Diferenças entre edições de "Mito da escravidão de irlandeses"

pequena ampliada na tradução... (com resgate de dead link of original article)
m (traduzindo nome/parâmetro nas citações usando script; +correções semiautomáticas (v0.57/3.1.56/0.1))
(pequena ampliada na tradução... (com resgate de dead link of original article))
O mito dos escravos irlandeses também foi invocado por alguns ativistas irlandeses para destacar a opressão britânica do povo irlandês e suprimir a história do envolvimento irlandês no comércio transatlântico de escravos.<ref name=Linehan>{{citar periódico|url=http://www.irishtimes.com/news/politics/sinn-f%C3%A9in-not-allowing-facts-derail-good-irish-slaves-yarn-1.2644397|título=Sinn Féin Not Allowing Facts Derail Good 'Irish Slaves' Yarn|último=Linehan|primeiro=Hugh|data=11/05/2016 |periódico=The Irish Times|acessodata=18/2/2017|idioma=en}}</ref>
 
O mito está em circulação desde pelo menos os anos 1990, e foi disseminado em memes online e debates nas mídias sociais.<ref name=StackNYT>{{Citar periódico |url=https://www.nytimes.com/2017/03/17/us/irish-slaves-myth.html|título=Debunking a Myth: The Irish Were Not Slaves, Too |último=Stack |primeiro=Liam |data=17/03/2017|periódico=The New York Times |acessodata=20/03/2017|issn=0362-4331|idioma=en}}</ref>
 
Em 2016, acadêmicos e historiadores irlandeses escreveram para condenar essa mentira.<ref name=Pogatchnick>{{Citar periódico |url=http://www.seattletimes.com/nation-world/ap-fact-check-irish-slavery-a-st-patricks-day-myth/|título=AP FACT CHECK: Irish "slavery" a St. Patrick's Day myth|último=Pogachnik|primeiro=Shawn|agência=Associated Press|local=Dublin|periódico=The Seattle Times|data=16/03/2017|acessodata=14/04/2017|idioma=en}}</ref>
 
==Pressupostos históricos: servidão "por contrato" ==
A ideia de que os irlandeses foram escravizados não é nova. Segundo o historiador Liam Kennedy, esse conceito foi popular entre os membros do movimento [[Jovem Irlanda]], do século XIX. Como exemplo disso o líder [[John Mitchel]] foi particularmente sincero quando afirmou que os irlandeses foram escravizados, mas foi um grande defensor do comércio transatlântico de escravos africanos.
<ref>{{citar livro |último=Kennedy |primeiro=Liam |título=Unhappy the Land: The Most Oppressed People Ever, the Irish? |ano=2015 |publicado=Irish Academic Press |local=Dublin |isbn=9781785370472 |idioma=en|página=19 }}</ref>
 
Alguns livros usaram o termo "escravos" para reportar aos irlandeses que perderam sua liberdade e foram forçados a partir de suas casas na Irlanda em navios, contra sua vontade, para o Novo Mundo,<ref name=Donag>{{citar periódico |título= The curse of Cromwell: revisiting the Irish slavery debate |último= Donaghue |primeiro= John |periódico=History Ireland |edição=julho-agosto |ano=2017 |volume= 25 |número=4 |url= https://www.historyireland.com/volume-25/issue-4-julyaugust-2017/features-issue-4-julyaugust-2017/curse-cromwell-revisiting-irish-slavery-debate |acessodata=11/11/2018 }}</ref> especialmente as colônias britânicas.<ref name=h1904>{{citar livro |título= The Fall of Feudalism in Ireland |author= Michael Davitt |capítulo= CHAPTER II. Section I. TORIES AND OUTLAWS |url= https://archive.org/stream/falloffeudalismi1904davi/falloffeudalismi1904davi_djvu.txt |website= archive.org |via= |mês=maio |ano=1904 |acessodata=11/11/2018 }}</ref>
 
