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== Ascendência ==
[[Ficheiro:D. Filipa de Lencastre (Quinta da Regaleira).png|esquerda|miniaturadaimagem|279x279px|Representação do [[século XIX]] de D. Filipa, no tecto da Sala dos Reis, [[Quinta da Regaleira]], Sintra, Portugal.]]
Filipa de Lencastre proveio de duas nobres famílias: a casa régia dos [[Dinastia Plantageneta|Plantagenetas]] e a dos [[Dinastia de Lencastre|Lencastre]]. Seus avós paternos eram o rei [[Eduardo III]] e a rainha [[Filipa de Hainault]], enquanto que os maternos eram [[Henrique de Grosmont, 1.º Duque de Lancaster|Henrique de Grosmont]] e [[Isabel de Beaumont]].{{harvref|Oliveira|2010|p=393}} Seu pai, [[João de Gante]], ao casar-se com sua mãe, [[Branca de Lencastre]], herdou o ducado do seu sogro, juntamente com domínios e castelos por toda a [[Inglaterra]] e o [[Principado de Gales]], conquistando, assim, maior poder e prestígio para a sua família. Filipa foi a primeira filha do casal, nascendo em março do ano posterior ao casamento. Recebeu o nome da sua avó paterna, a rainha, que também foi sua madrinha.{{harvref|Oliveira|2010|p=394}}
 
 
== Casamento ==
[[Imagem:Casamento João I e Filipa Lencastre 02.jpg|direita|thumb|Casamento de João I e Filipa de Lencastre. ''Chronique de France et d' Angleterre'' (Jean Wavrin, século XV)|261x261px]]
O pai de Filipa via em Portugal, conduzido por D. João I a partir de 1385, um importante aliado para os seus interesses castelhanos. O duque acreditava que, ao se casar com Constança em 1372, herdeira do rei [[Pedro I de Castela]], eventualmente tomaria posse do trono. Contudo, o lugar estava ocupado até [[1379]] por [[Henrique II de Castela|Henrique II]], meio-irmão de Pedro I, e, posteriormente, por seu filho, [[João I de Castela]]. A aliança também era favorável ao rei D. João I, pois garantia apoio à independência portuguesa face a [[Castela]].{{harvref|Oliveira|2010|p=400}} Essa conjuntura de [[Aliança Luso-Britânica|união luso-inglesa]] frente ao inimigo comum, portanto, ocorria desde o reinado de [[Fernando I de Portugal]], anterior ao de D. João I, mas ganhou maior estabilidade após o estabelecimento do [[Tratado de Windsor (1386)|Tratado de Windsor]], em 1386, que vigora até os dias atuais. O casamento entre Filipa e D. João I em fevereiro de 1387 selou a aliança.{{harvref|Sousa|1992|p=499}}
 
== Descendência ==
[[Imagem:DuarteI-Viseu.jpg|direita|thumb|Estátua de D. Duarte, filho de D. Filipa de Lencastre e sucessor do pai D. João I no trono, localizada em Viseu.]]
D. Filipa correspondeu ao papel esperado da rainha [[Idade Média|medieval]] em assegurar a continuidade da [[linhagem]] e do património. Tal como seu pai, ela incitou a apreciação pela cultura nos seus filhos, os futuros monarcas. Consequentemente, eles foram figuras que funcionaram como modelos a serem seguidos pela sociedade.{{harvref|Silva|2009b|p=46}} Os [[Romance de cavalaria|romances de cavalaria medieval]] agradavam à rainha. A ênfase em aventuras, virtudes cavaleirescas e valores da espiritualidade cristã contribuíram para moldar a educação dos príncipes pelos ideais expressos nos códigos de cavalaria: justiça e retidãorectidão.{{harvref|Oliveira|2010|p=410}}
 
Os nomes dos filhos homenageavam tanto membros da família de D. João I quanto de D. Filipa, o que mostra o respeito dos reis pelos seus [[antepassado]]s.{{harvref|Oliveira|2010|p=411}}
 
