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um grande
 
== Contexto ==
[[Martinho Lutero]], um grande professor de [[teologia moral]] da [[Universidade de Wittenberg]] e pregador na cidade, escreveu as ''95 Teses'' contra a prática contemporânea da igreja com respeito às [[indulgência]]s.{{sfn|Junghans|2003|pp=23, 25}} Na [[Igreja Católica]], praticamente a única igreja cristã na Europa na época, as indulgências faziam parte do que era chamado de [[economia da salvação]]. Neste sistema, quando os cristãos [[pecado|pecam]] e [[confissão (sacramento)|confessam]], eles são perdoados e não recebem mais uma punição eterna no [[inferno]], mas podem ainda ser passíveis de castigo temporal.{{sfn|Brecht|1985|p=176}} Tal punição poderia ser quitada pelo penitente com a realização de [[obras de misericórdia]].{{sfn|Wengert|2015a|p=xvi}} Se esta punição temporal não for quitada durante a vida, ela precisaria ser no [[purgatório]]. Com uma indulgência (que pode ser traduzida como "bondade"), esta punição temporal poderia ser diminuída.{{sfn|Brecht|1985|p=176}} Com o abuso do sistema de indulgências, o [[clero]] se beneficiava com a venda destas, e o [[papa]] dava uma sanção oficial em troca de uma taxa.{{sfn|Noll|2015|p=31}}
 
[[Imagem:Indulgence selling from On Aplas von Rom.png|thumb|Xilogravura de uma venda de indulgências em uma igreja registrada em um panfleto de 1521]]
Os papas são autorizados a conceder indulgências plenárias, que mila fornecem completo perdão para qualquer punição temporal restante devido aos pecados, estas compradas em nomes de pessoas que se acredita estarem no purgatório. Isto levou à criação do dito popular: "Assim que a moeda no cofre cai, a alma do purgatório sai", o qual foi criticado pelos teólogos da [[Universidade de Paris]] no final do século XV.{{sfn|Brecht|1985|p=182}} Entre os críticos mais antigos das indulgências inclui-se [[John Wycliffe]], que negou que o papa tivesse jurisdição sobre o purgatório.{{sfn|Waibel|2005|p=47}} [[Jan Hus]] e seus [[Hussitas|seguidores]] defendiam um sistema mais severo de penitências, no qual as indulgências não estavam disponíveis.{{sfn|Brecht|1985|p=177}} Já os governantes políticos tinham interesse em controlar as indulgências porque as economias locais sofriam quando determinados territórios eram utilizados como pagamento das indulgências. Os governantes, muitas vezes, procuravam receber uma parte dos lucros ou das indulgências proibidas, como fez [[Jorge, Duque da Saxônia]] no [[Eleitorado da Saxônia]] de Lutero.{{sfn|Brecht|1985|pp=178, 183}}
 
Em 1515, o [[Papa Leão X]] concedeu uma indulgência plenária destinada a financiar a construção da [[Basílica de São Pedro]] em [[Roma]], que seria aplicável a quase todos os pecados, com exceção do adultério e do roubo.{{sfn|Brecht|1985|p=178}} Todas as outras pregações de indulgência cessariam em um período de oito anos, enquanto esta seria oferecida à quem doasse valores para ajudar na construção do edifício. Aos pregadores de indulgência foram dadas instruções rigorosas de como as indulgências deveriam ser pregadas, sendo que estas deveriam ser muito mais laudatórias do que as anteriores.{{sfn|Brecht|1985|p=180}} [[Johann Tetzel]] foi o encarregado de pregar e oferecer esta indulgência em 1517, e esta sua campanha em cidades próximas à [[Wittenberg]] atraiu muitos dos moradores para viajarem a tais localidades para comprá-las, uma vez que sua venda havia sido proibida em Wittenberg e outras cidades saxônicas.{{sfn|Brecht|1985|p=183}}
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