Diferenças entre edições de "Palácio do Catete"

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O '''Museu da República''' é um museu dedicado à história da [[República]] brasileira e tem como sede o '''Palácio do Catete''', situado no bairro do [[Catete (bairro)|Catete]], zona sul da cidade do [[Rio de Janeiro]], no [[Brasil]]. A missão do Museu da República é preservar, investigar e comunicar os testemunhos vinculados à história da República, proclamada no Brasil em [[Proclamação da República do Brasil|15 de novembro de 1889]]. Integra a estrutura do [[Instituto Brasileiro de Museus]], autarquia federal vinculada à Secretaria Especial de Cultura do [[Ministério do Turismo (Brasil)|Ministério do Turismo]].
 
O '''Museu da República''' é um [[museu]] histórico cuja sede é o '''Palácio do Catete''', situado no bairro do [[Catete (bairro)|Catete]], zona sul da cidade do [[Rio de Janeiro]]. O Palácio do Catete é um importante exemplar da arquitetura neoclássica brasileira do final do século XIX. A missão do Museu da República é preservar, investigar e comunicar os objetos e documentos que testemunham a memória e a história da forma de governo republicana no Brasil. Integra a estrutura do [[Instituto Brasileiro de Museus]], autarquia federal vinculada à Secretaria Especial de Cultura do [[Ministério do Turismo (Brasil)|Ministério do Turismo]].
A história de sua criação remonta ao Decreto nº 47.883, de 8 de Março de 1960,<ref>{{Citar web|url=http://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-47883-8-marco-1960-379205-publicacaooriginal-1-pe.html|titulo=Decreto nº 47.883, de 8 de Março de 1960 - Publicação Original - Portal Câmara dos Deputados|acessodata=2019-01-08|obra=www2.camara.leg.br}}</ref> assinado pelo presidente [[Juscelino Kubitschek]], que determinava a inclusão, na estrutura do [[Museu Histórico Nacional]], da Divisão de História da República (D.H.R.), que funcionaria no Palácio do Catete, sede da [[Presidente do Brasil|Presidência da República]] entre 1897 e 1960. Esta divisão seria a responsável por receber, classificar, catalogar, pesquisar, expor e conservar objetos adquiridos, doados ou transferidos, ligados à História da República brasileira. Na época, o Museu Histórico Nacional era dirigido pelo jornalista e escritor [[Josué Montello]].
 
A transformação do Palácio do Catete em Museu da República remonta ao período que antecedeu a mudança da capital federal para Brasília. Último presidente a ocupar o palácio, [[Juscelino Kubitschek]] foi convencido da necessidade de integrá-lo ao patrimônio histórico nacional, reconhecendo sua importância na vida política e social do país. Assim, por meio do Decreto nº 47.883, de 8 de março de 1960 <ref>{{Citar web |url=https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1960-1969/decreto-47883-8-marco-1960-379205-publicacaooriginal-1-pe.html |titulo=Portal da Câmara dos Deputados |acessodata=2020-09-21 |website=www2.camara.leg.br}}</ref>, o Palácio do Catete se tornou sede da Divisão de História da República (DHR), novo órgão da estrutura do [[Museu Histórico Nacional]], que seria responsável pela sua gestão.
Em 21 de abril de 1960, a capital federal foi transferida para [[Brasília]] e a cidade do Rio de Janeiro se tornou o [[Guanabara|Estado da Guanabara]]. Já que a sede do governo brasileiro estava prestes a se transferir para a nova capital, a transformação do palácio em museu significou o reconhecimento da sua importância na vida política e social do país e a vontade de integrá-lo ao patrimônio histórico nacional.<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/title/museu-da-republica/oclc/793385445|título=O Museu da República|ultimo=Cabral|primeiro=Magaly|ultimo2=Mangas|primeiro2=Vera|ultimo3=Museu da República (Brazil)|ultimo4=Banco Safra|data=2011|editora=Banco Safra|local=São Paulo, Brazil|lingua=Portuguese}}</ref> O Museu da República foi inaugurado no dia 15 de novembro de 1960.
 
De acordo com o decreto, a DHR seria responsável por “receber, classificar, catalogar, pesquisar, expor e conservar objetos adquiridos, doados ou transferidos, ligados, direta ou indiretamente, à História da República Brasileira”. A adaptação do palácio para sua nova função coube à equipe do Museu Histórico Nacional, então dirigido pelo jornalista e escritor [[Josué Montello]]. A maior parte do acervo da nova instituição também veio transferida daquele museu.
Em julho de 1983, o Museu da República separou-se administrativamente do Museu Histórico Nacional, passando a ser uma estrutura de gestão autônoma. Entre 1984 e 1989 o Museu da República esteve fechado para realização de obras de restauração dos elementos decorativos e arquitetônicos do Palácio e dos edifícios anexos. A reabertura ao público aconteceu em 15 de novembro de 1989, data em que se comemorava também o centenário da proclamação da República no Brasil.<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/title/museu-da-republica/oclc/793385445|título=O Museu da República|ultimo=Cabral|primeiro=Magaly|ultimo2=Mangas|primeiro2=Vera|ultimo3=Museu da República (Brazil)|ultimo4=Banco Safra|data=2011|editora=Banco Safra|local=São Paulo, Brazil|lingua=Portuguese}}</ref>
 
O Museu da República foi fundado em 1960, no dia 15 de novembro, data na qual também se comemora oficialmente a [[Proclamação da República do Brasil|Proclamação da República]] no Brasil. Com o museu em funcionamento, o jardim do palácio também passou a ser aberto ao público.
 
Em julho de 1983, o Museu da República separou-se administrativamente do Museu Histórico Nacional, passando a ser uma estrutura de gestão autônoma. Entre 1984 e 1989 o Museu da República esteve fechado para realização de obras de restauração dos elementos decorativos e arquitetônicos do Palácio e dos edifícios anexos <ref>{{citar livro|título=O Museu da República|ultimo=|primeiro=|editora=Banco Safra|ano=2011|local=Rio de Janeiro|página=|páginas=}}</ref>. A reabertura ao público aconteceu em 15 de novembro de 1989, ocasião do centenário da proclamação da República no Brasil.
 
Em 2005, o Museu da República passou a ser responsável pela gestão do [[Palácio Rio Negro]], antiga residência de verão dos Presidentes da República em [[Petrópolis]].
 
== Antecedentes históricos ==
== Espaço físico e instalações ==
=== Residência aristocrática ===
[[Ficheiro:Catete-CCBY.jpg|thumb|esquerda|A escadaria principal do Palácio do Catete]]
[[Ficheiro:Emil Bauch - O barão e a baronesa de Nova Friburgo, 1867.jpg|miniaturadaimagem|Quadro em óleo sobre tela, de autoria de [[Emil Bauch|Emil Bausch]] (1867). Retrata o Barão de Nova Friburgo, acompanhado da Baronesa, com alusões à suas propriedades mais importantes, como o Solar do Gavião em [[Cantagalo (Rio de Janeiro)|Cantagalo]] (ao centro), a planta da Estrada de Ferro de Cantagalo e a maquete do Palácio Nova Friburgo. (Acervo Museu da República).]]
A região que abrange o atual bairro do Catete começou a ser ocupada ainda no século XVI, quando o “Caminho do Catete” ligava o centro político-administrativo da cidade colonial aos engenhos e fortalezas dos subúrbios mais ao sul. No século XIX, abrigava diversas chácaras de nobres, cafeicultores e comerciantes do [[Império do Brasil|Império Brasileiro]].
 
