Diferenças entre edições de "Liev Tolstói"

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[[imagem:Lev Nikolayevich Tolstoy 1854.jpg|thumb|esquerda|O jovem Tolstói, 1854.]]
 
Tolstói nasceu em [[Yasnaya Polyana]], uma propriedade familiar localizada a 12 quilômetros do sudoeste de [[Tula (Rússia)|Tula]] e a 200 quilômetros ao sul de [[Moscou]]. Os Tolstoys eram uma família prestigiada pela [[nobreza da Rússia]], pois descendem de um famoso nobre do [[República das Duas Nações|Império Lituano]] chamado Indris.<ref>{{citar web|url=https://books.google.com/books?id=7kDJ3s1mcZcC&lpg=PA8&ots=pm4usaL-FH&dq=tolstoy%20lithuanian&pg=PA8#v=onepage&q=tolstoy%20lithuanian&f=false|título=Tolstoy|publicado=}}</ref><ref>{{citar web|url=https://www.nytimes.com/1983/11/06/books/six-centuries-of-tolstoys.html|título=SIX CENTURIES OF TOLSTOYS|data=6 de novembro de 1983|obra=The New York Times}}</ref> Liev foi o quarto dos cinco filhos do Conde Nikolai Ilyich TolstóiTolstoy, um veterano da [[Campanha da Rússia (1812)|Invasão francesa da Rússia]], e a Condessa Mariya Tolstaya (Volkonskaya). Os pais de Tolstói morreram quando ele era jovem, o que levou ele seus irmãos a serem criados por parentes. Em 1844, os irmãos Tolstoy começaram a estudar direito e línguas orientais na [[Universidade Estatal de Kazan|Universidade de Kazan]]. Seus professores os descreveram como "incapaz e sem interesse pelo aprendizado". Tolstói abandonou a Universidade no meio do curso, retornou à Yasnaya Polyana e passou a maior parte de seu tempo em Moscou e [[São Petersburgo]]. Em 1851, depois de ter acumulado muitas dívidas, ele e seu irmão mais velho foram para o [[Cáucaso]] e se juntaram ao exército. Foi a partir dessa experiência que ele começou a escrever.<ref>{{citar web|url=http://www.macmillanreaders.com/wp-content/uploads/2010/08/ads.leotolstoy.pdf |título=Author Data Sheet, Macmillan Readers |publicado=Macmillan Publishers Limited |acessodata=22 de outubro de 2010}}</ref>
 
A experiência no exército seguida de duas viagens pela Europa (em 1857 e 1860) foram muito marcantes para Tolstói, e o transformaram definitivamente em um anarquista pacifista. Outros que seguiram caminhos análogos foram [[Alexander Herzen]], [[Mikhail Bakunin]] e [[Peter Kropotkin]]. Durante sua primeira viagem pela Europa, Tolstói testemunhou uma execução pública em Paris, experiência que lhe foi traumática. Numa carta enviada ao seu amigo Vasily Botkin, ele escreveu: "A verdade é que o Estado é uma conspiração desenhada não somente para explorar, mas acima de tudo para corromper seus cidadãos... de agora em diante, eu jamais servirei a nenhum governo em nenhum lugar."<ref>A. N. Wilson, ''Tolstoy'' (1988), p. 146</ref> O conceito de Tolstói de não-violência ou [[Ahimsa]] foi reforçado quando ele leu uma tradução alemã dos versos sagrados ''[[Tirukkural]]''. Mais tarde, ele sugeriu esse estilo de vida ao jovem [[Mahatma Gandhi]] através de sua ''[[A Letter to Hindu|Carta ao Hindu]]''. Na época Gandhi procurava conselhos de Tolstói por meio de correspondências.<ref name="PearlsOfInsp_Rajaram">{{citar livro|último = Rajaram |primeiro = M. |título= Thirukkural: Pearls of Inspiration |publicado= Rupa Publications |edição= |data= 2009 |local= New Delhi |páginas= xviii-xxi}}</ref>
No entanto o casamento foi deteriorando à medida que o estilo de vida e as crenças de Tolstói se tornavam cada vez mais radicais. Por conta de seu estilo de vida, ele rejeitou sua herança, incluindo os direitos autorais de suas obras.<ref>{{citar livro|ISBN=978-0393321227|sobrenome=Norton|nome=W.W.|titulo=Tolstoy: A Biography|língua=en}}</ref>
 
