Diferenças entre edições de "Rudolf Hess"

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{{Ver desambig|prefixo=Se procura|o chefe do [[campo de concentração]] de [[Campo de concentração de Auschwitz|Auschwitz-Birkenau]]|Rudolf Höss}}
{{Info/BiografiaPolítico
|bgcolournome =#B0C4DE Rudolf Heß
|nomenome_comp = Rudolf Walter Richard Hess
|imagem = Bundesarchiv Bild 183-1987-0313146II-507849, Rudolf HessHeß.jpg
|imagem_tamanhoimagem-tamanho = 200px
|legenda = Hess em 1933
|cargotítulo = Vice-Líder do [[Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães|NSDAP]]Partido <small>(1933–1941)</small><br />''[[ReichsleiterNazista]]'' <small>(1933–1941)</small>
|mandato = 21 de abril de 1933 – 12 de maio de 1941
|data_nascimento = {{dni|lang=br|26|4|1894|si}}
|vice_título = [[Führer]]
|local_nascimento= [[Alexandria]], [[Quedivato do Egito|Egito]]
|vice = [[Adolf Hitler]]
|nacionalidade = {{GERb}} [[Alemães|alemão]]
|antecessor = Nenhum
|data_morte = {{nowrap|{{morte|lang=br|17|8|1987|26|4|1894}}}}
|sucessor = [[Martin Bormann]] <small>(Chanceler do NSDAP)</small>
|local_morte = [[Berlim]], [[Alemanha Ocidental]]
|cônjugetítulo2 = [[Ilse HessReichsleiter]] <small>(1900-1995)</small>
|filhosmandato2 = [[Wolf Rüdiger Hess]] = 1933–1941
|vice_título2 = Führer
|filiação = [[Ficheiro:Flag of Germany 1935.svg|borda|22px]] [[Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães|Partido Nazista]]
|vice2 = Adolf Hitler
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|local_nascimentonascimento_local = [[Alexandria]], [[Quedivato do Egito|Egito]]
'''Rudolf Walter Richard Hess''' (ou '''Heß''') ([[Alexandria]], 26 de Abril de 1894&nbsp;– [[Berlim]], 17 de Agosto de 1987), foi um político de destaque da [[Alemanha Nazi]]. Nomeado Delegado do Führer (''Stellvertreter des Führers'' em alemão) por [[Adolf Hitler]] em 1933, prestou serviço neste cargo até 1941, quando viajou de avião, sozinho, para a [[Escócia]], numa tentativa de negociar a paz com o Reino Unido durante a [[Segunda Guerra Mundial]]. Foi detido e, posteriormente, julgado por crimes de guerra, sendo condenado a prisão perpétua.
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'''Rudolf Walter Richard Hess''' (ou '''Heß''') ([[Alexandria]], 26 de Abril de 1894&nbsp;– [[Berlim]], 17 de Agosto de 1987), foi um político de destaque da [[Alemanha Nazi]]. Nomeado DelegadoVice do Führer (''Stellvertreter des Führers'' em alemão) por [[Adolf Hitler]] em 1933, prestou serviço neste cargo até 1941, quando viajou de avião, sozinho, para a [[Escócia]], numa tentativa de negociar a paz com o Reino Unido durante a [[Segunda Guerra Mundial]]. Foi detido e, posteriormente, julgado por crimes de guerra, sendo condenado a prisão perpétua.
 
Hess alistou-se no 7.º Regimento de Artilharia Terrestre da Baviera no início da [[Primeira Guerra Mundial]]. Foi ferido por diversas vezes e recebeu a [[Cruz de Ferro]] de segunda classe, em 1915. Pouco antes da guerra terminar, Hess matriculou-se na força aérea como piloto-aviador, mas não chegou a combater. Deixou as forças armadas em Dezembro de 1918 com a patente de ''Leutnant der Reserve'' (Tenente de Reserva).
 