Entre 1858 e 1860, o português [[António Clemente Pinto|Antônio Clemente Pinto]], Barão de Nova Friburgo, adquiriu as casas de número 159, 161 e 163 do Caminho do Catete e seus respectivos terrenos de fundos, que se estendiam até a Praia do Flamengo, entre a Rua do Príncipe (atual Rua Silveira Martins) e a Rua Ferreira Viana<ref name=":0">{{Citar livro|url=http://worldcat.org/oclc/685250897|título=Catete : memórias de um Palácio|ultimo=ALMEIDA|primeiro=Cícero Antonio F.|data=1994|editora=Museu da República|ano=|local=|página=|páginas=|oclc=685250897}}</ref>. Fazendeiro e comerciante de café, banqueiro e industrial, o barão chegou a ser o homem mais rico do Brasil durante o [[Segundo reinado|Segundo Império]].
=== Palácio do Catete ===
O Palácio do Catete foi erguido no século XIX, no então chamado “Caminho do Catete”, atual bairro do Catete, região que surgiu com o aterramento de uma área coberta por [[mangues]].<ref>{{Citar livro|url=https://www.worldcat.org/title/catete-memorias-de-um-palacio/oclc/685250897|título=Catete: memórias de um Palácio|ultimo=Almeida|primeiro=Cícero Antonio F|data=1994|editora=Museu da República|local=Rio de Janeiro|lingua=Portuguese}}</ref>
 
Em 1858, a demolição da casa número 159 marcou o início da construção do Palácio Nova Friburgo, que seria a residência do barão e de sua família, projetado pelo arquiteto alemão [[Carl Friedrich Gustav Waehneldt]]. O jardim foi organizado de acordo com o projeto atribuído ao paisagista francês [[Auguste François Marie Glaziou]] <ref name=":4" />.
A edificação foi erguida como residência da família do cafeicultor português [[António Clemente Pinto]], Barão de [[Nova Friburgo]], na então capital do [[Império do Brasil]]. Era denominado Palacete do Largo do Valdetaro, bem como Palácio de Nova Friburgo.
 
O Palácio Nova Friburgo também era chamado de “Palácio do Largo do Valdetaro”, pois ocupava terreno antes pertencente ao escrivão português Manoel Valdetaro, em frente ao qual havia um largo com um chafariz público.
Com projeto do arquiteto alemão [[Carl Friedrich Gustav Waehneldt]], datado de 1858, os trabalhos tiveram início com a demolição da antiga casa de número 151 da [[Rua do Catete]]. A construção terminou oficialmente em 1867, porém as obras de acabamento prosseguiram ainda por mais de uma década.
 
A construção do palácio terminou oficialmente em 1866, embora as obras de acabamento continuassem por mais uma década. Porém, o Barão e a Baronesa de Nova Friburgo, Laura Clementina da Silva, não viveram muito tempo na nova casa, pois ele morreu em 1869 e ela, no ano seguinte. Depois disso, o Palácio foi ocupado por um dos filhos do casal, [[Antônio Clemente Pinto Filho]], o Conde de São Clemente. Em 1889, ele vendeu o imóvel para um grupo de investidores da Companhia Grande Hotel Internacional, que planejava transformá-lo num hotel de luxo.
Após o falecimento do barão e da baronesa, o filho destes, [[Antônio Clemente Pinto Filho]], o Conde de São Clemente, vendeu o imóvel em 1889, pouco antes da Proclamação da República, para um grupo de investidores, que fundou a Companhia Grande Hotel Internacional. No entanto, devido à crise econômica da virada do século XIX para o XX, conhecida por [[encilhamento]], o empreendimento faliu e seus títulos foram adquiridos pelo conselheiro [[Francisco de Paula Mayrink]], que, cinco anos mais tarde, quitou as dívidas junto ao então denominado [[Banco do Brasil|Banco da República do Brasil]].
 
Meses depois, a República foi proclamada. A companhia faliu após a crise especulativa do [[Encilhamento]] e seus títulos foram comprados pelo acionista majoritário, o conselheiro [[Francisco de Paula Mayrink]], que se tornou o único proprietário do Palácio. Em 1895, o conselheiro hipotecou o imóvel como garantia de crédito ao então denominado [[Banco do Brasil|Banco da República do Brasil]]<ref name=":0" />. No ano seguinte, esta hipoteca foi extinta mediante a venda do imóvel à Fazenda Federal, que o incorporou ao patrimônio da União.
À época, a sede do [[Poder Executivo do Brasil]] era o [[Palácio do Itamaraty (Rio de Janeiro)|Palácio do Itamaraty no Rio de Janeiro]]. Em 1897, o presidente [[Prudente de Morais]] adoeceu e, entrementes, assumiu o governo o vice-presidente, [[Manuel Vitorino]], o qual fez adquirir o palácio e ali fez instalar a sede do governo. Oficialmente, o palácio foi sede do Governo Federal de 24 de fevereiro de 1897 até 21 de abril de 1960 quando a capital e o [[Distrito Federal (Brasil)|Distrito Federal]] foram transferidos para Brasília.
 
==== Sede andarda Presidência da República ====
Em 1896, enquanto o presidente [[Prudente de Morais]] estava afastado do cargo por motivos de doença, o vice-presidente [[Manuel Vitorino]] requisitou o antigo Palácio Nova Friburgo para que nele fosse instalada a sede da Presidência da República, que até então havia sido o [[Palácio do Itamaraty (Rio de Janeiro)|Palácio do Itamaraty]], no Rio de Janeiro.
A entrada do Palácio se faz por um portão de ferro, fundido em Ilsenburg am Harz, [[Alemanha]], em 1864. No hall, seis colunas de mármore levam à escada principal, construída em módulos pré-fabricados de ferro fundido e que foi uma das primeiras a serem utilizadas no Brasil. Para seu assentamento foi contratado o serviço do arquiteto alemão Otto Henkel, em outubro de 1864. Na reforma para a chegada da Presidência, o hall recebeu [[Escultura|esculturas]], [[Candeeiro|luminárias]] e [[Estuque|estuques]] no teto com as Armas da República, que podem ser observados até hoje. No andar térreo, o requinte das pinturas e ornatos e a distribuição e localização dos cômodos sugerem ter sido esse espaço, inicialmente, destinado às salas de visita e de estar, conforme o costume da época. Durante a república, a área foi redefinida, passando a abrigar setores burocráticos como secretaria, biblioteca, gabinetes, salas de despachos e de audiências.[[Ficheiro:Museu reublica salao ministerial.jpg|thumb|direita|O Salão Ministerial do Palácio do Catete, onde foram tomadas durante muito tempo as principais decisões políticas do Brasil. Dentre elas, destacam-se, sobretudo, as assinaturas das declarações de guerra contra a Alemanha em [[1917]] e contra as [[Potências do Eixo]] em [[1942]].]]Há ainda, nesse piso, o Salão Ministerial, utilizado, na época do Barão, para pequenas recepções. Com a instalação da Presidência, foi chamado de Salão de Despacho e Conferências e, posteriormente, Salão Ministerial, pois passou a servir para as reuniões do presidente com seus ministros. Seu teto, apesar de vários retoques, apresenta ainda a decoração original, em que se destaca a composição [[Baco]] e [[Ariadne]].
 
Durante aquele ano, o Palácio do Catete passou por uma reforma geral comandada pelo engenheiro e urbanista [[Aarão Reis]]. As principais mudanças consistiram na adaptação de salões privados, domésticos e sociais como espaços de trabalho burocrático. O jardim também foi remodelado sob a coordenação do paisagista francês [[Paul Villon]]. Para o serviço da Presidência, nele foram construídos cocheiras, alojamentos de funcionários e da guarda presidencial e uma usina elétrica.
Logo que se inicia a subida do primeiro para o segundo andar, os visitantes veem o hall da Escada, decorado com motivos que homenageiam as artes: a pintura, o desenho, a arquitetura e a escultura. Cenas mitológicas que copiam os afrescos pintados pelo renascentista italiano [[Rafael]] (1483–1520) na [[Villa Farnesina|Villa Farnesiana]] completam a decoração que tem ainda visão central de uma cópia em metal da escultura [[Afrodite]] de [[Cápua]], que está no Museu Nacional de Nápoles.
 