A família Tolstoy deixou a Rússia após a [[Revolução Russa de 1905]]. Os descendentes de Leo Tolstói vivem hoje espalhados pela Suécia, Alemanha, Reino Unido, França e Estados Unidos. Entre eles estão a cantora sueca Viktoria Tolstoy, e o empresário sueco Christopher Paus.<ref>{{citar livro|url=https://books.google.com.br/books?id=3tYhBQAAQBAJ&pg=PT26&lpg=PT26&dq=Viktoria+Tolstoy+Christopher+Paus.&source=bl&ots=wkuelYHUQX&sig=dNeFM8A_f4vHA2FdoOJpj9Br3OE&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwikj8SOwc7WAhVGHZAKHSv6C1kQ6AEIRTAK#v=onepage&q=Viktoria%20Tolstoy%20Christopher%20Paus.&f=false|sobrenome=Kannings|nome=ann|ISBN=9786050330540|titulo=Leo Tolstoy: Life & Words|língua=en}}</ref>
 
==Novelas e trabalhos ficcionais==
<blockquote>“Estou convencido de que Schopenhauer é o mais genial dos homens. (…) Ao lê-lo não posso compreender como o seu nome pôde permanecer desconhecido. A única explicação possível é a que ele mesmo repete tantas vezes, que há quase só idiotas no mundo.”<ref name='schop'/></blockquote>
 
No capítulo VI de ''A Confissão'', Tolstói citou o último parágrafo do trabalho de Schopenhauer. Nele, Schopenhauer explica como o nada que resulta da completa "negação de si mesmo" é apenas um nada relativo, e, portanto, não deve ser temido. O romancista ficou impressionado com a descrição da renúncia ascética cristã, budista e hindu como o caminho da santidade. Depois de ler essas passagens, que são abundantes nos capítulos éticos de Schopenhauer, o nobre russo escolheu a pobreza e a negação formal da vontade:<ref name='schop2'/>
 
<blockquote>“Já encontramos um caminho para o ascetismo, ou negação do querer propriamente dito, entendendo eu por tal expressão precisamente aquilo que o Evangelho chama renunciar a si mesmo e levar a própria cruz (Mateus XVI). Tal caminho se acentuou sempre mais e deu origem aos penitentes, aos anacoretas e ao estado monacal, que, puro e santo primeiro, e, portanto, fora de proporção com a natureza da maior parte dos homens, não podia conduzir senão à hipocrisia e à abominação, porque ''abusus optimi, pessimus'' (torna-se péssimo o abuso do ótimo). Desenvolvendo-se o cristianismo, vemos este embrião ascético germinar e atingir o florescimento nos escritos dos santos e dos místicos cristãos. Estes, além do mais puro amor, pregam a resignação absoluta, a pobreza voluntária, a verdadeira calma, a completa indiferença pelas coisas da terra, o dever de morrer para a vontade e de renascer em Deus, o olvido total da própria pessoa para a absorção na contemplação do Senhor.”<ref>SCHOPENHAUER, Arthur. [http://books.google.com.br/books?id=tVTHZt0guKIC&printsec=frontcover&dq=O+mundo+como+vontade&cd=1#v=onepage&q&f=false ''O mundo como vontade e como representação'']. Trad. Jair Barboza. São Paulo: Ed Unesp, 2005. ISBN 8571395861 Capitulo VI</ref></blockquote>
<blockquote>"Assim, [[Sidarta Gautama]] nasceu um príncipe, mas voluntariamente passou a viver como mendigo; e [[Francisco de Assis]], o fundador das [[ordens mendicantes]] que, foi criado numa redoma, e poderia escolher dentre qualquer filha de qualquer nobre. No entanto, quando lhe fora perguntado 'Agora, Francisco, você não vai fazer sua escolha agora dessas beldades?' ele: 'Eu fiz uma escolha muito mais bonita!' 'Qual?' '''La povertà'' (a pobreza)': depois disso ele abandonou tudo e perambulou pela terra como um mendicante."<ref name='schop2'>Schopenhauer, ''Parerga and Paralipomena'', Vol. II, §170</ref></blockquote>
 
