Diferenças entre edições de "Tratado Anglo-Irlandês"

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{{Formação do Reino Unido}}
O '''Tratado Anglo-Irlandês''' comumente conhecido como '''O Tratado''' e oficialmente os '''Artigos de Acordo para um Tratado entre a Grã-Bretanha e a Irlanda''' , foi um acordo entre o governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e representantes da [[República da Irlanda|República Irlandesa]] que concluíram a [[Guerra de Independência da Irlanda|Guerra da Independência da Irlanda]].<ref>[http://www.ucc.ie/celt/online/E900003-007/text001.html "Official Correspondence relating to the Peace Negotiations, part 1: Preliminary Correspondence"]</ref> Previa o estabelecimento do [[Estado Livre Irlandês]] dentro de um ano como um domínio autônomo dentro da "comunidade de nações conhecida como Império Britânico", um status" igual ao do Domínio do Canadá ". Também concedeu à [[Irlanda do Norte]] , que foi criada pelo Ato do Governo da Irlanda de 1920, uma opção de exclusão do Estado Livre Irlandês, que exerceu.
O '''Tratado Anglo-Irlandês''' foi um acordo firmado entre a Irlanda e o Reino Unido com o objetivo de dividir territórios no então [[Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda]].<ref>[http://research.dho.ie/1921treaty.epub Anglo-Irish Treaty]</ref>
 
O acordo foi assinado em Londres em [[6 de dezembro]] de [[1921]], por representantes do governo britânico (que incluía o primeiro-ministro [[David Lloyd George]], que era o chefe dos delegados britânicos) e por representantes da República da Irlanda, incluindo [[Michael Collins]] e [[Arthur Griffith]] . Os representantes irlandeses tinham status de plenipotenciário (negociadores com poderes para assinar um tratado sem referência a seus superiores) agindo em nome da República da Irlanda, embora o governo britânico se recusasse a reconhecer esse status. Conforme exigido por seus termos, o acordo foi aprovado por "uma reunião" dos membros eleitos para fazer parte da Câmara dos Comuns da Irlanda do Sul e [separadamente] pelo [[Parlamento britânico]]. Na realidade, [[Dáil Éireann]] (a assembleia legislativa da República da Irlanda ''de facto'') primeiro debateu e depois aprovou o tratado; os membros então prosseguiram com a "reunião". Embora o tratado tenha sido aprovado por pouco, a divisão levou à Guerra Civil Irlandesa , que foi vencida pelo lado pró-tratado.
Assinado em [[6 de dezembro]] de [[1921]], veio a dar origem ao [[Estado Livre Irlandês]], separando a [[Irlanda do Norte]] da [[República da Irlanda|República Irlandesa]].{{carece de fontes}}
 
[[Ficheiro:Ireland.svg|miniaturadaimagem|esquerda|Mapa da Irlanda, com a fronteira entre o Estado Livre Irlandês (hoje República da Irlanda) e a Irlanda do Norte (que integra o Reino Unido da Grá-Bretanha e Irlanda do Norte)]]
O Estado Livre Irlandês, conforme contemplado pelo tratado, passou a existir quando sua constituição se tornou lei em 6 de dezembro de 1922 por uma proclamação real.
{{referências}}
 
== Conteúdo ==
Entre as principais cláusulas do tratado estavam:
 
* As forças da coroa se retirariam da maior parte da Irlanda.
* A Irlanda se tornaria um domínio autônomo do Império Britânico, um status compartilhado pela [[Austrália]], [[Canadá]], [[Terra Nova]], [[Nova Zelândia]] e a [[União da África do Sul]].
* Tal como acontece com os outros domínios, o Rei seria o Chefe de Estado do Estado Livre Irlandês (''Saorstát Éireann'') e seria representado por um Governador Geral.
* Os membros do parlamento do novo estado livre seriam obrigados a fazer um juramento de fidelidade ao estado livre irlandês. Uma parte secundária do juramento era "ser fiel a Sua Majestade o Rei [[George V]], seus herdeiros e sucessores por lei, em virtude da cidadania comum".
* A Irlanda do Norte (que havia sido criada anteriormente pelo Ato do Governo da Irlanda) teria a opção de se retirar do Estado Livre da Irlanda no prazo de um mês após a entrada em vigor do Tratado.
* Se a Irlanda do Norte decidir se retirar, uma Comissão de Fronteira será constituída para traçar a fronteira entre o Estado Livre da Irlanda e a Irlanda do Norte.
* A Grã-Bretanha, para sua própria segurança, continuaria a controlar um número limitado de portos, conhecidos como Portos do Tratado, para a Marinha Real. Em outubro de 1920, o primeiro-ministro britânico Lloyd George expressou seus pensamentos sobre o controle irlandês dos militares: "O temperamento irlandês é uma incerteza e forças perigosas como exércitos e marinhas ficam melhores sob o controle do Parlamento Imperial."
* O Estado Livre Irlandês assumiria a responsabilidade por uma parte proporcional da dívida do Reino Unido, tal como se encontrava na data da assinatura.
* O tratado teria status superior na lei irlandesa, ou seja, em caso de conflito entre ele e a nova Constituição de 1922 do Estado Livre da Irlanda, o tratado teria precedência.
 