O Palácio do Catete foi um dos primeiros prédios da cidade a ser iluminado por energia elétrica. A instalação dos serviços de eletricidade foi coordenada pelo engenheiro Adolfo Aschoff. A energia vinha de uma [[usina elétrica]] exclusiva, construída na lateral com a atual Rua Ferreira Viana, abastecida de carvão por um ramal da linha férrea. Posteriormente, a usina foi desativada e o prédio foi transformado em garagem presidencial <ref name=":0" />. Atualmente serve de espaço expositivo ao vizinho [[Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular|Museu do Folclore Edison Carneiro]].
==== 2º andar ====
Nesse andar, no chamado “piso nobre”, destinado a recepções e cerimônias (tanto na época do Barão quanto da Presidência da Republica), nota-se o luxo e a diversidade temática dos salões, cada um deles retratando, ainda, seu uso específico no período imperial. A riqueza e os esquemas decorativos dos salões mostram como a rica burguesia da época procurava demonstrar um poder social que se consolidava.<ref>{{citar livro|título=Um palácio quase romano|ultimo=Rodrigues|primeiro=Marcus Vinícius Macri|editora=Museu da República|ano=2017|local=Rio de Janeiro|páginas=|acessodata=}}</ref>
 
O antigo Palácio Nova Friburgo foi oficialmente inaugurado como sede da Presidência da República em 24 de fevereiro de 1897, no sexto aniversário da [[Constituição brasileira de 1891|primeira Constituição republicana]].
Uma galeria, com vitrais executados na Alemanha e representando musas e outras figuras mitológicas, no período imperial fazia a ligação entre a escada íntima e a de serviços, além de servir de antecâmara da Capela. Como sede da República, esse espaço recebeu sofás e cadeiras de balanço.
[[Ficheiro:Palacio_Catete-1897.jpg|alt=|esquerda|miniaturadaimagem|O Palácio do Catete em 1897, com as esculturas alegóricas na [[platibanda]] do prédio. Foto de Marc Ferrez (Acervo Instituto Moreira Salles).]]
Por volta de 1900, no lugar das águias de ferro originalmente existentes no topo da fachada do prédio, foram colocadas sete esculturas [[Alegoria|alegóricas]] de bronze, das quais cinco ficavam na fachada externa, representando a República, a Agricultura, a Primavera, a Justiça e o Outono; e duas na parte interna, voltada para o jardim, simbolizando o Inverno e o Verão.
 
Em 1910, essas esculturas foram substituídas pelas sete [[Harpia harpyja|harpias]] de bronze (cinco na frente e duas nos fundos), de autoria de [[Rodolfo Bernardelli]] <ref name=":0" />, que renderam ao prédio o apelido, ainda que incorreto, de “Palácio das Águias”.
A Capela era o local de recolhimento e oração dos moradores do Palácio. Ela apresenta o teto decorado por painéis reproduzindo a figura de apóstolos e duas telas, cópias das obras A Transfiguração, do italiano renascentista Rafael, e Imaculada Conceição, do espanhol barroco [[Bartolomé Esteban Murillo|Bartolomé Murillo]]. Para a instalação da Presidência da República, a decoração foi conservada, mas a sala teve sua utilização modificada. No período republicano, só foi usada como capela no casamento da filha do presidente [[Rodrigues Alves]] e no velório do presidente [[Afonso Pena]].
 
Apesar de ter sido local de trabalho comum a todos os presidentes, poucos usaram o Palácio do Catete como moradia. A maioria preferia residir nos outros imóveis oficiais da Presidência da República na cidade, como o [[Palácio Guanabara]] e o [[Palácio Laranjeiras]].
O Salão Francês, também chamado de Salão Azul, localizado entre a Capela e o Salão Nobre, servia de refúgio e apoio às recepções oferecidas no Palácio. Ele tem [[Estilo Luís XVI|estilo Luiz XVI]], como se vê nos ornatos do teto, nas molduras dos espelhos e nas sanefas. Mais tarde, as paredes receberam nova pintura com toques [[Art nouveau|art-nouveau]], adaptada à coloração pastel da sala.
 
Em 06 de abril de 1938, o Palácio do Catete e seu Jardim foram tombados pelo recém-criado Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), hoje [[Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional|Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)]]. O [[tombamento]] do jardim do Palácio é um instrumento de proteção e preservação de seus traços paisagísticos, que não podem ser alterados sem autorização prévia do IPHAN.
O Salão Nobre ou Salão de Baile relembra a vida social e o luxo da corte. Nele eram realizadas as principais recepções do Palácio. As pinturas verticais representam cenas mitológicas associadas à música e às artes, e, na parte superior das paredes, pinturas em semicírculo referem-se à vida de [[Apolo]], deus da música e da poesia. A presença da música é notada, ainda, na [[Lira (instrumento musical)|lira]] que aparece no [[parquet]] do piso.
 
Da inauguração em 1897 até a mudança da capital federal em 1960, dezenove pessoas ocuparam o Palácio do Catete como Presidentes da República: Manuel Vitorino (vice, 1897) Prudente de Moraes (1897-1898; seu mandato começou em 1894), [[Campos Sales]] (1898-1902), [[Rodrigues Alves]] (1902-1906), [[Afonso Pena]] (1906-1909), [[Nilo Peçanha]] (vice, 1909-1910), [[Hermes da Fonseca]] (1910-1914), [[Venceslau Brás|Venceslau Braz]] (1914-1918), [[Delfim Moreira]] (vice, 1918-1919), [[Epitácio Pessoa]] (1919-1922), [[Artur Bernardes|Arthur Bernardes]] (1922-1926), [[Washington Luís]] (1926-1930), [[Getúlio Vargas]] (1930-1945 e 1954), [[José Linhares]] (interino, 1945-1946) [[Eurico Gaspar Dutra]] (1946-1950), [[Café Filho]] (vice, 1954-1955), [[Carlos Luz]] (interino, 1955), [[Nereu Ramos]] (interino, 1955-1956) e Juscelino Kubitschek (1956-1961). <ref name=":5" />
Como sede da Presidência, esse salão continuou sendo o espaço mais nobre, tendo recebido sobre as portas as Armas da República. A recente iluminação elétrica refletia-se nos espelhos bisotadas, por ocasião das festas. Em 1938, o painel do teto foi refeito pelo pintor acadêmico brasileiro [[Armando Viana|Armando Vianna]].
 
== Espaço físico e instalações ==
A função do Salão Pompeano era a de apoio aos Salões Nobre e Veneziano. Esse espaço é decorado com cenas que se reportam às descobertas artísticas das escavações da cidade de [[Pompeia|Pompéia]]. Nas obras de adaptação feitas no prédio, apenas o teto sofreu alteração, com a colocação das Armas Nacionais e das datas históricas: [[Descobrimento do Brasil|Descobrimento]], [[Independência do Brasil|Independência]], [[Lei Áurea|Abolição]] e República.
 
=== Palácio do Catete ===
O Salão Veneziano (também chamado de Salão Amarelo) era usado como sala de visitas. Seu nome decorre do estilo do mobiliário, com móveis pesados e ricamente decorados. Nele há um lustre central em bronze e cristal, candelabros e grandes espelhos.
O Palácio do Catete é uma construção de [[Estilo arquitetónico|estilo]] predominantemente [[Arquitetura neoclássica|neoclássico]], inspirada nos palácios [[Renascimento|renascentistas]] de [[Veneza]] e [[Florença]], na [[Itália]] que, por sua vez, eram releituras das construções da [[Antiguidade Clássica|Antiguidade]] romana<ref name=":1">RODRIGUES, Marcus Vinícius Macri (2017). Um palácio quase romano. Rio de Janeiro: Museu da República,</ref>. O emprego de elementos de outros estilos arquitetônicos de cunho [[Arquitetura historicista|historicista]] o torna também um exemplar do [[Arquitetura eclética|ecletismo]], que se reflete também na temática variada dos elementos decorativos da área interna.
 
