Diferenças entre edições de "Antonio Ferrigno"

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== O Pintor do Café ==
[[Ficheiro:Antonio Ferrigno - Fazenda Victória, dos Condes de Serra Negra.jpg|miniaturadaimagem|300x300px|Fazenda Victória do Conde de Serra Negra, quadro de Antonio Ferrigno.]]
O pintorartista ainda hoje é admirado como o pintor do café, por ter retratado as fazendas de orgulhosos proprietários que queriam fixá-las em telas para suas salas. Muitos artistas se dedicavam a essa tarefa. Entretanto, no caso de Ferrigno, a projeção que alcançariam essas obras seria distinta, graças ao convite que recebeu de um dos mais ricos cafeicultores paulistas, o [[Manuel Ernesto da Conceição|Conde de Serra Negra]], para pintar sua fazenda Victória.<ref name="TARASANTCHI, Ruth Sprung 2005. pp. 24"/>
 
Nascido em [[Piracicaba]] em 1850, Manoel Ernesto da Conceição, Conde de Serra Negra, formara uma grande fazenda de café no município de [[Botucatu]], florescente no último quartel do século XIX. Homem de grande atividade, ele abriria depois diversas outras fazendas ao longo da [[ferrovia]] do noroeste paulista. Em 1893 a lavoura de café vinha sofrendo diversas crises, devido principalmente à superprodução, a ponto de o governo decretarsancionar uma lei limitando as plantações.<ref name="TARASANTCHI, Ruth Sprung 2005. pp. 24"/>
 
Os fazendeiros, preocupados, procuravam formas de remediar essa situação. Foi nessas circunstâncias que, em 1898, o Conde de Serra Negra teve a ideia de fazer uma grande campanha de [[propaganda]] do café brasileiro na Europa, visando inclusive reverter a sua imagem negativa junto aos europeus. Com esse intuito, o conde chegou a fazer um acordo com outros 217 fazendeiros, que tinham se comprometido a enviar anualmente 1470 sacas de café à Europa, pelo espaço de três anos. Na mesma época, porém, a [[Sociedade Nacional de Agricultura]] teve uma ideia semelhante e começou a organizar um serviço de propaganda. Sem querer concorrer com um programa muito mais ambicioso, mas no qual seus próprios esforços eram ignorados, o Conde acabou vendendo em [[Santos]] as sacas de café que já recebera dos fazendeiros e reembolsando-os.<ref name="TARASANTCHI, Ruth Sprung 2005. pp. 24"/>
 
Entretanto, não desistiu de seus planos e, assim, embarcou em 1900 para a Europa. Nesse tempo, o café Santos era considerado o de pior qualidade no mercado europeu e o plano era reabilitar seu nome. Porém sua jornada acabou com a [[Primeira Guerra Mundial]], em 19041914, quando o governo francês tomou o café que estava no Porto de Havre, obrigando o Conde a voltar para o Brasil. Foi por volta de 1900 que Ferrigno conheceu o Conde, envolvendo-se, por causa dele, num projeto inédito de criação de obras de arte destinadas a servir de propaganda a um produto comercial brasileiro. Convidado pelo Conde de Serra Negra, passou meses hospedohospedado em sua fazenda Victória para pintá-la. Produziu uma série de dez quadros que mostram cenas da vida e dos costumes do interior. O Conde levou todas as obras à Europa, queonde fizeram parte de inúmeras exposições do Café emde São Paulo nas capitais europeias.<ref>TARASANTCHI, Ruth Sprung. 100 anos depois. In: ANTONIO Ferrigno: 100 anos depois. Curadoria e texto Ruth Sprung Tarasantchi; tradução Sara Margelli; texto Lillo Teodoro Guarneri, Elio Sacco, Marcelo Carrard Araújo, Giovanni Contursi. São Paulo: Pinacoteca do Estado: Sociarte, 2005. 92 p., il. p&b color. pp. 24-25</ref>
 
== De volta a Itália ==