Diferenças entre edições de "Adolf Hitler"

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{{Ver desambig|outros significados de Hitler|Hitler (desambiguação)}}
{{Info/Político
|imagem = Hitler_portrait_cropHitler portrait crop.jpg
|imagem_tamanho = 260px
|legenda = Adolf Hitler em 1938
|apelido =
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|ramo = [[Exército Alemão#Primeira Guerra Mundial (1914-19181914–1918)|Exército do Império Alemão]]
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|notas de rodapé =
}}
'''Adolf Hitler''' ({{IPA-de|ˈadɔlf ˈhɪtlɐ|lang|GT AH AMS.ogg}}; [[Braunau am Inn]], [[20 de abril]] de [[1889]] – [[Berlim]], [[30 de abril]] de [[1945]]), por vezes em português '''Adolfo Hitler''',<ref>[http://books.google.com./books?id=_fcVs5w3pjsC&pg=PA281 ''Diário de Lisboa''], 2 de maio de 1945, citado em ''Edições aldinas da Biblioteca Nacional: séculos XV–XVI''. Volume 1 de Fundos da Biblioteca Nacional: Catálogos, Biblioteca Nacional (Portugal). Volume 47 de Catálogo (Biblioteca Nacional (Portugal). Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Portugal. [[Secretaria de Estado da Cultura (Portugal)|Secretaria de Estado da Cultura]]. Editora Biblioteca Nacional Portugal, 1994. ISBN 972-565-203-7, 978-972–565–203-9.</ref><ref>{{Citar livro |url= http://books.google.com./books?id=u_x0vx6eWfsC&pg=RA1-PA2009 | prenome1 =Avelâs | sobrenome1 = Nunes | prenome2 = João | sobrenome2 = Paulo |título=O Estado Novo e o Volfrâmio (1933-19471933–1947)|local=Coimbra |editora= Editora Imprensa da Universidade de Coimbra|página=466 |isbn= 978-989807442-3 |acessodata= 23 de outubro de 2012}}</ref><ref>Bonavides, Paulo. [http://books.google.com./books?id=wqqGyy906FYC&pg=PA504 ''Revista latino-americana de estudos constitucionais''], vol. 3, p. 504. Editora Editora del Rey. ISSN 1678-6742.</ref> foi um [[político]] alemão que serviu como líder do [[Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães|Partido Nazista]] (''Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei''; NSDAP), [[Chanceler da Alemanha|Chanceler do Reich]] (de 1933 a 1945) e ''[[Führer]]'' ("líder") da [[Alemanha Nazista]] de 1934 até 1945. Como [[Ditadura|ditador]] do Reich Alemão, ele foi o principal instigador da [[Segunda Guerra Mundial]] na [[Europa]] e figura central do [[Holocausto]].
 
Hitler nasceu na [[Áustria]], então parte do [[Áustria-Hungria|Império Austro-Húngaro]], e foi criado na cidade de [[Linz]]. Mudou-se para a Alemanha em 1913 e serviu com distinção no [[Deutsches Heer#Primeira Guerra Mundial (1914-19181914–1918)|exército alemão]] durante a [[Primeira Guerra Mundial]]. Juntou-se ao [[Partido Alemão dos Trabalhadores]], precursor do Partido Nazista, em 1919, e tornou-se seu líder em 1921. Em 1923, organizou [[Putsch da Cervejaria|um golpe de estado]] em Munique para tentar tomar o poder. O fracassado golpe resultou na prisão de Hitler. Enquanto preso, ele ditou seu primeiro trabalho literário, a sua autobiografia e manifesto político, ''[[Mein Kampf]]'' ("Minha Luta"). Quando foi solto da cadeia, em 1924, Hitler ganhou apoio popular pela Alemanha com sua forte oposição ao [[Tratado de Versalhes (1919)|Tratado de Versalhes]] e promoveu suas ideias de [[pangermanismo]], [[antissemitismo]] e [[anticomunismo]], com seu carisma e forte [[Propaganda nazi|propaganda]]. Ele frequentemente criticava o sistema [[capitalista]] e [[comunista]] como sendo parte de uma conspiração [[Judeus|judia]]. Em 1933, o Partido Nazista tornou-se o maior partido eleito no [[Reichstag]], com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado [[Chanceler da Alemanha]] no dia 30 de janeiro do mesmo ano. Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a [[Lei de Concessão de Plenos Poderes de 1933|Lei habilitante de 1933]], que começou o processo de transformar a [[República de Weimar]] na [[Alemanha Nazista]], uma ditadura de [[Unipartidarismo|partido único]] [[Totalitarismo|totalitária]] e [[Autocracia|autocrática]] de ideologia [[Nazismo|nacional socialista]]. Hitler pregava a eliminação dos judeus da Alemanha e o estabelecimento de uma [[Nova Ordem (nazismo)|Nova Ordem]] para combater o que ele via como "injustiças pós-Primeira Grande Guerra", numa Europa dominada pelos [[Reino Unido|britânicos]] e [[França|franceses]].
 
Em seus primeiros seis anos no poder, a economia alemã recuperou-se da [[Grande Depressão]], as restrições impostas ao país após a Primeira Guerra Mundial foram ignoradas e territórios na fronteira, lar de milhões de ''[[Volksdeutsche]]'' (alemães étnicos), foram anexados — ações que deram a ele grande apoio popular. Hitler queria estabelecer o ''[[Lebensraum]]'' ("espaço vital") para o povo alemão. Sua política externa agressiva é considerada um dos motivos que levaram a Europa e o mundo a [[Segunda Guerra Mundial|segunda grande guerra]]. Ele iniciou um grande programa de reindustrialização e [[rearmamento da Alemanha]] em meados da década de 1930 e então, a 1 de setembro de 1939, ordenou a [[invasão da Polônia]], resultando numa declaração de guerra por parte do [[Reino Unido]] e da [[França]] alguns dias depois. Em junho de 1941, Hitler ordenou [[Operação Barbarossa|a invasão da União Soviética]]. Em meados de 1942, a ''[[Wehrmacht]]'' (as forças armadas nazistas) e as tropas do [[Potências do Eixo|Eixo]] já [[Europa ocupada pela Alemanha Nazista|ocupavam boa parte da Europa continental]], do [[Campanha Norte-Africana|Norte da África]] e quase um-quarto do território soviético. Contudo, após falharem em [[Batalha de Moscou|conquistar Moscou]] e serem derrotados [[Batalha de Stalingrado|em Stalingrado]], as forças nazistas começaram a retroceder. A entrada dos [[Estados Unidos]] na guerra ao lado dos [[Aliados da Segunda Guerra Mundial|Aliados]] forçou a Alemanha a ficar na defensiva, acumulando uma série de derrotas a partir de 1943. Nos últimos dias do conflito, durante a [[Batalha de Berlim]] em 1945, Hitler se casou com sua amante de longa data, [[Eva Braun]]. No dia 30 de abril de 1945, os dois [[Morte de Adolf Hitler|cometeram suicídio]] para evitar serem capturados pelo [[exército vermelho]]. Seus corpos foram queimados e enterrados. Uma semana mais tarde a Alemanha se rendeu formalmente.
Sob a liderança de Adolf Hitler, com uma [[Nazismo e raça|ideologia racialmente motivada]], o regime nazista perpetrou um dos maiores [[genocídio]]s da história da humanidade, matando pelo menos [[Holocausto#Vítimas|6 milhões de judeus e milhares de outras pessoas]] que Hitler e seus seguidores consideravam como ''[[Untermenschen]]'' ("sub-humanos") e socialmente "indesejáveis". Os nazistas também foram responsáveis pela morte de mais de 19,3 milhões de [[Civil|civis]] e [[Prisioneiro de guerra|prisioneiros de guerra]]. Além disso, no total, 29 milhões de soldados e civis morreram como resultado do conflito na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O número de fatalidades neste conflito foi sem precedentes e ainda é uma das [[Lista de guerras por número de mortos|guerras mais mortais da história]].
 
== Primeiros anos ==
=== Ancestralidade ===
{{Imagem múltipla
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}}
 
Seu pai, [[Alois Hitler|Alois Hitler]], Sr.]] (1837–1903) era filho ilegítimo de [[Maria Schicklgruber|Maria Anna Schicklgruber]].{{sfn|Bullock|1999|p=24}} Sua certidão de nascimento não trazia o nome do seu pai, então Alois inicialmente assumiu o sobrenome da mãe, ''Schicklgruber''. Em 1842, [[Johann Georg Hiedler]] se casou com Maria Anna. Alois foi criado na família do irmão de Georg, [[Johann Nepomuk Hiedler]].{{sfn|Maser|1973|p=4}} Em 1876, Alois foi legitimado e seu registro batismal foi mudado por um padre para registrar Johann Georg Hiedler como pai de Alois (registrado como "Georg Hitler").{{sfn|Maser|1973|p=15}}{{sfn|Kershaw|1999|p=5}} Alois assumiu então o sobrenome "Hitler",{{sfn|Kershaw|1999|p=5}} também escrito e soletrado como ''Hiedler'', ''Hüttler'' ou ''Huettler''. O sobrenome ''Hitler'' é provavelmente baseado em "aquele que vive em uma cabana" ([[Língua alemã|alemão]]: ''Hütte'' para "cabana").{{sfn|Jetzinger|1976|p=32}}
 
