobres portuguesas e dos oito filhos deque [[Manuel I de Portugal|D. Manuel I]] tinha quando foi construída entre 1516 e 1520 —, a '''Sala das Sereias''' e a '''Sala da Audiência'''.
 
A Sala dos Cisnes herda o nome do facto de o tecto estar completamente decorado com 27 pinturas desses animais. O motivo começa numa lenda que sugeria que o duque de Borgonha tinha oferecido um casal de cisnes à infanta D. Isabel. Ora, o cisne era o emblema de Henrique IV de Inglaterra, irmão de Filipa de Lencastre, tio da infanta. E era também um símbolo de fidelidade eterna comum dos romances da época, em que os cavaleiros navegavam pelos rios numa barcaça puxada por um cisne para salvar as damas.
 
A Sala das Pegas foi onde D. Sebastião terá ouvido Luíz Vaz de Camões a ler “Os Lusíadas”. É aqui que reside a lenda que Almeida Garrett conta em “O Romanceiro”, uma obra de 1843. “Conta-se que D. João I foi apanhado certo dia a dar um beijo na bochecha ou na testa à donzela mais bela da Corte de Sintra de seu nome dona Mécia. E foi apanhado por D. Filipa de Lencastre, rainha inglesa e viciada na ordem moral”. O rei, ao ser apanhado, terá dito: “Foi um beijo por bem. Ela é muito bonita e eu quis dar-lhe um beijo, nada mais do que isso”. A rainha aceitou as desculpas do rei, mas atrás da porta estavam outras donzelas e foram falar mal do beijo do rei. “O rei, quando soube, não gostou. E para as castigar mandou pintar 136 pegas no tecto desta sala, supostamente o número de donzelas da Corte que existiam em Sintra à época. As pegas têm fama de fazer barulho. E como elas fizeram barulho a dizer por mal, ele mete no bico uma frase a dizer: ‘Por bem’. Mas, como estava a ser acusado de infidelidade, na pega que corresponde à rainha colocou uma rosa — símbolo da casa de Lencastre — e a frase: ‘A quem sou fiel e agarrado, à minha mulher e a mais nenhuma outra’“.
 
A [[capela]], de planta [[retângulo|retangular]] e [[nave (arquitetura)|nave]] única, tem os muros revestidos por pintura ornamental e teto de [[madeira]]. Na [[cozinha]], são visíveis arranques otogonais das monumentais chaminés. Alguns compartimentos da chamada ala manuelina ostentam emolduramentos de vãos e lareiras em calcário, caracterizadas por decoração em [[Baixo relevo|relevo]].
 
===Abastecimento de água===
No Palácio exiate a Mãe d’Água, um pequeno reservatório onde raramente falta água e que, apesar do tamanho singelo, ainda hoje consegue alimentar as salas do monumento, todos os jardins e fontes que o embelezam. O Palácio é abastecido por minas e nascentes localizadas na Serra de Sintra, principalmente dentro do Parque da Pena. Daí, a água percorre galerias, galga pequenos aquedutos, escava túneis na rocha — sempre conduzida pela gravidade — e entra em canos de chumbo até chegar ao reservatório.
 
É um sistema complexo e intrincado, uma obra de engenharia inovadora para a época, mas também intrigante. É que ainda hoje se está por perceber exatamente de onde vem a água. E até onde é que ela vai. Os canos de chumbo que a água percorre têm um problema: Esta tubagem é muito frágil e fica rapidamente esmagada pelas raízes das árvores. E por isso ao longo dos anos, as tubagens foram sendo substituídas por manilhas de grés. Atualmente já se usam tubos de plástico, que são mais eficientes, mas são instalados dentro dos canos originais para reduzir o custo da reabilitação e para não comprometer a integridade do sistema.
 
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