==== 1º andar (térreo) ====
Na República, o salão foi usado como sala de música e para a realização de [[Sarau|saraus]]. Consta que, nele, realizou-se o famoso e polêmico sarau com músicas da compositora e maestrina [[Chiquinha Gonzaga]], promovido por D. [[Nair de Tefé|Nair de Teffé]], segunda esposa do presidente [[Hermes da Fonseca]], no qual ela apresentou um novo ritmo, o Corta-jaca, escandalizando a sociedade da época.
[[Ficheiro:Entrada do Palácio do Catete.jpg|alt=|esquerda|miniaturadaimagem|A escadaria principal do Palácio do Catete. À direita e à esquerda, aparecem as esculturas "Leitura" e "Escrita".]]
No andar térreo, o requinte das pinturas e ornamentos e a distribuição e localização dos cômodos sugerem que esse espaço tenha sido destinado às salas de visita e de estar, quando da ocupação do prédio pela família do Barão de Nova Friburgo. Durante a República, a área foi redefinida para abrigar setores burocráticos como secretaria, biblioteca, gabinetes, salas de despachos e de audiências
 
A entrada no Palácio é feita por um portão de ferro fundido na [[Alemanha]]. No saguão, seis colunas de mármore levam à escada principal. Na reforma para a chegada da Presidência, o espaço recebeu [[Candeeiro|luminárias]] novas e [[Estuque|estuques]] no teto com as Armas da República. O saguão é decorado por quatro pares de esculturas alegóricas: "O Pudor" e "A Glória", "Caçada ao Leão" e "Caçada ao Jaguar", "Ubirajara" e "Perseu", "Leitura" e "Escrita".
Um dos espelhos existentes na época da corte foi substituído por painel executado pelos pintores [[Antônio Parreiras|Antonio Parreiras]] e [[Décio Villares|Décio Vilares]].
 
A escada principal foi construída na Alemanha em módulos pré-fabricados de ferro fundido, uma das primeiras deste tipo a serem utilizadas no Brasil. <ref name=":0" /> O saguão da escada era iluminado naturalmente pela [[Claraboia|clarabóia]] de vidro colorido no teto, à qual se somaram, nos tempos da Presidência, as luzes das lâmpadas elétricas.
O Salão Mourisco, em mais um diferente estilo (tem esse nome por sua decoração inspirada na [[arte islâmica]]), era um local masculino, usado como sala de jogos e de fumar. Tem um lustre de bronze dourado e cristal rubi, mobiliário em marfim e palhinha e é decorado por esculturas e um cinzeiro em forma de crocodilo.
 
O painel central e os arcos são decorados por cenas mitológicas copiadas dos afrescos pintados pelo renascentista italiano [[Rafael]] na [[Villa Farnesina|Villa Farnesiana]] em Roma <ref name=":1" />. Os vitrais laterais são de fabricação alemã e retratam musas e outras figuras mitológicas ligadas à ciência e às artes. Em um nicho na parede ao centro há uma cópia em metal da escultura [[Afrodite]] de [[Cápua]], do Museu Nacional de Nápoles.
O Salão de Banquetes tem sua função definida pela própria decoração. Foi também utilizado, durante o período em que Getúlio Vargas ocupou o Catete, como um espaço para reuniões ministeriais. No teto do salão vêem-se estuques com frutos, pinturas de [[Natureza-morta|naturezas mortas]] nos arcos, e o painel central é uma cópia adaptada da obra [[Diana (mitologia)|Diana]], a caçadora, do italiano [[Domenico Zampieri|Domenichino]].
 
'''Salão Ministerial'''[[Ficheiro:Museu reublica salao ministerial.jpg|miniaturadaimagem|Mesa de reuniões do Salão Ministerial. Ao fundo, o quadro Compromisso Constitucional, de [[Aurélio de Figueiredo]] (1896).]]
==== 3º andar ====
Na época do Barão de Friburgo, esse salão era usado para pequenas recepções informais, que podiam se estender rumo ao jardim graças à varanda que se abre para o pátio interno. No teto, uma composição retrata os personagens da [[mitologia grega]] [[Dioniso|Dionísio]], deus do vinho e [[Ariadne]].
O último andar do Palácio era destinado aos aposentos privados da família do barão de Nova Friburgo e, mais tarde, das famílias dos presidentes. Com o passar do tempo, o mobiliário e a decoração foram sendo alterados de acordo com as necessidades de cada morador. Com a instalação da Presidência, novos móveis e objetos funcionais e de decoração foram encomendados. Alguns exemplos deste mobiliário estão integrados ao circuito histórico. A galeria circunda todo o centro do prédio e possibilita uma visão mais aproximada da [[claraboia]] composta por 266 peças e decorada por um vitral.
 
Com a instalação da Presidência, o salão recebeu novos móveis e passou a ser chamado de Salão de Despachos e Conferências (posteriormente, Salão Ministerial) pois recebia as reuniões do presidente com ministros, políticos e representantes da sociedade civil. Nesse salão, o visitante pode ver a mesa de [[mogno]] usada nessas reuniões, com as pastas usadas pelo Presidente e pelos titulares dos Ministérios que existiam até 1960.
O quarto presidencial foi marcado pelo suicídio de Getúlio Vargas, em 24 de agosto de 1954.
 
Neste salão também se encontram expostos os quadros Compromisso Constitucional, de [[Aurélio de Figueiredo]] e Pátria, de [[Pedro Bruno]].
==== Área externa ====
[[Ficheiro:Escadaria do palácio do Catete no Rio de Janeiro.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Vista da escadaria principal do Palácio do Catete, na chegada ao segundo andar.]]
Além do jardim, o Museu possui pátio interno e varanda. Originária da construção do Palácio, a varanda tem piso em mármore branco e [[guarda-corpo]] em ferro fundido. É sustentada por seis colunas coríntias, com saia decorada com [[Cartela (arquitetura)|cartelas]] e [[Palmeta|palmetas]]. Na época da Presidência da República, foi palco de várias reuniões e solenidades, como atestam diversas fotos pertencentes ao Arquivo do museu.
 
==== 2º andar ====
[[Ficheiro:Palacio Catete-1897.jpg|thumb|direita|Foto do palácio em 1897, com as estátuas das [[musa (mitologia grega)|musas]] no topo.]]
Chegando ao segundo andar pela escadaria principal, o visitante se depara com quatro painéis murais representando as alegorias das artes que se integraram na construção do Palácio: Pintura, Desenho, Arquitetura e Escultura. Aqui, o Palácio aparece retratado da forma como era na época de sua construção, sustentado por um dos dois anjos que ladeiam a figura feminina que representa a Arquitetura. <ref name=":0" />
 
O segundo andar era destinado a recepções e cerimônias de gala, tanto na época do Barão quanto da Presidência da República. A riqueza e os esquemas decorativos dos salões mostram como certos setores da [[aristocracia]] do Segundo Império, cujos hábitos e negócios iam se tornando cada vez mais [[Burguesia|burgueses]], procuravam demonstrar seu sucesso diante da sociedade. <ref name=":1" />
Na construção original, o alto do edifício possuía águias fundidas em ferro. Posteriormente, esses ornamentos foram substituídos por estátuas de [[Musa (mitologia grega)|musas]], representando o verão, o outono, a justiça e outros temas. A partir de 1910, as estátuas foram substituídas por novas águias ([[Harpia|harpias]]), só que agora em [[bronze]], obra do escultor [[Rodolfo Bernardelli]]. As antigas esculturas de ferro foram fundidas para a fabricação dos bancos do jardim. A edificação ficou, então, conhecida como "Palácio das Águias", denominação raramente utilizada, porém.
 
'''Capela'''
=== Jardim ===
{{AP|Jardim Histórico}}
 
A forte influência política e ideológica da [[Igreja Católica no Brasil|Igreja Católica]] sobre o Estado imperial brasileiro explica o porquê do Barão de Nova Friburgo ter uma sala de orações e atividades litúrgicas no pavimento mais nobre de seu palácio. Sala de temática religiosa, apresenta o teto decorado por painéis reproduzindo a figura de apóstolos e cópias de duas telas: “[[Transfiguração (Rafael)|Transfiguração]]”, do italiano renascentista [[Rafael]], cujo original encontra-se nos [[Museus Vaticanos]]; e “[[Imaculada Conceição dos Veneráveis|Imaculada Conceição]]”, do espanhol barroco [[Bartolomé Esteban Murillo|Bartolomé Murillo]], cujo original integra o acervo do [[Museu do Prado]].<ref name=":0" />
Iniciada a construção do Palácio, o Barão de Nova Friburgo adquiriu novas terras, incorporando a área ao fundo do terreno e a aléia central do parque, onde já então havia as palmeiras existentes até hoje. Segundo alguns historiadores, tanto o jardim do Palácio quanto o do Palácio São Clemente, em Nova Friburgo, também de propriedade do Barão, teriam sido feitos pelo paisagista francês [[Auguste François Marie Glaziou]].
 
