Diferenças entre edições de "Ernesto II, Duque de Saxe-Coburgo-Gota"

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A primeira guerra terminou em 1851, mas o conflito rebentou novamente em 1864. Durante o período de tempo entre as duas guerras, Ernesto opôs-se ferozmente ao casamento do seu sobrinho Alberto Eduardo, príncipe de Gales (conhecido como 'Bertie') com a princesa [[Alexandra da Dinamarca]], uma filha do futuro rei [[Cristiano IX da Dinamarca]] (e, assim, inimigo dos estados alemães). Ernesto acreditava que aquela união era uma provocação aos interesses da Alemanha.<ref>Zeepvat, p. 3 and Hibbert, p. 43.</ref> Alberto respondeu-lhe furioso: "''O que tens a ver com isso? (...) A Vicky deu cabo da cabeça para nos ajudar a encontrar alguém e não conseguiu (...) não temos [outra] escolha [mais razoável]"''. <ref>Hibbert, p. 42.</ref> Alberto concordou que a união iria suscitar problemas, mas não conseguia encontrar outra noiva e escreveu ao irmão que manter o assunto na esfera privada (e não o considerar como um assunto de estado) era "''a única forma de impedir uma zanga com a Prússia e a única forma de manter o assunto nas nossas mãos, impor as condições que acharmos necessárias e, tanto quanto possível, retirar-lhe quaisquer implicações políticas''."<ref name=":5">citado em Zeepvat, p. 3.</ref> Alberto também avisou o seu filho dos esforços de Ernesto para interferir na união, comentando: "''O teu tio (...) vai tentar interferir. A tua melhor defesa é evitar o assunto se ele falar nele.''"<ref>Hibbert, p. 43.</ref>
 
Pouco depois de escrever estas cartas, Alberto morreu a 14 de Dezembro de 1861. A sua morte ajudou Ernesto a reparar a relação com a sua cunhada, uma vez que Vitória estava zangada com as objecções que Ernesto tinha relativamente ao enlace dinamarquês. Os dois irmãos tinham sempre sido próximos, independentemente das suas discordâncias, e a morte de Alberto deixou Ernesto a sentir-se "miserável", segundo Vitória escreveu numa carta dirigida à sua filha mais velha.<ref>Zeepvat, p. 3.</ref> No entanto, a sua morte não ajudou a resolver o seu desentendimento. Depois de ver que o seu envolvimento directo não levou Vitória a mudar de opinião, Ernesto tentou uma nova tactica. Começou a espalhar rumores sobre Alexandra e a sua família, afirmando que a mãe dela, a princesa [[Luísa de Hesse-Cassel|Luísa]], "''teve filhos ilegítimos e Alexandra seduziu jovens oficiais''". Também escreveu pessoalmente a Luísa, avisando-a de que Bertie era uma escolha infeliz para marido.<ref>Hibbert, p. 57.</ref> Além de tudo isto, Ernesto também se encontrou com o sobrinho em [[Tebas (Grécia)|Tebas]], na Grécia, onde provavelmente o tentou convencer a não seguir em frente com a união.<ref>Zeepvat, p. 3 and Hibbert, p. 57.</ref> Numa carta datada de 11 de Abril, Vitória referiu com descontentamento à sua filha mais velha que ''"não me tinhas dito que o Bertie se tinha encontrado com o tio Ernesto em Tebas (...) fico sempre alarmada quando penso no tio Ernesto e no Bertie juntos, pois sei que o primeiro fará tudo ao seu alcance para pôr o Bertie contra o casamento com a princesa Alix''."<ref name=":5" /> Apesar de todas as objecções de Ernesto, Bertie casou-se mesmo com a princesa Alexandra a 10 de Março de 1863.{{referências|col=2}}
 
A sua relação próxima com a corte inglesa concedia-lhe uma posição de grande influência e o casamento da sua sobrinha, a princesa [[Vitória, Princesa Real do Reino Unido|Vitória]], com o príncipe [[Frederico III da Alemanha|Frederico]], herdeiro do trono da Prússia, fortaleceu ainda mais os seus laços com aquele país. Em 1862, ofereceu-se para disponibilizar as suas tropas ao rei da Prússia, caso o reino entrasse em guerra. No entanto, o seu [[liberalismo]] levantava suspeitas na Alemanha de influência Coburgo. Os conservadores prussianos não demoraram a virar-se contra ele, principalmente o chanceler [[Otto von Bismarck|Otto von Bismark]].<ref>Headlam, James Wycliffe (1911). "Ernest II." . In Chisholm, Hugh (ed.). Encyclopædia Britannica. 9 (11th ed.). Cambridge University Press. pp. 751–752</ref>
 
