Diferenças entre edições de "Mito da escravidão de irlandeses"

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Ao contrário dos servos irlandeses contratados os africanos escravizados o eram por toda a vida, bem como a situação de cativo era imposta aos seus filhos que nascessem a partir de então.<ref name=StackNYT /> De forma sistemática e legal os africanos foram submetidos a uma escravidão hereditária, algo que os irlandeses nunca passaram.<ref name=Donag/> Os descendentes dos escravos africanos se tornavam propriedade, ao contrário do que se dava com os irlandeses "contratados".<ref name=O'Carrol/>
 
==Origem e propagação do mito ==
O mito é particularmente popular entre os defensores dos [[Estados Confederados da América]], estados escravistas do sul dos Estados Unidos durante a [[Guerra de Secessão]].<ref name="rawstory.com">{{citar web|url=http://www.rawstory.com/2016/04/irish-slaves-historian-destroys-racist-myth-conservatives-love-to-share-on-facebook/|título='Irish slaves': Historian Destroys Racist Myth Conservatives Love to Share on Facebook|data=20/04/2016|website=rawstory.com|autor=Travis Gettys|acessodata=18/02/2017}}</ref> Segundo o pesquisador independente Liam Hogan, o livro mais influente nesse meio é ''They Were White And They Were Slaves: The Untold History of The Enslavement of Whites In Early America'', auto-publicação de 1993 do teórico da conspiração e negador do Holocausto<ref name="Barkun">{{citar livro|último=Barkun|primeiro=Michael|título=A Culture of Conspiracy: Apocalyptic Visions in Contemporary America|ano=2003|editora=University of California Press|isbn=9780520238053|página=34|url=https://books.google.com/books?id=-0wFZRWKdfoC&printsec=frontcover#v=onepage&q&f=false|acessodata=15/03/2013|capítulo=Millennialism, Conspiracy, and Stigmatized Knowledge |citacao=Michael A. Hoffman II, a Holocaust denier and exponent of multiple conspiracy theories}}</ref> Michael A. Hoffman II (que culpava os judeus pelo tráfico de escravos na África).<ref>{{citar web|url=http://davidduke.com/voice-of-freedom-interview-with-michael-a-hoffman-ii-author-of-they-were-white-and-they-were-slaves/|título=Ernst Zundel interviews Michael A. Hoffman author of They Were White and They Were Slaves|data=20/04/2008|publicado=davidduke.com}}</ref>
 
Em 2000 essa ideia foi seguida na Irlanda pelo jornalista Sean O'Callaghan com o livro ''To Hell Or Barbados: The Ethnic Cleansing of Ireland''. <ref>{{citar periódico|date=29/02/2016|título=The Irish in the Anglo-Caribbean: Servants or Slaves?|url=http://www.historyireland.com/volume-24/the-irish-in-the-anglo-caribbean-servants-or-slaves/|periódico=History Ireland|autor1=Liam Hogan|autor2=Laura McAtackney|autor3=Matthew C. Reilly}}</ref><ref name=StackNYT /> Essa obra seguiu os temas de Hoffman e introduziu o conceito de que mulheres irlandesas foram colocadas à força com homens africanos para assim produzirem mulatos, que seriam mais valorizados do que os escravos de pura ascendência irlandesa.<ref name="splcenter.org">{{citar web |url=https://www.splcenter.org/hatewatch/2016/04/19/how-myth-irish-slaves-became-favorite-meme-racists-online|título=How the Myth of the "Irish slaves" Became a Favorite Meme of Racists Online|publicado=Southern Poverty Law Center - Hatewatch (blog)|autor=Alex Amend|acessodata=18/02/2017}}</ref>
Ele não deixou claro de qual motivo isso teria ocorrido dessa forma, e por que não foi possível alcançar o mesmo resultado com a união física de homens europeus com mulheres africanas, que era uma união muito mais frequente. Outros autores repetiram essas descrições obscuras de mulheres irlandesas sendo obrigadas a fazer sexo com homens africanos,<ref>{{citar livro |último=Kelleher |primeiro=Lawrence R. |data= 15/01/2001 |url=https://books.google.com/?id=WwMZQk2gHu8C&pg=PA44&lpg=PA44&dq=To+shed+a+tear+%E2%80%94+A+story+of+Irish+slavery+in+the+British+West+Indies#v=onepage&q&f=false|title=To Shed a Tear: A Story of Irish Slavery in the British West Indies|editora=Writers Club Press |página=73 |isbn=0595169260 }}</ref><ref>{{citar livro |último=Nixon |primeiro=Guy |título=Slavery in the West: The Untold Story of the Slavery of Native Americans in the West |url=https://books.google.com/?id=GwMQrzTmDXoC&pg=PA12&lpg=PA12&dq=This+African+would+serve+as+a+stud+for+the+inexpensive+Irish+women+slaves%E2%80%A6%5Bthese+breeding+programs+were+stopped%5D+because+it+was+reducing+the+profits+of+the+Royal+African+Company%E2%80%A6%5Bbut%5D+due+to+the+profitability+of+these+breeding+programs+the+practice+continued+until+well+after+the+end+of+Ireland%E2%80%99s+%E2%80%9CPotato+Famine%E2%80%9D#v=onepage&q&f=false |isbn= 9781462865253 |ano=2011|página=12|citacao=This African would serve as a stud for the inexpensive Irish women slaves…[these breeding programs were stopped] because it was reducing the profits of the Royal African Company…[but] due to the profitability of these breeding programs the practice continued until well after the end of Ireland's 'Potato Famine'}}</ref> mesmo sem o menor embasamento em registros históricos.<ref>{{citar web|url=https://medium.com/@Limerick1914/the-racist-myth-within-a-racist-myth-8eac2c890e92|título=The "Forced Breeding" Myth in the "Irish Slaves" Meme|autor=Liam Hogan|data=23/10/2015|publicado=medium.com|acessodata=18/02/2017}}</ref> Alguns historiadores como Liam Hogan descrevem esse livro como uma pesquisa de má qualidade.<ref name=StackNYT />
 
