Diferenças entre edições de "João Vaz Corte Real"

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[[Ficheiro:Estátua de João Vaz Corte Real que se encontra no Museu de Angra do Heroísmo, Convento de São Francisco (Angra do Heroísmo), ilha Terceira, Açores.JPG|thumb|255px|Estátua de João Vaz Corte Real que se encontra no [[Museu de Angra do Heroísmo]], [[Açores]].]]
[[Ficheiro:Dighton_Rock-Davis_photograph.jpg|thumb|255px|A pedra de Dighton em 1863.]]
[[Ficheiro:A Pedra de Dighton no Rio Taunton, ate ser removida para o Museu en 1963, pesa 40 toneladas!.jpg|thumb|255px| A [[pedra de Dighton]] na sua posição original no rio Taunton.]]
'''João Vaz Corte-Real''' ([[Algarve]], c. [[1420]] &mdash; [[Angra do Heroísmo|Vila de Angra]], [[2 de julho]] de [[1496]]) foi um [[navegador]] e [[explorador]] [[Portugal|português]], [[capitão do donatário]] na [[ilha Terceira]] da parte de Angra. Homem ligado às navegações portuguesas do [[século XV]], liderou o grupo de colonos que fundaram a [[vila de Angra]], hoje a cidade de [[Angra do Heroísmo]].<ref name="enciclo">[http://www.culturacores.azores.gov.pt/ea/pesquisa/Default.aspx?id=2175 «Corte-Real, João Vaz» na ''Enciclopedia Açoriana''].</ref> Dois dos seus filhos, [[Miguel Corte Real]] e [[Gaspar Corte Real]], realizaram viagens de exploração do noroeste do Atlântico que os levaram às costas da [[América do Norte]], sendo-lhes atribuído o reconhecimento da [[Terra Nova]].<ref name="genea">António Ornelas Mendes & Jorge Forjaz, ''Genealogias da Ilha Terceira'', vol. III, pp. 469-471. DisLivro, Livro, 2007 (978-972-8876-98-2).</ref><ref name="fa">[[Manuel Luís Maldonado]], ''Fenix Angrence'', I, III. Instituto Histórico da Ilha Terceira, Angra do Heroísmo, 1989-1997.</ref><ref name="cr">[[Ernesto do Canto]], ''Os Cortes Reais. Memória histórica acompanhada de muitos documentos inéditos''. Ponta Delgada, Typ. do Archivo dos Açores, 1883.</ref>
João Vaz Corte-Real foi filho ilegítimo de [[Vasco Anes Corte Real (I)|Vasco Anes Corte-Real]], cavaleiro da Casa Real, fronteiro-mor do Algarve, alcaide-mor de Tavira e Silves e armador-mor do rei D. [[Afonso V de Portugal|Afonso V]], e de mãe desconhecida (embora alguns autores a apontem como sendo Mor Afonso Escudeira<ref>A referência para o nome de Mor Afonso Escudeira é [[Felgueiras Gaio]], ''Nobiliário de Famílias de Portugal'', tit. de Monizes, §1, n.º 3 Henrique Moniz.</ref>). O pai estivera na [[tomada de Ceuta]], em 21 de agosto de 1415, e recebera, por serviços ao rei, diversos bens em [[Tavira]].<ref>[http://archive.org/stream/archivodosaore04pont#page/n488/mode/1up ''Archivo dos Açores'', vol. 4, pp. 473 e seg.]</ref>
 
Apesar de filho de um nobre abastado, João Vaz Corte Real era bastardo e secundogénito, sendo por isso remota a possibilidade de suceder na casa paterna, circunstâncias em que a aventura ultramarina surgia como oportunidade obter o património de que carecia e para afirmar a respectiva linhagem.<ref name="enciclo"/> Reconhecido por seu pai, era morador em [[Tavira]] e porteiro-mor do [[Fernando de Portugal, Duque de Viseu|infante D. Fernando, duque de Viseu]] e pai do futuro rei [[Manuel I de Portugal|D. Manuel]], quando casou com Maria Abarca, filha de Pedro Abarca, um fidalgo galego.
 
Não se conhece o percurso pessoal de João Vaz Corte-Real até receber a capitania de Angra, a qual lhe foi doada por carta de 2 de abril de 1474.<ref>[https://archive.org/stream/archivodosaore04pont#page/156/mode/2up ''Archivo dos Açores'', vol. 4 (1882), p. 157-158].</ref> A doação foi feita na sequência da divisão da [[ilha Terceira]] em duas capitanias, a de Angra e a da Praia, na sequência da morte do primeiro capitão da ilha Terceira, [[Jácome de Bruges]], e dos conflitos entre os seus herdeiros e os de [[Diogo de Teive (navegador)|Diogo de Teive]]. A doação da capitania foi feita em recompensa de serviços prestados, sendo que as fontes mais antigas consideram que os mesmos foram realizados em viagens de exploração no Atlântico.<ref name="enciclo" />
 
