Diferenças entre edições de "Júlio César (Shakespeare)"

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[[Imagem:Vincenzo Camuccini - La morte di Cesare.jpg|thumb|upright|350px|''A morte de Júlio César'', por V. Camuccini (1804-1805)]]
[[Imagem:Brutus and the Ghost of Caesar 1802.jpg|thumb|right|222x|BrutusBruto enfrenta o fantasma de César. Gravura de Edward Scriven (1802)]]
'''''Júlio César''' ('''''The Tragedie of Julius Caesar''''', no original inglês) é uma [[tragédia]] de [[William Shakespeare]], provavelmente escrita em 1599. Retrata a conspiração contra o ditador romano [[Júlio César]], seu assassinato e suas consequências. É uma das diversas peças romanas que ele escreveu, baseada na verdadeira história romana, que incluem também ''[[Coriolano]]'' e ''[[Antônio e Cleópatra]]''.
 
O texto de ''Julius Caesar'' no ''[[First Folio]]'' é a única fonte de autenticidade do texto da peça. O texto do ''First Folio'' é notável pela sua qualidade e consistência; os estudiosos crêem que tenha sido composto a partir de um guião teatral.<ref>Wells e Dobson, ''ibid.''</ref>
 
A peça contem muitos elementos [[anacronismo|anacrónicos]] da era [[Isabel I de Inglaterra|isabelina]]. As personagens referem objetos como chapéus e casacas que não existiam na Roma antiga. É referido César a usar uma casaca isabelina em vez de uma toga romana. Num determinado momento ouve-se o bater de um relógio e BrutusBruto sublinha-o com "Toca o relógio".
 
==Personagens==
 
''[[liberatores|Conspiradores contra César]]''
* [[Marco Júnio Bruto|Marco Bruto (Brutus)]]
* [[Caio Cássio Longino|Cássio]]
* Servílio Casca
''Cidadãos''
* [[Calpúrnia Pisão|Calpúrnia]] – esposa de César
* [[Pórcia (esposa de Bruto)|Pórcia]] – esposa de BrutusBruto
* Adivinho
* Artemidoro – [[sofista]] de [[Cnidos]]
* Carpinteiro
* Poeta (que se crê seja baseado em [[Marco Favônio]])<ref>Referido em ''[[Vidas Paralelas]]'' e citado em {{citar livro|último =Spevack|primeiro =Marvin |título=Julius Caesar|publicado=Cambridge University Press|local=Cambridge, England|data=2004|edição=2|series=New Cambridge Shakespeare|página=74|isbn=978-0-521-53513-7}}</ref>
* Lucius – ajudante de BrutusBruto
 
''Leais a Bruto e Cássio''
| caption3 =
}}
A peça começa com os plebeus de Roma a celebrar o regresso triunfal de César após a derrota dos filhos de [[Pompeu]] na [[Batalha de Munda]]. Dois tribunos, Flávius e Marrullus, encontram os plebeus a comemorar, insultam-nos pela mudança da sua lealdade de Pompeu para César e dispersam a multidão. Também planeiam remover todas as decorações das estátuas de César e terminar quaisquer outras festividades. Na cena seguinte, durante o desfile de César na festa da [[Lupercália]], um adivinho adverte César para ter "Cuidado com os [[Idos]] de março", um aviso que ele ignora. A ação então vira-se para a discussão entre BrutusBruto e Cássio. Nesta conversa, Cássio tenta convencer BrutusBruto de que César deve ser morto, pretendendo que BrutusBruto se juntasse à sua conspiração para matar César. A seguir, eles ouvem de Casca que Marco António ofereceu a César a coroa de Roma três vezes, e todas vezes César recusou, desmaiando após a última recusa. Mais tarde, no segundo ato, BrutusBruto junta-se à conspiração, embora depois de um longo debate moral, acabando por decidir que César, apesar de seu amigo e nunca ter feito nada contra o povo de Roma, devia ser morto para o ''impedir'' de fazer algo contra o povo de Roma se chegasse a ser coroado. Ele compara César a "um ovo de serpente/ que eclodindo, como a sua espécie, cresceria malevolamente,/ pelo que o urge matar na casca" e decide juntar-se a Cássio para assassinar César.
 