Em 1884, Tolstói escreveu umo livro intitulado "''No que eu acredito "'', onde ele confessou abertamente suas crenças cristãs. Ele afirmou sua crença nos ensinamentos de Jesus Cristo e foi particularmente influenciado pelo [[Sermão da Montanha]]. Tolstói interpretou o “[[Ofereça a outra face]]” como um 'mandamento de não-resistência ao mal pela força, configurando assim uma doutrina de [[pacifismo]] e [[não-violência]]. Em seu trabalho, ''[[O reino de deus esta em vós]]'', ele explica que considerou equivocada a doutrina da Igreja pois, em sua visão, eles corromperam os ensinamentos de Cristo. Tolstói também recebeu cartas de [[Quaker|quakers americanos]] que compartilhavam pensamentos de outros pacifistas americanos, tal como [[George Fox]] e [[William Penn]]. Tolstói achava que o pacifismo era uma obrigação cristã. O pacifismo de Tolstói somado a negação de qualquer Estado fizeram Tolstói ser considerado um [[anarquista]].<ref name='Christoyannopoulos'>{{citar web|url=https://archive.org/details/TolstoyThePeculiarChristianAnarchist |título=Tolstoy the Peculiar Christian Anarchist |autor =Alexandre Christoyannopoulos |ano=2006}}</ref>
 
Mais tarde, várias versões da "Bíblia de Tolstói" foram publicadas, indicando as passagens que Tolstói confiava mais, sobretudo, àquelas que transcreviam as palavras do próprio Jesus.<ref>Orwin, Donna T. ''The Cambridge Companion to Tolstoy''. Cambridge University Press, 2002</ref>
Tolstói teve uma profunda influência no desenvolvimento do pensamento [[Anarquismo cristão|anarquista cristão]].<ref name='Christoyannopoulos'/> Os [[Tolstóismo|Tolstóianos]] surgiram como um pequeno grupo anarquista, criado por Vladimir Chertkov, para difundir os ensinamentos religiosos de Tolstói. O filósofo [[Peter Kropotkin]] escreveu no artigo sobre o anarquismo na Enciclopédia Britânica de 1911:<ref name='Kroptkin'/>
 
<blockquote>Sem nomear-se anarquista, Leo Tolstói, assim como seus predecessores dos movimentos religiosos populares dos séculos XV e XVI, Chojecki, Denk, optou pela posição anarquista no que diz respeito aos direitos de propriedade em face ao Estado, deduzindo suas conclusões do espírito geral dos ensinamentos do Cristo. Com todo o poder de seu talento, ele fez (especialmente em ''O Reino de Deus emestá siem mesmovós'') uma crítica poderosa à igreja, ao estado e às leis, e especialmente às leis de propriedade. Ele descreveu o estado como a dominação dos ímpios, apoiados em uma força brutal. Os ladrões, diz ele, são muito menos perigosos do que um governo bem organizado. Ele fez uma crítica aos benefícios conferidos aos homens pela igreja, pelo Estado e pela distribuição da propriedade e, a partir dos ensinamentos do Cristo, ele formulou a regra da não-resistência bem como a condenação absoluta de todas as guerras. Seus argumentos religiosos são, contudo, tão bem combinados com argumentos observados a partir dos males de sua época, que o anarquismo de suas obras atrai a atenção tanto o leitor religioso quanto o leitor não-religioso.<ref name='Kroptkin'>{{citar livro|título=Encyclopædia Britannica Eleventh Edition |último =Kropotkin |primeiro =Peter |autorlink =Peter Kropotkin |ano=1911 |publicado= |local= |isbn= |página=918 |páginas= |url=https://archive.org/stream/encyclopaediabri01chisrich#page/918/mode/2up |acessodata= |citação=Anarchism}}</ref></blockquote>
 