O oficial nazista [[Hans Frank]] sugeriu que a mãe de Alois era empregada doméstica em uma casa de uma família [[Judeus|judia]] em [[Graz]], e que o filho de 19 anos desta família, [[Leopold Frankenberger]], seria o pai de Alois.{{sfn|Rosenbaum|1999|p= }} Mas nenhum Frankenberger foi registrado em Graz neste período e nenhum documento comprova a existência de Leopold Frankenberger,{{sfn|Hamann|2010|p=50}} então a maioria dos historiadores consideram que a ideia de que o avô de Hitler era judeu é falsa.{{sfn|Toland|1992|pp=246–247}}{{sfn|Kershaw|1999|pp=8–9}}
 
=== Infância e educação ===
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 183-1989-0322-506, Adolf Hitler, Kinderbild retouched.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|180px|Adolf Hitler com aproximadamente um ano de idade (c.&nbsp;1889–90).]]
Adolf Hitler nasceu em 20 de abril de 1889 em [[Braunau am Inn]], uma cidade da [[Áustria-Hungria]] (hoje em dia localizada na [[Áustria]]), próximo a fronteira do [[Império Alemão]].{{sfn|House of Responsibility}} Ele era um dos seis filhos nascidos de Alois Hitler e [[Klara Pölzl]] (1860–1907). Três dos seus irmãos — Gustav, Ida e Otto — morreram ainda na infância.{{sfn|Kershaw|2008|p=3}} Quando Hitler tinha apenas três anos, sua família se mudou para [[Passau]], na Alemanha.{{sfn|Rosmus|2004|p=33}} Lá ele adquiriu [[Língua bávara|um dialeto]] [[Baixa Baviera|bávaro]], que trouxe uma marca reconhecível a sua voz.{{sfn|Keller|2010|p=15}}{{sfn|Hamann|2010|pp=7–8}}{{sfn|Kubizek|2006|p=37}} A família retornou para a Áustria e se assentou em [[Leonding]] em 1894 e em junho de 1895 Alois se aposentou em Hafeld, próximo de [[Lambach (Alta Áustria)|Lambach]], onde ele passou a criar abelhas. Hitler estudou numa ''[[Volksschule]]'' (escola pública) próximo a [[Fischlham]].{{sfn|Kubizek|2006|p=92}}{{sfn|Hitler|1999|p=6}}
Após a repentina morte de Alois em 3 de janeiro de 1903, o desempenho de Hitler na escola deteriorou-se e a mãe dele permitiu que abandonasse os estudos naquele momento.{{sfn|Kershaw|2008|p=10}} Ele então se matriculou em uma ''Realschule'' em [[Steyr]] em setembro de 1904, onde seu comportamento e desempenho escolar melhoraram.{{sfn|Kershaw|1999|p=19}} Em 1905, após passar no exame final, Hitler deixou a escola sem ambições de aprofundar os estudos ou fazer planos de carreira.{{sfn|Kershaw|1999|p=20}}
 
=== Juventude em Viena e Munique ===
[[Ficheiro:Hitler house in Leonding.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|A casa que Hitler passou parte da sua adolescência, em [[Leonding]], na [[Áustria]] (foto tirada em 1984).]]
 
Hitler recebeu a parte final da pensão do seu pai em maio de 1913 e se mudou para [[Munique]], no sul da [[Alemanha]].{{sfn|Shirer|1960|p=27}} Historiadores acreditam que ele deixou Viena para fugir do alistamento do [[exército austro-húngaro]].{{sfn|Weber|2010|p=13}} Hitler mais tarde afirmou que não queria servir no exército austríaco devido a alta miscigenação das forças armadas.{{sfn|Shirer|1960|p=27}} Após ser julgado inapto para o serviço — ele falhou em um exame físico em [[Salzburgo]] em 5 de fevereiro de 1914 — retornou para Munique.{{sfn|Shirer|1960|p=27, rodapé}}
 
=== Primeira Guerra Mundial ===
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 146-1974-082-44, Adolf Hitler im Ersten Weltkrieg.jpg|miniaturadaimagem|Hitler (''na extrema direita, sentado'') com seus [[camarada]]s do Regimento de Infantaria Bávaro ([[Circa|c.]]&nbsp;1914–18).]]
Quando eclodiu a [[Primeira Guerra Mundial]], Hitler vivia em Munique e, embora fosse um cidadão austríaco, ele se voluntariou no [[Exército Imperial Alemão|Exército]] da [[Baviera]].{{sfn|Kershaw|1999|p=90}} Um relatório feito pelas autoridades bávaras em 1924 diz que Hitler serviu no exército local por erro.{{sfn|Kershaw|1999|p=90}} Ele se juntou ao 16º Regimento Reserva de Infantaria Bávara (1ª Companhia do Regimento),{{sfn|Weber|2010|pp=12–13}}{{sfn|Kershaw|1999|p=90}} servindo como mensageiro na [[Frente Ocidental (Primeira Guerra Mundial)|Frente Ocidental]] na [[França]] e na [[Bélgica]], uma função perigosa, que envolvia exposição a fogo inimigo, em vez da proteção proporcionada por uma [[trincheira]].{{sfn|Kershaw|2008|p=53}} Serviu também parte do tempo no quartel-general do regimento em [[Fournes-en-Weppes]].{{sfn|Kershaw|2008|p=54}}{{sfn|Weber|2010|p=100}} Ele esteve presente nas batalhas [[Primeira Batalha de Ypres|de Ypres]], [[Batalha do Somme|do Somme]] (onde foi ferido), [[Batalha de Arras (1917)|de Arras]] e [[Terceira Batalha de Ypres|de Passchendaele]].{{sfn|Shirer|1960|p=30}} Ele foi condecorado por bravura, recebendo a [[Cruz de Ferro]], de segunda classe, ao fim de 1914.{{sfn|Shirer|1960|p=30}} Sob recomendação do oficial judeu [[Hugo Gutmann]], Hitler recebeu outra medalha, a Cruz de Ferro de primeira classe, em 4 de agosto de 1918, uma condecoração raramente dada a um soldado de sua patente (''[[Gefreiter]]'').{{sfn|Kershaw|2008|p=59}}{{sfn|Weber|2010a}} Ele também recebeu o [[Distintivo de Ferido]] em 18 de maio de 1918.{{sfn|Steiner|1976|p=392}} A folha de serviço de Hitler, no geral, foi exemplar, mas nunca foi promovido além de [[Cabo (militar)|Cabo]], que era a patente mais alta oferecida a um estrangeiro no exército alemão à época.<ref>{{Citar web|url=http://educacao.uol.com.br/biografias/adolf-hitler.jhtm|título=Adolf Hitler - Biografia|publicado=UOL - Educação|acessodata=16 de setembro de 2016}}</ref>
 
[[Ficheiro:Hitler 1914 1918.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Adolf Hitler como um soldado da [[Primeira Grande Guerra]] (1914–1918).]]
O [[Tratado de Versalhes (1919)|Tratado de Versalhes]] de 1919 julgou que a Alemanha era a única responsável pela guerra e portanto deveria ser severamente punida. O país perdeu várias partes do seu território e a região estratégica da [[Renânia]] foi desmilitarizada. O tratado também impôs pesadas sanções econômicas e exigiu que o país pagasse grandes reparações para as [[Aliados da Primeira Guerra Mundial|nações vencedoras]]. Muitos [[alemães]] viram o tratado como uma humilhação injusta.{{sfn|Kershaw|2008|p=96}} O rancor com o Tratado de Versalhes, junto com a grave crise econômica, social e política do pós-guerra na Alemanha seria explorado por Hitler para fins políticos.{{sfn|Kershaw|2008|pp=80, 90, 92}}
 
== Início da carreira política ==
[[Ficheiro:Hitler's DAP membership card.png|miniaturadaimagem|A carteira de membro de Hitler do Partido Alemão dos Trabalhadores.]]
Após a primeira guerra mundial, Hitler retornou para [[Munique]].{{sfn|Bullock|1999|p=61}} Sem uma educação formal ou prospectos de carreira, ele decidiu permanecer no exército.{{sfn|Kershaw|1999|p=109}} Em julho de 1919, ele foi apontado como ''Verbindungsmann'' (agente de inteligência) da ''Aufklärungskommando'' (Comando de Reconhecimento) do ''[[Reichswehr]]'' (o novo exército alemão), com o propósito de influenciar outros soldados e se infiltrar no [[Partido Alemão dos Trabalhadores]] (DAP). Enquanto monitorava as atividades do DAP, Hitler foi atraído pelo fundador do partido, [[Anton Drexler]], e sua retórica anti-semita, nacionalista, [[anti-capitalista]] e anti-marxista.{{sfn|Kershaw|2008|p=82}} Drexler favorecia um governo forte e ativo, uma versão não judaica do socialismo (como ele descrevia), e solidariedade entre os membros da sociedade. Impressionado com as capacidades oratórias de Hitler, Drexler o convidou para se juntar ao DAP. Hitler aceitou a 12 de setembro de 1919,{{sfn|Stackelberg|2007|p=9}} se tornando o membro nº 555 (o partido havia começado a contagem de membros no número 500 para dar a impressão de serem maiores do que realmente eram).{{sfn|Mitcham|1996|p=67}}
Entre seguidores que o apoiaram desde o início inclui [[Rudolf Hess]], o ex piloto [[Hermann Göring]] e o capitão do exército [[Ernst Röhm]]. Hitler recrutou Röhm para organizar e comandar o grupo [[paramilitar]] conhecido como ''[[Sturmabteilung]]'' (SA), que servia como braço armado do partido, protegendo as reuniões e os líderes nazistas e também atacavam oponentes políticos. Uma influência importante sobre o pensar de Hitler aconteceu durante o período da ''[[Aufbau Vereinigung]]'',{{sfn|Kellogg|2005|p=275}} um grupo conspiratório formado por "[[Movimento Branco|russos brancos]]" (como eram chamados os monarquistas [[Contrarrevolução|contrarrevolucionários]] do antigo [[Império Russo]]) exilados e nacionais socialistas no início. Este grupo, financiado por industrialistas ricos, introduziu a Hitler a ideia de uma conspiração judaica internacional, ligada ao movimento [[bolchevique]].{{sfn|Kellogg|2005|p=203}}
 
