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'''Francisco Antônio de Almeida Júnior''' (c. [[1848]] — [[12 de setembro]] de [[1928]]) foi um astrônomo, engenheiro e professor universitário brasileiro durante o [[Segundo Reinado]] e a [[República Velha]]. Almeida integrou uma comissão encarregada de calcular a [[Paralaxe estelar|paralaxe solar]] durante o [[trânsito de Vênus de 1874]]. Ainda que pouco conhecido, Almeida foi uma figura importante no desenvolvimento da [[cinematografia]], e é o primeiro brasileiro de que se tem registro a pisar em solo japonês e publicar uma obra sobre sua estadia na China e no Japão.
 
==Vida==
===Primeiros anos===
Nasceu no [[Império do Brasil]] por volta de [[1848]]{{nota de rodapé|Segundo seu registro de óbito (citado no registro de casamento), ele teria nascido entre 13 setembro de 1849 e 12 setembro de 1850. Soares (2017), entretanto, afirma ter sido em 1848. Dado que ambas as fontes podem igualmente ser imprecisas, e que a certidão de nascimento de Almeida ainda não foi descoberta pela pesquisa, optou-se neste artigo por informar a data de nascimento como sendo "por volta de 1848".}} numa família proeminente de [[Niterói]], filho primogênito do coronel, político e agiota Francisco Antônio de Almeida (1820-1889),<ref name="Soares2017">{{Citar Q|Q101514320|capitulo=Os Dois Franciscos|páginas=85-90}}</ref> e de Joaquina Francisca de Miranda.<ref name="familysearch">{{citar web|url=https://ancestors.familysearch.org/en/G4K3-T9T/francisco-ant%C3%B4nio-de-almeida-j%C3%BAnior-1848-1907|título=Francisco Antônio de Almeida Júnior|publicado=FamilySearch|língua=en|acessodata=15 de novembro de 2020}}</ref> Ainda jovem, foi enviado à Europa para estudar, onde se formou em Engenharia em Paris.<ref name="Soares2017" /> Em 1870, casou-se com Mathilde Martins (1854–1933),<ref name="mathilde">{{Citar web |url=https://ancestors.familysearch.org/en/G4KC-PNF/mathilde-martins-1854-1933 |titulo=Mathilde Martins (1854-1933)|acessodata=2020-11-15 |website=FamilySearch}}</ref> época em que Almeida começou a servir na cidade do [[Rio de Janeiro]] como inspetor de quarteirão{{nota de rodapé|Espécie de cargo de policial no século XIX.<ref>{{citar web|url=https://www.meussertoes.com.br/2017/10/25/dunga-o-inspetor-de-quarteirao/|título=O inspetor de quarteirão|publicado=Meus Sertões|data=25 de outubro de 2017|acessodata=9 de dezembro de 2020}}</ref>}} do 1º distrito.<ref name="laemmert1870">{{citar Q|Q104043704|página=52}}</ref> No mesmo ano, ele pediu para se matricular no primeiro ano da [[Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro|Escola Central]], cujas aulas já frequentava como ouvinte.<ref>{{citar Q|Q104044043|página=72}}</ref>
 
===Viagem de 1874===
{{Imagem múltipla
| align = left
| direction = vertical
| image1 = Comissão científica do trânsito de Venus em Nagasaki de 1874.png
| width1 = 290
| caption1 = A comissão em Nagasaki, 1874. Almeida é o segundo da direita para a esquerda, e Janssen está ao centro, sentado. No fundo, o revólver fotográfico
| image2 = 1874 Pierre Jules César Janssen - Passage de Venus.webm
| width2 = 290
| caption2 = ''Passage de Vénus'', a sequência de imagens do trânsito de Vênus pelo disco solar registradas pela comissão científica
}}
Em 1871, o Imperador [[Pedro II do Brasil|D. Pedro II]] ofereceu ao cientista francês [[Emmanuel Liais]] a direção do [[Imperial Observatório do Rio de Janeiro]], que aceitou o convite sob condição de que a ele fosse permitido modernizar a instituição e qualificar seus quadros. Para tanto, o [[Visconde de Prados]], na condição de diretor interino, no ano seguinte solicitou ao [[Ministério da Guerra (Brasil)|Ministério da Guerra]], ao qual a Escola Militar estava subordinada,{{nota de rodapé|À época, o Imperial Observatório era subordinado à Escola Militar.}} que dois alunos do Observatório, [[Julião de Oliveira Lacaille]] e Francisco Antônio de Almeida, fossem enviados à França para estudar astronomia. O pedido foi deferido em junho de 1872 e o período de estudos no exterior foi definido como sendo de três anos.<ref name="denader">{{citar q|Q100272555}}</ref><ref>{{Citar Q|Q101703771|página=128|capitulo=Vocação para o ensino: da Escola Militar aos cursos de pós-Graduação}}</ref>
 
