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{{VT|Antigo Egito|Arte do Antigo Egito}}
[[Imagem:NarmerPalette ROM-gamma.jpg|thumb|direita|upright|A [[Paleta de Narmer]], datada de {{AC|3100|X}}<br><small> O artefato contém inscrições sobre o acontecimento histórico da unificação entre [[Alto Egito|Alto]] e [[Baixo Egito]] sob o [[faraó]] [[Narmer]]</small>]]
Na antiguidade egípcia é possível vislumbrar a existência do antiquário através dos estudos dos artefatos materiais, principalmente pela valorização das construções antigas como relíquias de períodos de grandeza política equanto como fontes de informação sobre o passado dessas civilizações.
 
Desde a {{lknb|XX|dinastia|egípcia}} {{-nwrap||1991|1786}}, escavadores começaram a copiar os estilos artísticos e arquitetônicos de épocas anteriores, que viriam a ser incorporados na construção das tumbas para a realeza.{{sfn|Trigger|1996|p=43}} Na {{lknb|XIX|dinastia|egípcia}}, o príncipe [[Caemuassete]], filho do [[faraó]] [[Ramessés II]], se dedicou a estudar os textos associados às construções religiosas abandonadas próximas a capital [[Mênfis]], com o intuito de reparar as estruturas e reviver os cultos ali praticados. No decorrer da {{lknb|XVIII|dinastia|egípcia}} {{-nwrap||1552|1305}}, [[escribas]] elaboraram estudos sobre os registros dos antigos festivais, visando reforçar a autenticidade e o poder ritualístico de suas práticas.{{sfn|Trigger|1996|p=44-45}}
 
==== China ====
Houve um forte interesse antiquário na China medieval, especialmente ao longo do período final da [[Dinastia Song]] (960 – 1279), entendido como efeito de um reflorescimento do [[confucionismo]] entre a comunidade letrada, bem como pela escavação de diversos vasos de bronze da [[Dinastia XangueShang]] {{-nwrap||1600|1046}}.{{sfn|Sena|2015|p=29}}
 
[[Imagem:Capturar1.jpg|thumb|direita|upright|Cópia da inscrição ''Jin Jian-ding'' (晉姜鼎), transcrita por Lü Dalin no ''Kaogu tu'']]
 
Um dos primeiros e mais importantes trabalhos deste tipo que se preservaram foi o ''Kaogu tu'' (考古圖,{{Nota de rodapé|Os nomes e títulos de obras e expressões utilizados nesta sub-seção foram extraídos particularmente do [http://www.chinaknowledge.de/Literature/Science/xuanhebogutu.html artigo digital no site ''Chine Knowledge''] e do livro ''World Antiquarianism: Comparative Perspectives'', de Alain Schnapp (2013).}} Catálogo Ilustrado de Antiguidades Examinadas), de Lü Dalin (1046–1092), que apresenta uma descrição em palavras e desenhos de 210 artefatos de bronze datados das dinastias [[Dinastia XangueShang|XangueShang]] e [[Dinastia Han|Han]].{{sfn|Schnapp|2013|p=241}} As inscrições encontradas nos objetos foram estudadas enquanto fontes de informações sobre a [[história]] e [[epigrafia]] antigas que não podiam ser transmitidas pelos textos escritos.{{sfn|Clunas|2004|p=74}} A obra de Lü forneceu detalhes sobre os aspectos formais, históricos e ritualísticos dos objetos analisados no livro, incluindo sistematicamente desenhos que representavam os seus formatos e decorações.{{sfn|Sena|2015|p=30}}
 
Considerável avanço destes estudos é associado à obra do antiquário, historiador e político [[Ouyang Xiu]], cuja obra ''Jigu lu'' (集古錄, Registros sobre antiguidades colecionadas) apresenta uma compilação de 400 cópias desenhadas de inscrições em objetos de pedra e bronze das Dinastias [[Dinastia Zhou|Zhou]] {{-nwrap||1046|256}} e [[Dinastia Tang|Tang]] (581 - 618), sendo considerada uma das mais importantes referências para os estudos antiquários posteriores.{{sfn|Schnapp|2013|p=231}}{{sfn|China Online Museum|2018}} O modelo de Xiu foi seguido, por exemplo, por Zhao Mingcheng em sua obra ''Jinshi lu'' (金石錄, Coleção de Textos sobre Metal e Pedra), compilada postumamente por sua esposa, a poeta Li Qingzhao (李清照), entre os anos 1119 e 1125.{{sfn|Schnapp|2013|p=243}} A compilação reuniu aproximadamente 2000 cópias desenhadas de inscrições, acompanhadas de explicações sobre a época em que os objetos em questão foram feitos e outros detalhes relevantes.{{sfn|Clunas|2004|p=95}} Outro trabalho importante deste período foi o ''Xuanhe bogu tu'' (宣和博古圖, Catálogo ilustrado do tesouro antigo do período Xuanhe),{{sfn|Schnapp|2013|p=238}} abreviado para ''Bogu tu'',{{sfn|Visconti|2015|p=72}} compilado pelo ministro e acadêmico Wang Fu, obra que descreve e ilustra 839 objetos da coleção imperial do reinado Xuanhe, organizando-as em mais de cinquenta categorias de objetos.{{sfn|China Knowledge|2016}}
[[Imagem:The Antiquary MET CT 1141.jpg|thumb|esquerda|upright|''The Antiquary''.<br><small>Por Edwin White, óleo sobre tela, 1855.</small></center>]]
 