=== Golpe da Cervejaria ===
{{AP|Putsch da Cervejaria}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 102-00344A, München, nach Hitler-Ludendorff Prozess.jpg|miniaturadaimagem|Os réus do julgamento do Putsch da Cervejaria. Da esquerda para a direita: Pernet, Weber, Frick, Kiebel, Ludendorff, Hitler, Bruckner, Röhm e Wagner.]]
Pouco antes de Hitler poder entrar com um pedido de condicional, o governo da Baviera tentou extraditá-lo para a Áustria.{{sfn|Kershaw|1999|p=237}} Contudo, o [[Chanceler da Áustria]], [[Rudolf Ramek]], recusou o pedido.{{sfn|Kershaw|1999|p=238}} Hitler renunciou sua cidadania austríaca em 7 de abril de 1925.{{sfn|Kershaw|1999|p=238}}
 
=== Reconstruindo o Partido Nazista ===
No período que Hitler foi solto da cadeia, a situação política na Alemanha havia se tornado menos combativa e a situação da economia havia melhorado, limitando as oportunidades políticas de Hitler para agitação política. Como resultado do golpe fracassado, o Partido Nazista e suas organizações filiadas foram banidas da Baviera . Após um encontro com [[Heinrich Held]], então primeiro-ministro bávaro, em 4 de janeiro de 1925, Hitler concordou em respeitar a autoridade do estado e prometeu que buscaria poder político agora apenas por meios democráticos. Um mês depois da reunião, o Partido Nazista deixou de ser banido e voltou a ativa.{{sfn|Kershaw|2008|pp=158, 161, 162}} Hitler, contudo, foi barrado de fazer discursos públicos mas este banimento foi suspenso também em 1927.{{sfn|Kershaw|2008|pp=162, 166}}{{sfn|Shirer|1960|p=129}} Para avançar suas ambições políticas, apesar destes contratempos, Hitler nomeou [[Gregor Strasser]], [[Otto Strasser]] e [[Joseph Goebbels]] para organizar e fazer crescer o Partido Nazista no norte da Alemanha. Um grande organizador, Gregor Strasser dirigiu um curso político mais independente, enfatizando os elementos socialistas do programa do partido.{{sfn|Kershaw|2008|pp=166, 167}}
 
Em 29 de outubro de 1929, na [[Terça-Feira Negra]], a [[bolsa de valores]] dos [[Estados Unidos]] quebrou. O impacto atingiu o mundo todo, inclusive a Alemanha. Várias empresas fecharam as portas, resultando em milhares de desempregados. Bancos faliram, causando um colapso parcial do sistema financeiro da nação. Hitler e os nazistas tomaram vantagem da situação emergencial para angariar apoio ao partido. Eles prometeram ao povo repudiar o Tratado de Versalhes, fortalecer a economia e garantir empregos e oportunidades.{{sfn|Shirer|1960|pp=136–137}}
 
== Ascensão ao poder ==
{{AP|Ascensão de Hitler ao poder}}
=== Governo Brüning ===
A [[Grande Depressão]] providenciou a Hitler uma ótima oportunidade política. Os alemães estavam ambivalentes sobre a [[república parlamentarista]], que enfrentava forte oposição de extremistas de [[Extrema-esquerda|esquerda]] e [[Extrema-direita|direita]]. Já os partidos moderados não conseguiam competir com os radicais. No [[Referendo Alemão de 1929|referendo de 1929]], o povo alemão votou, por grande maioria, repudiar o pagamento de reparações de guerra estipulados no Tratado de Versalhes. A ideologia nazista, neste período, ganhou muito apoio popular.{{sfn|Kolb|1988|p=105}} As [[Eleição federal alemã de 1930|eleições de setembro de 1930]] resultou na quebra da "grande coalizão", substituindo a administração do país por um governo de minoria. O chanceler [[Heinrich Brüning]], do [[Partido do Centro Alemão|Partido do Centro]], governava a nação por meio de [[Estado de emergência|decretos emergenciais]] do presidente [[Paul von Hindenburg]]. Governar por decreto acabou pavimentando o caminho para uma forma de governo mais [[Autoritarismo|autoritarista]].{{sfn|Halperin|1965|p=403 ''et. seq''}} O Partido Nazista saiu da obscuridade e conquistou 18,3% dos votos (ou 6,409,600 de pessoas) e 107 assentos no parlamento nas eleições de 1930, tornando-se a segunda maior bancada no [[Reichstag]].{{sfn|Halperin|1965|pp=434–446 ''et. seq''}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 119-0289, München, Hitler bei Einweihung "Braunes Haus".jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Hitler com membros do Partido Nazista no prédio Brown, em Munique, em dezembro de 1930.]]
Em 1932, agora como pleno cidadão alemão, Hitler concorreu contra [[Paul von Hindenburg]] nas [[Eleição presidencial na Alemanha em 1932|eleições presidenciais]]. A 27 de janeiro de 1932, ele fez um discurso no Clube Industrial de [[Düsseldorf]] e lá conquistou apoio dos principais empresários industrialistas alemães.{{sfn|Halperin|1965|pp=468–471}} Hindenburg tinha apoio de vários partidos nacionalistas, monarquistas, católicos e [[Republicanismo|republicanos]], e até mesmo dos [[Partido Social-Democrata da Alemanha|Sociais Democratas]]. Hitler usou como slogan de campanha a frase "''Hitler über Deutschland''" ("Hitler sobre a Alemanha"), uma referência as suas ambições políticas e sua campanha, sendo que ele viajava muito de aeronave pelo país.{{sfn|Bullock|1962|p=201}} Ele foi um dos primeiros políticos a usar viagens do avião para fins políticos e utilizava este método rápido de viagem de forma eficiente.{{sfn|Hoffman|1989}}{{sfn|Kershaw|2008|p=227}} Hitler terminou em segundo lugar nesta eleição, ganhando cerca de 36% dos votos (ou 13,418,517 de pessoas). Apesar dele ter perdido o pleito para Hindenburg, esta eleição estabeleceu Hitler como uma figura forte na política alemã.{{sfn|Halperin|1965|pp=477–479}}
 
=== Indicação para Chanceler ===
A ausência de um governo eficiente fez com que dois políticos influentes, [[Franz von Papen]] e [[Alfred Hugenberg]], juntos com vários industrialistas e empresários, escrevessem uma carta para Hindenburg. Os signatários pediram para o presidente apontar Adolf Hitler como líder do governo "independente dos partidos parlamentares", dizendo que isso iria "encantar milhões de pessoas".{{sfn|Letter to Hindenburg, 1932}}{{sfn|Fox News, 2003}}
 
Hindenburg desprezava Hitler, mas foi ficando sem opções, com o governo no Parlamento a beira do colapso, sem base política para se sustentar. Relutantemente, o presidente decidiu concordar em indicar Hitler para o cargo de [[Chanceler da Alemanha|chanceler]] ([[chefe de governo]]) após duas turbulentas eleições parlamentares — em julho e novembro de 1932 — que não tinham conseguido formar um governo de maioria. Hitler liderou uma coalizão, que durou pouco tempo, formada pelo Partido Nazista e os apoiadores de Alfred Hugenberg do [[Partido Popular Nacional Alemão]] (DNVP). Em 30 de janeiro de 1933, um novo gabinete foi formado e oficializado no escritório do presidente Hindenburg. O Partido Nazista ganhou três postos no governo: Hitler passou a ser o chanceler, [[Wilhelm Frick]] o Ministro do Interior do país e [[Hermann Göring]] o Ministro do Interior da [[Prússia]].{{sfn|Shirer|1960|p=184}} Hitler queria estes postos ministeriais pois ele almejava controlar por completo a polícia alemã.{{sfn|Evans|2003|p=307}}
 
=== Incêndio do Reichstag e eleições de março ===
Como chanceler, Hitler trabalhou para impedir que os oponentes do Partido Nazista se unificassem e tentassem formar um governo de coalizão de maioria contra ele. A oposição, contudo, não conseguia se unificar, com os comunistas e socialistas não se entendendo com os partidos sociais democratas de esquerda. Com o impasse político se acentuando no Reichstag, Hitler pediu para o presidente Hindenburg dissolver o parlamento e convocar novas eleições para março. Em 27 de fevereiro de 1933, o prédio do [[Palácio do Reichstag|Reichstag]] [[Incêndio do Reichstag|pegou fogo]] e ficou parcialmente destruído. Hermann Göring culpou os [[Comunismo|comunistas]] pelo atentado. De fato, um comunista [[Países Baixos|holandês]] [[Marinus van der Lubbe]] foi capturado dentro do edifício.{{sfn|Bullock|1962|p=262}} De acordo com o historiador britânico Sir [[Ian Kershaw]], o consenso entre os acadêmicos era que van der Lubbe possivelmente foi mesmo o responsável pelo incêndio.{{sfn|Kershaw|1999|pp=456–458, 731–732}} Outros, contudo, incluindo [[William L. Shirer]] e [[Alan Bullock]], e acreditam que os próprios nazistas foram os responsáveis, em uma [[operação de bandeira falsa]].{{sfn|Shirer|1960|p=192}}{{sfn|Bullock|1999|p=262}} Por insistência de Hitler, Hindenburg aprovou o [[Decreto do Incêndio do Reichstag]] de 28 de fevereiro de 1933, que suspendeu vários [[direitos civis]] e permitiu que o governo fizesse prisões sem mandato judicial. O decreto era permitido devido ao Artigo 48 da [[Constituição de Weimar]], que dava ao presidente poderes emergenciais para proteger a população e manter a ordem pública.{{sfn|Shirer|1960|pp=194, 274}} As atividades do [[Partido Comunista da Alemanha|Partido Comunista Alemão]] (KPD) foram reprimidas e mais de 4 000 comunistas foram presos.{{sfn|Shirer|1960|p=194}}
 
