Diferenças entre edições de "Psicologia feminista"

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=== O Anti-Feminismo pós-Segunda Guerra ===
Em 1942, Edward Strecker criou o "mãezismo" uma síndrome patológica oficial na [[Associação Americana de Psicologia|APA]]. Ele acreditava que o país estava ameaçado porque as mulheres não estavam se desconectando emocionalmente de seus filhos quando estes ainda eram muito pequenos, o matriarcado estava tornando os homens jovens fracos e eles estavam perdendo seu "poder masculino". Isso alimentou o movimento anti-feminista, as mulheres precisavam de psicoterapia para curar a sua doença mental e prevenir a disseminação do maternalismo. O dano psicológico em uma família seria severo se uma mulher escolhesse uma carreira para satisfazer as suas necessidades ao invés de seu papel doméstico feminino designado pela sociedade - a felicidade das mulheres não é importante, ela deve se encaixar em seu papel. O efeito das mulheres terem pensamentos independente e sede de explorar suas novas opções era uma ameaça enorme ao sistema, resultava em mulheres masculinizadas e homens feminilizados, aparentemente confundindo a juventude da nação e condenando o seu futuro. Constantinople e Bem concordaram que homens e mulheres possuiampossuíam masculinidade e feminilidade, e que possuir ambos é ser ''psychológicamente andrógino ''e motivo para ser avaliado ou corrigido psicologicamente.
 
== Pesquisa sobre Gênero nos anos 1960 e 1970 ==
 
=== The Psychology of Women Section (BPS) ===
 A'' [[Psychology of Women Section]]'',<ref>http://pows.bps.org.uk</ref> da ''[[British Psychological Society]] ''foi criada em 1988 para juntar todos com interesse na psicologia de mulheres, para prover um fórum para apoiar pesquisas, aulas e a prática profissional, para aumentar a consicentizaçãoconscientização acerca de problemas e desigualdades de gênero na psicologia como profissão e como prática. A POWS é aberta a todos os membros da'' British Psychological Society''.
 
== Pesquisas atuais ==
Nos Estados Unidos, as mulheres compõem metade da força de trabalho. No entanto, apenas uma pequena parcela dessas mulheres ocupa cargos de liderança. As mulheres constituem somente 16% dos diretores corporativos da ''Fortune 500'', 12% dos diretores do conselho, 16% dos governadores estaduais, 14% dos senadores dos Estados Unidos, 2% dos altos postos militares, e 24% dos professores universitários. Mulheres não-brancas tem estatísticas muito mais baixas do que mulheres caucasianas.
 
As mulheres costumam experimentar o chamado "teto de vidro" quando tentam chegar a posições de liderança. O efeito do teto de vidro se refere a barreiras invisíveis porém poderosas que impedem que as mulheres ultrapassem um certo nível no ambiente de trabalho. “Mulheres afiliadas à Academia Americana de Psicanálise estavam entre as primeiras a perseguir temas como o medo das mulheres de sucesso e inclinações para a dependência neurótica. Reconheceram as forças culturais que inibem o progresso das mulheres nos domínios não-domésticos, particularmente as pressões inerentes a uma sociedade dominada pelos homens..” (Buhl, 1998).
 
Além disso, as mulheres experimentam um "efeito do chão grudento" ("''sticky floor effect''"). Ele acontece quando mulheres não tem caminhos para chegar a cargos mais altos. Quando as mulheres tem filhos, elas experimentam uma barreira; recebem menos atribuições desejáveis e menos oportunidades de avanço quando tem filhos. O patriarcado rotula mulheres como "cuidadoras" as tornando mentalmente não fortes o suficiente para se juntar a força de trabalho dominada por homens sem ter danos psicológicos ou emocionais. (Buhl, 1998). Quando as mulheres começam a trabalhar em uma empresa, o seu avanço pode ser limitado por não ter uma funcionária de cargo alto responsável por um papel ativo no desenvolvimento e planejamento de carreira de novas funcionárias. Faltam mentoras para novas funcionárias porque há menos mulheres do que homens em posições de destaque dentro de empresas. Uma mulher com um mentor homem pode ter dificuldade de criar vínculos e ser aconselhada a partir de experiências de trabalho.
 