No outono de 1919, Hess entrou para a [[Universidade de Munique]], onde estudou [[geopolítica]] com [[Karl Haushofer]], um proponente do conceito de ''[[Lebensraum]]'' ("espaço vital"), que mais tarde se tornaria um dos pilares da ideologia do [[Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães|Partido Nazi]]. Hess juntou-se ao NSDAP em 1 de Julho de 1920, e esteve ao lado de Hitler a 8 de Novembro de 1923 no [[Putsch da Cervejaria]], uma tentativa falhada dos nazis de tomarem o controlo do governo alemão. Durante o tempo na [[prisão de Landsberg]] devido ao golpe, Hess ajudou Hitler a escrever a sua obra ''[[Mein Kampf]]'', que se tornou em uma das fundações da plataforma política do NSDAP. Depois da [[Machtergreifung|tomada de poder nazi]] em 1933, Hess foi designado para Delegado do Vice-Führer do NSDAP, e recebeu um cargo no gabinete de Hitler. Passou a ser o terceiro homem mais poderoso da Alemanha, atrás de Hitler e [[Hermann Göring]]. Para além de aparecer em manifestações e palestras em nome dele, Hess redigiu grande parte da legislação, incluindo as [[Leis de Nuremberg]] de 1935, as quais retiravam os direitos dos judeus na Alemanha, e que estiveram na origem do [[Holocausto]].
 
Hess continuou o seu interesse na aviação, e aprendeu a pilotar os mais modernos aviões que estavam a ser desenvolvidos no início da Segunda Guerra Mundial. A 10 de Maio de 1941, voou sozinho para a Escócia, onde esperava reunir-se com [[Douglas Douglas-Hamilton, 14.º Duque de Hamilton|Douglas-Hamilton]], o qual ele pensava fazer parte da oposição ao governo britânico, para falar sobre acordos de paz. Hess foi preso de imediato à sua chegada, e detido sob custódia britânica até ao final da guerra, voltando à Alemanha para ser julgado nos [[Julgamentos de Nuremberg]], em 1946. Durante uma grande parte do julgamento, alegou sofrer de amnésia, mas, mais tarde, admitiu tratar-se de um estratagema. Hess foi condenado a prisão perpétua por crimes contra a paz, e foi transferido para a [[Prisão de Spandau]]. A sua família e destacados políticos alemães, tentaram que fosse libertado mais cedo, mas foram impedidos pela [[União Soviética]]. Morreu em 1987 , em Spandau, com 93 anos de idade, em circunstâncias não totalmente esclarecidas. Após a sua morte, a prisão foi demolida para evitar que se tornasse um local de culto [[Neonazismo|neo-nazi]].
 
Enquanto convalescia, Hess solicitou autorização para treinar para piloto de aeronaves, e, após uma licença no período do Natal com a sua família, partiu para Munique. Recebeu treino básico em [[Oberschleißheim]] e na [[Base Aérea de Lechfeld]] entre Março e Junho de 1918, e treino avançado em [[Valenciennes]], França, em Outubro. Em 14 de Outubro entrou para a [[Jagdstaffel 35]]b, um esquadrão de caças bávaro equipado com biplanos [[Fokker D.VII]]. Durante o serviço neste esquadrão, não chegou a entrar em acção pois a guerra terminou a 11 de Novembro de 1918.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|pp=9–12}}
[[File:KarlHaushofer RudolfHess.jpg|thumb|esquerda|Hess (à direita) com o seu professor de [[geopolítica]], [[Karl Haushofer]], c. 1920]]
Hess foi dispensado das forças armadas em Dezembro de 1918. A situação financeira da família sofreu um forte revés, pois os seus negócios no [[Egipto]] foram expropriados pelos britânicos.{{sfn|Hess|1987|pp=27–28}} Hess entrou para a [[Sociedade Thule]], um grupo [[Movimento Völkisch|''Völkisch'']] [[Antissemitismo|anti-semita]] de extrema-direita, e um ''[[Freikorps]]'', uma de muitas organizações paramilitares de voluntários activas na Alemanha na altura.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|p=13–14}} A Baviera testemunhou conflitos frequentes, muitos deles sangrentos, entre grupos de extrema-direita como os''Freikorps'' e forças de esquerda, numa luta pelo controlo do estado durante este período.{{sfn|Evans|2003|pp=156–159}} Na Primavera de 1919, Hess era um daqueles que participava em combates de rua, e liderava um grupo que distribuía milhares de panfletos anti-semitas em Munique.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|p=14}}{{sfn|Evans|2003|p=177}}
 