Além da campanha política, o Partido Nazista engajou em violência [[paramilitar]] nas ruas e espalhou propaganda [[anticomunista]] antes das próximas eleições. No dia do pleito, a 6 de março de 1933, os nazistas conquistaram 43,9% dos votos (ou 17,277,180 de pessoas) e se tornaram o maior partido no Parlamento. Ainda assim, o partido de Hitler não tinha maioria absoluta para formar um governo de maioria, necessitando fazer outra coalizão com o [[Partido Popular Nacional Alemão|DNVP]].{{sfn|Bullock|1962|p=265}}
 
=== Dia de Potsdam e Lei habilitante de 1933 ===
{{AP|Lei de Concessão de Plenos Poderes de 1933}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 183-S38324, Tag von Potsdam, Adolf Hitler, Paul v. Hindenburg.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Adolf Hitler cumprimentando o presidente Paul von Hindenburg no Dia de Potsdam, em 21 de março de 1933.]]
Em 23 de março de 1933, o Reichstag se reuniu na Casa de Ópera Kroll sob circunstâncias turbulentas. Linhas de homens da [[Sturmabteilung|SA]] serviam como guardas dentro do prédio, enquanto grandes grupos de opositores da proposta gritavam slogans de discórdia e ameaças durante a chegada dos parlamentares no prédio.{{sfn|Bullock|1999|p=269}} A posição do [[Partido do Centro Alemão|Partido do Centro]], a terceira maior legenda do Reichstag, era decisiva. Após Hitler verbalmente prometer a [[Ludwig Kaas]], o líder deste partido, que Hindenburg reteria o poder de veto, Kaas anunciou que seus correligionários apoiariam a Lei Habilitante. No final, a lei passou por 441 votos a 84, com todos os partidos, exceto os Sociais Democratas, votando a favor (os comunistas foram impedidos de participar). A Lei Habilitante, junto com o Decreto do [[Incêndio do Reichstag]], transformou, legalmente, o governo de Adolf Hitler em uma ''[[de facto]]'' [[ditadura]].{{sfn|Shirer|1960|p=199}}
 
=== Expansão final dos poderes ===
 
{{citação2|Sob o risco de parecer estar falando besteira eu te digo que o [[Nazismo|Nacional Socialismo]] durará mais de 1 000 anos! [...] Não se esqueça como o povo riu de mim quinze anos atrás quando eu declarei que um dia governaria a Alemanha. Eles riem agora, de forma igualmente tola, quando eu digo que vou manter o poder!{{sfn|''Time'', 1934}}|Adolf Hitler em uma entrevista para um correspondente britânico em Berlim, em junho de 1934.}}
 
Tendo alcançado poder legislativo e executivo total, Hitler e seus aliados iniciaram o processo de reprimir a oposição. O Partido Social Democrata foi banido e seus bens apreendidos.{{sfn|Shirer|1960|p=201}} Enquanto várias lideranças de sindicatos estavam em Berlim para as atividades do [[Dia de Maio]], soldados das [[Sturmabteilung|SA]] atacaram escritórios dos líderes de sindicatos por todo o país. Em 2 de maio de 1933 todos os sindicatos foram dissolvidos e seus presidentes foram presos. Muitos foram enviados para os recém abertos [[Campo de concentração|campos de concentração]], onde os nazistas passaram a aprisionar os seus oponentes políticos.{{sfn|Shirer|1960|p=202}} A [[Frente Alemã para o Trabalho]], uma organização que visava representar todos os trabalhadores, administradores e donos de companhias, foi criada refletindo o conceito nazista de ''[[Volksgemeinschaft]]'' ("comunidade do povo").{{sfn|Evans|2003|pp=350–374}}
 
[[Ficheiro:Adolf Hitler-1933.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Em 1934, Hitler se tornou o Chefe de Estado da Alemanha sob o título de ''[[Führer|Führer]] und Reichskanzler]]'' ("Líder e Chanceler do Reich").]]
Ao fim de junho, vários partidos, não só de esquerda, passaram a ser dissolvidos. Isto incluiu o antigo parceiro de coalizão dos Nazistas, o [[Partido Popular Nacional Alemão|DNVP]]; com a ajuda dos paramilitares da SA, Hitler forçou o seu líder, Alfred Hugenberg, a renunciar em 29 de junho. Duas semanas depois, o Partido Nazista foi declarado o único partido legal na Alemanha.{{sfn|Evans|2003|pp=350–374}}{{sfn|Shirer|1960|p=201}} A ascensão da SA como uma força política e militar causava ansiedade entre as elites militares, industriais e políticas na Alemanha. Em resposta, Hitler decidiu expurgar a liderança da SA na chamada "''[[Noite das facas longas|Nacht der langen Messer]]''" (a "Noite das facas longas"), que aconteceu de 30 de junho a 2 de julho de 1934.{{sfn|Kershaw|2008|pp=309–314}} Hitler mirou no seu velho amigo [[Ernst Röhm]] e em outros líderes da SA que, junto com outros adversários políticos (como Gregor Strasser e [[Kurt von Schleicher]]), foram presos e executados.{{sfn|Tames|2008|pp=4–5}} Enquanto várias nações e muitos alemães ficaram chocados com os assassinatos, a maioria da população da Alemanha acreditava que estas ações eram simplesmente Hitler restaurando a ordem no país.{{sfn|Kershaw|2008|pp=313–315}} O presidente Hindenburg, então prestes a completar 87 anos de idade, ficou desorientado ao ser informado sobre o massacre.<ref>''Os Grandes Líderes: Hitler.'' Autor: Dennis Wepman. Editora [[Nova Cultural]], 1987, pág. 51. (25 de outubro de 2016).</ref>
 
Em 2 de agosto de 1934, o presidente [[Paul von Hindenburg]] faleceu. No dia anterior, o gabinete de governo aprovou a "Lei sobre o Mais Alto Cargo do Reich",{{sfn|Overy|2005|p=63}} que afirmava que, caso Hindenburg morresse, o cargo de presidente seria abolido e seus poderes seriam fundidos aos do [[chanceler da Alemanha]]. Hitler, então, tornou-se tanto [[chefe de estado]] quanto de [[Chefe de governo|governo]], sendo formalmente chamado agora de ''[[Führer|Führer]] und Reichskanzler]]'' ("Líder e Chanceler").{{sfn|Shirer|1960|pp=226–227}} Assim, ele derrubou o único remédio legal que poderia remove-lo do cargo. Sua ditadura estava agora firmemente estabelecida.{{sfn|Shirer|1960|p=229}}
 
Como chefe de estado, Hitler se tornou o [[comandante em chefe]] das [[Wehrmacht|forças armadas]]. O tradicional juramento de lealdade feito pelos militares passou a ser um [[Juramento de Hitler|voto de lealdade pessoal a Hitler]].{{sfn|Bullock|1962|p=309}} Em 19 de agosto, a fusão da presidência e da chancelaria foi aprovada por quase 90% da população mediante [[Referendo Alemão de 1934|plebiscito]].{{sfn|Shirer|1960|p=230}}
Hitler queria dar a sua ditadura toda a aparência de legalidade. Várias das leis que ele passou eram protegidas pelo Decreto do Incêndio do Reichstag e assim respeitando o Artigo 48 da [[Constituição de Weimar]]. O Parlamento renovou a Lei de Habilitante mais duas vezes, cada uma por um período de quatro anos.{{sfn|Shirer|1960|p=274}} Enquanto eleições para o Reichstag continuaram (em 1933, 1936 e 1938), era apresentado aos eleitores uma lista com candidatos nazistas e pró-nazistas, que levaram em cada eleição pelo menos 90% dos votos válidos.{{sfn|Read|2004|p=344}} A votação não era secreta; os nazistas ameaçavam com duras represálias quem votasse contra ou aqueles que pretendessem não votar.{{sfn|Evans|2005|pp=109-111}}
 
== Ditador da Alemanha ==
{{AP|Alemanha Nazi}}
=== Economia e cultura ===
{{AP|Economia da Alemanha nazista}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 102-04062A, Nürnberg, Reichsparteitag, SA- und SS-Appell.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Uma cerimônia em honra aos mortos (''Totenehrung'') feita no Salão da Honra (''Ehrenhalle'') na [[Áreas de desfile do partido nazista|área de desfile do Partido Nazista]], em [[Nurembergue]], setembro de 1934.]]
O governo de Hitler patrocinou várias obras de [[Arquitetura Nazista|arquitetura]] em imensa escala. [[Albert Speer]], instrumental em implementar a reinterpretação do Führer da cultura alemã, foi colocado na liderança da [[Welthauptstadt Germania|proposta de renovação arquitetônica de Berlim]].{{sfn|Speer|1971|pp=118–119}} Em 1936, Hitler participou da cerimônia de abertura dos [[Jogos Olímpicos de Verão de 1936|Jogos Olímpicos de Verão]] na [[Berlim|capital alemã]].<ref>[[Arnd Krüger]]: ''The Nazi Olympics of 1936'', Kevin Young & Kevin B. Wamsley (eds.): Global Olympics. Historical and Sociological Studies of the Modern Games. Oxford: Elsevier 2005, 43 – 58 ISBN 0-7623-1181-9.</ref>
 