O assassinato de César é uma das mais famosas cenas da peça, ocorrendo no Ato 3, Cena 1 (a outra é a oração fúnebre de Marco António "Amigos, romanos, compatriotas"). Depois de ignorar o adivinho, bem como as premonições da sua própria esposa, César chega ao Senado. Os conspiradores criam um motivo superficial para se aproximarem o suficiente para assassinar César através de uma petição trazida por Metellus, que intercede em nome do seu irmão que havia sido banido. Previsivelmente, César rejeita a petição, Casca atinge César na nuca, e os outros apunhalam-no sendo Brutus o último. É neste ponto, que Shakespeare faz César proferir a famosa frase "Também tu, BrutusBruto?"<ref>.[http://shakespeare-navigators.com/JC_Navigator/JC_3_1.html#speech36 ''Julius Caesar'', Ato 3, Cena 1, Linha 77]</ref> Shakespeare fá-lo acrescentar "Então cai, César", sugerindo que tal traição destruiu a vontade de César de viver.
 
Os conspiradores deixam claro que cometeram este ato a favor de Roma, não pelos seus próprios objetivos e não tentam fugir do local. Após a morte de César, BrutusBruto faz um discurso defendendo as suas ações e, no momento, a multidão está do lado dele. No entanto, Marco António, com um discurso eloquente e sutil sobre o cadáver de César — começando com a muito citada ''Amigos, Romanos, Compatriotas, emprestem-me os vossos ouvidos''<ref>[http://www.shakespeare-navigators.com/JC_Navigator/JC_3_2.html#speech30 ''Julius Caesar'', Ato 3, Cena 2, Linha 73.]</ref>— habilmente vira a [[opinião pública]] contra os assassinos manipulando as emoções dos [[plebeus|cidadãos comuns]], em contraste com o tom racional do discurso de BrutusBruto, havendo, no entanto, método no seu discurso retórico e gestual: ele recorda-lhes o bem que César tinha feito a Roma, a sua solidariedade com os pobres e a sua recusa em ser coroado na Lupercal, assim questiona a acusação de BrutusBruto sobre a ambição de César; ele mostra à multidão o corpo ensanguentado e sem vida de César para os sensibilizar e ganhar a simpatia deles para o seu herói; e lê o testamento de César, pelo qual cada um dos cidadãos romanos receberia 75 dracmas. Marco António, mesmo que afirme que seja contra tal, incita a multidão a afastar os conspiradores de Roma. No meio da violência, uma poeta inocente, Cina, é confundido com o conspirador LuciusLúcio CinnaCina e é assassinado pela multidão.
 
O início do Ato Quatro é marcado pela cena da discussão, em que BrutusBruto ataca Cássio por sujar o nobre ato de [[regicídio]] ao aceitar subornos ("Não sangrou o grande JuliusJúlio pela justiça ? / Que vilão tocou o seu corpo, que o esfaqueou, / e não pela justiça?").<ref>[http://shakespeare-navigators.com/JC_Navigator/JC_4_3.html#speech8 ''Julius Caesar'', Ato 4, Cena 3, Linhas 19–21.]</ref> Os dois reconciliam-se, especialmente após BrutusBruto revelar que a sua amada esposa, PorciaPórcia, se suicidou angustiada pela sua ausência de Roma; eles preparam-se para uma [[guerra civil]] contra Marco António e o filho adotivo de César, César Augusto. Nessa noite, o fantasma de César aparece a BrutusBruto com um aviso da derrota ("Vais ver-me em [[Batalha de Filipos|Filipos]]"<ref>[http://shakespeare-navigators.com/JC_Navigator/JC_4_3.html#282b ''Julius Caesar'', Ato 4, Cena 3, Linha 283.]</ref>).
 