Na ocasião do [[trânsito de Vênus]] de 1874, Liais sugeriu ao governo francês a inclusão de Almeida como adido em uma das diversas expedições científicas planejadas pelos franceses para observar este raro evento astronômico, com a aprovação do governo brasileiro.<ref name="denader" /> Almeida integrou a comissão destinada ao Japão, liderada pelo cientista [[Pierre Janssen]].<ref name="pubmed" />
 
Sua viagem teve início em 19 de agosto no porto de [[Marselha]], na França, a bordo do [[paquete]] ''[[Ava (paquete)|Ava]]'',<ref name="DFAJ" /> um navio da francesa [[Compagnie des Messageries Maritimes]] que regularmente fazia a conexão entre França e Japão.<ref name="teleg" /> Em seu itinerário de ida, Almeida visitou locais como [[Nápoles]], [[Porto Saíde]], [[Adem]], [[Sri Lanka|Ilha do Ceilão]], [[Málaca]], [[Singapura]], [[Cochinchina]] (atual Vietnã), [[Hong Kong]], [[Yokohama]], [[Nagasaki]] e [[Tóquio]].<ref name="anpuh-rio">{{citar q|Q100271075}}</ref><ref name="pubmed" /><ref name="yshida">{{citar q|Q100282025}}</ref> Em sua viagem de ida, de 48 dias de duração, Almeida parou em diferentes portos e enfrentou incólume um [[Tufão Catastrófico de 1874|tufão em Hong Kong]] que deixou cerca de 8 mil mortos, segundo jornais ingleses da época citados em seu relato. Chegou em Yokohama em 3 de outubro e permaneceu no Japão nos três meses seguintes.<ref name="DFAJ">{{citar q|Q99930394}}</ref>
 
Em 8 de dezembro, Janssen enviou parte de seu contingente a [[Kobe]] como garantia caso as condições atmosféricas dificultassem a observação do fenômeno, mantendo Almeida e outros colaboradores consigo na cidade de Nagasaki.<ref name="relics">{{citar q|Q100335815}}</ref> Do topo do Monte Konpira,<ref name="relics" /> Almeida operou o '[[revólver fotográfico]]' de Janssen, instrumento pelo qual 47 imagens da passagem de Venus sobre o disco solar foram registradas.<ref name="brcontr">{{citar q|Q100271165}}</ref><ref name="pubmed" /> A obra resultante, ''[[Passage de Vénus]]'', é tida como uma das primeiras sequências [[Cronofotografia|cronofotográficas]] da história.<ref>{{citar web|url=https://letterboxd.com/film/passage-of-venus/|título=Passage of Venus|publicado=Letterboxd|acessodata=15 de outubro de 2020|lingua=en}}</ref>
 
Retornando do Japão, Almeida e o resto da equipe passaram alguns dias em [[Xangai]] para então a bordo do ''La Provence'', também da Messageries Maritimes, fazer o caminho da volta por Saigon, Singapura, Sri Lanka, Áden, Suez, Nápoles e eventualmente Paris, depois de uma estadia de nove meses na Ásia. Na volta, aproveitou ainda para visitar a [[Alexandria]], no Egito.<ref name="DFAJ" />
 
Com base no que viu e aprendeu na expedição, Almeida publicou duas obras, ''A Paralaxe do Sol e as Passagens de Vênus'' (1878) e ''Da França ao Japão'' (1879). Enquanto a primeira obra traz uma perspectiva científica sobre o trânsito de Vênus pelo disco solar, a segunda descreve não somente a experiência da missão de 1874, como também oferece um relato etnográfico e sociopolítico de regiões como o [[Golfo Pérsico]], a [[Índia]], a [[Indochina]], as [[Filipinas]], localidades no [[Mar da China]] e o Japão.<ref name="CHDD" /><ref name="DFAJ" />
 
