Diferenças entre edições de "Maria Quitéria"

Uma carta régia de 9 de dezembro enviada pelas [[Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Cortes]] nomeou [[Inácio Luís Madeira de Melo]] como como [[Governador das Armas]] da [[Bahia]]. O racha que já vinha se formando se aprofundou com essa nomeação. A partir de fevereiro de 1822, tropas portuguesa e baiana passaram a se chocar nas ruas da capital, numa escalada de violência que culminou na morte da sóror [[Joana Angélica]], que tentava impedir que os portugueses invadissem o [[Convento da Lapa|Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa]]. Segundo a história contada de geração em geração, o sangue da [[mártir]], que faleceu (em fevereiro de 1822), quando tentou impedir a invasão e o saque do lar religioso por soldados portugueses, caiu sobre a cabeça do soldado, partindo-lhe o osso occipital e matando-lhe.<ref name=":5" /><ref name=":6" /> [[Ficheiro:Domenico Failutti - Retrato de Soror Joanna Angélica, Acervo do Museu Paulista da USP.jpg|miniaturadaimagem|''Retrato de Soror Joanna Angélica'', óleo sobre tela pintado em 1925 por Domenico Failutti. Acervo do Museu Paulista da USP.]]
 
Ficava cada vez mais nítido que havia dois partidos com interesses antagônicos e a tensão entre eles vinha se conformando para uma guerra civil.<blockquote>As várias correntes aos poucos se reduziram a duas. A primeira, dominante na capital, e composta, sobretudo, de militares e comerciantes lusos, mantinha-se fiel às [[Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Cortes de Lisboa]] e aceitava o governador de armas nomeado por carta régia de 9 de dezembro de 1821, o brigadeiro português [[Inácio Luís Madeira de Melo]]. [...] A segunda consolidou-se no [[Recôncavo baiano]], com o apoio decidido dos [[senhores de engenho]], a que se aliavam militares brasileiros e parte da população urbana de [[Salvador]]. Diante da postura cada vez mais centralizadora das Cortes, esta corrente caminhou em direção ao apoio à regência e à liderança do príncipe [[Pedro I do Brasil|d. Pedro]].<ref name=":10">{{citar livro|título=Às armas, cidadãos! Panfletos manuscritos da Independência do Brasil|ultimo=CARVALHO|primeiro=José Murilo de|ultimo2=BASTOS|primeiro2=Lúcia|ultimo3=BASILE|ultimo4=Marcello|editora=Companhia das Letras|ano=2012|local=São Paulo|página=|páginas=}}</ref></blockquote>Entre fevereiro e junho de 1822, foi montada uma resistência por parte do “partido brasileiro” no [[Recôncavo baiano]], financiada pela elite agrária e engrossada pelos distintos estratos da população civil. Há registros de um aumento significativo de compra de pólvora e mantimentos destinados às vilas, o que parece ser um indicativo de que se preparavam de fato para os confrontos.<ref name=":9" />
 
indicativo de que se preparavam de fato para os confrontos.<ref name=":9" />
Entre maio e junho de 1822, nas câmaras municipais e praças do [[Recôncavo baiano|Recôncavo]], começaram a serem feita aclamações a [[Pedro I do Brasil]] como defensor perpétuo do Brasil, título oferecido ao príncipe pelo Senado da Câmara do Rio de Janeiro em 13 de maio. Essas ações claramente contrárias às intenções das [[Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa|Cortes de Lisboa]], que tentavam demover o príncipe regente e fazê-lo voltar a Portugal, provocaram a reação das tropas lusitanas estacionadas em Salvador.