=== Rearmamento e novas alianças ===
{{AP|Potências do Eixo|Pacto Tripartite|Rearmamento da Alemanha}}
Em 3 de fevereiro de 1933, durante uma reunião com a liderança militar alemã, Hitler falou que a "conquista do ''[[Lebensraum]]'' no Leste e a implacável ''Germanização''" eram seus objetivos principais de política externa.{{sfn|Weinberg|1970|pp=26–27}} Em março, o príncipe Bernhard Wilhelm von Bülow, secretário do [[Ministério das Relações Exteriores da Alemanha|''Auswärtiges Amt'']] (Ministério de Relações Exteriores), emitiu uma declaração dos principais objetivos de política externa do país: o ''[[Anschluss]]'' com a [[Áustria]], a restauração das fronteiras nacionais de 1914 da Alemanha, rejeição de todas as restrições militares impostas pelo Tratado de Versalhes, devolução das [[Colonização alemã de África|colônias alemãs na África]] e a criação de uma zona de influência alemã na Europa Oriental. Hitler achava, na verdade, os objetivos de Bülow modestos demais.{{sfn|Kershaw|1999|pp=490–491}} Em discursos feitos na época, ele afirmou que suas políticas eram pacíficas e estava disposto a trabalhar dentro dos acordos internacionais.{{sfn|Kershaw|1999|pp=492, 555–556, 586–587}} Na sua primeira reunião de gabinete em 1933, Hitler priorizou aumento de gastos com os militares.{{sfn|Carr|1972|p=23}}
{{clear}}
 
== Segunda Guerra Mundial ==
=== Sucessos diplomáticos iniciais ===
==== Aliança com o Japão ====
[[Ficheiro:Matsuoka visits Hitler.jpg|miniaturadaimagem|Hitler e o ministro de relações exteriores japonês, [[Yōsuke Matsuoka]], em uma reunião em Berlim em março de 1941. Entre os dois pode ser visto [[Joachim von Ribbentrop]].]]
Em fevereiro de 1938, seguindo o conselho do seu novo ministro de relações exteriores, o conde [[Joachim von Ribbentrop]], Hitler começou a encerrar a [[Cooperação Sino-Germânica (1911–1941)|Aliança Sino-Alemã]] com a [[República da China (1912–1949)|República da China]] para então firmar uma maior cooperação com o mais poderoso e moderno [[Império do Japão]]. Hitler anunciou que reconhecia a região de [[Manchukuo]], o [[estado fantoche]] ocupado pelos japoneses da [[Manchúria]], e que renunciava as reivindicações sobre as antigas colônias alemãs na Ásia, que foram ocupados pelo Japão após a primeira guerra mundial.{{sfn|Bloch|1992|pp=178–179}} O führer alemão ordenou o fim do envio de carregamentos de armas para a China e chamou de volta todos os oficiais alemães trabalhando com o exército chinês.{{sfn|Bloch|1992|pp=178–179}} Em retaliação, o general [[Chiang Kai-shek]] (de facto líder da China) cancelou todos os acordos econômicos entre os países, privando a Alemanha de muitas matérias primas vindas necessárias.{{sfn|Plating|2011|p=21}}
 
==== Áustria e Tchecoslováquia ====
Em 12 de março de 1938, Hitler anunciou a unificação da [[Áustria]] com a [[Alemanha Nazista]] (o ''[[Anschluss]]'').{{sfn|Butler|Young|1989|p=159}} A anexação austríaca foi rápida e sem percalços.{{sfn|Bullock|1962|p=434}} Ele então virou sua atenção para a [[Alemães dos Sudetos|população etnicamente alemã]] na região dos [[Sudetos#Os sudetos|Sudetos]] na [[Tchecoslováquia]].{{sfn|Overy|2005|p=425}}
 
Entre 28 e 29 de março de 1938, Hitler teve várias reuniões secretas em Berlim com [[Konrad Henlein]] do ''Sudetendeutsche Partei'', o maior partido pan-germânico dos [[Sudetos]]. Os dois concordaram que Henlein passaria a exigir do governo tchecoslovaco mais autonomia para os [[alemães dos Sudetos]], assim dando um motivo para intervenção militar alemã no país. Em abril de 1938, Henlein disse para o ministro de relações exteriores da [[Hungria]] que "não importa o que o governo tcheco ofereça, ele aumentaria as exigências [...] ele queria sabotar um entendimento de toda a forma porque essa era a única maneira de explodir a Tchecoslováquia rapidamente".{{sfn|Weinberg|1980|pp=334–335}} Em privado, Hitler considerava a região dos sudetos como não muito importante; seu principal objetivo era conquistar a Tchecoslováquia e tomar o controle de sua forte indústria.{{sfn|Weinberg|1980|pp=338–340}}
 
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 137-004055, Eger, Besuch Adolf Hitlers.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Outubro de 1938: Hitler (em pé na sua Mercedes) sendo saudado pela população de [[Cheb]] ({{lang-de|link=no|Eger}}), na parte de maioria [[Alemães|alemã]] do [[Sudetos]] na região da [[Tchecoslováquia]], que foi anexada a Alemanha após a assinatura do [[Acordo de Munique]].]]
Em 15 de março de 1939, em violação do Acordo de Munique, Hitler ordenou que a Wehrmacht invadisse [[Praga]] e ocupassem a [[Boêmia]] e a [[Moravia]], proclamando a criação de [[Protetorado da Boêmia e Morávia|um protetorado na região]].{{sfn|Murray|1984|pp=268–269}} Um dos motivos desta invasão era a necessidade crônica de matérias primas para suprir a economia alemã e impedir uma nova crise.{{sfn|Shirer|1960|p=448}}
 
=== Começo da Segunda Guerra Mundial ===
Em discussões privadas em 1939, Hitler declarou que o [[Reino Unido]] era o principal inimigo do país e que a [[Segunda República Polonesa|Polônia]] deveria ser obliterada como preludio para a guerra com os ingleses.{{sfn|Weinberg|1980|p=562}} O flanco leste da Alemanha tinha que estar seguro e terras da ''[[Lebensraum]]'' adicionadas ao país.{{sfn|Weinberg|1980|pp=579–581}} Em 31 de março de 1939, o governo britânico "garantiu" apoio para um Estado polonês independente e isso irritou os nazistas. Hitler afirmou: "Vou preparar-lhes uma bebida do diabo".{{sfn|Maiolo|1998|p=178}} Em um discurso em [[Wilhelmshaven]] para o lançamento do navio de guerra ''[[Tirpitz (couraçado)|Tirpitz]]'', em 1 de abril, ele ameaçou romper o [[Acordo Naval Anglo-Germânico]] se os britânicos continuassem a dispensar apoio para os poloneses, numa política que ele descreveu como um "cerco".{{sfn|Maiolo|1998|p=178}} Para os nazistas, a Polônia deveria virar um [[estado satélite]] alemão ou deveria ser neutralizada para garantir a segurança do flanco esquerdo do Reich para impedir um bloqueio inglês.{{sfn|Messerschmidt|1990|pp=688–690}} Hitler inicialmente favorecia a ideia de criar estados satélites nas fronteiras, mas após a rejeição do governo polonês para algum tipo de acordo, ele decidiu que iria invadir o país e fez disso seu objetivo de política externa para 1939.{{sfn|Weinberg|1980|pp=537–539, 557–560}} Em 3 de abril, Hitler ordenou que as forças armadas preparassem um plano, o ''[[Fall Weiss (1939)|Fall Weiss]]'' ("Caso Branco"), para atacar a Polônia.{{sfn|Weinberg|1980|pp=537–539, 557–560}} Em um discurso para o Reichstag, em 28 de abril, ele renunciou tanto o Acordo Naval Anglo-Germânico como o [[Pacto de não agressão germano-polonês]].{{sfn|Weinberg|1980|p=558}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 183-2001-0706-501, Warschau, Walther v. Brauchitsch, Adolf Hitler.jpg|miniaturadaimagem|Hitler e o marechal de campo [[Walther von Brauchitsch]] em 1939.]]
A Polônia foi conquistada em apenas um mês. O que se seguiu foi um período chamado de "[[Guerra de Mentira]]" ou ''Sitzkrieg'' ("guerra sentada"). Hitler instruiu então que os dois [[Gauleiter]]s da Polônia, [[Albert Forster]] (do [[Reichsgau Danzig Westpreußen]]) e [[Arthur Greiser]] (do [[Reichsgau Wartheland]]), a iniciar o processo de "[[germanização]]" dos territórios ocupados, "sem querer saber" como isso seria alcançado.{{sfn|Rees|1997|pp=141–145}} Os alemães então começaram um brutal processo de [[limpeza étnica]] contra a população polonesa, mirando especialmente na população judaica local.{{sfn|Rees|1997|pp=141–145}} Greiser reclamou com Hitler que Forster estava aceitando milhares de poloneses como "racialmente" alemães, ameaçando a "pureza racial" pregada pelo nazismo. Hitler não se interessou em se envolver. Esse tipo de inação fazia parte de um dos estilos de trabalhar do Führer: Hitler dava instruções vagas e esperava que seus subordinados agissem em suas próprias políticas.{{sfn|Rees|1997|pp=141–145}}
 