Em artigo no ''Dublin Review of Books'', o professor Bryan Fanning afirma: "A popularidade do meme dos 'escravos irlandeses' não pode ser simplesmente atribuída à propaganda on-line de grupos supremacistas brancos. Existem vários elementos em jogo além da deliberada falsificação do passado. A aceitação on-line de uma equivalência falsa entre a escravidão e o tratamento dos imigrantes irlandeses parece estar enraizada nas narrativas irlandesas de vitimização, que continuam articuladas nas correntes políticas e culturais da Irlanda ".<ref name=Fanning/> A história do povo irlandês adotou um legado de identificação com os oprimidos e elementos de racismo, a serviço do nacionalismo irlandês, segundo Fanning.<ref name=Fanning/>
 
De acordo com o [[The New York Times]], "Na América, o livro <nowiki>[de O'Callaghan]</nowiki> ligou a narrativa de escravos brancos a um influente grupo étnico de mais de 34 milhões de pessoas, muitas das quais foram levantadas em histórias de rebelião irlandesa contra a Grã-Bretanha e fábulas de preconceito anti-irlandês na América da virada do século XX. A partir daí, se espalhou." <ref name=StackNYT /> As alegações de O'Callaghan foram repetidas em sites de genealogia irlandeses, no site da teoria da conspiração canadense Globalresearch.ca, no IrishCentral, na Scientific American e em The Daily Kos. Artigo de 2008 no Globalresearch.ca tem sido uma fonte on-line significativa para o mito, tendo sido compartilhado quase um milhão de vezes em março de 2016.<ref>{{citar web|url=http://www.aljazeera.com/indepth/features/2016/03/black-lives-matter-irish-slave-myth-160315092722167.html|título=Black Lives Matter and the 'Irish slave' Myth|último=Costello|primeiro=Norma|data=17/03/2016|publicado=aljazeera.com|acessodata=18/02/2017}}</ref> A mentira foi espalhada em plataformas de debates de nacionalistas brancos, sites neo-nazistas, no site de extrema-direita conspiracionista InfoWars, e foi compartilhado milhões de vezes no [[Facebook]].<ref name=StackNYT />
 