Durante o período republicano, a decoração foi conservada, mas a capela virou sala de visitas. Somente foi usada com fins religiosos para o casamento da filha do presidente Rodrigues Alves em 1904 e no velório do presidente Afonso Pena em 1909 <ref name=":5">{{citar livro|título=Guia de Visitação|ultimo=Museu da República|primeiro=|editora=|ano=1994|local=Rio de Janeiro|página=|páginas=}}</ref>.
A remodelação do jardim do Palácio para a sua ocupação pela sede do Poder Executivo Nacional ficou sob a coordenação de [[Paul Villon]], discípulo do paisagista francês Auguste Marie Françoise Glaziou, com quem Villon já havia trabalhado à época da reforma do Campo da Aclamação, atual [[Campo de Santana (Rio de Janeiro)|Praça da República]].
 
'''Salão Francês'''
Um antigo [[pavilhão]] do parque foi transformado em [[coreto]], seguindo a tendência dos logradouros públicos tanto em voga no período. Foram, também, construídas dependências para os mordomos e criados da presidência. Ainda no parque, seriam adaptados um piquete de cavalaria e cocheiras, próximos à entrada da Praia do Flamengo, no local onde hoje é o prédio da [[Reserva técnica|Reserva Técnica]] do Museu.
 
Também chamado de Salão Azul, este salão localizado entre a Capela e o Salão Nobre servia de apoio às recepções e festas oferecidas no Palácio, onde os convidados podiam sentar e descansar. Seu nome vem do predomínio da decoração em [[Estilo Luís XVI|estilo Luiz XVI]], presente nos ornatos do teto, nas molduras dos espelhos e nas sanefas, no mobiliário e no relógio de fabricação francesa.
As instalações elétricas representaram uma grande inovação tecnológica na reforma de adaptação do Palácio. Coube ao engenheiro Adolfo Aschoff a coordenação dos trabalhos, citados como pioneiros pela imprensa da época. Foi construída uma oficina elétrica e, especialmente para abrigá-la, erguido um prédio de três compartimentos, na lateral do terreno voltada para a Rua Princesa do Catete, atual Rua Ferreira Viana.
 
Com a chegada da Presidência, as paredes da sala ganharam novas pinturas em estilo [[Art nouveau|art noveau]], sob supervisão do pintor [[Antônio Parreiras]].<ref name=":5" /> Era no Salão Francês que os embaixadores estrangeiros aguardavam o momento de entregar suas credenciais ao Presidente da República, cerimônia que era realizada no Salão Nobre.
Tendo em vista assegurar o transporte de carvão para a usina elétrica do Palácio, foi também construído um novo ramal para a linha férrea que atendia ao bairro do Catete. Alguns anos mais tarde, essa construção foi transformada em garagem presidencial, atualmente funcionando no local parte das instalações do Museu do Folclore. A usina elétrica foi desativada.
 
'''Salão Nobre'''[[Ficheiro:Palácio do Catete (cidade do Rio de Janeiro, Brasil) (abaixo o imperialismo linguístico) 35.jpg|miniaturadaimagem|O Salão Nobre do Palácio do Catete.]]
Na área do jardim voltada para a Praia do Flamengo, havia um embarcadouro, construído pelo conselheiro Mayrink, para a atracação de seu iate. Quando o Palácio se tornou sede do Governo Federal, este cais passou a ser de uso exclusivo da Presidência da República. Na década de 1960, quando foi construído o [[Aterro do Flamengo]], foi demolido o que restava do embarcadouro.
O Salão Nobre ou Salão de Baile relembra a vida social e o luxo da corte. Nele eram realizadas as principais recepções do Palácio. As pinturas verticais representam cenas mitológicas associadas à música e às artes, e, na parte superior das paredes, pinturas em semicírculo referem-se à vida de [[Apolo]], deus da música e da poesia. A presença da música é notada, ainda, nas [[Lira (instrumento musical)|liras]] que aparecem no [[parquet]] do piso. O mobiliário e os espelhos biseautés foram adquiridos pelo Barão de Nova Friburgo na França<ref name=":0" />.
 
Na época da Presidência, esse salão continuou sendo o espaço mais nobre, tendo recebido sobre as portas as Armas da República. Era da varanda deste salão que o Presidente se dirigia à multidão reunida do lado de fora do Palácio, em ocasiões especiais como a cerimônia de posse. Em 1938, o painel do teto foi refeito pelo pintor acadêmico brasileiro [[Armando Viana|Armando Vianna]].<ref name=":5" />
Em 6 de abril de 1938, o Palácio do Catete e seu respectivo Jardim foram tombados pelo recém-criado Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), hoje [[Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional|Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN)]].
 
'''Salão Pompeano'''[[Ficheiro:Palácio do Catete (cidade do Rio de Janeiro, Brasil) (abaixo o imperialismo linguístico) 28.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Detalhe do teto do Salão Pompeano, com a representação das datas históricas, incluída pela reforma da Presidência da República em 1896.]]
O [[tombamento]] do jardim do Palácio é um instrumento de proteção e preservação de seus traços paisagísticos, que não podem ser alterados sem autorização prévia do IPHAN.
Seguindo um tema da moda em meados do século XIX, as paredes do Salão Pompeano foram pintadas com figuras e alegorias inspiradas nos vestígios encontrados nas ruínas da cidade romana de [[Pompeia|Pompéia]]; o vermelho intenso evoca o vulcão [[Vesúvio]] que a soterrou. O mobiliário também foi adquirido pelo Barão de Nova Friburgo na França<ref name=":0" />.
 
Nas obras de adaptação do prédio para a Presidência, apenas o teto sofreu alteração, com a colocação das Armas Nacionais e das datas históricas referentes ao [[Descobrimento do Brasil]], [[Independência do Brasil|Independência]], [[Lei Áurea|Abolição da Escravatura]] e Proclamação da República. Era utilizado, nas festas, como área de descanso para as mulheres <ref name=":2">{{citar web |ultimo=FRANÇA |primeiro=Renata Reinhoefer Ferreira |url=http://www.dezenovevinte.net/arte%20decorativa/ad_palacio_friburgo.htm#_edn1 |titulo=Arquitetura, imaginário e poder no Palácio do Barão de Nova Friburgo |data=janeiro de 2008 |acessodata=21 de setembro de 2020 |publicado=}}</ref>.
No ano de 1960, com a criação do Museu da República, o jardim foi aberto ao público.
[[Ficheiro:Palácio do Catete - 11.JPG|miniaturadaimagem|Detalhe da parte superior da parede do Salão Mourisco, com os relevos em estilo árabe e o afresco retratando um homem em trajes típicos norte-africanos.]]'''Salão Mourisco'''
 
O Salão Mourisco é assim chamado pela decoração de cunho [[Orientalismo|orientalista]], em estilo [[mudéjar]], característico da presença árabe na [[Península Ibérica]] e no [[Norte de África|norte da África]]. Era um espaço destinado ao lazer dos homens, para jogar e fumar <ref name=":2" />. Apresenta um lustre de bronze dourado e cristal rubi, mobiliário em marfim e palhinha e é decorado por itens como as esculturas dos "Musicistas Árabes" e um cinzeiro em forma de crocodilo. Os relevos coloridos nas paredes são inspirados na ornamentação do palácio fortaleza de [[Alhambra]] em [[Sevilha]], na [[Espanha]].
Em 1995, um novo projeto paisagístico foi elaborado para o parque, sendo realizada uma ampla reestruturação de toda a sua rede elétrica e de escoamento de água e implantado um sistema automático de irrigação.
 