[[Imagem:Tolstoy organising famine relief in Samara, 1891.jpg|thumb|left|Tolstói fornecendo alívio durante períodos de fome, Samara, 1891]]
Durante o [[Levante dos Boxers]] na China, Tolstói apoiou os Boxers. Ele fez duras críticas às atrocidades cometidas pela [[Aliança das Oito Nações]], composta de 20 mil soldados russos, americanos, britânicos, franceses, japoneses, alemães, do [[Áustria-Hungria|Império Austro-Húngaro]] e italianos. Quando soube dos estupros, saques e excessos cometidos pela tropa que foi enviada para ocupar a sede imperial.<ref name="Kissinger">[[Henry Kissinger|KISSINGER, Henry]], Sobre a China, p. 98</ref> Tolstói acusou os monarcas [[Nicolau II da Rússia]] e [[Guilherme II da Alemanha]] como responsáveis diretos pelas atrocidades.<ref>{{citar livro|url=https://books.google.com/?id=k1_iAAAAMAAJ&q=he+praised+the+Chinese+for+their+heroic+patience.+When+he+learned+about+the+%22orgy+of+murder,+raping,+and+looting%22+committed+by+the+Western+powers+in+quelling+the+Boxer+rebellion,+he+raged+against+the+brutality+of+the+Christians&dq=he+praised+the+Chinese+for+their+heroic+patience.+When+he+learned+about+the+%22orgy+of+murder,+raping,+and+looting%22+committed+by+the+Western+powers+in+quelling+the+Boxer+rebellion,+he+raged+against+the+brutality+of+the+Christians|título=The Russian review, Volume 19|autor =William Henry Chamberlin, Hoover Institution on War, Revolution, and Peace, Ohio State University|editor=Michael Karpovich, Dimitri Sergius Von Mohrenschildt|ano=1960|publicado=Blackwell|local=|página=115|isbn=|páginas=}}(Original from the University of Michigan)</ref><ref>{{citar livro|url=https://books.google.com/?id=MFtDxmZVB7gC&pg=PA3&dq=tolstoy+boxer+rebellion#v=onepage&q=tolstoy%20boxer%20rebellion&f=false|título=An age of progress?: clashing twentieth-century global forces|autor =Walter G. Moss|ano=2008|publicado=Anthem Press|local=|página=3|isbn=1-84331-301-4|páginas=}}</ref> Durante essa época, Tolstói se correspondeu com o intelectual chinês [[Gu Hongminge]] e o aconselhou para que China permanecesse uma nação agrária e advertindo-o contra as reformas, como as que foram implementadas pelo Japão.<ref>{{citar web|url=https://books.google.com/books?id=3YPAaFfUp9oC&pg=PA314&lpg=PA314&dq=lev+tolstoy+sinophile|título=The Bear Watches the Dragon|publicado=}}</ref><ref>{{citar livro|url=https://books.google.com/?id=nU2lErM3VgwC&pg=PA37&dq=tolstoy+boxer+rebellion#v=onepage&q&f=false|título=The Cambridge companion to Tolstoy|autor =Donna Tussing Orwin|ano=2002|publicado=Cambridge University Press|local=|página=37|isbn=0-521-52000-2|páginas=}}</ref><ref>{{citar livro|url=https://books.google.com/?id=UipgAAAAMAAJ&dq=tolstoy+boxer+rebellion&q=tolstoy+boxer+rebellion+confucianism|título=Tolstoy and China|autor =Derk Bodde|ano=1950|publicado=Princeton University Press|local=|página=25|isbn=|páginas=}}(Original from the University of Michigan)</ref>
 