O mito é um tópico comum no site [[Supremacia branca|supremacista branco]] Stormfront desde 2003.<ref name="rawstory.com" /><ref>{{citar web|url=http://atlantablackstar.com/2016/03/18/myth-busted-scholars-fire-back-against-memes-pushing-narrative-of-irish-slaves-in-the-americas/|title=Myth Busted: Scholars Fire Back Against Memes Pushing Narrative of Irish Slaves in the Americas|último=Riley|primeiro=Ricky|data=18/03/2016|publicado=atlantablackstar.com|acessodata=18/02/2017}}</ref><ref>{{citar web|url=http://www.nj.com/opinion/index.ssf/2016/05/the_myth_of_irish_slavery_opinion.html|título=Racial Tensions of 2016 and the Myth of Irish Slavery - Opinion|último=Deignan|primeiro=Tom|data=07/05/2016|publicado=nj.com|acessodata=18/02/2017}}</ref> Começou a circular inicialmente nos Estados Unidos e a seguir se tornou comum na Irlanda depois que o meme "escravos irlandeses" se tornou viral nas mídias sociais em 2013.<ref name="opendemocracy.net">{{citar web|url=https://www.opendemocracy.net/beyondslavery/liam-hogan/%E2%80%98irish-slaves%E2%80%99-convenient-myth|title='Irish Slaves': The Convenient Myth|data=12/01/2015|publicado=opendemocracy.net|primeiro=Liam|último=Hogan|acessodata=18/02/2017}}</ref><ref name="splcenter.org" /> Após o surgimento do movimento ''[[Black Lives Matter]]'' em 2014 o mito foi frequentemente citado por membros brancos da direita estadunidense, como tentativa de miná-lo<ref>{{Citar periódico|url=https://www.businessdailyafrica.com/lifestyle/society/Any-attempts-to-rewrite-history-must-be-rebuffed/3405664-4333984-10x46fhz/index.html |título=Any attempts to rewrite history must be rebuffed |último=Kireini |primeiro=Douglas |data=08/03/2018 |periódico=Business Daily |acessodata=19/03/2018 |idioma=en-UK}}</ref> e também quanto a outras questões dos direitos civis dos afro-americanos, de acordo com o diretor do ''[[Anti-Slavery International]]'', Aidan McQuade.<ref>{{citar web|url=http://www.irishtimes.com/news/politics/adams-comparing-us-slavery-with-nationalist-plight-overblown-1.2632361|título=Adams Comparing US Slavery With Nationalist Plight 'Overblown'|último=Ferguson|primeiro=Amanda|data=02/05/2016 |publicado=The Irish Times|acessodata=18/02/2017}}</ref>
 
Em agosto de 2015 foi mencionado no contexto dos debates sobre a manutenção da bandeira dos Estados Confederados, havido após o [[massacre da igreja de Charleston]].<ref>{{citar periódico|url=https://www.washingtonpost.com/lifestyle/style/mississippi-resists-calls-to-change-its-confederate-themed-flag/2015/08/18/cd590924-41d3-11e5-846d-02792f854297_story.html|título=In Mississippi, Defenders of State's Confederate-Themed Flag Dig In|último=Tucker|primeiro=Neely|data=18/08/2015|periódico=The Washington Post|acessodata=17/02/2017}}</ref><ref name="Y061015">{{citar periódico|url=https://www.yahoo.com/news/unfree-irish-caribbean-were-indentured-servants-not-slaves-072226285.html |título=The Unfree Irish in the Caribbean Were Indentured Servants, Not Slaves|data=06/10/2015|periódico=Yahoo News |quote=Inevitably the myth gained prominence in the wake of Dylann Roof's terrorist attack in Charleston and the subsequent debate about the Confederate flag. |último1=Hogan|primeiro1=Liam|último2=McAtackney|primeiro2=Laura|último3=Reilly|primeiro3=Matthew Connor|acessodata=17/02/2017}}</ref> Em maio de 2016 voltou a ser citado por membros proeminentes do partido republicano irlandês [[Sinn Féin]], depois que seu líder Gerry Adams se envolveu numa controvérsia sobre o uso da palavra "negro".<ref name=Linehan/> Donald Clarke, colunista do [[Irish Times]], descreve o meme como racista, declarando: "Mais comumente vemos racistas usando o mito para menosprezar o sofrimento vivenciado por escravos negros e para atrair alguma simpatia ao seu próprio clã".<ref>{{citar periódico|url=http://www.irishtimes.com/culture/donald-clarke-free-us-from-myth-of-us-irish-slavery-1.2739108|título=Free Us From Myth of US Irish Slavery|último=Clarke|primeiro=Donald|data=30/07/2016|periódico=The Irish Times|acessodata=16/02/2017}}</ref> Para o jornal New York Times o mito é "muitas vezes politicamente motivado", e tem sido usado para criar "farpas racistas" contra os afro-americanos.<ref name=StackNYT />
 
{{Referências}}