'''Salão Veneziano'''[[Ficheiro:Palácio do Catete (cidade do Rio de Janeiro, Brasil) (abaixo o imperialismo linguístico) 25.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|O Salão Veneziano do Palácio do Catete.]]
No final dos anos 90, uma nova intervenção substituiu os muros do parque erguidos ao longo da Rua Silveira Martins e da Praia do Flamengo por gradis idênticos aos que já existiam nas demais margens do Palácio, permitindo uma maior visibilidade do seu jardim.
O Salão Veneziano (também chamado de Salão Amarelo) era usado como sala de visitas. Seu nome decorre do estilo do mobiliário, com móveis pesados e ricamente decorados. Nele há um lustre central em bronze e cristal, candelabros e grandes espelhos.
 
Na República, o salão foi usado como sala de música e para a realização de [[Sarau|saraus]]. Um dos espelhos existentes nos tempos do Barão de Nova Friburgo foi substituído por um painel executado pelos pintores Antonio Parreiras e [[Décio Villares|Décio Vilares]]. <ref name=":0" />
 
Nele, em 1913, realizou-se o sarau promovido por [[Nair de Tefé|Nair de Teffé]], segunda esposa do presidente Hermes da Fonseca, no qual ela tocou ao violão a música “Corta-jaca”, [[maxixe]] composto pela maestrina [[Chiquinha Gonzaga]]. O episódio escandalizou a sociedade da época, que desprezava este tipo de música por causa de sua origem popular.
 
'''Salão de Banquetes'''
 
O Salão de Banquetes tem sua função original definida pela própria decoração. No teto do salão veem-se estuques com frutos e pinturas de [[Natureza-morta|naturezas mortas]] nos arcos. O painel central é uma cópia adaptada da obra [[Diana (mitologia)|"Diana, a caçadora]]", do italiano [[Domenico Zampieri|Domenichino]], cujo original está na [[Galleria Borghese|Galeria Borghese]]. Durante o último mandato de Getúlio Vargas no Catete, foi usado também como espaço para reuniões ministeriais. <ref name=":5" />
 
Por este salão se tem acesso à varanda, com piso de mármore branco e [[guarda-corpo]] em ferro fundido. É sustentada por seis [[Coluna|colunas]] coríntias, com saia decorada com [[Cartela (arquitetura)|cartelas]] e [[Palmeta|palmetas]]. Na época da Presidência da República, foi palco de várias reuniões e solenidades.
[[Ficheiro:Museu da República no Rio reabre para visitação o quarto de Getúlio Vargas (23545781369).jpg|miniaturadaimagem|O quarto do terceiro andar onde encontram-se expostos a cama, o revólver de cabo de madrepérola, a bala e o pijama utilizados pelo presidente Getúlio Vargas na ocasião de seu suicídio, em 1954.]]
 
==== 3º andar ====
O último andar era destinado aos aposentos privados da família do barão de Nova Friburgo e, mais tarde, das famílias dos presidentes quando estes decidiam habitar o Palácio. Para a instalação da Presidência, novos móveis e objetos funcionais e decorativos foram encomendados. Com o passar do tempo, o mobiliário e a decoração foram sendo alterados de acordo com as necessidades e gostos de cada morador. <ref name=":5" /> A galeria circunda todo o centro do prédio e possibilita uma visão mais aproximada da claraboia composta por 266 peças e decorada por um vitral.
 
Ficava neste andar o quarto onde Getúlio Vargas suicidou-se, em 24 de agosto de 1954. Logo após a morte do ex-presidente, a mobília foi transferida do Palácio do Catete para uma sala do Museu Histórico Nacional, na qual se buscou recriar o cenário onde ocorreu o episódio. Com a inauguração do Museu da República, o quarto foi novamente montado no Palácio do Catete. Nele são expostos o pijama usado por Getúlio naquela madrugada, bem como a pistola e a bala utilizadas na ocasião.
 
===Jardim Histórico===
 
O [[Jardim histórico|Jardim Histórico]] do Museu da República ocupa uma área de 24.000 m<sup>2</sup>, ligando a Rua do Catete à Praia do Flamengo, paralelamente à Rua Silveira Martins<ref name=":5" />. Seu formato original, cujo projeto é atribuído ao paisagista francês Antoine Glaziou, apresentava árvores de grande altura, um pomar e a aléia de palmeiras, já existente no terreno desde antes de sua aquisição pelo Barão de Nova Friburgo <ref name=":4">{{citar livro|título=Jardim Histórico do Museu da República|ultimo=CABRAL, Magaly; DAETWYLER, Carlos; MACRI, Marcus (Orgs)|primeiro=|editora=Museu da República|ano=|local=Rio de Janeiro|página=2019|páginas=}}</ref>.
[[Ficheiro:Parque - Palácio do Catete.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|Vista geral do lago artificial e da vegetação do jardim do Palácio do Catete.]]
O segundo proprietário do Palácio, o Conselheiro Mayrink, fez construir um embarcadouro para seu iate nos fundos do jardim, que terminava diretamente na Baía de Guanabara (o primeiro aterramento dessa região aconteceu em 1905, para abertura da Avenida Beira-Mar). Quando o Palácio se tornou sede do Governo Federal, este cais passou a ser de uso exclusivo da Presidência da República. Na década de 1960, quando foi construído o [[Aterro do Flamengo]], o que restava do embarcadouro foi demolido<ref name=":0" />.
[[Ficheiro:Jardim do Palácio do Catete - chafariz com escultura.jpg|alt=|miniaturadaimagem|Foto de Marc Ferrez (1897) retratando o chafariz da aléia central do jardim que, desde 1854, situava-se no antigo Largo do Valdetaro, em frente ao palácio <ref name=":5" />. Foi transferido para sua atual localização durante as reformas para a Presidência da República, em 1896. (Acervo Instituto Moreira Salles)]]
O projeto de [[Paul Villon]], de 1896, feito para a Presidência da República, adicionou ao jardim canteiros altos, três pontes rústicas, bancos sobre rochas artificiais e a gruta artificial com cascata, de onde sai um rio artificial que alimenta dois lagos. Um antigo [[pavilhão]] do parque foi transformado em [[coreto]] para apresentações musicais. Foram construídas dependências para os mordomos e criados da presidência. Ainda no parque, seriam adaptados um piquete de cavalaria e cocheiras, próximos à entrada da Praia do Flamengo<ref name=":0" />, no local onde hoje é o prédio da [[Reserva técnica|Reserva Técnica]] do Museu.
[[Ficheiro:Palácio do Catete0026.JPG|esquerda|miniaturadaimagem|O coreto do jardim do Palácio do Catete, que na década de 1980 abrigava a Brinquedoteca do Museu da República. Atualmente, serve como espaço para exposições e apresentações artísticas.]]
Do século XIX também é o conjunto de esculturas alegóricas de bronze, de autoria de Mathurin de Moreau, que representam a África, a América, a Europa, a Ásia e a Oceania por meio de crianças que lutam contra animais típicos daqueles continentes. <ref name=":4" /> As esculturas foram fabricadas na [[Fundição Val d'Osne|Fundição Val D'Osne]], de onde vieram também a escultura representando a lenda do [[O Nascimento de Vênus|Nascimento de Vênus]], colocada no topo do chafariz e as alegorias femininas que ficaram na platibanda do palácio até 1910.
 
No ano de 1960, com a criação do Museu da República, o jardim foi aberto ao público. Durante o período em que o Palácio esteve fechado para obras, entre 1984 e 1989, o jardim recebeu diversas atividades do Museu da República, <ref name=":4" /> como as colônias de férias, apresentações musicais e teatrais e o programa de formação em jardinagem destinado a menores em situação de rua.
 
Em 1995, um novo projeto paisagístico foi elaborado para o parque, sendo realizada uma ampla reestruturação de toda a sua rede elétrica e de escoamento de água e implantado um sistema automático de irrigação. No final dos anos 90, uma nova intervenção substituiu os muros do parque erguidos ao longo da Rua Silveira Martins e da Praia do Flamengo por gradis idênticos aos que já existiam nas demais margens do Palácio, permitindo uma maior visibilidade do seu jardim. <ref name=":4" />
[[Ficheiro:Palácio do Catete0017.JPG|thumb|direita|Chafariz no jardim do palácio. O monumento, sem a sua parte superior representando o nascimento de [[Vênus (mitologia)|Vênus]], estava anteriormente situado no antigo Largo do Valdetaro, em frente ao palácio, de onde foi transferido para sua atual localização no jardim do museu.]]
 