== Negociadores ==
[[Ficheiro:The_peacemakers-_George_Gavan_Duffy,_Erskine_Childers,_Robert_Barton_and_Arthur_Griffith_in_a_group_(28455606301).jpg|miniaturadaimagem|248x248px|Membros do comitê de negociação irlandês voltando à Irlanda em dezembro de 1921]]
[[Ficheiro:British_cavalry_regiment_leaving_Ireland_1922.jpg|miniaturadaimagem|249x249px|Soldados da cavalaria britânica deixando a Irlanda, 1922]]
[[Ficheiro:Eamon_de_Valera_c_1922-30.jpg|miniaturadaimagem|214x214px|[[Éamon de Valera]], que, como Presidente da República da Irlanda, se opôs ao Tratado]]
Os negociadores incluíram:
{| class="wikitable"
| colspan="2" |'''Lado britânico'''
|-
!Nome
!Portfólio
|-
|David Lloyd George (presidente da delegação)
<small>MP para Caernarvon Boroughs</small>
|Primeiro-ministro
|-
|Lord Birkenhead
|Lorde chanceler
|-
|Austen Chamberlain
<small>MP para Birmingham West</small>
|Lord Privy Seal
Líder da Câmara dos Comuns
|-
|Winston Churchill
<small>MP para Dundee</small>
|Secretário de Estado das Colônias
|-
|Sir Laming Worthington-Evans, Bt
<small>MP de Colchester</small>
|Secretário de Estado da Guerra
|-
|Sir Gordon Hewart
<small>MP para Leicester East</small>
|Procurador Geral
|-
|Sir Hamar Greenwood
<small>MP para Sunderland</small>
|Secretário Chefe para a Irlanda
|-
| colspan="2" |'''Lado irlandês'''
|-
!Nome
!Portfólio
|-
|Arthur Griffith (presidente da delegação)
<small>TD de Cavan e Fermanagh e Tyrone</small>
<small>(MP de East Cavan e North West Tyrone )</small>
|Secretário de Estado das Relações Exteriores
|-
|Michael Collins
<small>TD para Armagh e Cork Mid, North, South, South East and West</small>
<small>(MP para South Cork )</small>
|Secretário de Estado das Finanças
|-
|Robert Barton
<small>TD para Kildare – Wicklow</small>
<small>(MP para West Wicklow )</small>
|Secretário de Estado da Economia
|-
|Eamonn Duggan
<small>TD para Louth – Meath</small>
<small>(MP para South Meath )</small>
|
|-
|George Gavan Duffy
<small>TD para Dublin County</small>
<small>(MP para South County Dublin )</small>
|
|}
[[Ficheiro:Ireland.svg|miniaturadaimagem|esquerda|Mapa da Irlanda, com a fronteira entre o Estado Livre Irlandês (hoje República da Irlanda) e a Irlanda do Norte (que integra o Reino Unido da Grá-Bretanha e Irlanda do Norte)|229x229px]]Notavelmente, o Presidente da República da Irlanda, [[Éamon de Valera]], não compareceu.
 
[[Winston Churchill]] desempenhou dois papéis diferentes no gabinete britânico durante o processo de independência da Irlanda: até fevereiro de 1921, ele havia sido Secretário de Estado da Guerra (ministro do Exército) na esperança de encerrar a Guerra da Independência da Irlanda; a partir de então, como Secretário de Estado das Colônias (que incluía assuntos de domínio), ele foi encarregado de implementar o tratado e conduzir as relações com o novo estado.
 
Erskine Childers, autora do ''Riddle of the Sands'' e ex-escrivão da Câmara dos Comuns britânica, foi uma das secretárias da delegação irlandesa. Tom Jones foi um dos principais assistentes de Lloyd George e descreveu as negociações em seu livro ''Whitehall Diary''.
 
== Resultados ==
A divisão em torno do tratado levou à [[Guerra Civil Irlandesa]] (1922-23). Em 1922, seus dois principais signatários irlandeses, Arthur Griffith e Michael Collins, morreram. Birkenhead teria dito ao assinar o tratado: "Sr. Collins, ao assinar este Tratado eu estou assinando minha sentença de morte política", ao qual Collins teria respondido: "Lord Birkenhead, estou assinando minha sentença de morte real".<ref>Furneaux Smith, Eleanor (1940). ''[https://books.google.com/books?id=AXxmAAAAMAAJ&q=Lord+Birkenhead,+I%27m+signing+my+death-+warrant Life's a circus]''. Doubleday, Doran & Company, Inc. p. 142.</ref> Collins foi morto por republicanos anti-tratado em uma emboscada em [[Béal na Bláth]] em agosto de 1922, dez dias após a morte de Griffith por insuficiência cardíaca, que foi atribuída à exaustão. Ambos os homens foram substituídos em seus cargos por [[W. T. Cosgrave]]. Dois dos outros membros da delegação, Robert Barton e Erskine Childers, se posicionaram contra o tratado na guerra civil. Childers, chefe da propaganda anti-tratado no conflito, foi executado pelo estado livre por posse de uma pistola em novembro de 1922.
 
O que a Irlanda recebeu em status de domínio, a par com o desfrutado pelo Canadá, Nova Zelândia e Austrália, foi muito mais do que o Home Rule Act de 1914, e certamente um avanço considerável na regra interna uma vez oferecida a [[Charles Stewart Parnell]] no século XIX, embora à custa da exclusão da Irlanda do Norte. Mesmo as propostas de Valera feitas em segredo durante os Debates do Tratado diferiam muito pouco do texto aceito em questões essenciais, e estavam muito aquém da república autônoma de 32 condados que ele afirmava perseguir publicamente.<ref>[http://historical-debates.oireachtas.ie/D/DT/D.P.A.170001.html 2 propostas de De Valera publicadas em 10 de janeiro de 1922]</ref> {{referências}}
 
{{esboço-históriauk}}