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[[Imagem:Tsseal1875.gif|thumb|154x154px|
Emblema da Sociedade Teosófica, sincretizando diversos conceitos básicos da Teosofia, como os ciclos cósmicos, a eternidade da vida, e a polaridade Espírito-Matéria]]
Para os teosofistas, este ''corpus'' de conhecimento, a Sabedoria de Deus, com a [[ética]] a esse associada, é tão antigo quanto o mundo, e a rigor é o único conhecimento que vale a pena ser adquirido. Sua realidade e importância são relembradas às pessoas periodicamente, sob diversas denominações e formalizações, adequadas ao espírito de cada época, local e povo para quem é apresentado, e é o tronco vivo e eterno de onde brotam as flores do ensinamento original todas as grandes religiões do mundo, do passado e do presente. Segundo um dos inspiradores do movimento teosófico contemporâneo, o [[Kut Humi|Mestre K.H.]], a quem Blavatsky dizia seguir, ''"a Teosofia não é uma nova candidata à atenção do mundo, mas é apenas uma declaração nova de princípios que têm sido reconhecidos desde a infância da humanidade"''.<ref>'''K.H.''' ''The Mahatma Letters to A. P. Sinnett - Letter 8'', de 20 de fevereiro de 1881. Theosophical University Press Edition [http://www.theosociety.org/pasadena/mahatma/ml-8.htm]</ref>
 
Considera-se que a Teosofia ''strictu sensu'' seja isenta de identificação com quaisquer culturas e sociedades específicas, sendo em vez a fonte original do conhecimento divino que verte em uma determinada cultura através dos [[símbolo]]s e [[arquétipo]]s próprios daquele povo. Por exemplo, a sabedoria divina foi transmitida à civilização do [[Egito antigo]] através dos símbolos, [[divindade]]s, [[mito]]s, [[alegoria]]s e arquétipos locais, possibilitando a assimilação dos conceitos divinos através desta roupagem. E como no Egito, também nas outras terras, a [[Grécia antiga]], a [[Babilônia]], [[Tibete]], [[América]], [[Europa]] e em todas as culturas, independentemente de terem feito contato entre si, demonstrando que a Teosofia é uma sabedoria que se expressa e pode ser conhecida por diversas fontes.
A Teosofia diz que a fonte de todo mal é a ignorância. O conhecimento, segundo prega, é ilimitado, mas se bem que sua totalidade esteja além do alcance de qualquer ser individual, é em vasta medida acessível a todos através de um longo processo de evolução, aprendizado e aperfeiçoamento, que necessariamente exige múltiplas encarnações, e continua até mesmo para regiões e idades onde a encarnação deixa de ser compulsória e a vida progride de beatitude em beatitude. A Teosofia é uma doutrina essencialmente otimista, pois refuta qualquer condenação eterna e não nega o mundo, ainda que declare que este que vemos e tocamos não é o único nem o maior, mais feliz ou mais desejável, e prevê para todos os seres sem exceção um progresso constante e um destino glorioso e absolutamente feliz. Como todas as grandes doutrinas espirituais, a Teosofia exalta o bem, a paz, o amor, o [[altruísmo]], e promove a cessação da pobreza, da ignorância, da opressão, das discórdias e desigualdades.
 