== Acervo ==
O Museu da República, por intermédio de suas ambientações, das exposições temporárias, e de longa duração e dos eventos culturais, busca oferecer ao visitante um amplo panorama da história republicana. Fotos, documentos, objetos, mobiliário e obras de arte dos séculos XIX e XX integram seu acervo, exposto nos diversos salões do Palácio.
 
=== Museologia ===
O Setor de Museologia do Museu da República, que inclui a Reserva Técnica, é a área que se dedica à preservação do acervo museológico através de medidas de [[Conservação e restauro|conservação]] e documentação como forma de salvaguardar o [[Património cultural|patrimônio cultural]] presente sob a guarda do Museu. Suas principais funções são a perpetuação do patrimônio com intuito de promover e difundir o acervo, contribuindo para a comunicação entre este e a sociedade, bem como, mediar pesquisas internas e externas.
 
O acervo museológico do Museu da República reúne cerca de 9.400 itens, produzidos desde fins do século XVIII até os dias atuais. Cerca de dois terços do acervo são oriundos de transferências feitas pelo Museu Histórico Nacional. Os itens estão agrupados em 74 coleções museológicas, batizadas com os nomes das personalidades da história republicana aos quais os objetos se relacionam, ou a partir de referências temáticas. Ao todo, são 63 coleções de titulares e 11 coleções temáticas, o que denota o padrão biográfico da organização do acervo, isto é, objetos que dizem respeito às vidas privadas e públicas desses personagens da história republicana. Por causa do passado do Palácio do Catete como sede da Presidência da República, 29 das coleções de titulares se referem a ex-presidentes, mesmo aqueles que ocuparam o cargo por um curto período, como [[o vice-presidente Delfim Moreira]], [[e os interinos José Linhares]] e [[Carlos Luz]], por exemplo.<ref name=":3">{{citar livro|título=Criar, ver e pensar. Um acervo para o Museu da República|ultimo=VersianiVERSIANI|primeiro=Maria Helena|editora=Garamond Universitária|ano=2018|local=|páginas=Rio de Janeiro|página=|páginas=|acessodata=}}</ref>
[[Ficheiro:Pedro Bruno - A Pátria.jpg|miniaturadaimagem|Quadro "Pátria", de Pedro Bruno (1919). (Acervo Museu da República).]]
 
As duas coleções de titulares mais volumosas são a Coleção Pereira Passos, formada por objetos doados pela família do ex-prefeito do Rio de Janeiro, [[Francisco Pereira Passos]] (1.457 itens); e a Coleção Getúlio Vargas (1.082 itens), formada tanto pelas doações do próprio Vargas e de seus familiares, como pelos objetos doados por cidadãos sem vínculo familiar com o ex-presidente. Nesta última, destacam-se o revólver e o pijama usados por Getúlio Vargas na noite de seu suicídio, em 24 de agosto de 1954, além de variados itens de homenagem ao presidente, como pinturas, esculturas, desenhos, medalhas, flâmulas, objetos pessoais, presentes recebidos em viagens oficiais, dentre outros.
 
Das coleções temáticas, a mais volumosa é a Coleção Museu da República (2.643 itens), que reúne objetos variados, sem um perfil temático específico, que lhes desse lugar nas demais coleções <ref name=":3" />; é o caso, por exemplo, do material de propaganda política e sociocultural, como bottons, bandeiras, camisetas, faixas, dentre outros; e das diversas figurações e [[Símbolos do Brasil|símbolos oficiais da República]], como a Bandeira Nacional Republicana bordada pelas filhas de [[Benjamin Constant (militar)|Benjamin Constant]] e o quadro Pátria, de [[Pedro Bruno]].
 
A segunda coleção temática em volume é a Coleção Presidência da República (1.232 itens), que reúne objetos relacionados ao período em que o Palácio do Catete foi sede da Presidência da República e, em menor parte, ao período em que o palácio pertencia à família do Barão de Nova Friburgo. São objetos de uso interior, como cortinas, louças de porcelana, cristais, prataria, vasos decorativos, candelabros, castiçais, móveis diversos, pinturas e esculturas.
 
Em 2020, o museu recebeu uma coleção de 523 peças usadas pelas religiões da [[umbanda]] e do [[candomblé]], que se encontravam até então no [[Museu da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro|Museu da Polícia Civil]] por terem sido apreendidas em ações policiais realizadas entre os anos de 1889 e 1945.<ref>https://odia.ig.com.br/rio-de-janeiro/2020/09/5992964-museu-da-republica-recebe-pecas-historicas-de-religioes-afro-brasileiras-apreendidas-pela-policia.html</ref> Essas peças são representativas da repressão promovida durante o período republicano contra as religiões de matriz africana, com base no artigo nº 157 do Código Penal de 1890, que considerava "crime contra a saúde pública" praticar o que se chamava de "espiritismo, a magia e seus sortilégios" <ref>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/d847.htm</ref>.
 
=== Arquivo Histórico e Institucional ===
O acervo do Arquivo Histórico, foi formado, inicialmente, a partir da transferência de objetos, livros e documentos relacionados ao período republicano, até então depositados no Museu Histórico Nacional, relacionados ao nosso período republicano. A este primeiro núcleo documental, somamsomaram-se outras aquisições e doações relacionadas a personagens ou acontecimentos que marcaram de alguma forma a história republicana brasileira. Os documentos são oriundos, sobretudo, de arquivos pessoais, além de documentos avulsos diversos.
 
O acervo do Arquivo Histórico é predominantemente em suporte papel (há apenas alguns itens em suporte tecido ou couro), composto de documentos textuais (manuscritos e impressos), fotografias, plantas e mapas. A maioria das coleções é formada por [[Arquivo pessoal|arquivos de tipo pessoal]].
Atualmente, o Arquivo Histórico reúne, preserva e disponibiliza ao público cerca de 90.000 documentos, divididos em 29 coleções. Entre elas, está a Coleção [[Guerra de Canudos|Canudos]],<ref>{{citar web|url=http://brasilianafotografica.bn.br/?p=3002|titulo=Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros|data=|acessodata=2018-11-07|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> com fotos de Flávio de Barros (únicas imagens conhecidas do conflito); que, em 2009, recebeu o reconhecimento do [[Programa memória do mundo|Programa Memória do Mundo]], da [[Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura|Unesco]]. Destaca-se ainda a Coleção [[Nilo Peçanha]], arquivo pessoal de uma das mais importantes lideranças políticas fluminenses da Primeira República, composto por mais de 20.000 documentos. Já a Coleção Família Passos<ref>{{citar web|url=http://brasilianafotografica.bn.br/?p=8414|titulo=Novos acervos: Museu da República|data=|acessodata=2018-11-07|publicado=|ultimo=|primeiro=}}</ref> reúne registros textuais e fotográficos da trajetória pública e familiar do ex-prefeito Pereira Passos, incluindo documentos relacionados à grande reforma urbana empreendida por ele no Rio de Janeiro do início do século XX. Em 2017, esta coleção também foi reconhecida pelo Programa Memória do Mundo da Unesco. Outro acervo importante é a Coleção Memória da Constituinte,<ref>{{citar web|url=http://museudarepublica.museus.gov.br/o-programa-pro-memoria-da-constituinte/|titulo=O PROGRAMA PRÓ-MEMÓRIA DA CONSTITUINTE|data=|acessodata=2018-11-07|publicado=Site do Museu da República|ultimo=|primeiro=}}</ref> que reúne mais de 20.000 registros dos debates que antecederam e acompanharam a [[Assembleia Nacional Constituinte de 1987|Assembleia Nacional Constituinte]] de 1988.
[[Ficheiro:Canudos rebels.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|"400 jagunços prisioneiros", título original da foto de Flávio de Barros, da Coleção Canudos, que retrata as mulheres, velhos e crianças feitos prisioneiros pelo Exército ao fim da Guerra de Canudos. (Acervo Museu da República).]]
Atualmente, o Arquivo Histórico reúne, preserva e disponibiliza ao público cerca de 90.000 documentos, divididos em 29 coleções. <ref>{{citar web |ultimo= |primeiro= |url=http://museudarepublica.museus.gov.br/guia-de-colecoes/ |titulo=Guia de coleções do Arquivo Histórico do Museu da República. |data= |acessodata=22 de setembro de 2020 |publicado=}}</ref> Entre elas, está a Coleção Canudos, com as fotos de Flávio de Barros que são as únicas imagens remanescentes da [[Guerra de Canudos]]<ref>{{citar web |ultimo=BURGI |primeiro=Sérgio |url=http://brasilianafotografica.bn.br/?p=3002 |titulo=Guerra de Canudos pelo fotógrafo Flavio de Barros |data=Outubro de 2015 |acessodata=21 de setembro de 2020 |publicado=Portal Brasiliana Fotográfica}}</ref>; em 2009, esta coleção recebeu o reconhecimento do [[Programa memória do mundo|Programa Memória do Mundo]], da [[Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura|Unesco]]. Destaca-se ainda a Coleção [[Nilo Peçanha]], arquivo pessoal de uma das mais importantes lideranças políticas fluminenses da [[Primeira República Brasileira|Primeira República]], composto por mais de 20.000 documentos.<ref>{{citar livro|título=Acervo Nilo Peçanha: possibilidades de pesquisa. In: Andréa Telo da Côrte. (Org.).Nilo Peçanha e o Rio de Janeiro no cenário da federação.|ultimo=MANGAS|primeiro=Vera|editora=Imprensa Oficial|ano=2010|local=Rio de Janeiro|página=|páginas=p. 59-71.}}</ref>
 