Na [[Batalha de Filipos|batalha]], CassiusCássio e BrutusBruto, sabendo que provavelmente irão ambos morrer, sorriem entre si e seguram as mãos um do outro. Durante a batalha, PindarusPíndaro, servo de CássiusCássio, mata o seu senhor depois de saber a captura do melhor amigo dele, TitiniusTitínio. A seguir, TitiniusTitínio, que realmente não tinha sido capturado, vê o cadáver de CassiusCássio, e comete suicídio. No entanto, BrutusBruto vence esta fase da batalha - mas a vitória não é definitiva. Com o coração apertado, BrutusBruto vai para a batalha de novo no dia seguinte. Mas é derrotado e comete suicídio com a sua própria espada, que é segura por um soldado chamado Strato.
 
A peça termina com uma homenagem a BrutusBruto por Marco António, que proclama que BrutusBruto foi sempre "o mais nobre de todos os Romanos"<ref>[http://shakespeare-navigators.com/JC_Navigator/JC_5_5.html#speech36 ''Julius Caesar'', Ato 5, Cena 5, Linha 68.]</ref> porque foi o único conspirador que agiu, segundo crê, pelo bem de Roma. Há então uma pequena indicação do atrito entre Marco António e César Augusto que irá caracterizar outra peça de Shakespeare sobre Roma, ''[[Antony and Cleopatra|António e Cleópatra]]''.
 
==Fontes==
* [[William Shakespeare|Shakespeare]] situa o encontro dos [[Segundo Triunvirato|Triúnviros]] em Roma em vez de perto de [[Bolonha|Bononia]] para evitar um local adicional.
* Juntou as duas [[Batalha de Filipos|Batalhas de Filipos]] embora tenha havido um intervalo de 20 dias entre elas.
* Shakespeare atribui a César como últimas palavras ''Et tu, Brute?'' (''Também tu, BrutusBruto?''). [[Plutarco]] e [[Suetónio]] não relatam que ele as tenha dito, tendo Plutarco acrescentado que ele puxou a sua toga sobre a sua cabeça quando viu BrutusBruto entre os conspiradores,<ref>Plutarco, ''Caesar'' [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Plutarch/Lives/Caesar*.html#66.9 66.9]</ref> embora Suetónio registe outros relatos de que César disse em Greek "καὶ σὺ, τέκνον;" (''Kai su, teknon?'', "E tu, filho?".<ref>Suetónio, ''Julius'' [http://penelope.uchicago.edu/Thayer/L/Roman/Texts/Suetonius/12Caesars/Julius*.html#82.2 82.2]</ref><ref>Suetónio, ''The Twelve Caesars'', traduzido por Robert Graves, Penguin Classic, p.39, 1957.</ref> As palavras em latim ''Et tu, Brute?'', contudo, não foram pensadas por Shakespeare para esta peça dado que elas foram atribuídas a César em anteriores obras [[Isabel I de Inglaterra|Isabelinas]] e que se tornaram convencionais em 1599.
 
Shakespeare desviou-se destes factos históricos para reduzir o tempo e comprimir os fatos para que a peça pudesse ser encenada mais facilmente. A força da tragédia é condensada em algumas cenas para reforçar o seu efeito.
 