Outros fatores limitantes para a liderança de mulheres são diferenças culturais, estereótipos e ameaças. Se uma mulher demonstra um pouco de sensibilidade, ela é rotulada como excessivamente emocional. Geralmente, os chefes não acreditam que pessoas sensíveis sejam capazes de lidar com decisões difíceis ou ocupar posições de liderança. No entanto, se uma mulher demonstra característica consideradas masculinas, ela é vista como má, masculina e agressiva. As mulheres são vistas como menos competentes quando demonstram traços não-femininos e não são levadas a sério. Essas mulheres não se gabam de suas conquistas e se sentem culpadas por serem capazes e ir além de estereótipos de pensamento e emoções femininas para ser bem sucedidas ou tentar se igualar aos homens. Mulheres com carreiras, cujo status profissional depende da apropriação de traços masculinos, frequentemente sofrem de depressão (Buhl, 1998). Pesquisas recentes conectam o conceito de ameaça de estereótipos para com as motivações de garotas para evitar o sucesso como diferença individual; garotas evitam a participação em certos campos dominados por homens devido a obstáculos reais e percebidos para o sucesso nesses campos, embora pouco possa ser provado. (e.g., Spencer et al. 1999).
 
Outro fator que leva a discriminação e estresse são diferenças culturais entre chefes e empregados. Por exemplo, se um chefe é branco e tem um funcionário negro, o estresse pode surgir se eles não entendem e respeitam um ao outro. Sem confiança e respeito, o avanço é improvável. A nossa descrição de identidade de gênero é branca e classe média. Mulheres brancas são descritas como inteligentes, manipuladoras e privilegiadas por mulheres negras, que são descirtasdescritas como fortes, determinadas e com atitude. (Burack, 2002). “Aí está, o medo branco da raiva negra,” foi escrito no ''[[Ladies Home Journal]]''. (Edwards 1998: 77). Sobre as ameaças percebidas no trabalho, não é uma questão de assédio sexual ou assédio em geral. A ameaça é o fato de que mulheres podem possivelmente tomar conta. Quanto mais mulheres trabalhando em um lugar, mais um homem se sente ameaçado sobre o seu trabalho. Em um estudo com 126 gerentes homens, foi solicitado que estimassem o número de mulheres trabalhando no seu local de trabalho e se eles sentiam ou não que os homens estavam em desvantagem. Os homens que acreditavam que havia muitas mulheres sentiam que a segurança do seu trabalho estava ameaçada (Beaton et al., 1996). Alice Eagly e Blair Johnson (1990) descobriram que homens e mulheres tem pequenas diferenças nos seus estilos de liderança. As mulheres com poder são vistas como interpessoais e mais democráticas, enquanto homens são vistos como orientados a tarefas e mais autocráticos. Na realidade, homens e mulheres são igualmente efetivos nos seus estilos de liderençaliderança. Um estudo feito por Alice Eagly (Eagly, Karau, & Makhijani, 1995) não encontrou diferenças significativas na efetividade de líderes homens e mulheres em facilitar o alcance dos objetivos do seu grupo.
<ref>{{citar periódico|último =Beaton, Tougas, & Joly|primeiro =A.M., F., & S.|título=Neosexism among male managers: Is it a matter of numbers?|periódico=Journal of Applied Social Psychology|ano=1996|volume=26|páginas=2189–2203|doi=10.1111/j.1559-1816.1996.tb01795.x|número=24}}</ref>
<ref>{{citar periódico|último =Eagly & Johnson|primeiro =A.H. & B.T.|título=Gender and leadership style: A meta-analysis|periódico=Psychological Bulletin|ano=1990|volume=108|páginas=233–256|doi=10.1037/0033-2909.108.2.233|número=2}}</ref>
== Terapia Feminista ==
A terapia feminista é um tipo de terapia que vê os indivíduos baseada no seu contexto sociocultural. A idéia central por trás dessa terapia e que os problemas psicológicos das mulheres e minorias são frequentemente um sintoma de problemas maiores na estrutura social na qual eles vivem. Existe o consenso geral de que as mulheres são mais frequentemente diagnosticadas com distúrbios internalizantes, como [[depressão]], [[ansiedade]] e [[distúrbios alimentares]], do que homens.<ref name="Crawford, M. 2000">Crawford, M. & Unger, R. (2000). </ref> Terapeutas feministas disputam teorias anteriores de que isso é resultado de fraqueza psicológica em mulheres, e ao invés disso argumentam que é o resultado de maior estresse devida a práticas sexistas na nossa cultura.<ref name="Crawford, M. 2000">Crawford, M. & Unger, R. (2000). </ref> Um equívoco comum é a crença de que terapeutas feministas só se preocupam com a saúde mental das mulheres. Enquanto isso é um componente central da teoria feminista, terapeutas feministas também se preocupam com o impacto de papéis de gênero independentemente do sexo.
Goldman afirma que a conexão entre a psicanálise e o feministmofeminismo está no reconhecimento da sexualidade como fator preeminente na máscara social de mulheres e homens. Freud descobriu que a ideologia masculina era imposta às mulheres para reprimi-las sexualmente, conectando as esferas pública e privada para a subjugação das mulheres. (Buhle, 1998).
O objetivo da terapia feminista é o empoderamento da cliente. Geralmente, as terapeutas evitam dar diagnósticos ou rótulos específicos, e ao invés disso, focam-se nos problemas de viver em uma cultura sexista. As clientes são algumas vezes treinadas para ser mais assertivas e encorajadas a reconhecer seus problemas com a intenção de mudar e de mudar as circunstâncias que as rodeiam.<ref name="Shibley Hyde 2007">Shibley Hyde. </ref> Terapeutas feministas veem a falta de poder como um problema central na psicologia das mulheres e minorias. De acordo, a relação entre paciente e terapeuta visa ser tão igualitária quanto possível com ambos lados comunicando-se horizontalmente e dividindo experiências.<ref name="Matlin, M. W. 2008">Matlin, M. W. (2008). </ref>
 