A intervenção russo-americana no [[Levante dos Boxers]] foi denunciada por Tolstói, assim como os conflitos nas Filipinas pela América. Ele usou palavras terríveis para descrever a injustiça e crueldade impostas pela intervenção czarista.<ref name="CohenStachel1974">{{citar livro|autor1 =Robert S. Cohen|autor2 =J.J. Stachel|autor3 =Marx W. Wartofsky|título=For Dirk Struik: Scientific, Historical and Political Essays in Honour of Dirk J. Struik|url=https://books.google.com/books?id=OvK9orJNezwC&pg=PA606&dq=Tolstoy+boxers&hl=en&sa=X&ei=fiuMUJ0nyeLSAbX0gaAO&ved=0CEIQ6AEwAw#v=onepage&q=Tolstoy%20boxers&f=false|data=31 de outubro de 1974|publicado=Springer Science & Business Media|isbn=978-90-277-0393-4|páginas=606–}}</ref> Durante essa época, ele aproximou-se das obras de [[Confúcio]] e [[Lao Tsé]].<ref name="Orwin2002">{{citar livro|autor =Donna Tussing Orwin|título=The Cambridge Companion to Tolstoy|url=https://books.google.com/books?id=SC9suBt-Vm4C&pg=PA37&dq=Tolstoy+boxers&hl=en&sa=X&ei=-CuMUMPGLo-80QGqr4CgDA&ved=0CDUQ6AEwATgK#v=onepage&q=Tolstoy%20boxers&f=false|data=19 de setembro de 2002|publicado=Cambridge University Press|isbn=978-0-521-52000-3|páginas=37–}}</ref> Ele escreveu uma epístola para o povo Chinês como parte da crítica à guerra organizada por intelectuais russos. As operações russas na China capitaneadas por Nicolau II foram descritas por ele em uma carta aberta em 1902. Gu Hongming, junto de ToslóiTolstói, também se opôs à [[Reforma dos Cem Dias]] de [[Kang Youwei]]. A ideologia da não-violência modificou o pensamento sociedade chinesa, influenciando nos estudos futuros do socialismo do país.<ref name="Tolstoy(graf)1978">{{citar livro|autor1 =Leo Tolstoy|autor2 =Leo Tolstoy (graf)|autor3 =Reginald Frank Christian|título=Tolstoy's Letters: 1880-1910|url=https://books.google.com/books?ei=WCyMUMmtEqrK0AHwuoCIBw&id=2TVgAAAAMAAJ&dq=Tolstoy+boxers&q=Boxer#search_anchor|ano=1978|publicado=Continuum International Publishing Group, Limited|isbn=978-0-485-71172-1|página=580}}</ref>
 
[[File:Leo Tolstoy-1908.webm|thumb|right|200px|Gravação do aniversário de 80 anos de Tolstói. O filme mostra sua esposa, Sophia, pegando flores no jardim. Filmado por [[Alexander Drankov|Aleksandr Osipovich Drankov]], 1908.]]
 
Tolstói reiterou as críticas anarquistas Aoao Estado em centenas de ensaios escritos nos últimos 20 anos de sua vida. Ele recomendou livros de [[Kropotkin]] e [[Proudhon]] aos seus leitores, ao passo que condenou as [[Propaganda pelo ato|propagandas pelos atos,]] de origem anarquista.. No ensaio de 1900, ''Sobre o Anarquismo'', ele escreveu; "Os anarquistas estão certos em tudo, na negação da ordem existente e na afirmação de que, sem autoridade, não poderia haver pior violência do as impostas pelas autoridades atuais. Contudo eles estão enganados se pensam que a anarquia pode ser instituída por meio de uma revolução. Ele será instituído apenas quando houver mais e mais pessoas que não exigem a proteção do poder governamental.... Deve haver apenas uma revolução permanente – a moral: a regeneração do homem interior ". Apesar de suas discordâncias em relação à violência anarquista, Tolstói circulou publicações proibidas de pensadores anarquistas na Rússia, e revisou o texto de ''Words of a Rebel'', obra de Kropotkin ilegalmente publicada em [[São Petersburgo]] no ano de 1906.<ref>''[[Peter Kropotkin: From Prince to Rebel]]''. G Woodcock, I Avakumović.1990.</ref>
 
