Diferenças entre edições de "Espingarda"

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[[Imagem:Remington M870 12 Gauge.jpg|thumb|right|350px|Espingarda de bomba Remington]]
{{Info/Objeto|legenda={{Big|Espingarda da [[Guerra do Marrocos]] (1859-1860).}}}}
Uma '''espingarda''' é uma [[arma de fogo]] portátil de alma lisa, que utiliza como [[munição]] cartuchos de projéteis múltiplos ou de um único projétil concebido para se estabilizar no voo, compensando a ausência de raiamento do cano.<ref>{{citar web|título=Cartilha de Armamento e Tiro|url=http://www.sinpefpb.org.br/downloads/legislacao/cartilha_de_armamento_e_tiro.pdf|publicado=Clube Orion de Tiro|local=Curitiba, PR|acessodata=20 de junho de 2016|data=Janeiro de 2014|língua=português|formato=PDF}}</ref> Tornou-se a principal arma pessoal dos [[exército]]s, desde o final do [[século XVII]], altura em que a espingarda de pederneira substituiu o [[mosquete]]. A [[baioneta]] que era costume afixar-lhe para a luta corpo a corpo tornou-se operacionalmente praticamente obsoleta.
 
== História ==
A classificação das armas longas portáteis é algo confusa, varia conforme o país e, mesmo dentro do mesmo país, conforme o tipo de utilização.
 
Assim, em [[Portugal]], popularmente é utilizado o termo espingarda como designação genérica de todas as armas longas. No entanto, atualmente, legalmente apenas são classificadas como "espingardas" as armas longas de cano de alma lisa, sendo as de alma raiada classificadas como "[[carabina]]s". Assim, as outras designações populares de armas longas, tais como "[[caçadeira]]", "[[shotgun]]", “escopeta” e "[[doze]]", não têm significado formal, devendo estas armas ser classificadas todas como "espingarda", por terem os canos de alma lisa.
 
Portanto, as espingardas com um único tiro disparam diversos projéteis que se espalham por uma área maior, diferentemente dos fuzis, cujo tiro atinge um único ponto<ref name="hsw"/> <ref>[http://www.mpce.mp.br/orgaos/CAOCRIM/pcriminal/apostilabalisticaforense-MPSC.pdf ARMAS DE FOGO], acesso em 05 de janeiro de 2014.</ref> <ref>[http://www.defesa.org/canos-raiados-e-canos-de-alma-lisa/ Canos raiados e canos de alma lisa], acesso em 05 de janeiro de 2014.</ref>.
 
O [[Exército Português]], no entanto, costuma fazer uma divisão entre "espingardas" e "[[carabina]]scarabinas", não pelo raiamento do cano, mas sim pelo tamanho da arma. Assim, tradicionalmente são consideradas "espingardas" as armas longas normais de infantaria e "carabinas" versões especiais mais curtas. Como exemplo, a actual arma padrão da infantaria portuguesa, a [[Heckler & Koch G3]], apesar de ser raiada, é classificada como "[[espingarda automática]]" e não como "carabina automática".
 
Já no [[Brasil]], classificam-se como "espingardas" as armas longas de alma lisa, sendo as de alma raiada, classificadas como "''rifles''" ou "fuzis". Em Portugal, as "carabinas" e os "[[fuzil de assalto|fuzis de assalto]]" são consideradas simples subvariantes dos "fuzis".
== Desenvolvimento da espingarda ==
=== Espingarda de pederneira ===
[[Imagem:Shortlandservicemusket.jpg|thumb|right|200px|Espingarda de pederneira com a respectiva [[baioneta]].]]
[[Imagem:Steinschloss.jpg|thumb|right|200px|Fecho de pederneira de uma espingarda]]
A '''espingarda de pederneira''', ou '''[[fuzil]]''' era uma arma longa cujo mecanismo de disparo era o fecho de [[pederneira]]. Este consistia num cão (peça em formato de martelo com um fragmento de silex ou pederneira no seu extremo) que, depois de ser accionado pelo [[gatilho]], percutia uma peça móvel de aço (o "fuzil"), provocando uma faísca que incendiava a [[pólvora]] colocada num orifício que comunicava com o interior da câmara, produzindo a deflagração que fazia impulsionar a bala no interior do cano da arma. O "fuzil" de aço, peça característica deste tipo de espingardas, acabou por baptizar as próprias armas, bem como deu origem à denominação dos soldados armados com elas, os [[fuzileiro]]s.
 
Outra característica que distinguia a espingarda de pederneira do antigo [[mosquete]], era a sua capacidade para lhe ser fixada uma baioneta, permitindo-lhe transformar-se numa arma de luta corpo a corpo. As novas formações de [[infantaria]], introduzidas no final do século XVII, podiam assim ser constituídas por um único tipo de tropas, os fuzileiros, que substituíram tanto os antigos [[mosqueteiro]]s (apenas empregues no combate à distância) como os [[piqueiro]]s (apenas empregues para combate corpo a corpo).
 