===Retorno ao Brasil===
Após a viagem, Almeida continuou na Europa por dois anos. Em 1875, tornou-se membro da [[Sociedade de Geografia de Paris]], onde Pierre Janssen servia como vice-presidente,<ref name="societe">{{citar Q|Q104042370|página=556}}</ref> e no ano seguinte formou-se doutor em ciências físicas e matemáticas, apresentando sua dissertação inicial ''De motibus aeris'' (latim para "Sobre os movimentos do Ar") na [[Universidade de Bonn]].<ref name="motibus">{{Citar Q|Q101500386}}</ref> Almeida retornou ao Brasil em fevereiro de 1876.<ref name="denader" /> Entre 1878 e 1881, Almeida atuou como [[Professor titular|lente]] (professor titular) interino na segunda cadeira do segundo curso de minas da [[Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro|Escola Politécnica do Rio de Janeiro]],<ref name="paralaxe">{{citar q|Q99931033|página=do frontispício}}</ref><ref>{{citar Q|Q104043015|página=49}}</ref> a partir de sua apresentação ao então diretor da instituição, o [[Visconde de Rio Branco]], de um trabalho sobre as minas de ferro no [[Rio Jacupiranguinha]] e bases para um projeto de exploração.<ref name="dicc">{{citar Q|Q100160262}} {{cite wikisource|1=pt|2=Diccionario Bibliographico Brazileiro/Francisco Antonio de Almeida|link=Transcrição}}</ref> Em 1880 retornou à Europa, onde editou uma revista técnica de engenharia,<ref name="Soares2017" /> retornando ao Brasil três anos depois.<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=100439_02&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%20Junior%22&pagfis=2470 |titulo=[Sem título] |jornal=O Fluminense |data=1883-12-21 |acessodata=2020-11-14|citação=Chegou ante-ontem da Europa, onde esteve residindo durante tres annos, o Sr. Dr. Francisco Antonio de Almeida Junior (...). O Sr. Dr. Almeida Junior segue brevemente para a provincia do Pará, onde vai exercer as funcções de engenheiro de uma companhia de engenhos centraes.}}</ref>
 
Republicano e abolicionista,<ref name="yshida" /> Almeida acreditava que a implantação da república no Brasil viria através da universalização da educação e da conscientização política de todo o corpo social.<ref name="CHDD">{{citar q|Q100272276}}</ref> Ainda sobre este tema, em 1889 escreveu a obra ''A Federação e a Monarchia''.
 
No início da República, foi nomeado para diversos cargos da repartição pública: diretor da 2ª seção da repartição de estatística do estado do Rio de Janeiro em março de 1890;<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=360163&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Ant%C3%B4nio%20de%20Almeida%22&pagfis=256 |titulo=O Estado do Rio de Janeiro |jornal=O Cruzeiro |data=1890-03-29}}</ref> engenheiro da Companhia Cantareira e Viação Fluminense em abril de 1890;<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=725 |titulo=[Sem título] |data=1890-04-18 |acessodata= |jornal= |publicado=Jornal do Commercio |ultimo= |primeiro= |citação=Asseguarárão-nos que vai ser nomeado engenheiro da Companhia Cantareira e Viação Fluminense o Dr. Francisco Antonio de Almeida (...)}}</ref> membro do conselho da Intendência de Niterói por indicação do governador [[Francisco Portela]] de abril a julho de 1890;<ref name="Soares2017" /><ref>{{Citar periódico |titulo=ESTADO DO RIO DE JANEIRO |jornal=O Cruzeiro|url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=360163&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Ant%C3%B4nio%20de%20Almeida%22&pagfis=296|data-publicacao=1890-10-04|pagina=p. 2}}</ref><ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=709743&Pesq=%22Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=3231 |titulo=Actos Officiaes |jornal=Revista de Engenharia |data=1890-07-14 |local=Rio de Janeiro}}</ref> diretor do ''[[Diário Oficial da União|Diário Oficial]]'' entre julho e novembro de 1891<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_03&Pesq=%22director%20do%20Diario%20Oficial%22&pagfis=3879 |titulo=[Sem título]|citação=Foi nomeado director do ''Diario Official'' o Sr. Dr. Francisco Antonio de Almeida. |jornal=Gazeta de Noticias |data=1891-07-29 |acessodata=2020-11-14 |local=Rio de Janeiro |pagina=p. 1}}</ref><ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=364568_08&Pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=5885 |titulo=Diario Official|citação=Por titulo de 28 do corrente foi concedida ao Dr. Francisco Antonio de Almeida a exoneração que pedio no lugar de director do ''Diario Official'', sendo nomeado o Dr. Vicente de Souza. |jornal=Gazeta de Noticias |data=1891-11-28 |acessodata=2020-11-14 |local=Rio de Janeiro |pagina=p. 1}}</ref> e delegado de polícia de [[Niterói]].<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=6426 |titulo=[Sem título] |jornal=Jornal do Commercio |data=1892-01-26 |acessodata=2020-11-14|citação=Sobre o desacato que em Petropolis soffreu o Sr. Ministro do Chile forão hotem ouvidos pelo Sr. Dr. Francisco Antonio de Almeida, delegado de policia de Nitheroy, (...)}}</ref>
 