Já a Coleção Família Passos reúne registros textuais e fotográficos da trajetória pública e familiar do ex-prefeito [[Francisco Pereira Passos]], incluindo documentos relacionados à grande reforma urbana empreendida por ele no Rio de Janeiro entre os anos de 1902 e 1906. Em 2017, esta coleção também foi reconhecida pelo Programa Memória do Mundo da Unesco <ref>{{citar web |ultimo=CABRAL |primeiro=Magaly |url=http://brasilianafotografica.bn.br/?p=8414 |titulo=A Reforma Urbana do Rio de Janeiro na Coleção Família Passos |data=15 de setembro de 2017 |acessodata=21 de setembro de 2020 |publicado=Portal Brasiliana Fotográfica}}</ref>. Outro acervo importante é a Coleção Memória da Constituinte <ref>{{citar web |ultimo=SUSSEKIND |primeiro=Elizabeth |url=http://museudarepublica.museus.gov.br/o-programa-pro-memoria-da-constituinte |titulo=O Programa Pró-Memória da Constituinte |data=junho de 2017 |acessodata=21 de setembro de 2020 |publicado=}}</ref>, que reúne mais de 20.000 registros dos debates políticos e das mobilizações populares que antecederam e acompanharam a [[Assembleia Nacional Constituinte de 1987|Assembleia Nacional Constituinte]], que elaborou a [[Constituição brasileira de 1988|Constituição Federal de 1988]].
Trata-se de acervo predominantemente em suporte papel (há apenas alguns itens em suporte tecido ou couro), composto de documentos textuais (manuscritos e impressos), fotografias, plantas e mapas.
 
O Arquivo Institucional foi inaugurado em 2010, com a entrada de uma equipe específica e tendo como objetivo recuperar e criar registros da trajetória do Museu da República. Assim, como uma dasSuas primeiras ações, foiforam inauguradoa oinauguração do Programa de Memória Institucional. E, como uma de suas primeiras tarefas,e o início da organização do fundo MR;Museu criadoda República, inicialmente,criado a partir de documentos acumulados pela extinta Didop (Divisão de Documentação e Pesquisa), que funcionou durante a década de 1980. Atualmente, o volume do acervo está estimado em 156.000 documentos.
 
Logo a seguir, e até o presente momento, ocorre o gradativo processo de recolhimento ao Arquivo Institucional da documentação permanente existente em outros setores. Este processo envolve todas as etapas do tratamento técnico da documentação (organização, higienização, confecção de pequenos reparos, acondicionamento, classificação e descrição arquivística). Simultaneamente a todas essas fases, acontece a pesquisa sobre a atuação do MR junto a outras instituições, principalmente aquelas onde o MR esteve ligado, como Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Museu Histórico Nacional (MHN) e Pró Memória.
 
=== Biblioteca ===
O primeiro registro do livro de tombo da Biblioteca data de 11 de agosto de 1964, quatro anos após o Palácio do Catete ter se transformado no Museu da República. Nessa época, o Museuacervo da República fazia parte da estruturaBiblioteca do Museu Histórico Nacional, Divisão de História da Republica, e o acervo da BibliotecaRepública começou a ser formado por obras transferidas do acervo do próprioMuseu MHNHistórico Nacional, acrescido por doações de nomes expressivos da história republicana brasileira ao longo dos anos.
 
Em 1983, após a desvinculação do Museu da República do MHN, a Biblioteca passou a fazer parte da Divisão de Documentação e Pesquisa. Entre 1986 e 1988, como parte de uma reestruturação administrativa, teve o seu acervo atualizado com a aquisição de obras de referência, por meio de um convênio com o [[Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico|CNPq]],
 
AEm 1983, após a desvinculação do Museu da República do MHN, a Biblioteca passou a fazer parte da Divisão de Documentação e Pesquisa. Entre 1986 e 1988, como parte de uma reestruturação administrativa, teve o seu acervo atualizado com a aquisição de obras de referência, por meio de um convênio com o [[Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico|CNPq]]. Atualmente, a Biblioteca do MRmuseu possui em seu acervo livros, folhetos, revistas, jornais, CDs e DVDs. Especializada na história do Brasil republicano, possui também obras de [[Ciências sociais|Ciências Sociais]], [[Biblioteconomia]], [[Arquivologia]], [[Museologia]], [[Educação]], [[Arte]] e [[Arquitetura]], assim como informação sobre a memória institucional do Museu da República<ref>{{citar web |ultimo=Museu da República |primeiro= |url=http://museudarepublica.museus.gov.br/biblioteca/ |titulo=Biblioteca |data= |acessodata=22 de setembro de 2020 |publicado=}}</ref>.
 
{{referências}}
<references />
 
==Ligações externas==
{{Commonscat|Palácio do Catete}}
 
* [https://web.archive.org/web/20120518005404/http://www.museudarepublica.org.br/ Sítio oficial do Museu da República]
* [http://www.museusdorioeravirtual.com.brorg/joomlamrepublica_01_br/index.php?option=com_k2&view=item&id=88:museu-da-rep%C3%BAblica PáginaVisita dovirtual imersiva ao Museu da República no portal Museus do Rio]
*[http://brasilianafotografica.bn.br/brasiliana/handle/20.500.12156.1/4886 Acervo do Arquivo Histórico e Institucional do Museu da República no Portal Brasiliana Fotográfica]
* [http://www.eravirtual.org/mrepublica_01_br/ Visita virtual imersiva ao Museu da República]
*[http://www.museusdorio.com.br/joomla/index.php?option=com_k2&view=item&id=88:museu-da-rep%C3%BAblica Página do Museu da República no portal Museus do Rio]
* [http://acasasenhorial.org/index.php/casas-senhoriais/pesquisa-avancada/39-fichas/472-palacio-do-catete Características arquitetônicas e decorativas do Palácio do Catete]
*[http://acasasenhorial.org/index.php/casas-senhoriais/pesquisa-avancada/39-fichas/472-palacio-do-catete Características arquitetônicas e decorativas do Palácio do Catete]
{{Commonscat|Museu da República|Museu da República}}
 
{{Museus do Instituto Brasileiro de Museus}}
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