Durante a [[Guerra de Secessão|Guerra Civil Americana]], o duque nomeou Ernst Raven para a posição de cônsul no estado do Texas. A 30 de Julho de 1861, Raven candidatou-se a uma posição diplomática no [[Estados Confederados da América|Governo da Confederação]] e foi aceite.<ref>58th Congress, 2nd Session, Senate Document No. 234, Journal of the Congress of the Confederate States of America, 1861–1865, Volume 5 (Washington, D. C.: Government Printing Office, 1905), page 422</ref>
 
=== Nomeação para o trono da Grécia ===
[[Ficheiro:Coburg Landestheater Spiegelsaal Büste Ernst II.jpg|miniaturadaimagem|Busto de Ernesto II.]]
A 23 de Outubro de 1862, o príncipe [[Oto da Baviera|Oto da Baviera, rei da Grécia]], foi deposto num golpe pacífico. Os gregos ansiavam por um governante com laços próximos à Grã-Bretanha e à rainha Vitória para substituir Oto; alguns desejavam que o sucessor fosse o príncipe [[Alfredo, Duque de Saxe-Coburgo-Gota|Alfredo, duque de Edimburgo]] (o segundo filho da rainha).<ref>D'Auvergne, pp. 269-270 and Zeepvat, p. 4.</ref> O príncipe chegou mesmo a ser eleito com 95% dos votos no referendo que se realizou em 1862, no entanto, depois de confirmada a sua ilegibilidade, os gregos começaram a procurar outros candidatos, incluindo o duque Ernesto, que tinha sido sugerido pelo governo britânico.<ref>D'Auvergne, pp. 269-270 and Zeepvat, p. 4.</ref> A lógica do governo e da rainha para esta sugestão prendia-se com o facto de que, ao aceitar o trono da Grécia, Ernesto permitiria que o seu sobrinho Alfredo o sucedesse imediatamente como [[Ducado de Saxe-Coburgo-Gota|duque de Saxe-Coburgo-Gota]] (uma vez que o [[Eduardo VII do Reino Unido|príncipe de Gales]] tinha transmitido os seus direitos de sucessão ao ducado ao seu irmão mais novo).<ref name=":6">Zeepvat, p. 4.</ref> Havia várias figuras a favor da sua nomeação, incluindo o primeiro-ministro, [[Henry Temple, 3.º Visconde Palmerston|Lord Palmerston]] e também a cunhada de Ernesto. Numa carta dirigida ao seu tio, o rei [[Leopoldo I da Bélgica]], Vitória afirmou que apoiava a criação de um novo reino para o ramo de Saxe-Coburgo-Gota (sendo que Leopoldo tinha sido nomeado rei dos belgas em 1831) e também manifestou o desejo de que o seu segundo filho, Alfredo, sucedesse ao seu tio no ducado.<ref name=":7">D'Auvergne, p. 271.</ref> No entanto, à medida que as negociações foram avançando, Vitória foi perdendo o entusiasmo pela ideia.<ref name=":6" />
 
Havia problemas com a nomeação; Ernesto não tinha filhos legítimos e, por isso, teria de adoptar um dos príncipes da sua casa real para o suceder como rei da Grécia. Para resolver este problema, Ernesto sugeriu a Palmerston que ficasse apenas com o título de regente da Grécia e ficaria responsável pelo reino apenas até escolher um herdeiro para o suceder.<ref name=":7" /> Também estipulou que, caso aceitasse o trono, as restantes potências mundiais teriam de lhe conceder determinadas garantias. No entanto, o que levou à rejeição definitiva do acordo foi o facto de Ernesto querer ficar com o trono da Grécia ao mesmo tempo que mantinha o controlo dos seus ducados mais "seguros".<ref name=":6" /> O governo britânico acabaria por considerar estas condições inaceitáveis. Depois de as suas recomendações terem sido recusadas, Ernesto também acabaria por recusar o trono. Em 1863, o trono foi aceite por outro membro da família real: o irmão mais novo da princesa de Gales, o príncipe [[Jorge I da Grécia|Guilherme da Dinamarca]]. Mais tarde, Ernesto comentou: "''Sempre achei uma sorte que este cálice não me tenha calhado a mim''".<ref>D'Auvergne, p. 272.</ref>{{referências|col=2}}
{{commons|Ernst II, Duke of Saxe-Coburg and Gotha}}
{{Príncipes de Saxe-Coburgo-Gota}}
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