Do seu casamento, nasceram:
* [[Branca de Portugal (1388)|Branca de Portugal]] (13 de julho de 1388 – 6 de março de 1389), morreu jovem, antes de completar um ano de idade. O seu nome honrava a mãe de D. Filipa, [[Branca de Lencastre]].{{harvref|name=filhos|Oliveira|2010|p=406-412}} Jaz na [[Sé de Lisboa]].
* [[Afonso de Portugal (1390–1400)|Afonso de Portugal]] (1390 – 1400), morreu jovem. Recebeu o mesmo nome que [[Afonso I de Portugal|D.&nbsp;Afonso&nbsp;I]], o rei fundador de Portugal.<ref name=filhos/>
* [[Duarte I de Portugal]] (1391 – 1438), sucessor do pai no [[Lista de reis de Portugal|trono português]], [[poeta]] e [[escritor]]. O seu nome homenageava simultaneamente seu bisavô materno, [[Eduardo III]], e o tio-avô [[Eduardo, o Príncipe Negro]].<ref name=filhos/>
* [[Infante D. Henrique|Henrique, Duque de Viseu]], ''O Navegador'' (1394 – 1460), recebeu esse nome em homenagem ao bisavô, [[Henrique de Grosmont, 1.º Duque de Lancaster|Henrique de Grosmont]], ou ao tio materno, o rei [[Henrique IV da Inglaterra]]. Investiu a sua fortuna em investigação relacionada com [[navegação]], [[náutica]] e [[cartografia]].<ref name=filhos/>
* [[Isabel de Portugal, Duquesa da Borgonha|Isabel]] (1397 – 1471), casou com [[Filipe III, Duque da Borgonha]] e entreteve uma corte refinada e erudita nas suas terras. O seu nome homenagearia suas duas [[Linhagem|linhagens]]: a paterna, com a rainha [[Santa Isabel de Aragão, Rainha de Portugal|Santa Isabel de Portugal]] e a materna, através da tia [[Isabel Plantageneta|Isabel]] ou da bisavó, [[Isabel de Beaumont]].<ref name="filhos"/>
* [[Branca de Portugal (1398)|Branca]] (11 de abril de 1398 - 27 de julho de 1398), morreu jovem, jaz na [[Sé de Lisboa]].
* [[João, Infante de Portugal]] (1400 – 1442), [[condestável de Portugal]] e avô de [[Isabel de Castela]]. O seu nome foi escolhido em honra de seu pai e de seu avô, [[João de Gante]].<ref name="filhos"/>
* [[Infante Santo|Fernando, o Infante Santo]] (1402 – 1443), morreu no cativeiro em [[Fez]]. O seu nome foi uma homenagem ao tio paterno, o rei {{Lknb|Fernando|I||de Portugal}}.<ref name="filhos"/>
 
== Morte ==
[[Imagem:PORTOGALLO2007 (1571036062).jpg|thumb|esquerda|Túmulo de D.&nbsp;Filipa de Lencastre, localizado no [[Mosteiro da Batalha|Mosteiro de Santa Maria da Vitória]], na Batalha.]]
Desde o início de 1415, a [[peste bubónica]] invadia Lisboa e Porto. Os reis refugiaram-se em [[Sacavém]], mas os longos e frequentes jejuns, orações e vigílias da rainha enfraqueciam e debilitavam o seu corpo. Ela dedicava-se espiritualmente ao sucesso na [[Tomada de Ceuta]], empreendimento em que seu marido e seus filhos [[Infante D. Henrique|Henrique]], [[Pedro, Duque de Coimbra|Pedro]] e Duarte participaram. Contudo, com as constantes entradas e saídas de mensageiros e contactos, a peste acabou por chegar a Sacavém. O rei abrigou-se em [[Odivelas]], mas a rainha preferiu ir depois. Quando chegou, em julho do mesmo ano, já estava doente.{{harvref|Oliveira|2010|p=419}}
 
De acordo com a [[Crónica da Tomada de Ceuta]], de [[Gomes Eanes de Zurara]], D.&nbsp;Filipa sentiu a morte aproximar-se, preparando-se para a viagem eterna ao cumprir os ritos da boa morte. [[Confissão (sacramento)|Confessou-se]], comungou e recebeu a [[extrema-unção]]. Quando os clérigos acabaram de rezar, no dia 19 de julho, ela faleceu, no [[Mosteiro de Odivelas]].{{harvref|Oliveira|2010|p=421}} Inicialmente foi sepultada em [[Odivelas]], onde havia falecido. No ano seguinte, os seus restos mortais seguiram para o [[Mosteiro da Batalha|Mosteiro de Santa Maria da Vitória]], por ordem de seu marido. Mais tarde, o local abrigou túmulos de outros membros da [[dinastia de Avis]], tais como os de seus filhos.{{harvref|Oliveira|2010|p=425}} Com exceçãoexcepção de D. [[Duarte I de Portugal|Duarte]], que construiu o seu próprio [[panteão]], a "[[Ínclita Geração]]" está sepultada na [[Capela do Fundador]] do [[Mosteiro da Batalha]], primeiro panteão régio a ser construído em [[Portugal]].<ref>{{citar web|url = http://www.dnoticias.pt/actualidade/pais/515935-batalha-acolhe-coloquio-sobre-d-filipa-de-lencastre-nos-600-anos-da-sua-mort|título = Batalha acolhe colóquio sobre D. Filipa de Lencastre nos 600 anos da sua morte|data = 12-05-2015|publicado = Diário de Notícias da Madeira}}</ref>
 
== Ascendência ==
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