Outra disputa começou com Heinrich Himmler e Greiser, que advogavam políticas de limpeza racial, contra Hermann Göring e Hans Frank (Governador do [[Governo Geral]] da [[Ocupação da Polónia (1939-19451939–1945)|Polônia ocupada]]), que queriam transformar o território polonês no "celeiro" do Reich, utilizando mão de obra local escrava.{{sfn|Rees|1997|pp=148–149}} Em 12 de fevereiro de 1940, Hitler decidiu por favorecer a visão de Göring e Frank, que terminou com as deportações em massa que não eram boas para a economia.{{sfn|Rees|1997|pp=148–149}} A partir de maio de 1940, milhares de poloneses passaram a ser usados como [[escravo]]s para suprir a máquina de guerra da Alemanha.{{sfn|Rees|1997|pp=148–149}} Hitler elogiou os planos de Himmler e iniciou uma política para lidar com os judeus na Polônia, dando início ao [[Holocausto]] em território polonês.{{sfn|Rees|1997|pp=148–149}}
[[Ficheiro:Hitler, Speer y Breker en París, 23 de junio de 1940.jpg|miniaturadaimagem|esquerda|Hitler durante sua visita a cidade de [[Paris]], logo após a queda da cidade. Ele esta acompanhado por [[Albert Speer]] (esquerda) e o escultor [[Arno Breker]] (direita), em 23 de junho de 1940.]]
No começo de 1940, Hitler começou a engrossar as defesas no oeste da Alemanha e a convocar tropas para campanhas militares. Em abril, forças alemãs [[Operação Weserübung|invadiram e tomaram de assalto]] a [[Noruega]] e a [[Dinamarca]]. No dia 9 desse mês, Hitler proclamou o [[Grande Reich Germânico]], sua visão de um império unificado de todas as nações germânicas da Europa, com os [[holandeses]], [[flamengos]] e [[escandinavos]] se juntando a política de "pureza racial" sob a liderança alemã.{{sfn|Winkler|2007|p=74}} Em maio de 1940, a Alemanha [[Batalha de França|atacou a França]], e conquistou [[Ocupação alemã de Luxemburgo|Luxemburgo]], a [[Batalha dos Países Baixos|Holanda]] e a [[Batalha da Bélgica|Bélgica]]. Essas vitórias convenceram Mussolini a trazer a [[Itália]] para a guerra ao lado dos alemães a 10 de junho. Sem alternativa, os franceses decidiram pedir a cessação das hostilidades. A França e a Alemanha assinaram [[Armistício de 22 de junho de 1940|um armistício]] em 22 de junho.{{sfn|Shirer|1960|pp=696–730}} [[Arthur Greiser]] afirmou que a popularidade de Hitler – e o apoio a guerra – dentre o povo alemão chegou ao seu auge em 6 de julho de 1940, quando Hitler voltou para Berlim após visitar [[Paris]]. Milhares de pessoas foram nas ruas para saudar o [[Führer]].{{sfn|Kershaw|2008|p=562}} Após as vitórias rápidas nas frentes de batalha, Adolf Hitler promoveu doze generais para a patente de [[marechal de campo]].{{sfn|Deighton|2008|pp=7–9}}{{sfn|Ellis|1993|p=94}}
Na primavera de 1941, a guerra ia bem para a Alemanha e a popularidade de Hitler estava mais alta do que nunca. A [[Wehrmacht]] enviou o ''[[Afrika Korps]]'' para o norte da África para [[Campanha Norte-Africana|tomar a região]] e abrir caminho para um ataque ao [[Oriente Médio]]. Em fevereiro, os alemães [[Operação Sonnenblume|chegaram na Líbia]] para apoiar os italianos. Em abril, Hitler mandou tropas para [[Campanha dos Balcãs (Segunda Guerra Mundial)|os Bálcãs]] e [[Invasão da Iugoslávia|invadiu a Iugoslávia]], movendo-se logo em seguida para [[Batalha da Grécia|conquistar a Grécia]].{{sfn|Kershaw|2008|pp=604–605}} Por ordens do Führer, [[Guerra Anglo-Iraquiana|os alemães ajudaram os iraquianos a lutar contra os britânicos]] e depois [[Batalha de Creta|invadiram e conquistaram a ilha de Creta]].{{sfn|Kurowski|2005|pp=141–142}}
 
=== Caminho para a derrota ===
Em 22 de junho de 1941, quebrando o Pacto de não agressão firmado em 1939, cerca de 4 milhões de soldados do Eixo invadiram a União Soviética.{{sfn|Jones|1989}} Esta ofensiva (codinome [[Operação Barbarossa]]) tinha como objetivo destruir o Estado soviético e assumir o controle dos seus abundantes recursos naturais para alimentar a máquina de guerra nazista contra o Ocidente.{{sfn|Glantz|2001|p=9}}{{sfn|Koch|1988}} O ataque inicial foi um sucesso, com as forças alemãs conquistando várias regiões, incluindo a região Báltica, a [[Bielorrússia]] e o oeste da [[Ucrânia]]. Em agosto de 1941, as forças do Eixo avançaram mais de 500&nbsp;km dentro do território soviético. Logo após as tropas nazistas terem derrotado o [[exército vermelho]] na [[Batalha de Smolensk (1941)|Batalha de Smolensk]], Hitler ordenou que o [[Grupo de Exércitos Centro]] temporariamente se detivesse nas cercanias de Moscou e enviou tropas para cercar [[Cerco a Leninegrado|Leninegrado]] e [[Batalha de Kiev|Kiev]].{{sfn|Stolfi|1982}} Seus generais discordaram disso, preferindo ter focado suas forças em avançar contra a capital russa. Hitler manteve-se irredutível e as lideranças militares da Wehrmacht começaram a questionar a estratégia da guerra.{{sfn|Wilt|1981}}{{sfn|Evans|2008|p=202}} Esta parada deu tempo para o exército soviético se reorganizar e mobilizar suas reservas; a decisão de Hitler de atrasar o ataque contra Moscou é creditada como um dos maiores erros táticos do conflito. Em novembro de 1941 Hitler finalmente ordenou que a ofensiva contra Moscou recomeçasse mas o avanço [[Batalha de Moscou|terminou em desastre em dezembro]].{{sfn|Stolfi|1982}}
 
Após a [[invasão aliada da Sicília]] em meados de 1943, Mussolini é [[25 Luglio|removido do cargo]] de [[primeiro-ministro da Itália]], após receber um voto de desconfiança do [[Grande Conselho do Fascismo]], com apoio do rei [[Vítor Emanuel III da Itália|Vítor Emanuel III]]. O marechal [[Pietro Badoglio]] assumiu o controle do governo e logo começou a negociar a rendição do seu país para os Aliados. Enfurecido, Hitler ordenou que a Wehrmacht invadisse a Itália, [[Campanha da Itália|prologando os combates]] naquela nação.{{sfn|Shirer|1960|pp=996–1000}} Enquanto isso, na [[Frente Leste (Segunda Guerra Mundial)|frente leste]], entre 1943 e 1944, os exércitos da União Soviética empurravam as forças de Hitler para trás. Em 6 de junho de 1944, os [[Aliados da Segunda Guerra Mundial|Aliados]] ocidentais abriram a tão esperada segunda frente, desembarcando no norte da França com uma grande invasão [[Guerra anfíbia|anfíbia]], a [[Operação Overlord]].{{sfn|Shirer|1960|p=1036}} Muitos oficiais do [[exército alemão]] concluíram então que a derrota era inevitável e que continuar sob a liderança de Hitler levaria a destruição completa da Alemanha.{{sfn|Speer|1971|pp=513–514}}
 
Entre 1939 e 1945, vários alemães [[Tentativas de assassinato de Adolf Hitler|tentaram assassinar Hitler]], fracassando todas as vezes.{{sfn|Kershaw|2008|pp=544–547, 821–822, 827–828}} A maioria aconteceu dentro da Alemanha e a [[resistência alemã]] ganhou mais força com o passar do tempo, quando a derrota parecia mais eminente.{{sfn|Kershaw|2008|pp=816–818}} Em 1944 foi organizado o [[atentado de 20 de julho]], através da [[Operação Valquíria]], planejado pelo coronel [[Claus von Stauffenberg]] que plantou uma bomba no quartel-general do Führer, a [[Wolfsschanze|Toca do Lobo]] (''Wolfsschanze''), em [[Kętrzyn|Rastenburg]]. Hitler sobreviveu com alguns poucos ferimentos. Mais de 4 900 alemães foram mortos nas represálias nazistas.{{sfn|Shirer|1960|loc=§&nbsp;29}}
 
