Diferenças entre edições de "Raça (categorização humana)"

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Classificações raciais são frequentemente feitas com base em características físicas escolhidas arbitrariamente, como [[cor da pele]] e textura do [[cabelo]].<ref name="article"/> Porém, nos Estados Unidos, pelo menos até meados do século XX, uma pessoa de pele branca, olhos azuis e cabelos loiros, poderia ser considerada "negra", caso tivesse alguma ascendência africana publicamente conhecida. Isso deve-se à imposição da [[regra de uma gota]] pelo governo americano, quando passou a ser necessário definir quem era negro, com o advento da [[segregação racial]] com as [[Leis de Jim Crow]].<ref name=historical>[https://escholarship.org/content/qt91g761b3/qt91g761b3.pdf Historical Origins of the One-Drop Racial Rule in the United States]</ref><ref name=skin>Evelyn Glenn. Shades of Difference: Why Skin Color Matters. Stanford University Press; 1 edição (2009)</ref><ref>[https://www.commentarymagazine.com/articles/wilfred-reilly/the-tragedy-of-the-one-drop-rule/ The Tragedy of the One-Drop Rule]</ref> Já no Brasil e nos resto da [[América Latina]], classificações raciais sempre foram mais fluidas e fortemente baseadas na cor da pele, havendo, entre o branco e negro, uma enorme gradação de cores de pele.<ref name=skin/> Por sua vez, na [[Europa]], historicamente a população é dividida muito mais em termos de [[religião]], [[idioma]] ou [[nacionalidade]] do que em termos de aparência física.<ref>Bruce Baum. The Rise and Fall of the Caucasian Race: A Political History of Racial Identity</ref> No [[Continente Africano]], as divisões são fortemente feitas com base em grupos tribais<ref>[https://www.culturalsurvival.org/publications/cultural-survival-quarterly/nation-tribe-and-ethnic-group-africa NATION, TRIBE AND ETHNIC GROUP IN AFRICA]</ref> e na [[Índia]] em [[Sistema de castas na Índia|castas]].<ref name="magnoli">MAGNOLI, Demétrio. ''Uma Gota de Sangue'', Editora Contexto 2008 (2008)</ref>
 
Raça é influenciada inclusive pela condição socioeconômia do indivíduo. Em muitas partes da América Latina, ser branco é mais uma questão de status socioeconômico do que características fenotípicas específicas, e costuma-se dizer que na América Latina "o dinheiro embranquece".<ref>Levine-Rasky, Cynthia. 2002. "Working through whiteness: international perspectives. SUNY Press (p. 73) " 'Money whitens' If any phrase encapsulates the association of whiteness and the modern in Latin America, this is it. It is a cliché formulated and reformulated throughout the region, a truism dependent upon the social experience that wealth is associated with whiteness, and that in obtaining the former one may become aligned with the latter (and vice versa)."</ref> Porém, esse fenômeno não é exclusivo da América Latina. Nos Estados Unidos da segregação racial, mestiços [[pele morena]], mas bem vestidos e que falassesfalassem bem, conseguiam passar-se por descendentes de [[italianos|italianos]] ou [[Portugueses|portugueses,]] enquanto eles seriam classificados como negros se aparentassem ser pobres e falassem com um dialeto rural. Essa tática era denominada [[Passing (identidade racial)|passing]].<ref name=paper>Emily Nix, Nancy Qian .The Fluidity of Race: "Passing" in the United States, 1880-1940. NBER WORKING PAPER SERIES. 2015.</ref>
 
Raças podem ser inventadas e extintas, conforme interesses políticos. Na [[Bolívia]], o presidente [[Evo Morales]] mandou eliminar a categoria "[[mestiço]]" do censo de 2012, de modo a forçar um maior número de bolivianos a identificarem-se como "indígenas" e, assim, aumentar a legitimidade do seu governo.<ref name="mara"/><ref name="bolivia">[https://www.usatoday.com/story/news/world/2012/11/21/bolivias-census-omits-mestizo-category/1719939/ Bolivia's census omits 'mestizo' as category]</ref> No Brasil, grupos [[Racialismo|racialista]]s tentaram inúmeras vezes eliminar a categoria intermediária "[[Pardos|parda]]" dos censos, mas não conseguiram, devido às reações contrárias.<ref name="mara">Mara Loveman. National Colors: Racial Classification and the State in Latin America. Oxford University Press; 1 edition (July 7, 2014)</ref><ref name="riserio">Antonio Risério. A utopia brasileira e os movimentos negros. Editora: Editora 34; Edição: 2 (1 de janeiro de 2012)</ref> Nos Estados Unidos, a categoria "[[mulato]]" foi eliminada a partir de 1910, para forçar todas as pessoas de sabida ascendência africana a identificarem-se como negras. Curiosamente, estabeleceu-se uma exceção para a ascendência indígena, para abarcar as família ricas da [[Virgínia]] que afirmavam descender da índia [[Pocahontas]]: definiu-se que eram "brancos" aqueles que tivessem 1/16 de sangue indígena ou menos, mas qualquer gota de sangue negro impedia o status de ser branco.<ref name="Pocahontas">[http://www.virginiaplaces.org/population/onedrop.html The "One-Drop" Rule and Racial Identification By Whites, Blacks, and Native Americans]</ref> Também nos Estados Unidos, foi inventada a categoria étnica "[[hispânico]] ou latino", que abarca sob uma mesma categoria pessoas de países com demografias tão diferentes entre si quanto [[Argentina]], [[República Dominicana]] ou [[Guatemala]], e até mesmo europeus da [[Espanha]] às vezes são tratados como "pessoas de cor". <ref>[https://www.pri.org/stories/2015-10-28/im-white-barcelona-los-angeles-im-hispanic I'm white in Barcelona but in Los Angeles I'm Hispanic?]</ref> <ref>[https://www.npr.org/2020/02/09/803809670/why-labeling-antonio-banderas-a-person-of-color-triggers-such-a-backlash Why Labeling Antonio Banderas A 'Person Of Color' Triggers Such A Backlash]</ref>