Diferenças entre edições de "Forte Novo de Coimbra"

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A região do chamado [[Mato Grosso]] era conhecida desde o início do [[século XVIII]] quer por [[Bandeirantes]] paulistas e quer por missionários [[Companhia de Jesus|Jesuítas]] de [[Assunção]], no [[Paraguai]]. Diante da necessidade de demarcação das terras por ambas as Coroas, era conveniente a implantação de algum ponto de apoio naquela região. Por parte de Portugal, desse modo, floresceu a ideia de se construir um presídio mais ao sul, próximo aos espanhóis.
 
A partir da chegada à região do primeiro governador da [[capitania de Mato Grosso]], em [[1751]], e de várias mudanças governamentais e planos consolidados de defesa e expansão, o quarto capitão-general da capitania, [[Luís de Albuquerque de Melo Pereira e Cáceres]], determinou a fundação de um forte no curso do [[rio Paraguai]] para impedir o avanço espanhol e coibir a atuação dos índios [[Paiaguáspaiaguás]]. Para essa tarefa, designou o Capitão [[MathiasMatias Ribeiro da Costa]], com instruções para alcançar a região chamada de ''Fecho dos Morros'', onde hoje se localiza [[Porto Murtinho]], 292 quilômetros mais abaixo no curso do rio, a vinte dias de [[canoa]] de [[Cuiabá]].
 
O Capitão partiu de Cuiabá no dia [[22 de julho]] de [[1775]] acompanhado de 245 homens divididos em três grupamentos, com um total de 15 canoas, guiados por um [[indígena]] idoso.
A partir de [[1791]], dado o precário estado de conservação do ''Forte de Nossa Senhora do Carmo'', foram iniciadas obras para reconstrução da estrutura, em [[alvenaria]] de pedra e cal. Em [[1795]] assumiu o comando do forte o Capitão [[Francisco Rodrigues do Prado]].<ref>GARRIDO, 1940:160.</ref>
 
O Governador e Capitão-general da Capitania de Mato Grosso, [[Caetano Pinto de Miranda Montenegro]] (17??-1804), tendo em vista as iniciativas espanholas do [[Fuerte Olimpo|Fuerte Bourbon]] e do [[Fuerte de San Carlos del Apa]] na região fronteiriça, decidiu erigir uma fortificação mais sólida "''na ponta do morro, onde fazem um grande ângulo obtuzoobtuso dois compridos estirões do [rio] Paraguai, que ficarão flanqueados pelo novo forte, o que não faria a antiga estacada.''"<ref>SERRA, Ricardo Franco de Almeida. Diário. 1796. apud SOUZA, 1885:134.</ref>
 
A partir de [[1796]], as obras do '''Forte Novo de Coimbra''' ficaram a cargo do Tenente-coronel [[Ricardo Franco de Almeida Serra]], engenheiro militar e geógrafo, que prosseguiu as obras de reconstrução ([[3 de novembro]] de [[1797]]) na qualidade de comandante do forte.<ref>BARRETTO, 1958.</ref> A planta de sua autoria (''Planta do novo Forte de Coimbra, situado na margem ocidental do Paraguai'', 1797. AHEx; BN, Rio de Janeiro) mostra a primitiva estacada ao lado da qual foi erguida uma fortificação orgânica, adaptada ao terreno, com o traçado de um polígono estrelado irregular. As [[muralha]]s, de cortinas [[seteira|asseteiradas]], envolviam toda a fortificação, acompanhando o declive da encosta. Comportava duas [[bateria (arquitectura)|bateria]]s em plano horizontal, cruzando fogos sobre o rio, com oito canhoneiras pelo lado do rio e mais oito pelo lado de terra. A sudoeste, um [[fosso]] protegia a fortificação de um assalto pelo lado de terra. Completavam o conjunto edificações para a [[Capela]], a ''Casa de Pólvora'' e Quartéis para a tropa.
[[Ficheiro:Ataque ao Forte Coimbra.jpg|thumb|300px|Ataque ao Forte Coimbra ([[Monumento aos Heróis de Laguna e Dourados]], [[Urca]], [[Rio de Janeiro (cidade)|Rio de Janeiro]] - [[RJ]])]]
 
A invasão se materializou quando cinco batalhões de infantaria e dois regimentos de cavalaria a pé, num total de 3.200 homens, armados com doze canhões raiados, uma bateria de trinta [[foguete]]s [[França|franceses]] de 24&nbsp;mm, protegidos por dez embarcações de guerra (entre as quais o Marquês de Olinda, adaptado) sob o comando do Coronelcoronel paraguaio [[Vicente Barrios]], intimaram o forte a se render ([[27 de dezembro]] de [[1864]]). Apesar do comando da praça ser do Capitãocapitão [[Benito de Faria]], nele se encontrava em visita de inspeção naquele mês, o Tenentetenente-coronel [[Hermenegildo de Albuquerque Porto Carrero]], comandante do [[Corpo de Artilharia de Mato Grosso]] e do [[Distrito Militar do Baixo Paraguai]], que assumiu, a título eventual, o comando do forte, frente à ameaça. A posição brasileira estava então artilhada com onze peças de [[bronze]] de alma lisa em bateria, e mais vinte sem reparos, guarnecido por 125 oficiais e soldados de artilharia a pé, reforçados por cerca de 30 guardas nacionais, alguns guardas de alfândega, meia dúzia de prisioneiros e duas dezenas de índios mansos. Durante dois dias, os combates foram intensos. As esposas e familiares dos oficiais e praças prepararam cartuchos de [[pólvora]], [[atadura]]s, e atenderam como possível os feridos. Sem recursos para resistir e distante de reforços, o forte foi evacuado em ordem, na noite de 28 para 29, na [[canhoneira Anhambaí]]. O forte (e a bateria fronteira, no Morro da Marinha, cf. BARRETO, 1958:303) permaneceu ocupado pelas forças paraguaias até abril de [[1868]], quando o abandonaram conduzindo a sua [[artilharia]] e tudo o que nele existia.<ref>SOUZA, 1889:135.</ref>
 
Findo o conflito, iniciou-se a reconstrução do forte, cujos danos sofridos haviam sido consideráveis, quase perdendo as próprias [[muralha]]s sob o fogo da artilharia inimiga.<ref>Relatório do Ministro da Guerra, Barão de Muritiba, 1870. apud GARRIDO, 1940:163.</ref> Comandou as obras o Major [[Joaquim da Gama Lobo d'Eça]], por determinação do Governo Imperial.<ref>SOUZA, 1885:135.</ref> Em [[1872]], o Major [[Francisco Nunes da Cunha]], que o comandou, procedeu a obras de ampliação, melhorando a defesa pelo lado oeste.
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