Crítico de [[Floriano Peixoto]], Almeida foi identificado como participante do [[Manifesto dos Treze Generais]] de 10 de abril de 1892, motivo pelo qual permaneceu preso por cem dias na [[Fortaleza de São Francisco Xavier da Ilha de Villegagnon|Fortaleza de Villegagnon]] e, posteriormente, na [[Fortaleza de São João]].<ref name="aopublico">{{Citar Q|Q101906867}} {{citar wikisource||Ao publico (Francisco Antônio de Almeida Júnior)|Transcrição}} </ref><ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=7159 |titulo=Gazetilha: Actos do Poder executivo |jornal=Jornal do Commercio |data=1892-04-13 |local-publicacao=Rio de Janeiro |pagina=p. 1|citação=O Vice-Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil: (...) Resolve, de accôrdo com o art. 80 § 2.o da Constituição e nos termos do decreto n. 791 de 10 do corrente mez, e até ulterior deliberação, (...) Deter: (...) - Na fortaleza de Vilegaignon: (...) Dr. Francisco Antonio de Almeida. (...)}}</ref><ref name="yshida" />{{nota de rodapé|Soares (2017) afirma erroneamente que Almeida foi inicialmente preso no [[Fortaleza de Santa Cruz da Barra]] e posteriormente deportado para a [[Amazônia]] juntamente com [[José do Patrocínio]].}} Em abril do mesmo ano, [[Rui Barbosa]] impetrou um pedido de ''[[habeas corpus]]'' no [[Supremo Tribunal Federal]] para libertação do Senador Almirante [[Eduardo Wandenkolk]] e outros cidadãos (entre eles, Almeida),<ref name="estadodesitio">{{citar q|Q101911444}}</ref> mas teve o seu pedido indeferido.<ref>{{Citar web |url=http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=sobreStfConhecaStfJulgamentoHistorico&pagina=hc300 |titulo=Julgamentos Históricos: STF - Supremo Tribunal Federal |acessodata=2020-11-15 |website=www.stf.jus.br}}</ref> Almeida deixou a prisão por vontade própria alguns meses depois, em 19 de julho,<ref name="aopublico" /> apesar da anistia aos envolvidos no Manifesto dos Treze Generais ter sido decretada por Peixoto somente em 5 de agosto de 1892.<ref>BRASIL. ''[https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DPL&numero=72-B&ano=1892&data=05/08/1892&ato=cd30TP310MJRkT8a2 Decreto nº 72-B, de 5 de agosto de 1892]</ref>
 
Após o confinamento, viajou à França, mas regressou pouco tempo depois devido à doenças na família e disputas entre os irmãos pela herança do pai.<ref name="Soares2017" /> Já em 1894, durante a [[Revolta da Armada]], Almeida se ofereceu como civil para combater, em nome da República, os marinheiros revoltosos liderados pelo almirante [[Saldanha da Gama]].<ref name="Soares2017" /> Realizou ato semelhante em 1897, onde se apresentou, no caráter de "engenheiro ou soldado", para lutar contra [[Antônio Conselheiro]] na [[Guerra de Canudos]].<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=085669&pesq=%22Coronel%20Francisco%20Ant%C3%B4nio%20de%20Almeida%22&pasta=ano%20189&pagfis=6869 |titulo=[Sem título] |jornal=Cidade do Rio |data=1897-03-14 |acessodata=2020-11-14|citação=(...) Apresentaram-se homtem os senhores officiaes honorarios do exercio (...), coronel Dr. Francisco Antonio de Almeida, no caracter de engenheiro ou de soldado combatente (...)}}</ref>
 