=== Derrota e morte ===
{{AP|Morte de Adolf Hitler}}
Ao fim de 1944, o [[exército vermelho]] e os [[Aliados da Segunda Guerra Mundial|Aliados Ocidentais]] (principalmente os [[Estados Unidos]], o [[Reino Unido]] e a [[França Livre]]) continuavam avançando a todo o vapor contra a Alemanha. [[Paris]] havia sido libertada e o exército alemão havia quase que completamente sido expulso da França, da [[Bélgica]] e [[Holanda]]. Na Itália, as forças [[Nazifascismo|nazifascistas]] também recuavam para o norte, mas o principal perigo estava no leste, com Stalin tomando os países da Europa oriental um a um. Assim, reconhecendo a força e determinação dos soviéticos, Hitler decidiu que seria quebrando as linhas do inimigo [[Frente Ocidental (Segunda Guerra Mundial)|no Ocidente]] que a maré da guerra poderia mudar em favor dos alemães. Ele então começou a planejar um ataque contra os americanos e ingleses.{{sfn|Weinberg|1964}} Em 16 de dezembro, os nazistas lançaram a [[Batalha das Ardenas|Ofensiva das Ardenas]] para tentar desunir os Aliados e talvez convence-los assim a parar de lutar.{{sfn|Crandell|1987}} Apesar de sucessos iniciais, a batalha das Ardenas terminou em fracasso e as últimas reservas de homens e máquinas da Alemanha foi perdida.{{sfn|Bullock|1962|p=778}} No começo de 1945, a situação dos alemães era precária. Aviões aliados bombardeavam o país dia e noite, deixando várias cidades alemãs e seus principais centros industriais em ruínas. O exército estava em frangalhos e pouco podiam fazer a não ser recuar em todas as frentes de batalha. Hitler falou então no rádio ao povo alemão: "Mesmo sendo grave a crise neste momento, ela irá, apesar de tudo, ser domada por nossa vontade inalterável."{{sfn|Rees|Kershaw|2012}} Hitler nutria esperanças de que a morte do presidente americano [[Franklin D. Roosevelt]] pudesse resultar em paz no Ocidente em 12 de abril de 1945, mas nada aconteceu e a determinação dos Aliados permaneceu forte.{{sfn|Crandell|1987}}{{sfn|Bullock|1962|pp=753, 763, 780–781}} Agindo conforme sua visão de que os fracassos militares alemães significavam abrir mão do seu direito de sobreviver como nação, Hitler ordenou a destruição da infraestrutura industrial e tecnológica alemã, para que estes não caíssem em mãos dos Aliados.{{sfn|Bullock|1962|pp=774–775}} O ministério dos armamentos, sob a liderança de Albert Speer, recebeu ordens de adotar uma política de [[terra arrasada]], mas tais instruções secretamente não foram obedecidas.{{sfn|Bullock|1962|pp=774–775}}{{sfn|Sereny|1996|pp=497–498}}
Berlim se rendeu em 2 de maio. A Alemanha Nazista capitulou formalmente seis dias depois. O [[Dia da Vitória na Europa|Dia da Vitória]] [[Fim da Segunda Guerra Mundial na Europa|finalizou a guerra na Europa]]. Documentos nos arquivos soviéticos liberados após a [[dissolução da União Soviética]] afirmam que os restos mortais de Hitler, Braun, Joseph e [[Magda Goebbels]] (e os [[Família Goebbels#As Crianças|seus filhos]]), do general Hans Krebs e de [[Blondi]] (a cadela de Hitler) foram repetidamente enterrados e exumados.{{sfn|Vinogradov|2005|pp=111, 333}} Em 4 de abril de 1970, um time de agentes da [[KGB]] usou mapas detalhados para exumar cinco caixas com ossos de uma fábrica da [[SMERSH]] em [[Magdeburgo]]. Os restos encontrados nestas caixas foram queimados, esmagados e dispersos, e depois jogados no rio Biederitz, um afluente do [[Rio Elba|Elba]].{{sfn|Vinogradov|2005|pp=335–336}} De acordo com o historiador Kershaw, os corpos de Hitler e Braun foram completamente queimados quando o exército vermelho chegou e apenas uma parte da mandíbula com a arcada dentária que poderia ter identificado o cadáver de Hitler sobrou.{{sfn|Kershaw|2000b|p=1110}}
 
=== O Holocausto ===
{{AP|Holocausto|Solução final|Lista dos campos de concentração nazistas}}
{{citação2|Se os financiadores judeus internacionais de dentro e fora da Europa forem bem sucedidos em mergulhar as nações mais uma vez numa [[guerra mundial]], então o resultado não seria a bolchevização da Europa, e, assim, a vitória dos [[judeus]], mas a aniquilação da raça judia da Europa!{{sfn|Marrus|2000|p=37}}|Discurso de Adolf Hitler no [[Reichstag]], em 30 de janeiro de 1939}}
Os nazistas acreditavam no conceito de [[higiene racial]]. Em 15 de setembro de 1935, Hitler apresentou duas leis — conhecidas como [[Leis de Nuremberg]] — para o [[Reichstag]]. Tais leis baniam relações sexuais e casamentos entre [[Raça ariana|arianos]] e judeus e depois foi expandido para incluir "ciganos, negros e suas crianças bastardas".{{sfn|Gellately|2001|p=216}} A lei tirou a cidadania de todos os não-arianos e proibiu o emprego de mulheres não-judias com menos de 45 anos em casas de famílias judiais.{{sfn|Kershaw|1999|pp=567–568}} As políticas de [[Eugenia nazista|eugenia]] de Hitler miravam crianças com deficiências ou que tiveram problemas de desenvolvimento em geral em um programa chamado de ''Kinder-Euthanasie'' e depois ele autorizou um programa de [[eutanásia]] para adultos com sérios problemas mentais e deficiências físicas no que ficou conhecido como [[Aktion T4|''Aktion'' T4]].{{sfn|Overy|2005|p=252}}
 
== Estilo de liderança ==
Hitler governava o [[Partido Nazista]] de forma [[Autocracia|autocrática]] ao afirmar sua ''[[Führerprinzip]]'' ("Princípio do Líder"). O princípio se baseava em lealdade absoluta dos subordinados aos seus superiores; ele via a estrutura do governo como uma pirâmide, com o próprio Hitler — o "Líder infalível" — no ápice. As posições dentro do partido não eram preenchidas mediante eleições mas sim as pessoas eram indicadas pelos superiores, que exigiam obediência completa a vontade do líder.{{sfn|Kershaw|2008|pp=170, 172, 181}} O estilo de liderança de Hitler era dar ordens contraditórias aos seus subordinados e coloca-los em uma posição que seus deveres e responsabilidades se entrelaçavam uns com os outros, para ter "o mais forte completar o trabalho".{{sfn|Speer|1971|p=281}} Deste jeito, gerava desconfiança, competição e luta interna entre seus subordinados para consolidar e maximizar o seu poder. O gabinete do líder nunca se encontrou até 1938 e ele desencorajava seus ministros de se encontrarem de forma independente.{{sfn|Manvell|Fraenkel|2007|p=29}}{{sfn|Kershaw|2008|p=323}} Hitler tipicamente quase nunca dava ordens por escrito, preferindo se expressar verbalmente ou passava os comandos através dos seus associados mais próximos, como [[Martin Bormann]].{{sfn|Kershaw|2008|p=377}} Ele instruía Bormann com seus papéis, nomeações e finanças pessoais; Bormann usava sua posição para controlar o fluxo de informações e o acesso a Hitler.{{sfn|Speer|1971|p=333}}
 
Hitler dominou o esforço de guerra do seu país durante a Segunda Guerra Mundial em uma extensão muito superior ao dos outros líderes durante o conflito. Ele assumiu o posto de [[Comandante em chefe|líder supremo das forças armadas]] em 1938 e subsequentemente foi responsável por muito da estratégia militar da Alemanha na guerra. Sua decisão de lançar uma série de campanhas militares rápidas contra a [[Noruega]], a [[França]], os [[Países Baixos]] e a [[Bélgica]] em 1940, contra a recomendação dos seus líderes militares, provou-se muito bem sucedida, apesar de seus esforços militares e diplomáticos para derrotar o Reino Unido tenham eventualmente falhado.{{sfn|Overy|2005|pp=421–425}} Hitler se envolvia cada vez mais no esforço de guerra, apontando a si mesmo como o comandante em chefe do exército em dezembro de 1941; deste ponto em diante ele tomou controle da [[Operação Barbarossa|estratégia para sobrepujar]] a União Soviética, enquanto seus comandantes militares na [[Frente Ocidental (Segunda Guerra Mundial)|frente ocidental]] tinham um grau maior de autonomia.{{sfn|Kershaw|2012|pp=169–170}} A liderança de Hitler se tornou cada vez mais desconexa com a realidade uma vez que a maré da guerra começou a se voltar contra a Alemanha, com a estratégia defensiva sendo prejudicada por seu processo lento de tomar decisões e frequentes diretivas para manter posições indefensáveis. Mesmo assim, ele continuava a acreditar que sua liderança levaria a vitória.{{sfn|Overy|2005|pp=421–425}} Nos meses finais da guerra, Hitler se recusou a considerar negociações de paz, afirmando que a destruição completa da Alemanha seria um resultado mais preferível que a rendição.{{sfn|Kershaw|2012|pp=396–397}} Os militares praticamente nunca desafiavam a dominância de Hitler sobre o esforço de guerra e os oficiais de patente mais graduada frequentemente expressavam apoio e confiança em sua liderança.{{sfn|Kershaw|2008|pp=171–395}}
 