===Debate sobre o protagonista===
[[Imagem:Brutus sees Caesar's ghost.jpg|thumb|left|Pintura do final do Séc. XIX do Ato IV, Cena 3: BrutusBruto vê o fantasma de César]]
Os críticos da tragédia ''Júlio César'' de Shakespeare divergem muito relativamente à apreciação das principais personagens, César e BrutusBruto. Muitos têm debatido se é César ou BrutusBruto o protagonista da peça, por causa da morte do personagem do título no Ato 3, Cena Um. Mas César compara-se à [[Estrela Polar|Estrela do Norte]], e seria talvez irrazoável não o considerar como o personagem axial da peça, em torno do qual gira toda a história. Ligado a este debate está um conjunto de ideologias filosóficas e psicológicas sobre [[republicanismo]] e [[monarquismo]]. Um autor, Robert C. Reynolds, dedica atenção aos nomes ou epítetos dados a BrutusBruto e a César no seu ensaio "Ironic Epithet in Julius Caesar" ("Epítetos irónicos em Júlio César"). Este autor assinala que Casca elogia explicitamente BrutusBruto, mas a seguir inadvertidamente compara-o desonrosamente a um [[alquimista]], "Oh, ele está bem no alto nos corações de todos, / e o que poderia parecer ofensa em nós / o seu semblante, como forte alquimia, / muda para virtude e dignidade" (I.iii.158-60). Reynolds também fala sobre César e o seu epíteto de "Colosso", que sublinha ele tem uma conotação óbvia de poder e virilidade, mas também menos conhecidas conotações de uma imagem externa gloriosa mas caótica internamente.<ref>Reynolds 329–333</ref> Nesse ensaio, a conclusão sobre quem é o herói ou protagonista é ambígua, por causa da qualidade poética dos epítetos de César e BrutusBruto.
 
Myron Taylor, no seu ensaio ''Shakespeare's Julius Caesar and the Irony of History'' (''Júlio César de Shakespeare e a Ironia da História''), compara a lógica e as filosofias de César e BrutusBruto. César é considerado um filósofo intuitivo que tem sempre razão quando segue o seu instinto, como por exemplo quando diz que teme Cássio como uma ameaça ainda antes de ser assassinado, estando a sua intuição correta. BrutusBruto é retratado como um homem semelhante a César, mas cujas paixões o levam a raciocinar erradamente, que ele percebe no final quando ele diz em V.v.50–51, ''César, agora jaz: / Matei-te, mas nem com metade da vontade que tinha'' ("Caesar, now be still:/ I kill'd not thee with half so good a will").<ref>Taylor 301–308</ref> <ref>Esta interpretação resulta de se considerar "half so good a will" para significar "metade da vontade" em vez da mais intuitiva "boa intenção".</ref>
 
Joseph W. Houppert reconhece que alguns críticos tentaram atribuir a César o protagonismo, mas que, em última análise, BrutusBruto é a força motriz na peça e, portanto, o herói trágico. BrutusBruto tenta colocar a República acima da sua relação pessoal com César e mata-o. BrutusBruto comete erros políticos que destroem a República que os seus antepassados criaram. Age dominado pelas suas paixões, não reúne os dados suficientes para tomar decisões razoáveis e é manipulado por CassiusCássio e pelos outros conspiradores.<ref>Houppert 3–9</ref>
 
As leituras tradicionais da peça sustentam que Cássio e os outros conspiradores são motivados em grande parte por inveja e ambição, enquanto que BrutusBruto é motivado pelas exigências da [[honra]] e do patriotismo. Esta é certamente a visão que Marco António expressa na cena final. Mas um dos pontos fortes da peça é que os seus personagens resistem a ser catalogados como simples heróis ou vilões. O [[Jornalismo político|jornalista político]] e [[classicista]] Garry Wills sustenta que "Esta peça é única porque não tem vilões".<ref>Wills, Garry (2011), ''Rome and Rhetoric: Shakespeare's Julius Caesar''; [[New Haven]] e [[London]]: Yale University Press, p. 118.</ref><blockquote> É um drama famoso pela dificuldade em decidir qual o papel que deve ser realçado. Os personagens giram em torno uns dos outros, como as placas de um [[Mobile (escultura)|mobile]]. Toque num e isso afetará a posição de todos os outros. Eleve um e o outro decai. Mas continuam a regressar a um equilíbrio precário.<ref>Wills, ''[[Op. cit.]]'', pg 117.</ref></blockquote>
 