No final de 1894, Floriano Peixoto o indicou ao cargo de cônsul no Consulado do Brasil em Montreal,<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=15300 |titulo=[Sem título] |jornal=Jornal do Commercio |data=1894-11-02 |acessodata=2020-11-14|pagina=p. 3}}</ref><ref name="Soares2017" /><ref>{{Citar periódico |url=https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5716996t/f6.item.r=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22 |titulo=Bulletin Officiel |jornal=La Revue diplomatique : politique, littérature, finances, commerce international |data-publicacao=1895-01-27 |pagina=p. 6}}</ref> e de auxiliar de uma missão consular na China, em uma de suas últimas medidas administrativas como presidente.<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=13727 |titulo=Varias Noticias |jornal=Jornal do Commercio |data=1894-05-16 |acessodata=2020-11-15|citação=Parte por estes dias para a China, o Dr. Francisco de Almeida}}</ref><ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=15570 |titulo=Missão á China |jornal=Jornal do Commercio |data=1894-11-29 |acessodata=2020-11-15}}</ref> No entanto, devido à falta da assinatura presidencial nos decretos publicados no ''Diário Oficial'', a indicação de Almeida para o consulado não teve efeito e em dezembro foi cancelada. A missão à China, que havia sido prevista desde 1892, sofreu atrasos devido a uma epidemia de [[peste negra]] em Hong Kong e posteriormente por conta da eclosão da [[Primeira Guerra Sino-Japonesa]], e foi finalmente extinta sem que Almeida tivesse deixado o Rio de Janeiro, embora tenha recebido vencimentos relativos ao seu trabalho como auxiliar.<ref>{{citar periódico|url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=891029&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22%20%22consulado%20de%20montreal%22&pasta=ano%20189&pagfis=16250|titulo=Noticias do Brazil|jornal=O Economista|data=30 de dezembro de 1894|acessodata=17 de outubro de 2020|página=p. 1|citação=Algumas nomeações foram anulladas, entre ellas a de Francisco Antonio d'Almeida para o consulado de Montreal, que ficou por isso furioso, tanto mais que foi extincta a missão à China, para onde nunca seguiu, recemento, porém, os vencimentos relativos no Rio de Janeiro, onde se conservara!}}</ref><ref>{{citar periódico|url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=178691_02&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22%20montreal&pasta=ano%20189&pagfis=11366|titulo=Relações Exteriores|jornal=O Paiz|data=4 de dezembro de 1894|acessodata=17 de novembro de 2020|página=p. 1}}</ref><ref>{{citar livro|url=https://archive.org/details/RelatorioMREseculoxixcomocr/Relatorio_1894OCR|título=Relatório do Ministro das Relações Exteriores|obra=Ministério das Relações Exteriores|data=maio de 1895|capítulo=Anexo N.2|página=p. 83}}</ref>
 
Atuou também na [[Guarda Nacional (Brasil)|Guarda Nacional]] como tenente-coronel comandante do 1º Batalhão de Artilharia de Posição da Guarda Nacional de 1890 a 1892<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_08&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=2611 |titulo=Gazetilha: Guarda Nacional |jornal=Jornal do Commercio |data=1890-12-06 |acessodata=2020-11-14}}</ref><ref>{{Citar periódico |autor=Laemmert, Eduardo von|url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=313394&pasta=ano%20189&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=404 |titulo=Ministerio da Justiça: Guarda Nacional (art. 324) |jornal=Almanak Laemmert : Administrativo, Mercantil e Industrial |data=1891 |acessodata=2020-11-14}}</ref><ref>{{Citar periódico |autor=Laemmert, Eduardo von|url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=313394&pesq=%22Francisco%20Ant%C3%B4nio%20de%20Almeida%22&pagfis=2920 |titulo=Ministerio da Justiça: Guarda Nacional (art. 324) |jornal=Almanak Laemmert : Administrativo, Mercantil e Industrial |data=1892 |acessodata=2020-11-14}}</ref> e capitão em 1904.<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=364568_09&pasta=ano%20190&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22&pagfis=8002 |titulo=Gazetilha: Guarda Nacional |jornal=Jornal do Commercio |data=1904-07-07 |acessodata=2020-11-15|citação=Foram promovidos e nomeados para a Guarda Nacional: (...) Capital Federal - (...) Capitão, o Tenente Francisco Antonio de Almeida (...)}}</ref> Foi citado ainda como coronel honorário do Exército em 1894.<ref>{{citar periódico|url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=100439_03&Pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%22%20montreal&pagfis=3142|jornal=O Fluminense||titulo=Repercussões|data=17 de novembro de 1894|acessodata=2020-11-23}}</ref>
 