[[File:Graf Tolstoj op Jasnaja Poljana.jpg|thumb|right|200px|Túmulo de Tolstói coberto por flores, em [[Yasnaya Polyana]]]]
 
Tolstói entusiasmou-se com o pensamento econômico de [[Henry George]], incorporando-o em obras posteriores como ''A Ressurreição'' (1899), livro que o levou a ser excomungado. Em 1908, Tolstói escreveu a ''Carta ao Hindu'', descrevendo sua crença de não-violência como um meio para que a Índia ganhasse a independência do domínio britânico. Em 1909, Gandhi leu uma cópia da carta se tornou um ativista. A carta de Tolstói foi impactante para Gandhi, que passou a se corresponder frequentemente com o autor russo. Gandhi apelidou Tolstói de "o maior apóstolo da não-violência que a modernidade produziu". A correspondência entre Tolstóios edois Gandhidurou só durouapenas um ano, de outubro de 1909 até a morte de Tolstói, em novembro de 1910. Esse fato levou Gandhi a batizar sua fazenda na África do Sul de “Tolstoy”. Além da resistência não-violenta, Gandhi e Tolstói compartilharam outra crença: o vegetarianismo.<ref>{{citar periódico|último = Wenzer |primeiro = Kenneth C. |ano= 1997 |título= Tolstoy's Georgist Spiritual Political Economy (1897–1910): Anarchism and Land Reform |periódico= [[The American Journal of Economics and Sociology]] |volume= 56 |número= 4, Oct |jstor= 3487337 }}</ref>
Tolstói entusiasmou-se com o pensamento econômico de [[Henry George]], incorporando-o em obras posteriores como ''A Ressurreição'' (1899), livro que o levou a ser excomungado.
Em 1908, Tolstói escreveu a ''Carta ao Hindu'', descrevendo sua crença de não-violência como um meio para que a Índia ganhasse a independência do domínio britânico. Em 1909, Gandhi leu uma cópia da carta se tornou um ativista. A carta de Tolstói foi impactante para Gandhi, que passou a se corresponder frequentemente com o autor russo. Gandhi apelidou Tolstói de "o maior apóstolo da não-violência que a modernidade produziu". A correspondência entre Tolstói e Gandhi só durou um ano, de outubro de 1909 até a morte de Tolstói, em novembro de 1910. Esse fato levou Gandhi a batizar sua fazenda na África do Sul de “Tolstoy”. Além da resistência não-violenta, Gandhi e Tolstói compartilharam outra crença: o vegetarianismo.<ref>{{citar periódico|último = Wenzer |primeiro = Kenneth C. |ano= 1997 |título= Tolstoy's Georgist Spiritual Political Economy (1897–1910): Anarchism and Land Reform |periódico= [[The American Journal of Economics and Sociology]] |volume= 56 |número= 4, Oct |jstor= 3487337 }}</ref>
 
