Exclusão digital: diferenças entre revisões

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(acrescentei uma informação geográfica á cerca dos países onde se utilizam os termos referidos à frente.)
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A relação entre exclusão digital e pobreza é uma realidade mundial. De acordo com o Mapa da Exclusão Digital, que analisou os dados do [http://www.ibge.gov.br/censo/ Censo 2000], o nível de escolaridade é ponto de importância não só na geração de renda, mas também no nível de inclusão digital dos estados brasileiros: os cinco mais incluídos são o Distrito Federal, São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Paraná, e os quatro mais excluídos são o Maranhão, Piauí, Tocantins e Acre.
 
É importante ressaltar que a literatura tem apontado que as desigualdades relativas às formas de acesso à comunicação digital são de diversas naturezas. Em outras palavras, é preciso compreender tal fenômeno como algo que vai além da mera falta de acesso a computadores, partindo-se para uma avaliação que leve em conta desigualdades geográficas ou relativas ao domínio que cada usuários tem quanto aos softwares mais comuns. Nesse sentido, as políticas públicas devem se dedicar a enfrentar tais problemas nas suas mais diversas dimensões.<ref>{{citar web|url=http://www.seer.ufrgs.br/index.php/intexto/article/view/41269/30388|titulo=Democracia on-line e o problema da exclusão digital|data=2014|acessodata=28 de setembro de 2016|obra=Revista InTexto|publicado=UFRGS|ultimo=Marques|primeiro=Francisco Paulo Jamil}}</ref>.
 
== Aspectos vinculados à exclusão digital ==
Constatou-se em pesquisa<ref>{{Citar periódico|ultimo=Siqueira|primeiro=Érica Souza|data=2014-10-10|titulo=Exclusão digital de pequenas e médias empresas brasileiras e os fatores que influenciam a adoção das TICs nessas organizações: um estudo exploratório dos dados da pesquisa TIC empresas|url=http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-09122014-151046/|lingua=pt-br|doi=10.11606/d.12.2014.tde-09122014-151046}}</ref> realizada na USP em 2011 que no tocante ao uso das [[Tecnologias da informação e comunicação|TICs]] as pequenas e médias empresas estão muito aquém das grandes embora disponham, em sua maioria (97%), de computadores e acesso à internet e ainda verificou-se que a exclusão digital das [[Pequena e média empresa|PMEs]] no Brasil não é uma questão de acesso à tecnologia, mas de uso efetivo e planejado das [[Tecnologias da informação e comunicação|TICs]] por parte das [[Pequena e média empresa|PMEs]].
 
O panorama da pequena empresa no Brasil, sob o aspecto de tecnologias de informação, não é dos melhores. Uma pesquisa da Microsoft, citada por Silva (1997),<ref name=":0">{{citar periódico|ultimo=SILVA|primeiro=Valéria|data=1997|titulo=O grande salto das pequenas.|url=|jornal=Pequenas empresas, grandes negócios, São Paulo: Editora Globo|volume=|via=}}</ref>, indica que 58% das pequenas empresas que não possuem computadores acreditam que a informática seja desnecessária; 5% nem sabem os motivos pelos quais não se automatizam; e 11% afirmam estar providenciando a compra de computadores.
 
Estatísticas da Sondagem Sebrae (2000)<ref name=":1">{{citar periódico|ultimo=|primeiro=SONDAGEM SEBRAE|data=1999|titulo=2ª Pesquisa sobre informatização e impacto do “Bug do Milênio”|url=|jornal=SONDAGEM SEBRAE - Brasília|volume=|via=}}</ref> mostram que apenas 30% das micros e pequenas empresas estão totalmente informatizadas. Destas, 50% não possuem acesso à Internet e 55% não possuem computadores ligados em rede. Por meio desses números, verifica-se que existe informatização apenas de processos operacionais isolados da empresa. Desses sistemas de informação não se extraem informações relevantes para a tomada de decisão, nem do ambiente interno da empresa e muito menos do seu ambiente externo.
Dessa maneira, Thong (2001) realizou uma pesquisa sobre as restrições de recursos e implementação de sistemas de informação em pequenas empresas em Singapura. A pesquisa foi baseada em amostras de 114 pequenas empresas. Os resultados comprovaram que as pequenas empresas com sucesso em TI tendiam a ter alta participação de especialistas externos, investimento adequado, alto conhecimento dos usuários, alto grau de envolvimento do usuário e alto suporte do gerente geral. Concluindo assim que tal participação do especialista externo é a chave principal do sucesso da implantação da TI em pequenas empresas.
 