== Legado ==
{{AP|Desnazificação|Neonazismo}}
[[Ficheiro:Mahnstein.JPG|miniaturadaimagem|O lado de fora do edifício que Hitler nasceu em [[Braunau am Inn]], na Áustria, com um memorial em pedra para lembrar os horrores da Segunda Guerra Mundial.
O historiador [[Friedrich Meinecke]] descreveu Hitler como "um dos grandes exemplos do poder singular e incalculável da personalidade na vida histórica".{{sfn|Shirer|1960|p=6}} O historiador inglês [[Hugh Trevor-Roper]] o via como "um dos 'simplificadores terríveis' da história, o mais sistemático, o mais histórico, o mais filosófico e ainda assim o mais grosseiro, cruel e menos magnânimo dos conquistadores que o mundo já conheceu".{{sfn|Hitler|Trevor-Roper|1988|p=xxxv}} Já o acadêmico John M. Roberts, acha que a derrota de Hitler marcou o fim da história europeia dominada pela Alemanha.{{sfn|Roberts|1996|p=501}} No seu lugar surgiu a [[Guerra Fria]], uma grande deflagração entre o [[Bloco capitalista|Bloco Ocidental]], dominado pelos [[Estados Unidos]] e por nações da [[Organização do Tratado do Atlântico Norte|OTAN]], e o [[Bloco do Leste]], dominado pela [[União Soviética]].{{sfn|Lichtheim|1974|p=366}} O historiador [[Sebastian Haffner]] afirma que sem Hitler e o deslocamento dos judeus, o moderno Estado de [[Israel]] não teria existido. Sem o líder nazista, a [[descolonização]] das esferas de influência europeia pelo mundo teria acontecido bem mais tarde do que foi.{{sfn|Haffner|1979|pp=100–101}} Além disso, Haffner alega que Hitler teve um maior impacto do que qualquer outra figura histórica comparável, que causou grande impacto pelo mundo e drásticas mudanças no cenário [[Geopolítica|geopolítico]] em um curto espaço de tempo.{{sfn|Haffner|1979|p=100}}
 
== Visões religiosas ==
{{AP|Visão religiosa de Adolf Hitler}}
Hitler nasceu de uma mãe que era [[Igreja Católica|católica]] praticante e um pai [[Anticlericalismo|anti-clérigo]]; após deixar sua casa, Hitler praticamente nunca mais frequentou [[missa]]s ou recebeu [[Sacramentos católicos|sacramentos]].{{sfn|Kershaw|2008|p=5}}{{sfn|Rißmann|2001|pp=94–96}}{{sfn|Toland|1992|pp=9–10}} [[Albert Speer]] afirmou que Hitler fez pronunciamentos duros contra a Igreja para seus associados políticos e apesar de não ter abandonado a [[fé]], nunca ligou muito para ela.{{sfn|Speer|1971|pp=141–142}} Hitler dizia que se os fiéis abandonassem a igreja eles iriam se virar ao [[misticismo]], o que ele considerava um retrocesso.{{sfn|Speer|1971|pp=141–142}} De acordo com Speer, o Führer acreditava que a [[Xintoísmo estatal|religião japonesa]] ou o [[islamismo]] seriam religiões melhores para os alemães do que o [[cristianismo]], com sua "mansidão e flacidez".{{sfn|Speer|1971|p=143}}
Pessoas próximas a Hitler afirmavam que ele era [[Teísmo|teísta]]. Frequentemente, ele mencionava que a "[[Divina Providência|Providência]]" o protegia e dizia estar em uma missão divina na terra para eliminar os judeus e reerguer o povo alemão.{{sfn|Toland|1992|p=507}}
 
== Saúde ==
{{AP|Saúde de Adolf Hitler}}
Pesquisadores sugerem que Hitler sofria de vários males, incluindo [[síndrome do cólon irritável]], lesões na pele, [[arritmia cardíaca]], [[aterosclerose]],{{sfn|Evans|2008|p=508}} [[doença de Parkinson]],{{sfn|BBC News, 1999}}{{sfn|Bullock|1962|p=717}} [[sífilis]],{{sfn|Bullock|1962|p=717}} [[Arterite temporal|arterite de células gigantes]] com [[arterite temporal]],{{sfn|Redlich|1993}} e [[acufeno]].{{sfn|Redlich|2000|pp=129–190}} Em um relatório feito para a Agência de Serviços Estratégicos em 1943, [[Walter Charles Langer|Walter C. Langer]] da [[Universidade Harvard]] descreveu Hitler como um "neurótico [[psicopata]]".{{sfn|Langer|1972|p=126}} Em seu livro de 1977, ''The Psychopathic God: Adolf Hitler'', o historiador [[Robert G. L. Waite]] afirma que o Führer sofria de [[transtorno de personalidade limítrofe]].{{sfn|Waite|1993|p=356}} Já os historiadores Henrik Eberle e Hans-Joachim Neumann consideravam que Hitler sofria mesmo de várias doenças, incluindo a de Parkinson, mas que ele não tinha nenhuma desilusão patológica e sempre estava ciente, e portanto responsável, das decisões que tomava.{{sfn|Gunkel|2010}}{{sfn|Jones|1989}} Teorias a respeito da saúde pessoal do ditador alemão são difíceis de provar e dar muito peso a estas suposições podem tirar um pouco das responsabilidades das consequências dos atos perpetrados pela Alemanha Nazista.{{sfn|Kershaw|2000a|p=72}} Kershaw acredita que é necessário ter uma visão mais ampla da história da Alemanha ao examinar as forças sociais que levaram a ditadura nazista e suas forças, ao invés de perseguir explicações limitadas para o Holocausto e a Segunda Guerra Mundial baseado apenas em uma única pessoa.{{sfn|Kershaw|2008|pp=xxxv–xxxvi}}
Durante a guerra, mais de 90 medicamentos foram prescritos para Hitler. Ele tomava pílulas todos os dias para dores crônicas no estomago e outros problemas de saúde.{{sfn|Kershaw|2008|p=782}} Ele constantemente consumia [[metanfetamina]], [[barbitúrico]], [[opiáceo]] e [[cocaína]].{{sfn|Porter|2013}} Ele tinha uma [[Perfuração da membrana do tímpano|perfuração no tímpano]] como resultado da explosão do [[atentado de 20 de julho]] de 1944. Neste atentado, cerca de 200 estilhaços de madeira foram removidos de sua perna.{{sfn|Linge|2009|p=156}} Imagens de Hitler feitas perto do fim da guerra mostravam tremores agudos em sua mão esquerda e seu caminhar era embaralhado. Isso começou logo antes da guerra, mas se acentuou durante ela.{{sfn|Kershaw|2008|p=782}} [[Ernst-Günther Schenck]] e vários outros médicos que encontraram Hitler em suas últimas semanas de vida o diagnosticaram com doença de Parkinson.{{sfn|O'Donnell|2001|p=37}}
[[Ficheiro:Bundesarchiv B 145 Bild-F051673-0059, Adolf Hitler und Eva Braun auf dem Berghof.jpg|miniaturadaimagem|Hitler fotografado em 1942 com sua amante de longa data, [[Eva Braun]], com quem ele se casou em 29 de abril de 1945.]]
== Família ==
 
{{AP|Família de Adolf Hitler|Sexualidade de Adolf Hitler}}
[[Ficheiro:Gitler-vizvolitel.jpg|miniaturadaimagem|Uma peça de propaganda nazista mostrando Hitler em um uniforme militar.]]
 
== Em filmes de propaganda ==
{{AP|Adolf Hitler na cultura popular}}
 
Hitler explorava filmes documentários e vários outras peças de propaganda de forma extensa na parte do seu [[culto de personalidade]]. Ele participou de vários filmes de propaganda durante sua carreira política, como ''[[Der Sieg des Glaubens]]'' e ''[[Triumph des Willens]]''— feitos pela lendária diretora [[Leni Riefenstahl]].{{sfn|''The Daily Telegraph'', 2003}}
 
=== Lista com alguns filmes ===
*''Der Sieg des Glaubens'' (''Vitória da Fé'', 1933)
*''Triumph des Willens'' (''Triunfo da Vontade'', 1935)
*''[[Olympia (filme)|Olympia]]'' (1938)
 
== Ver também ==
*[[Bigode de broxa|Bigode de Hitler]]
*[[Führer]]
{{efn
| name = Realschule
| O instituto de sucessão de ''Realschule'' em Linz é o [https[://de.wikipedia.org/wiki/Bundesrealgymnasium_Linz_Fadingerstra%C3%9FeBundesrealgymnasium:Bundesrealgymnasium Linz FadingerstraßeBundesrealgymnasium|Linz Fadingerstraße]].
}}
{{efn
{{referências|col=4}}
 
=== Bibliografia ===
{{Div col|2}}
*{{citar livro|último = Aigner
|primeiro = Daniel
|autorlink = Daniel Goldhagen
|título= [[Hitler's Willing Executioners|Hitler's Willing Executioners]]: Ordinary Germans and the Holocaust]]
|ano= 1996
|publicadopor= Knopf
|primeiro = Walter C.
|autorlink = Walter Charles Langer
|título= [[The Mind of Adolf Hitler|The Mind of Adolf Hitler]]: The Secret Wartime Report]]
|ano= 1972
|anooriginal= 1943
{{Div col fim}}
 
=== Online ===
{{Div col|2}}
*{{citar web|título= 1933&nbsp;– Day of Potsdam
|primeiro = Thomas
|título = New Evidence Uncovers Hitler's Real First World War Story
|publicadopor = [[BBC|BBC]] History Magazine]]
|obra = Immediate Media Company
|local = Reino Unido
{{Div col fim}}
 
== Ligações externas ==
*{{PND|118551655}}
*{{ImdbIMDb nome|id=0386944|nome=Adolf Hitler}}
*[http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI4148098-EI8141,00-Album+reune+obras+que+Hitler+queria+para+Fuhrermuseum.html Álbum reúne obras que Hitler queria para "Führermuseum"]
*[http://aryanism.net/downloads/books/martin-bormann/hitler-bormann-documents.pdf Testamento político do Fuhrer]
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