A preparação de uma espingarda de pederneira para o disparo era um processo lento e, qualquer pequena falha, poderia impedir o disparo. Apenas 30% a 50% das intenções de disparo provocavam um tiro efectivo e, em condições ideais, um [[soldado]] bastante treinado podia disparar num máximo 3 tiros por minuto.
Além disso, a alma da espingarda era lisa e a bala de chumbo esférica, o que facilitava a sua deformação e desvio, durante o disparo (fenómeno conhecido como "instabilidade do disparo"), sendo quase impossível acertar num inimigo a mais de 100 metros de distância. Por outro lado, a má qualidade da pólvora tornava, os projécteis perdidos, praticamente inofensivos a mais de 500 metros.
 
=== Aumento do alcance das espingardas ===
A obtenção de pólvoras muito mais potentes e incorporação de elementos de pontaria, como as alças de mira reguláveis para tiro a diferentes distâncias, permitem que um bom [[atirador]] alcance facilmente um alvo inimigo a mais de 300 metros, com o projéctil a ser letal a mais de um quilómetro.
 
=== Espingarda de carregar pela culatra ===
Na [[Europa]], em meados do século XIX aparece a primeira '''espingarda de ferrolho'''. O "[[ferrolho]]" era o mecanismo de carregamento e extracção da [[munição]], chamado desta forma porque tinha uma saliência lateral semelhante às homónimas das fechaduras de ferrolho. Esta saliência permitia abrir a arma pela culatra para colocação da munição, armando, ao mesmo tempo, o conjunto da mola e percusor que golpeariam a escorva da munição para deflagrar. As armas podem assim, ser carregadas em qualquer posição, permitindo ao soldado manter-se abrigado durante o processo.
 
Na sequência da [[Guerra Franco-Prussiana]] de [[1870]]-[[1872]] os exércitos abandonam as espingardas de percussão e adoptam espingardas de '''carregar pela culatra'''.
 
=== Espingardas de repetição ===
 
[[Imagem:Remington M870 12 Gauge.jpg|thumb|right|350px|Espingarda de bomba Remington]]
Durante a [[Guerra Civil Americana]], partindo de diversos [[protótipo]]sprotótipos já anteriormente existentes, desenvolve-se uma grande quantidade de espingardas e carabinas capazes de disparar várias vezes mediante processos de recarregamento mecânico por acção manual, geralmente através de alavancas. Os cartuchos utilizados por estas armas são já metálicos e impermeáveis, podendo ser armazenados em tubos, normalmente fixos, sob o corpo do cano. Nascem assim os depósitos tubulares como os do ''rifle'' [[Winchester (riflearma)|Winchester]] de alavanca. A Winchester apareceu na parte final da guerra dando uma grande vantagem à cavalaria da [[União (Guerra Civil Americana)|União]]: um soldado pode disparar doze tiros por minuto, frente aos três disparos por minuto dos soldados de infantaria, armados com as tradicionais espingardas de percussão. A seguir à guerra, na [[conquista do Oeste]], irá nascer a lenda da Winchester 44.
 
Na [[década de 1890]] aparecem as primeiras espingardas de ferrolho com depósito fixo em forma de caixa metálica com uma mola na parte inferior e que se carregam através de um "pente" (cinta metálica com várias munições dispostas como os dentes de um pente), abrindo o ferrolho da arma e empurrando o pente para o interior do depósito. Talvez o mais famoso deste tipo de espingarda seja a [[Mauser 98]], introduzida em [[1898]].
=== Espingardas semiautomáticas ===
[[Imagem:Garand.jpg|thumb|right|200px|Espingarda semiautomática M1 Garand]]
A '''espingarda semiautomática''' distingue-se por, ao se accionar o [[gatilho]] uma só vez, dispara uma só vez, colocando na câmara uma nova munição que só será disparada se o gatilho for premido outra vez. Portanto são armas que só disparam um tiro de cada vez, recarregando-se automaticamente a cada disparo, mas que não têm a capacidade para disparar rajadas.
 
Já antes da Primeira Guerra Mundial se fizeram protótipos de espingardas semiautomáticas. No entanto, o imperativo de serem usadas as munições do tipo das espingardas de repetição, tornavam difícil o controlo de fogo, dada a elevada potência das mesmas.
A '''[[espingarda automática]]''', ou '''[[espingarda de assalto]]''', é a arma básica da infantaria desde a [[década de 1950]]. Caracteriza-se por ter um mecanismo "selector de fogo" que lhe permite disparar, não só em modo automático, mas também em modo semiautomático. O primeiro modo seria só utilizado em situações de emergência, num combate a curta distância, já que tem a desvantagem de desperdiçar um maior número de munições e de reduzir a precisão do tiro.
 
Depois da introdução do [[calibre]] [[5,56 mm NATO]] em substituição do [[7,62 mm NATO]], começou a fazer-se alguma distinção entre as espingardas automáticas que abrangeriam todos os calibres, e as "verdadeiras" espingardas de assalto, que seriam as com calibre inferior a 7,62&nbsp;mm.
 
{{Referências}}
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