A interpretação contemporânea de Wills pende mais para o reconhecimento da natureza consciente, sub-consciente das ações e interações humanas. Neste aspecto, destaca-se o papel de Cássio.
* 29 de Maio de 1916: Uma encenação de uma só noite teve lugar na bacia natural de Beachwood Canyon, em Hollywood, L.A., tendo atraído 40.000 espectadores e teve nos principais papeis [[Tyrone Power]] e [[Douglas Fairbanks]]. Os estudantes dos liceus de Hollywood e Fairfax actuaram como exércitos em guerra e as pormenorizadas cenas de batalha foram realizadas num palco enorme, bem como nas colinas circundantes. A peça comemorou o tricentenário da morte de Shakespeare. A representação foi elogiada por [[L. Frank Baum]].<ref>L. Frank Baum., ''Julius Caesar: An Appreciation of the Hollywood Production''. ''Mercury Magazine'', 15 de Junho de 1916. http://www.hungrytigerpress.com/tigertreats/juliuscaesar.shtml</ref>
* 1926: Outra representação complexa da peça foi encenada para benefício do Actors Fund of America no [[Hollywood Bowl]]. César chegou para a [[Lupercalia]] numa carruagem puxada por quatro cavalos brancos. O palco era do tamanho de um quarteirão e dominado por uma torre central de oitenta pés de altura. O evento destinou-se principalmente a criar trabalho para atores desempregados. Trezentos [[gladiador]]es surgiram numa cena de arena não caracterizada na peça de Shakespeare; um número semelhante de raparigas dançou como cativas de César; um total de três mil soldados participou nas cenas de batalha.
[[File:Welles-Caesar-1938.jpg|thumb|200px|right|[[Orson Welles]] no papel de BrutusBruto no ''Júlio César'' do Mercury Theatre em 1937–38]]
* 1937: A famosa encenação de ''Júlio César'' por [[Orson Welles]] no Mercury Theatre gerou comentários acalorados porque o encenador vestiu os protagonistas com uniformes do tempo da [[Itália fascista]] e da [[Alemanha nazista]], gisando uma analogia específica entre César e o líder fascista italiano [[Benito Mussolini]]. A revista ''[[Time (magazine)|Time]]'' publicou uma revisão entusiástica,<ref>{{citar jornal|url=http://www.time.com/time/magazine/article/0,9171,758411,00.html |título=Theatre: New Plays in Manhattan: Nov. 22, 1937 |obra=TIME |data=22 de novembro de 1937}}</ref> juntamente com os críticos de Nova Iorque.<ref name="Houseman RT">{{citar livro|último =Houseman |primeiro =John |autorlink =John Houseman |título=Run-Through: A Memoir |publicado=[[Simon & Schuster]] |local=Nova Iorque |data=1972 |isbn=0-671-21034-3}}</ref> O fulcro da encenação era o assassínio do poeta Cinna, cena com que literalmente acabava a peça.<ref>{{citar web|url=http://eatdrinkfilms.com/2014/07/17/orson-welles-world-and-were-just-living-in-it-a-conversation-with-norman-lloyd/ |título=Orson Welles' World, and We're Just Living in It: A Conversation with Norman Lloyd |último =Lattanzio |primeiro =Ryan |data=2014 |website=EatDrinkFilms.com |acessodata=2015-11-05 }}</ref>
*1950: [[John Gielgud]] desempenhou o papel de CassiusCássio no Shakespeare Memorial Theatre de Stratford-on-Avon, produção que foi considerada um dos pontos altos do notável festival anual sobre Shakespeare, o que levou Gielgud (com pouca experiência cinematográfica até então) ao papel de CassiusCássio na versão fílmica de [[Joseph L. Mankiewicz]] de 1953.
*1994: Arvind Gaur, que traduziu ''Julius Caesar'' para [[Hindi]], encenou a peça na [[Índia]] com Jaimini Kumar no papel de BrutusBruto e Deepak Ochani no de César (24 representações); mais tarde voltou a encenar a peça com Manu Rishi como César e Vishnu Prasad como BrutusBruto no Shakespeare Drama Festival em [[Assam]] em 1998.
*2005: [[Denzel Washington]] desempenhou o papel de BrutusBruto na primeira encenação na Broadway em cinquenta anos. Esta encenação recebeu comentários geralmente negativos, mas foi um sucesso de bilheteria.<ref>{{citar web|url=http://theater.nytimes.com/2005/04/04/theater/reviews/04caes.html?scp=1&sq=A%20Big-Name%20Brutus%20in%20a%20Caldron%20of%20Chaos&st=cse |título=A Big-Name Brutus in a Caldron of Chaosa |obra=The New York Times |data=4 dede Abril 2005}}</ref>
*2012: O [[Royal Shakespeare Company]] encenou a peça com todos os atores negros dirigida por Gregory Doran.
*2012: Uma encenação com um elenco totalmente feminino com Harriet Walter no papel de BrutusBruto e Frances Barber no de César teve lugar no Donmar Warehouse, em Londres, dirigida por Phyllida Lloyd.
 
