Diferenças entre edições de "Racismo no Brasil"

12 bytes adicionados ,  12h23min de 5 de agosto de 2019
{{Vertambém|Favelas no Brasil}}
[[Imagem:Debret casa ciganos.jpg|miniatura|esquerda|Escravos domésticos no Brasil em 1820, por [[Jean-Baptiste Debret]]]]
Alguns consideram que as comparações feitas entre a [[África do Sul]] durante o ''[[apartheid]]'' e a sociedade brasileira atual são reforçadas pelo fato de que as desigualdades sócio-econômicas ainda afetam particularmente os [[afro-brasileiros]].<ref name="brazzil">[[Cristovam Buarque|Buarque, Cristovam]]. [http://www.brazzil.com/2005-mainmenu-79/155-august-2005/9382.html Lula's Brazil Is Indebted to the World for So Many Broken Hopes] {{Wayback|url=http://www.brazzil.com/2005-mainmenu-79/155-august-2005/9382.html |date=20120111123040 }}, ''Brazzil Magazine'', 23 de agosto de 2005.}</ref> De acordo com o ex-deputado federal [[Aloizio Mercadante]], de [[São Paulo (estado)|São Paulo]], um membro do [[Partido dos Trabalhadores]] (PT): "Assim como a África do Sul teve o ''apartheid'' racial, o Brasil tem o ''apartheid'' social."<ref name=Hall2002>Hall, Kevin G. "Brazil's blacks get affirmative action 114 years after emancipation", ''[[Knight Ridder]]/Tribune News Service'', 31 de maio de 2002.</ref> O jornalista Kevin G. Hall escreveu em 2002 que os afro-brasileiros estão atrás dos [[brasileiros brancos]] em quase todos os indicadores sociais, incluindo renda e educação, e aqueles que vivem em cidades são muito mais propensos a serem abusados, mortos ou presos pela polícia.<ref name=Hall2002/>
 
A situação social do Brasil também tem impactos negativos nas oportunidades educacionais dos desfavorecidos.<ref name=Ireland>"No Brasil, os militares voltaram para o quartel, mas apesar de terem sido substituídos por governos eleitos, o movimento para um ''apartheid'' social e a desintegração moral continua. Aqueles que continuam a orientar as suas práticas educacionais pelos princípios da educação popular agora enfrentam uma conjuntura nova e mais complexa." Ireland, Timothy. "Building on experience: working with construction workers in Brazil" in Boud, David J. & Miller, Nod. ''Working with Experience: Animating Learning'', Routledge, 1996, p. 132.</ref> Os ricos vivem em [[Condomínio fechado|condomínios fechados]] e as classes desfavorecidas não interagem em nada com os mais ricos, "exceto no serviço doméstico e no chão de fábrica."<ref name="Schneider">"Poucos estudos, por exemplo, sondam as implicações dessas condições angustiantes para as classes sociais e as relações políticas. Naqueles que o fazem, o "''apartheid'' social" é um tema comum, um abismo de classes tão grande que impede a interação social, exceto no serviço doméstico e no chão de fábrica. O ''apartheid'' social é a força motriz por trás da propagação de comunidades residenciais fechadas em São Paulo. De acordo com os anúncios, essas comunidades são fechadas por trás de muros de cinco metros de altura, protegidas por sistemas de segurança sofisticados e patrulhadas por guardas que também cuidadosamente revistam todos os visitantes. Empregadas domésticas e diaristas são revistadas cada vez que entram ou saem. No interior, casas graciosas e crianças brincando na rua como em qualquer subúrbio rico nos Estados Unidos, exceto que esta é uma ilha num mar de miséria." Schneider, Ben Ross. "Brazil under Collor: Anatomy of a Crisis", in [[Roderic Ai Camp|Camp, Roderic Ai]]. ''Democracy in Latin America: Patterns and Cycles'', Rowman & Littlefield, 1996, p. 241. ISBN 0842025138</ref>
De acordo com France Winddance Twine, a separação entre classe e raça se estende para o que ela chama de "''apartheid'' espacial", onde os moradores e convidados da classe alta, presume-se serem brancos, entram nos edifícios de apartamentos e hotéis através da entrada principal, enquanto as domésticas e prestadores de serviços, presume-se negros, entram pela entrada lateral ou traseira.<ref name=Twine>Twine, France Winddance. ''Racism in a Racial Democracy: The Maintenance of White Supremacy in Brazil'', Rutgers University Press, 1998, pp. 80-81.</ref>
 
O ativista dos direitos civis Carlos VerrisimoVeríssimo escreve que o Brasil é um Estado racista e que as desigualdades de raça e classe são frequentemente inter-relacionadas.<ref name="hartford-hwp">Verrisimo, Carlos. [http://www.hartford-hwp.com/archives/42/035.html Apartheid in Americas], ''CrossRoads'', Dezembro/Janeiro de 1994/1995.</ref> [[Michael Löwy]] afirma que o "''apartheid'' social" se manifesta nos condomínios fechados, uma discriminação "social que também tem uma dimensão racial implícita, onde a grande maioria dos pobres são negros ou de mestiços."<ref name=Lowy>Existe também um "''apartheid'' social" real em todo o país que é visto nas grandes cidades por meio da separação física de mansões e os bairros ricos, cercado por muros, arame farpado e cercas elétricas e vigiado por guardas particulares armados que patrulham cuidadosamente todas as entradas e saídas. Essa discriminação social que também tem uma dimensão racial implícita, onde a grande maioria dos pobres são negros ou de mestiços. [[Michael Löwy|Lowy, Michael]]. [http://www.logosjournal.com/lowy.htm Brazil: A Country Marked by Social Apartheid], ''[[Logos: A Journal of Modern Society and Culture]]'', Volume 2, Edição 2, Primavera de 2003.</ref> Apesar de recuo do Brasil do [[Regime militar no Brasil (1964–1985)|regime militar]] ao retorno à democracia em 1988, o ''apartheid'' social só tem piorado.<ref name=Ireland/>
{{panorama|1 rocinha favela panorama 2010.jpg|1000px|A favela da [[Rocinha]], no [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]], fica ao lado dos edifícios de alto padrão do bairro de [[São Conrado (Rio de Janeiro)|São Conrado]], uma das regiões nobres da cidade. Com uma população de cerca de setenta mil habitantes é a maior favela do Brasil.<ref>{{citar web |url=http://noticias.r7.com/rio-de-janeiro/noticias/rocinha-e-a-maior-favela-do-brasil-afirma-ibge-20111221.html |título=Rocinha é a maior favela do Brasil, afirma IBGE |editor=[[R7]] |data=21 de dezembro de 2011 |acessodata=29 de dezembro de 2011}}</ref>}}
 
18 375

edições