Tolstói também se tornou um grande defensor do movimento [[esperanto]]. Tolstói ficou impressionado com as crenças pacifistas dos Doukhobors e denunciou a perseguição imposta a ele à comunidade internacional. Ele ajudou os Doukhobors a migrarem para o Canadá. Em 1904, durante a [[Guerra Russo-Japonesa]], Tolstói condenou a batalha, escrevendo ao sacerdote budista japonês [[Soyen Shaku]] em uma tentativa fracassada de conciliação. No final de sua vida, Tolstói passou a se ocupar cada vez mais da teoria econômica e da filosofia social de [[Henry George]], o [[Georgismo]]. Ele também escreveu o prefácio da obra ''Problemas sociais'' de George. Tolstói e George rejeitavam a propriedade privada em formato agrícola bem como a [[economia planificada]] comunista. Alguns autores postulam que esse pensamento incorporado por Tolstói foi um afastamento de suas visões anarquistas, uma vez que o Georgismo exige alguma administração central. No entanto, versões anarquistas do Georgismo também foram propostas desde então. O romance ''A Ressurreição'' explora seus pensamentos sobre o Georgismo, sugerindo a possibilidade de estabelecer pequenas comunidades como forma de governança local, além de fazer críticas às instituições estatais.<ref>{{citar web|url=http://www.anti-state.com/geo/foldvary1.html|título=Geoanarchism|autorlink =Fred E. Foldvary|primeiro =Fred E.|último =Foldvary|acessodata=2009-04-15|data=2001-07-15|publicado=anti-state.com}}</ref>
No final de sua vida, Tolstói passou a se ocupar cada vez mais da teoria econômica e da filosofia social de [[Henry George]], o [[Georgismo]]. Ele também escreveu o prefácio da obra Problemas sociais de George. Tolstói e George rejeitavam a propriedade privada em formato agrícola bem como a [[economia planificada]] comunista. Alguns autores postulam que esse pensamento incorporado por Tolstói foi um afastamento de suas visões anarquistas, uma vez que o georgismo exige alguma administração central. No entanto, versões anarquistas do Georgismo também foram propostas desde então. O romance de Tolstói de 1899, A Ressurreição explora seus pensamentos sobre o Georgismo com mais detalhes e sugere que Tolstói. Na obra ele sugere a possibilidade de pequenas comunidades como forma de governança local e ainda se faz presentes críticas às instituições estatais.<ref>{{citar web|url=http://www.anti-state.com/geo/foldvary1.html|título=Geoanarchism|autorlink =Fred E. Foldvary|primeiro =Fred E.|último =Foldvary|acessodata=2009-04-15|data=2001-07-15|publicado=anti-state.com}}</ref>
 
==Morte==
Tolstói morreu em 1910, aos 82 anos de idade. Antes da morte sua família se dedicava à cuidar de sua saúde diariamente. Nos últimos dias, Tolstói conversou e escreveu sobre a experiência da morte. Renunciando ao estilo de vida aristocrático, ele deixou sua casa no meio do inverno daquele ano, às escondidas. Sua partida se deu por conta das crises de ciúmes de sua esposa Sophia. Ela se opôs abertamente a muitos de seus ensinamentos, e nos últimos anos parecia invejar a dediçãodedicação que o marido dedicadademonstrava a seus discípulos.<ref>''The last days of Tolstoy''. VG Chertkov. 1922. Heinemann</ref>
 
TolstoyTolstói morreu de pneumonia na estação de trem de Astapovo, depois de um dia inteiro de viagem. O mestre da estação levou Tolstói a seu apartamento, e seus médicos pessoais foram chamados para socorrê-lo. Ele recebeu injeções de morfina e cânfora. A polícia tentou limitar o acesso a sua procissão de funeral, mas milhares de camponeses se reuniram nas redondezas, pois pensaram que “algum nobre havia morrido”.<ref>{{citar web|url=http://www.lrb.co.uk/v32/n14/james-meek/some-wild-creature|título=James Meek reviews ‘The Death of Tolstoy’ by William Nickell, ‘The Diaries of Sofia Tolstoy’ translated by Cathy Porter, ‘A Confession’ by Leo Tolstoy, translated by Anthony Briggs and ‘Anniversary Essays on Tolstoy’ by Donna Tussing Orwin · LRB 22 July 2010|obra=London Review of Books}}</ref>
 
Segundo algumas fontes, Tolstói passou as últimas horas de sua vida pregando o amor, a não-violência e o georgismo aos passageiros do trem.<ref>Kenneth C. Wenzer, "Tolstoy's Georgist spiritual political economy: anarchism and land reform – 1897–1910", Special Issue: Commemorating the 100th Anniversary of the Death of Henry George, ''[http://www.ditext.com/wenzer/tolstoy.html The American Journal of Economics and Sociology'', Oct, 1997;]</ref>