Continuando no seu interesse pela aviação após o fim da sua carreira militar activa, Hess obteve a licença de piloto privado a 4 de Abril de 1929. O seu instrutor foi o [[ás da aviação]] da Primeira Guerra Mundial [[Theodor Croneiss]]. Em 1930, Hess adquiriu um [[BFW M.23]]b mono-plano patrocinado pelo jornal do partido, o ''[[Völkischer Beobachter]]''. Nos inícios da década de 1930, adquiriu ainda mais dois [[Messerschmitt]], realizando várias horas de voo e tornando-se especialista em aeronaves ligeiras de motor único.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|pp=20–21}}
 
==DelegadoVice do Führer==
[[Ficheiro:Bundesarchiv Bild 183-1987-0313-507, Rudolf Hess.jpg|miniaturadaimagem|Rudolf Hess em 1935.]]
No dia 30 de Janeiro de 1933, Hitler foi nomeado [[Chanceler da Alemanha|Chanceler do Reich]], o seu primeiro passo para alcançar o controlo ditatorial da Alemanha.{{sfn|Evans|2003|p=307}}{{sfn|Shirer|1960|pp=226–227}} Hess foi nomeado [[Delegado do Vice-Führer]] do NSDAP a 21 de Abril, tendo recebido o cargo de Ministro do Reich sem pasta, a 1 de Dezembro.{{sfn|Hess|1987|p=39}} Com escritórios na [[Casa Castanha (Munique)|Casa Castanha]] em Munique e outro em [[Berlim]], Hess era responsável por vários departamentos, incluindo o das relações com o exterior, finanças, saúde, educação e leis.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|pp=21–22}} Toda a legislação passava pelo seu gabinete para aprovação, excepto a que dizia respeito ao exército, polícia e política externa, e elaborava e co-assinava muitos dos decretos de Hitler.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|pp=47–48}} Como organizador dos [[Reuniões de Nuremberg|comícios anuais de Nuremberga]], era ele que habitualmente fazia o discurso de abertura e apresentava Hitler. Hess também falava através da rádio e em comícios por todo o país, de tal forma frequentemente que os discursos foram compilados num livro em 1938.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|pp=37, 60, 62}} Hess agia como delegadovice de Hitler em negociações com empresários e membros das classes mais abastadas.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|p=39}} Como Hess tinha nascido fora da Alemanha, Hitler escolheu-o para supervisionar os grupos do NSDAP, como o [[NSDAP/AO]], responsáveis pelos membros do partido a viver em outros países.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|p=67}} Hitler instruiu Hess a rever todas as decisões dos tribunais relacionadas com pessoas consideradas inimigas do partido. Recebeu autorização para aumentar as condenações de todos aqueles que ele achasse que tinham recebido condenações "ligeiras", e também tinha o poder para tomar "acções implacáveis" que ele visse serem necessárias. Aquelas acções passavem, muitas vezes, por enviar a pessoa para um campo de concentração ou mandá-la fuzilar.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|p=51}} Hess recebeu o posto de ''[[Obergruppenführer]]'' nas ''[[Schutzstaffel]]'' (SS) em 1934, o segundo posto mais alto na hierarquia da organização.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|p=25}}
 
[[File:Kfz-Standarte Rudolf Heß.svg|thumb|left|upright|Estandarte do veículo de Hess enquanto no cargo de DelegadoVice do Führer]]
 