O termo "escravo" ou "escravo por contrato" ("''bond slaves''", no original) era utilizado para designar o sistema de servidão por "tempo determinado", e não era perpétuo. O período habitual de servidão nesses contratos variava de quatro a nove anos, após os quais o servo voltava a ser livre - podendo então viajar sem empecilhos, possuir imóveis, trabalhar sob salário e até acumular riqueza; podia se casar com quem escolhesse e seus filhos nasciam livres.<ref name=Donag/> O termo jurídico britânico para essa situação era "''indentured servants''" ("servos por contrato", em livre tradução) e tanto valia para aqueles que aderiram voluntariamente ao período de servidão quanto para aqueles que foram sequestrados e forçados a embarcar num navio para trabalhar. Apesar dessa clara distinção com o sistema escravocrata, o folclore e até livros irlandeses se referiram a esses servos temporários como "escravos" até o século XX.<ref name=h1904/><ref name=Fanning/>
 
Durante o século XVII dezenas de milhares de "servos por contrato" tanto ingleses quanto irlandeses imigraram para a América Britânica. A maioria deles o fez voluntariamente e de bom grado, como modo de atravessarem o Atlântico - mas cerca de dez mil deles foram transportados como punição por se rebelarem contra o domínio inglês sobre a Irlanda, ou em degredo por outros crimes, sendo depois subordinados a trabalhos forçados durante certo período como sentença.<ref name="Bartlett-256">Bartlett, Thomas. "'This famous island set in a Virginian sea': Ireland in the British Empire, 1690–1801." In ''The Oxford History of the British Empire''. Volume II: The Eighteenth Century, by Marshall, P.J., Alaine Low, and Wm. Roger Louis, edited by P.J. Marshall and Alaine Low. Oxford: Oxford University Press, 1998. p. 256.</ref><ref name="NWIG">{{citar periódico |último1= Handler |primeiro1= Jerome S. |último2= Reilly |primeiro2= Matthew C. |título= Contesting "White Slavery" in the Caribbean |journal= New West Indian Guide |data=01/01/2017 |volume= 91 |issue= 1–2 |pages= 30–55 |doi= 10.1163/22134360-09101056 |url= https://brill.com/view/journals/nwig/91/1-2/article-p30_2.xml?language=en |acessodata=29/5/2017 |idioma= en |arquivourl=https://archive.vn/0Dp6B |arquivodata=25/6/2020}}</ref>
 
Nesse mesmo período o tráfico de escravos africanos vitimou milhões de pessoas, levando-as para as Américas, inclusive as colônia britânicas, onde eram forçados ao trabalho. Seja na Irlanda, na África ou no Caribe, cidadãos irlandeses se beneficiaram do tráfico negreiro, como comerciantes de escravos, agentes, investidores e proprietários. Segundo o historiador Nini Rodgers "todo grupo na Irlanda tinha comerciantes que se beneficiavam do comércio de escravos e da expansão das colônias escravocratas".<ref>{{Citar periódico |último=Rodgers |primeiro=Nini |título=The Irish and the Atlantic slave trade |url= http://www.historyireland.com/18th-19th-century-history/the-irish-and-the-atlantic-slave-trade/ |periódico=History Ireland |publisher=History Publications, Ltd.|local=Dublin |date= |volume=15 |número=3: May/June 2007}}</ref>
 
Ao contrário dos servos irlandeses contratados os africanos escravizados o eram por toda a vida, bem como a situação de cativo era imposta aos seus filhos que nascessem a partir de então.<ref name=StackNYT /> De forma sistemática e legal os africanos foram submetidos a uma escravidão hereditária, algo que os irlandeses nunca passaram.<ref name=Donag/> Os descendentes dos escravos africanos se tornavam propriedade, ao contrário do que se dava com os irlandeses "contratados".<ref name=O'Carrol/>
 
{{Referências}}