Diferenças entre edições de "Luta armada de esquerda no Brasil"

m
m (Foram revertidas as edições de Esopo para a última revisão de Russel Hammond, de 12h38min de 20 de agosto de 2019 (UTC))
Etiqueta: Reversão
Apesar desses pontos em comum, uma série de divergências tornou inconcebível às esquerdas armadas uma unificação a curto prazo, apesar de eventuais articulações em frentes para a realização da ações armadas conjuntas.{{Sfn|Ridenti|1993|p=56}} As principais divergências se davam em torno do caráter da revolução brasileira, do tipo de organização necessária à revolução e das formas de luta a serem empreendidas pelos revolucionários.{{Sfn|Silva|2014|p=17}}
 
==== Etapismo vs. socialismo imeditatoimediato ====
No que diz respeito ao caráter da revolução brasileira, a principal divergência se dava entre aqueles que defendiam a tese etapista do PCB e os que defendiam o caráter imediatamente socialista da revolução. Grupos como a ALN e o MNR, por exemplo, adotaram um esquema analítico semelhante ao do PCB, segundo o qual a primeira etapa da revolução seria democrático-burguesa ou de libertação nacional, superando os entraves impostos ao desenvolvimento nacional pelas relações feudais no campo e pela presença do imperialismo na economia. No entanto, ao contrário do PCB, que propunha implicitamente a condução do processo revolucionário pela burguesia nacional, as organizações armadas que partiam dessa análise procuravam congregar o maior número possível de forças sociais no processo revolucionário de libertação nacional, porém sob a liderança de grupos guerrilheiros mais identificados com as classes oprimidas, em especial operários e camponeses. A partir dessa perspectiva, grupos como a ANL, MNR, PCBR e a Ala Vermelha pretendiam a derrubada da ditadura militar, a expulsão dos imperialistas e a criação de um governo popular revolucionário.{{Sfn|Ridenti|1993|p=31-32}} Já grupos como o PRT, POC, VPR, MR-8 e [[VAR-Palmares]], influenciadas pelas teses da POLOP anteriores ao golpe de 1964 e pela chamada [[teoria da dependência]], defendiam o caráter imediatamente socialista da revolução. Segundo esses grupos, haveria uma integração entre a burguesia nacional, os imperialistas e os latifundiários, estando o capitalismo plenamente constituído no Brasil e, sendo assim, com a burguesia já constituída enquanto uma classe no poder. As forças motrizes da revolução seriam os trabalhadores da cidade e do campo, razão pela qual a revolução brasileira deveria ser necessariamente socialista. Enquanto os primeiros grupos opunham a pátria ao imperialismo, os defensores do caráter imediatamente socialista da revolução consideravam que a principal contradição existente na sociedade brasileira era a que opunha a burguesia ao proletariado.{{Sfn|Ridenti|1993|p=33}}