O regime nazi começou a sua perseguição aos judeus pouco depois da chegada ao poder. O gabinete de Hess foi parcialmente responsável por elaborar as [[Leis de Nuremberg|Leis de Nuremberga]] de 1935, leis estas que tinham sérias implicações para os judeus da Alemanha, proibindo o casamento entre não-judeus e judeus alemães e retirando a cidadania alemã aos não-[[Arianismo|arianos]]. O amigo e família de um amigo de Hess, Karl Haushofer, ficaram sujeitos a esta lei pois Haushofer tinha casado com uma mulher meia-judia, situação que Hess resolveu emitindo documentos isentando-os desta legislação.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|p=22}}{{sfn|Evans|2005|pp=543–544}}
Dois [[Supermarine Spitfire|Spitfire]] do [[Esquadrão n.º 72 (RAF)|Esquadrão n.º 72]], [[Grupo n.º 13 (RAF)|Grupo n.13]] da [[RAF]] que já se encontravam em operação foram enviados para interceptar o avião de Hess, mas não conseguiram localizá-lo. Um terceiro Spitfire enviado de [[Acklington]] às 22h20, também fracassou na intercepção do Messerschmitt Bf 110; por esta altura já era noite cerrada e Hess teve de reduzir a sua altitude de tal forma que o voluntário de serviço na estação do [[Royal Observer Corps]] (ROC) em [[Chatton]] conseguiu identificá-lo como sendo uma aeronave Bf 110, e registou a sua altitude em {{convert|50|ft|m}}. Seguido por outras estações do ROC, Hess continuou o seu voo até à Escócia a alta velocidade e a baixa altitude, mas não conseguiu vislumbrar o seu destino, [[Dungavel House]], e dirigiu-se para a costa oeste para se orientar regressando depois a terra. Às 22h35, um [[Boulton Paul Defiant]] enviado do [[Esquadrão n.º 141 (RAF)|Esquadrão n.º 141]], da base de [[Air (Ayrshire)|Ayr]], iniciou a perseguição a Hess. A sua aeronave estava quase sem combustível, e assim decidiu subir a {{convert|6000|ft|m}} para saltar de pára-quedas, às 23h06. Fiou ferido num pé, ao sair da aeronave ou quando chegou ao chão. O Messerschmitt Bf 110 caiu às 23h09, a cerca de {{convert|12|mi|km}} a oeste de Dungavel House.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|pp=52–58}} Se não tivesse tido problemas para sair do avião, teria chegado ao seu destino.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|p=101}} Hess considerou a sua façanha como o momento de maior orgulho da sua vida.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|p=97}}
 
Antes da sua partida da Alemanha, Hess entregou ao seu assistente, [[Karlheinz Pintsch]], uma carta endereçada a Hitler com as suas intenções de dar início a negociações de paz com os britânicos. Pintsch entregou a carta a Hitler no por volta do meio-dia do dia 11 de Maio.{{sfn|Evans|2008|p=168}} Mas tarde, [[Albert Speer]] disse que Hitler comentou a partida de Hess como uma das piores desilusões pessoais da sua vida, pois considerou-a uma traição.{{sfn|Sereny|1996|p=240}} Hitler ficou preocupado com o facto de os seus aliados, Itália e Japão, olhassem para o acto de Hess como uma tentativa de Hitler de negociar a paz secretamente com os britânicos. Por esta razão, Hitler deu ordem à imprensa alemã para que caracterizassem Hess como um doido que tomou a decisão de voar para a Escócia por sua inteira iniciativa, sem o conhecimento ou autorização de Hitler. Alguns membros do governo, como Göring e o ministro da Propaganda [[Joseph Goebbels]], acreditavam que esta ordem de Hitler apenas piorava a situação pois, se Hess tinha realmente problemas mentais, então nem sequer devia ter estado à frente de posições importantes do governo. Hitler destituiu Hess de todos os seus cargos governamentais, e mandou matá-lo caso regressasse à Alemanha. Aboliu o cargo de DelegadoVice do Führer, passando as funções de Hess para Bormann, com a designação de Chefe da [[Chancelaria do Partido]].{{sfn|Shirer|1960|p=838}}{{sfn|Evans|2008|p=169}} Hitler deu início à ''Aktion Hess'', centenas de detenções de astrólogos, falsos curandeiros e ocultistas, que teve lugar no dia 9 de Junho. Esta campanha fez parte de um esforço de propaganda de Goebbels e outros para denegrir Hess e encontrar bodes-expiatórios entre os praticantes do ocultismo.{{sfn|Manvell|Fraenkel|1971|pp=126–127, 131–132}}
 
O jornalista americano [[H. R. Knickerbocker]], que conheceu Hitler e Hess, especulou que Hitler enviou Hess para entregar uma mensagem a [[Winston Churchill]] com a futura invasão da União Soviética, e com uma proposta de negociação de paz ou até mesmo uma parceria anti-bolchevique.{{sfn|Knickerbocker|1941|p=161}} O líder soviético, [[Josef Stalin|Estaline]],achava que o voo de Hess foi planeado pelos britânicos. Estaline manteve a sua crença até 1944, quando mencionou a questão com Churchill, o qual insistiu que não teve qualquer conhecimento do voo.{{sfn|Nesbit|van Acker|2011|pp=107–108}}