A terapia feminista difere de outros tipos de terapia de modo que vai além da idéiaideia de que homens e mulheres devem ser tratados de maneira igual na relação terapêutica. A terapia feminista incorpora valores políticos de maneira mais extensa que muitos outros métodos terapêuticos. Além disso, terapeutas feministas encorajam mudanças sociais além de mudanças pessoais com o objetivo de melhorar o estado psicológico do cliente e da sociedade.<ref name="Crawford, M. 2000">Crawford, M. & Unger, R. (2000). </ref>
 
=== Problemas com as terapias tradicionais ===
 
==== Preconceito de gênero ====
Muitas terapias tradicionais presumem que as mulheres deveriam seguir papéis de gênero pré-estipulados para ser mentalmente saudáveis. Segundo essa visão as diferenças de gênero tem origem biológica, e os terapeutas encorajam as clientes a ser submissas, expressivas e cuidadoras para alcançar a realização pessoal (Worell & Remer, 1992). A psicoterapia é uma pratica dominada por homens e apoia o ajuste das mulheres para papéis de gênero estreotípicosestereotípicos ao invés da libertação das mulheres. (Kim & Rutherford, 2015). Isso pode ser feito de modo inconsciente pelo terapeuta - por exemplo, eles podem encorajar uma mulher a se tornar uma enfermeira, equantoenquanto eles encorajariam um cliente homem com as mesmas habillidadeshabi;lidades a se tornar um médico, mas existe o risco de que os objetivos da terapia serão avaliados diferentemente de acordo com as crenças e valores do terapeuta. A inequalidade entre os sexos e restrições do papel de gênero são perpetuadas pela psicologia evolucionária, mas nós podemos entender o papel de gênero na comunidade científica usando estratégias feministas de pesquisa e admitindo o preconceito de gênero. (Fehr, 2012).
 
==== Androcentrismo ====
As terapias tradicionais baseiam-se na idéiaideia de que ser homem é a norma. Traços masculinos são vistos como o padrão, e traços estereotipicamente masculinos são bastante valorizados (Worell & Remer, 1992; Hegarty & Buechel, 2006). Homens são vistos como o padrão quando comparadas diferenças entre os sexos, com traços femininos sendo vistos como um desvio da norma e uma deficiência da parte das mulheres (Hegarty & Buechel, 2006).) Teorias psicológicas do desenvolvimento feminino foram escritas por homens que estão completamente desinformados das experiências reais das mulheres e as condições sob as quais elas viveram. (Kim & Rutherford, 2015).
 
==== Pressupostos intrapsíquicos ====
 
==== Terapia psicanalítica ====
Muitos conceitos psicanalíticos são considerados por terapeutas feministas sexistas e ligados à cultura (NetCE, 2014). No entanto, psicanalistas feministas adaptam muitas das idéiasideias da psicoterapia tradicional, incluindo o foco nas experiências da infância e a idéiaideia de transferência.  Especificamente, as terapeutas servem como uma figura materna e auxiliam clientes a se conectar emocionalmente com outros enquandoenquanto mantêm um senso individual do ''self'' (NetCE, 2014).
 
==== Terapia de Família ====
 
Sobreviventes frequentemente encontram reações negativas de outros o que as leva a uma re-vitimização quando tentam buscar ajuda, então o terapeuta pode auxiliar a mulher a navegar pelo sistema médico e legal caso ela queira. Todo o tempo, embora a segurança seja a maior preocupação, o terapeuta empodera a mulher a explorar suas opções e tomar suas próprias decisões (por exemplo, deixar o relacionamento ou ficar após um ataque) (Worrel & Remer, 1992).
 
 
 
É enfatizado que quaisquer sintomas que são de fato respostas normais ao evento traumático, e a mulher não é patologizada. Tanto o estupro quanto a violência doméstica não são vistos como algo que você pode se recuperar, mas ao invés disso, vistos como algo que pode ser integrado à sua história de vida enquanto você reestrutura a sua auto-estima e auto-confiança (Worrel & Remer, 1992).
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