Apesar de reconhecer a importância das religiões em estado mais puro como disseminadoras de ensinamentos importantes, não é uma filosofia [[Teísmo|teísta]], se bem que possa ser descrita como [[Panteísmo|panteísta]], já que como um dos Mahatmas - '''Mestre K.H.''' ''O que é Deus - A visão de um Mestre de Sabedoria'' - afirma a existência de [[Deus]] como uma entidade distinta do universo que dificilmente pode ser provada, mas reconhece níveis diferentes de evolução entre os seres, numa escada graduada que se ergue a alturas insondáveis.
Apesar de reconhecer a importância das religiões em estado mais puro como disseminadoras de ensinamentos importantes, não é uma filosofia [[Teísmo|teísta]], se bem que possa ser descrita como [[Panteísmo|panteísta]], já que como um dos Mahatmas - '''Mestre K.H.''' ''O que é Deus - A visão de um Mestre de Sabedoria'' - demonstra, com rigor cartesiano, a existência de [[Deus]] como uma entidade distinta do universo que dificilmente pode ser provada, mas reconhece níveis diferentes de evolução entre os seres, numa escada graduada que se ergue a alturas insondáveis.[[Imagem:Helena Petrovna Blavatsky.jpg|thumb|180px|direita|Helena Blavatsky.]]Entre as exposições contemporâneas da Teosofia mais importantes e originais estão sem dúvida os escritos da própria Helena Blavatsky, que incluem ''[[Ísis sem véu]]'' ([[1877]]), ''[[A Doutrina Secreta]]'' ([[1888]]) e uma infinidade de panfletos, cartas e artigos sobre o tema, traduzindo, divulgando e esclarecendo uma massa de conceitos filosóficos e religiosos e princípios morais orientais, até então mal conhecidos e ainda menos compreendidos pelos povos do ocidente. Além de pintar um vasto painel da religião universal, utilizando especialmente o pensamento do oriente, analisa os dados comparando-os com as tradições do ocidente, lançando luz nova sobre pontos obscuros, desfazendo conceitos errôneos de nossas próprias linhas de pensamento e em outros casos corroborando com definições Hinduístas ou Budistas muitos dos elementos basilares das doutrinas [[Cristã]], [[Judaísmo|Judaica]], [[Islamismo|Islâmica]], [[Gnosticismo|Gnóstica]] e outras de importância para a metade ocidental do globo.Blavatsky foi uma escritora prolífica e incandescente, e sua memória para fontes raras e mesmo desconhecidas no ocidente era notoriamente prodigiosa. Contudo, de acordo com a autora, muitas vezes foram usados meios [[esotérico]]s para a composição dos textos, não podendo ela reivindicar a verdadeira autoria de grande parte do que havia escrito.<ref>Citada por '''Heindel, Max'''. In ''Blavatsky and The Secret Doctrine'' [http://members.tripod.com/rosanista/library01/bsdeng01.htm]</ref> De qualquer forma, quando ''A Doutrina Secreta'' apareceu, como uma continuação, ampliação e aprofundamento de material já abordado em ''Ísis sem Véu'', foi imediatamente reconhecida como uma obra-prima por inúmeros luminares da Europa, e é a pedra angular da Teosofia contemporânea. O texto é um debate filosófico monumental, onde a autora cita uma profusão inacreditável de fontes e esgrime com estonteante erudição argumentos históricos, antropológicos, arqueológicos, mitológicos, filosóficos, biológicos, químicos, hermenêuticos, filológicos e muitos outros, contra as superstições insensatas travestidas de [[dogma]]s das religiões, demonstrando a raiz comum a todos os credos, e tecendo duros ataques a todo formalismo religioso vazio e a toda fé cega, mas reconhecendo o valor de todas as [[Igreja]]s como instituições divinas e caminhos válidos para o aperfeiçoamento pessoal e coletivo, sendo possuidoras de parcelas importantes da Verdade Única. Seguiram-se outros escritos, e dentre eles merece destaque ''[[A Voz do Silêncio]]'' ([[1889]]), uma pungente e exaltada descrição do íngreme mas glorioso [[Senda|Caminho]] que leva à [[santidade]], ao mesmo tempo que é um manual prático para aspirantes.
 
Outros seguidores imediatos também deram contribuições volumosas, valiosíssimas e originais ao tesouro da Teosofia contemporânea, entre eles [[Annie Besant]], [[Alfred Sinnett]], [[Henry Olcott]], [[Charles Leadbeater]] e [[George Robert Stowe Mead|George Mead]], e desde lá a literatura teosófica não cessou de crescer, com a produção mais recente de [[Radha Burnier]], [[Geoffrey Farthing]], [[Geoffrey Hodson]] e uma legião de pensadores contemporâneos.