No final do {{séc|XVII}}, os estudos históricos foram questionados em função de sua falta de precisão sobre os fatos do passado. Diversas críticas foram dirigidas à historiografia por parte daquilo que viria a ser conhecido como [[Pirronismo|pirronismo histórico]], uma corrente filosófica formada por indivíduos que desacreditaram na ideia de um conhecimento histórico seguro e confiável, tais como François de La Mothe Le Vayer em seu ''Du peu de certitude qu'il y a dans l'histoire'' (A pouca certeza que existe na história), publicado em 1686, e [[Pierre Bayle]] em sua ''Critique générale de l'histoire du calvinisme'' (Crítica geral à história do calvinismo).{{sfn|Momigliano|2014|p=30-31}} A refutação desta perspectiva [[Ceticismo|cética]] ao longo deste século foi feita não tanto por historiadores, mas pelos antiquários, como [[Ludovico Antonio Muratori]] em seu ''Delle forze dell'entendimento umano ossia il pirronismo confutado'' (Da força do entendimento humano ou o pirronismo refutado), e Jacques Spon, que, em sua ''Réponse à la critique publiée par M. Guillet'' (Resposta à crítica publicada por M. Guillet), afirmou a confiabilidade da evidência arqueológica.{{sfn|Momigliano|2014|p=31-36}} Deve-se lembrar que, ainda no {{séc|XV}}, a expressão ''antiquitates'' poderia significar simplesmente a “história”, como atesta a obra ''Antiquitates Vicecomitum'', escrita por [[Giorgio Merula]] em 1486, ou também “ruínas” e “monumentos”“momumentos”, como nas ''Antiquitates urbis'' (Cidade antiga) de [[Pomponio Leto]]. De qualquer forma, o antiquário enquanto um amante, colecionador e estudante das tradições antigas e seus vestígios foi um dos conceitos mais importantes para o [[humanismo]] dos séculos XV e XVI.{{sfn|Momigliano|2014|p=25}}{{sfn|Saraiva|1976|p=86}}
 
==== Itália ====
 
==== China ====
Enquanto se pode dizer que os estudos antiquários na China entraram em declínio após a [[Dinastia Song]], eles foram largamente retomados durante a [[Dinastia QuingueQing]] (1644 - 1911).{{sfn|Visconti|2015|p=71}} Algumas das principais características dos antiquários chineses deste período, tais como Gu Yenwu e Yen Rozhü, foram a [[crítica textual]] e a preocupação em estabelecer a autenticidade dos escritos antigos.{{sfn|Trigger|1996|p=74}}
 
[[Imagem:Shang dynasty inscribed scapula.jpg|thumb|esquerda|upright|Osso oracular do reinado de Wu Ding, ''circa'' {{AC|1200|x}}]]
 
As inscrições em bronze e pedra foram utilizadas, neste período, para verificar e corrigir os significados atribuídos aos caracteres antigos que eram utilizados nos dicionários.{{sfn|Trigger|1996|p=74}} Os estudiosos deste período foram também os primeiros a realizar trabalhos sobre as inscrições nos fragmentos dos [[Dinastia Xangue#Fragmentos de ossos oraculares|ossos oraculares]] que foram escavados na cidade coreana de [[Anyang]] a partir de 1898, sendo estes materiais uma das mais ricas fontes para o estudo da [[Dinastia XangueShang]].{{sfn|Trigger|1996|p=74-75}} Alguns estudos apontam que o ressurgimento dos estudos antiquários no {{séc|XVIII}} teve como momento crucial o longo reinado do Imperador [[Qianlong]], entre os anos 1735 e 1795, no qual foi construída a maior coleção de arte e antiguidades na China. Ao invés de destruir o acervo dos rivais antecessores, como já havia sido feito anteriormente, Qianlong decidiu manter as coleções do período Ming, transformando-as em símbolos de poder e legitimidade política. A coleção de peças de bronze antigas do Imperador, por exemplo, foi expandida, ordenada e compilada em um catálogo com base nos mesmos métodos utilizados no ''Kaogu tu'' de Lü Dalin e no ''Bogu tu'' de Wang Fu.{{sfn|Visconti|2015|p=71-72}}
 
Ainda que muitos estudos afirmem que o desenvolvimento da arqueologia moderna na China se deu no início do {{séc|XX}}, com a colaboração entre arqueólogos chineses e europeus oriundos de países como a [[Inglaterra]], [[França]], [[Alemanha]], [[Rússia]], [[Japão]] e [[Suécia]], que viajaram para [[Xinjiang]] a fim de explorar os caminhos orientais da [[Rota da Seda]],{{sfn|Visconti|2015|p=76}} outros ressaltam a importância da tradição antiquária chinesa, particularmente das Dinastias [[Dinastia Song|Song]] e [[Dinastia Ming|Ming]], para o desenvolvimento metodológico da arqueologia chinesa moderna. Essa importância seria visível seja no [[vocabulário]] e na [[Tipos textuais|tipologia]] utilizados na disciplina, ou na orientação nacionalista das pesquisas.{{sfn|Visconti|2015|p=78}}{{sfn|Visconti|2015|p=66}}