Diferenças entre edições de "Brega"

Esta dificuldade estaria expressa na pluralidade musical em voga no mundo contemporâneo, que "provoca um constante movimento de apropriação–reapropriação contínua e ao mesmo tempo inconstante promovendo uma hibridação de referências musicais que termina por impossibilitar qualquer definição precisa capaz de ser fielmente classificada rigidamente em um [[gênero musical|estilo musical]]."<ref name="souzaUFBA">{{citar web|autor=SOUZA, Vinicius Rodrigues Alves |título=A Existência Inexistente da Música Brega |publicado=UFBA |ano=2009|páginas=15|url=http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19570.pdf |acessodata=23/12/2018 |arquivourl=http://web.archive.org/web/20181223152751/http://www.cult.ufba.br/enecult2009/19570.pdf |arquivodata=23/12/2018 }}</ref> Outro ponto de dificuldade na discussão em torno do que seria "música brega" é o estabelecimento por parte das "[[ideologia]]s excludentes e classistas da [[intelectual]]idade [[hegemonia|hegemônica]]" de uma relação direta do "estilo com o poder classificatório do gosto, além de uma série de adjetivações pejorativas que estão associadas à denominação brega."<ref name="souzaUFBA" />
 
Mesmo entre o público brasileiro, consumidor ou não dode artistas e tendências supostamente "bregas", há muita confusão sobre o que seria o "estilo". Em alguns casos, ocorre a associação de algumas vertentes musicais melhor estabelecidas — como o [[Música sertaneja|sertanejo]] (de linha mais comercial-romântica, a partir da década de 1980), a [[lambada]], o [[pagode (música)|pagode]] (especialmente seu estilo mais [[pagode romântico|"romântico]], a partir da década de 1990), a [[axé music|axé ''music'']], o [[funk carioca|''funk'' carioca]] — no rol de "estilos bregas".<ref>{{citar web|url=http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=379JDB005|título=Mídia glamuriza a cafonice|autor=Alexandre Figueiredo|publicado=Observatório da Imprensa|data=2 de maio de 2006}}</ref> A autora Carmen Lúcia José observou, em suas pesquisas, a opinião de indivíduos de segmentos sociais distintos sobre alguns artistas quanto aos seus estilos musicais. Por exemplo, as duplas [[Chitãozinho e Xororó]] e [[Leandro e Leonardo]]. A primeira dupla, para segmentos sociais acima da média com repertório, é considerada brega; já para os segmentos médios e acima da média sem repertório, a dupla é considerada som sertanejo; e para os segmentos mais baixos, também. Com relação aà duplasdupla Leandro e Leonardo, para os segmentos acima da média e médios, é brega; os segmentos médios e acima da média sem repertório musical, a dupla também é considerada brega,; nos segmentos mais baixos, a dupla representa o sertanejo jovem.<ref name="CARMEN-JOSÉ/BREGA/DISSERTACAO/1991">{{citar livro|autor=JOSÉ, Carmen Lúcia|título=Isto é brega, Isto é brega|editora=São Paulo: (dissertação de mestrado)|ano=1991|páginas=134}}</ref>
 
Entre os artistas rotulados como "bregas", também não é diferente a dificuldade em torno do que seria o "estilo". Como observa o jornalista João Teles, "não é exatamente a música, mas o intérprete que confere o ''status'' de brega ou não."<ref>TELES, João. ''Do brega à fuleragem music''. IN: Revista Continente, ano VIII, n. 92,(p: 16-18) Agosto/2008.</ref> Alguns desses rejeitam serem representados sob o estigma da cafonice e mau gosto. Em uma entrevista em [[2008]], o cantor [[Wando]] afirmou sentir-se incomodado com o termo pejorativo. "Quando as pessoas falam de brega, sempre se referem a uma coisa ruim. Então eu brigo por isso".<ref>{{citar web|url=http://clientes.agestado.com.br/tribuna/20070515213.html |título=Wando estreia show no centro de São Paulo|autor=Agência Estado|data=15 de maio de 2007}}</ref><ref>{{citar web|url=http://www.an.com.br/2007/mai/26/0ane.jsp |título=Mesmo incomodado com o estereótipo, Wando continua distribuindo calcinhas|jornal=A Notícia|local=Santa Catarina|data=26 de maio de 2007}}</ref> Questionado sobre o assunto, Fernando Mendes disse certa vez que "brega era um lugar onde a gente ia, era um substantivo e hoje é um adjetivo com que falam mal da gente. Quando me perguntaram o que eu achava, eu disse, brega é o termo, a palavra é o nome que o invejoso usa pra criticar o vitorioso".<ref>{{citar web|url=http://www.fernandomendes.com/materias/entrevista.html|título=Ele não nos ensinou a esquecê-lo!|autor=A Crítica (Amazonas)|website=Fernando Mendes.com}}</ref> [[Waldick Soriano]] diz que "Concordar, a gente não concorda. Porque brega é usado para falar de casa de prostituição. Nesses lugares, as pessoas ouvem música romântica, mas não só nos bregas. Faço música romântica, as pessoas gostam disso".<ref>{{citar web|url=http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2049667-EI6596,00.html |título=Waldick Soriano: "Sou da universidade da vida"|website=Terra Magazine|data=7 de novembro de 2007}}</ref> Com o tempo, porém, alguns outros artistas assumiram o termo "brega". É o caso de [[Reginaldo Rossi]], que se autointitula como o "Rei do Brega". Outro exemplo é, ainda que não seja consensual e conceitualmente um estilo, o próprio surgimento das "vertentes" [[Pará|paraenses]] [[Brega Pop|brega ''pop'']] e [[tecnobrega]], que indicam que seus artistas assumem-se de alguma forma ou de outra como "bregas".
 
== Crítica ==