Segundo El-Manaki (1990),<ref name=":3">{{Citar periódico|ultimo=El-Namaki|primeiro=M. S. S.|data=1990-08-01|titulo=Small business—The myths and the reality|url=http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/002463019090155W|jornal=Long Range Planning|volume=23|numero=4|paginas=78–87|doi=10.1016/0024-6301(90)90155-W}}</ref>, a pequena empresa absorve novas tecnologias de informação de forma lenta e limitada nos seus processos administrativos ou de produção. De acordo com o autor uma das razões para que isto ocorra é a falta de tecnologia específica para a pequena empresa. O uso de ferramentas de apoio de decisão para a pequena empresa é fator diferencial. Esses sistemas, de acordo com Machado (1996),<ref>{{citar periódico|ultimo=MACHADO|primeiro=C.|data=1996|titulo=Como dar o tiro certo na hora de
decidir|url=|jornal=Informática Exame - São
Paulo: Editora Abril|volume=11|via=}}</ref>, são itens de primeira necessidade para profissionais, cujas decisões definem os destinos de produtos e serviços e, em conseqüência, o êxito ou o fracasso das organizações. Para Saviani (1995)<ref>{{citar livro|título=Repensando as pequenas e médias empresas|ultimo=SAVIANI|primeiro=José|editora=Makron Books|ano=1995|local=São Paulo|páginas=|acessodata=}}</ref> a informática, nas pequenas empresas, não tem a mínima visão de como produzir informações, sejam elas gerenciais ou não.
 
=== Possíveis Causas ===
Neste sentido, um sistema de informação, voltado à pequena empresa, deve respeitar alguns quesitos: custo, tempo e qualidade. Silva (1997)<ref name=":0" /> afirma que as pequenas empresas brasileiras são muito sensíveis a preço. Das pequenas empresas não informatizadas, 41% afirmam que o motivo é não ter condições de investir nesta área, segundo informações da Sondagem Sebrae (1999).<ref name=":1" />. Outro grande problema com relação aos custos é a avaliação do preço da nova tecnologia. Os três, segundo Souza Neto (1998),<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/oclc/46754834|título=Negociação de tecnologia|ultimo=Souza.|primeiro=Souza Neto, José Adeodato de|ultimo2=dos.|primeiro2=Santos, Sílvio Aparecido|ultimo3=Cirati.|primeiro3=Gomes, Guilherme|ultimo4=O.|primeiro4=Mallmann, Dorval|data=1998|editora=SEBRAE|local=Porto Alegre|isbn=9788586138133|oclc=46754834}}</ref>, são o custo de desenvolvimento, o preço de mercado e a receita esperada.
 
O fator tempo é considerado por El-Manaki (1990)<ref name=":3" /> como uma das barreiras encontradas pela pequena empresa que dificulta a incorporação de tecnologias informatizadas em seus sistemas administrativos; a outra é o custo. Em virtude do dinamismo da pequena empresa, seu sistema de informação não pode levar muito tempo para ser desenvolvido e implantado. Satisfeitos os quesitos de custo e tempo, a pequena empresa não pode abrir mão do fator qualidade nos seus sistemas de informação. De acordo com Silva (1997),<ref name=":0" />, a informática representa para o pequeno empresário os trinômios bons, simples e baratos.
 
Como a pequena empresa não possui hierarquia formal, ela não distingue as necessidades de informação de maneira metódica. Muitas vezes o proprietário/gerente, além de supervisionar os processos, assume papéis operacionais no dia-a-dia da empresa. Dessa forma, o sistema de informação deve possuir características ao mesmo tempo estratégicas, táticas e operacionais, de acordo com Thong (2001).<ref name=":2" />. Assim, as informações necessárias refletem a urgência com que as decisões devem ser tomadas, em virtude da horizontalização da estrutura hierárquica da empresa. Em recursos humanos, as informações necessárias são os registros de empregados, folha de pagamento, programas de treinamento e férias, disponibilizadas de maneira ágil, possibilitando que o proprietário utilize seu tempo no negócio principal da empresa.
 
== Referências ==