Entre os «serviços prestados» algumas fontes consideram que João Vaz Corte-Real terá sido enviado por [[Afonso V de Portugal|D. Afonso V]] à [[Dinamarca]], antes de 1473, para participar numa expedição, encabeçada pelo navegador [[Alemanha|alemão]] [[Didrik Pining]], destinada a estabelecer e renovar as antigas ligações da Dinamarca com [[Gronelândia]].<ref>[http://gollnik.net/Amerika-Entdeckung/amerika-expedition-larsen-(1).php Die Entdeckung Amerikas].</ref> Corte-Real teria ainda organizado anteriormente outras viagens que o teriam levado até às costas da [[América do Norte]], explorando desde as margens do [[Rio Hudson]] e [[São Lourenço]] até ao [[Canadá]] e [[Península do Labrador]].<ref>[[Kirsten A. Seaver]]: ''The frozen echo: Greenland and the exploration of North America, ca. A.D. 1000–1500'', Stanford University Press, 1997, ISBN 978-0-8047-3161-4, pp. 199 e seguintes. ({{Google Buch|BuchID=5qonlDkZW3MC&|Seite=199}}). No entanto, o raciocínio de Seaver, amplamente baseado em [[Samuel Morrison]], é inconclusivo e suas fraquezas são abordadas por [[Janus Möller Jensen]] {{Webarchiv|text=''Denmark and the Crusades'' |url=https://www.yumpu.com/en/document/view/4993130/denmark-and-the-crusades-1400/172 |wayback=20140819085327 |archiv-bot=2018-04-18 00:17:46 InternetArchiveBot }}, 1.ª ed., 2005, p. 164, claramente demonstrado.</ref>
 
Pouco depois de ser nomeado [[capitão do donatário|capitão-donatário]] de [[Angra do Heroísmo|Angra]], partiu para os [[Açores]], acompanhado de sua mulher e filhos e de pelo menos dois dos seus cunhados, Pedro Abarca e Isabel Abarca, pois ambos casaram em Angra.<ref name="genea"/> Fixou-se no então incipiente povoado de [[vila de Angra|Angra]], que fez sede da sua capitania. Com a sua chega a Angra, que terá ocorrido em finais de 1474 ou princípios de 1475, teve lugar o início da segunda fase do povoamento da ilha Terceira.<ref name="enciclo" />
 
PorPara alé mde capitão do donatário em Angra desde 1474, por carta régia de 4 de Maiomaio de 1483 foi-lhe também concedida a capitania da [[ilha de São Jorge]], cujo povoaamentepovoamente ficou sob sua responsabilidade.<ref>[https://archive.org/details/arquivoaoriano01unkngoog/page/n15/mode/2up ''Archivo dos Açores'', vol. 3 (1881), p. 13].</ref> Por carta régia de 14 de maio de 1495 foi feito alcaide-mor do Castelo de Angra e da ilha de São Jorge.<ref name="genea"/><ref>[[Francisco Ferrerira Drummond]], ''Anais da ilha Terceira'', vol. I, p. 504.</ref>
 
Em Angra instalou-se na base da colina designada pelo Outeiro, sobre a qual se estabeleceu a primeira fortificação do povoado, o [[Castelo de São Luís]] (ou [[Castelo dos Moinhos]]), hoje a Memória. Na sua ''Fenix Angrense'', [[Manuel Luís Maldonado]] descreve assim a sua ação em Angra:<ref>Manuel Luís Maldonado, ''Fenix Angrence'', vol. 3, p. 15.</ref>
:«''Fundou o assento da sua vivenda nas casas e sítio que hoje se diz do Marquês, que lavrou com a sumptuosidade e largueza que nelas se mostram, e basta se diga ser a melhor morada de Angra. Mandou fazer o Curral do Concelho, que foi a primeira obra de bem comum que se fez em Angra [...]. Deu fim às casas da Alfândega, alargando o sítio delas por ser pouco e limitado. Fortificou a famosa [[Ribeira dos Moinhos|Ribeira de Angra]], unindo a ela as fontes do pé da serra, que se diz a "[[Nasce Água|A Nascença de Água]]", despenhando-a por um alto padrasto, que se diz o Outeiro, em que se termina a largueza de Angra, onde se fabricou a maior parte dos moinhos [...]. Ordenou as posturas da Câmara e o governo do bem comum. [...] Começou em tempo deste capitão na ilha a cultura do [[pastel]], que foi bem e verdadeiramente a que aumentou, e engrandeceu a ilha com crédito e riqueza [...]. Doou no ano de 1480 as terras que se dizem das Contendas de que estava na posse João Leonardes, por carta que lhe havia passado [[Diogo de Teive (navegador)|Diogo de Teve]], no ano de 1465, em ausência de [[Jácome de Bruges]], a seu filho [[Gaspar Corte Real]], com o pretexto não só de não as haver o dito Leonardes aproveitado nos cinco anos condicionais, mas por pertencerem à jurisdição de Angra, em que o Teive não tinha poder algum. Agravou deste proceder João Leonardes, e durou o pleito desta demanda não menos de trinta e dois anos, em razão do qual se pôs o nome das Contendas àquelas terras, em que se diz tivera sentença por si João Leonardes, dada em 28 de janeiro de 1514. Porém sem efeito, por flata de ministro que desse a execução por ser contra o donatáio. [...] Ordenou o compromisso da Confraria do Espírito Santo e Hospital de Angra, que consta ser feita em 15 de março de 1492. [...] Aumentou com toda a ânsia a povoação da ilha de São Jorge, a que tinha dado princípio [[Guilherme Brandath]] no lugar do [[Topo]], animando a muitos que a ela passaram [...] Acabaram-se as obras do [[Castelo de São Cristóvão]], que se diz dos Moinhos, em tempo deste capitão''»
 
Embora a sua acção seja pouco conhecida, por falta de documentação, sabemos que distribuiu terras em regime de sesmaria, uma das suas atribuições, enquanto capitão-do-donatário; mandou edificar, à sua custa, a capela-mor do Convento de São Francisco, em Angra; e, juntamente com outros povoadores, instituiu o Hospital do Santo Espírito de Angra, por compromisso de 15 de março de 1492.<ref name="enciclo" />