===Adaptações cinematográficas===
* ''Julius Caesar'' (1950), dirigido por [[David Bradley]] e com [[Charlton Heston]] no papel de Marco António, David Bradley no de BrutusBruto, e Harold Tasker no de César.<ref>http://www.imdb.com/title/tt0042622/?ref_=fn_al_tt_5</ref>
* ''Julius Caesar'' (1953), dirigido por [[Joseph L. Mankiewicz]] e com [[James Mason]] no papel de BrutusBruto, [[Marlon Brando]] no de Marco António e Louis Calhern no de César.<ref>http://www.imdb.com/title/tt0045943/?ref_=fn_al_tt_1</ref>
* ''Julius Caesar'' (1970), dirigido por Stuart Burge e com [[Jason Robards]] no papel de BrutusBruto, [[Charlton Heston]] no de Marco António e [[John Gielgud]] no de César.<ref>http://www.imdb.com/title/tt0065922/?ref_=fn_tt_tt_3</ref>
 
==Adaptações e referências culturais==
[[Imagem:Julius Caesar (play) in The Doon School.jpg|thumb|A encenação em 1963 de ''Julio César'' na The Doon School, Índia]]
Uma das primeiras referências culturais à tragédia foi no ''[[Hamlet]]'' do próprio Shakespeare. Num dado momento, o Príncipe Hamlet pergunta a Polónio sobre a carreira dele como ator, a que este responde "Fiz de Júlio César. Fui morto no Capitólio. BrutusBruto matou-me", o que deve ser provavelmente uma [[metaficção]].
 
Em 1851, o compositor alemão [[Robert Schumann]] compôs uma [[abertura]] ''Júlio César'', inspirada na peça de Shakespeare. Outros compositores musicais que criaram obras que se lhe referiram foram [[Giovanni Bononcini]], [[Hans von Bülow]], Felix Draeseke, Josef Bohuslav Foerster, [[John Ireland]], John Foulds, [[Gian Francesco Malipiero]], Manfred Gurlitt, [[Darius Milhaud]] e [[Mario Castelnuovo-Tedesco]].<ref>''Grove's Dictionary of Music and Musicians'', 5ª edição, ed. Eric Blom, Vol. VII, p. 733</ref>
No seu livro ''[[Fahrenheit 451]]'' de 1953 [[Ray Bradbury]], algumas das últimas palavras da personagem Beatty são: "There is no terror, Cassius, in your threats, for I am armed so strong in honesty that they pass me as an idle wind, which I respect not!" ("Não há nenhum terror, Cássio, nas tuas ameaças, pois estou armado tão fortemente na honestidade que passam por mim como brisa fraca, que eu não respeito!").
 
A expressão da peça "o erro, caro BrutusBruto, não reside nas nossos astros, mas em nós mesmos", dita por CassiusCássio no Acto I, cena 2, entrou na cultura popular. A expressão deu o seu nome à peça ''Dear Brutus'' de [[J.M. Barrie]], e também deu o título ao romance juvenil ''[[The Fault in Our Stars]]'' de [[John Green]] e à sua adaptação fílmica ''The Fault in Our Stars''.
 
No jogo ''[[Assassin's Creed Origins|Assassin's Creed: Origins]]'', lançado em 2017, Júlio César foi assassinado por Brutus, Aya (personagem do game), Gaius Cassius Longinus e por outros membros dos Ocultos.