===Vida pessoal===
No seu casamento com Mathilde Martins, teve dois filhos: Abel de Almeida (1883–1958),<ref name="mathilde" /> jornalista e alto funcionário público no [[Ministério da Agricultura]], e Francisco Antônio de Almeida Júnior (1880–1958),<ref name="mathilde" /> cego<ref name="Soares2017" /> e professor do [[Instituto Benjamin Constant]].<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=093718_01&pesq=%22Mathilde%20Martins%20de%20Almeida%22&pasta=ano%20193&pagfis=16890 |titulo=Enterramentos: D. Mathilde Martins de Almeida |jornal=Diario de Noticias |data=1933-11-08}}</ref><ref>PINHEIRO, Cláudia Regina Garcia. [http://www.ibc.gov.br/images/conteudo/revistas/benjamin_constant/2004/edicao-29-dezembro/Nossos_Meios_RBC_RevDez2004_Perfil.pdf Augusto José Ribeiro: Cultura e Sensibilidade]. In ''Benjamin Constant'', edição 29, dezembro de 2004.</ref>
 
Almeida Júnior faleceu em 12 de setembro de 1928, aos 78 anos de idade.<ref name="familysearch" />
 
==Legado==
[[Imagem:Revista Illustrada n231.pdf|thumb|Frontispício da edição de dezembro de 1880 da ''Revista Illustrada'', satirizando a observação o trânsito de Vênus pelo sol]]
Em seu tempo, Almeida foi satirizado publicamente no periódico antimonarquista ''[[Revista Illustrada]]'', que viu a expedição de 1874 como desperdício de dinheiro público por parte do governo imperial, e a observação de Vênus como 'coisa antiga' no campo da [[astronomia]].<ref name="cinema">{{citar q|Q100271049}}</ref><ref name="pubmed" /> O deputado [[Ferreira Viana]] ironizou as atribuições de Almeida como sendo as de um mero "[condutor] de instrumentos para os sábios de França".<ref name="eco">{{citar q|Q100367981}}</ref>
 
Apesar das críticas, Francisco Antônio de Almeida adquiriu certo prestígio com a publicação de ''Da França ao Japão'', obra de fácil leitura e repleta de exotismos<ref name="yshida"/> de países totalmente desconhecidos por muitos leitores brasileiros.<ref name="SBHC">{{citar web|url=https://www.sbhc.org.br/conteudo/view?ID_CONTEUDO=1003|título=A paralaxe promovida pelo outro|autor=Jacques Ferreira Pinto|obra=Boletim SBHC|publicado=Sociedade Brasileira de História da Ciência|acessodata=16 de outubro de 2020}}</ref> Por suas contribuições, Almeida foi condecorado em 1875 com o título de cavaleiro da [[Imperial Ordem da Rosa]] e com uma medalha comemorativa do governo francês.<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=103730_01&pesq=%22Francisco%20Antonio%20de%20Almeida%20Junior%22&pasta=ano%20187&pagfis=274 |titulo=[Sem título] |jornal=Gazeta de Noticias |data=1875-10-05 |local=Rio de Janeiro|citação=Foi nomeado cavalleiro da ordem da Rosa, Francisco Antonio de Almeida Junior, addido á commissão franceza que no Japão observou a passagem de Venus sobre o disco solar}}</ref><ref name="denader" /> A viagem de Almeida teria, segundo o pesquisador Argeu Guimarães, despertado a curiosidade das autoridades brasileiras e contribuído para o envio de uma missão diplomática ao Japão e à China em 1879-1880.<ref name="CHDD" />
 
De acordo com [[Emmanuel de Macedo Soares]], Almeida auxiliou o governador do Rio de Janeiro Francisco Portela na fundação de duas associações beneficentes, a ''Isabel Portela'', dissolvida com a deposição do governador, e a ''Charitas''.<ref name="Soares2017" />
 
Almeida teve um importante papel no desenvolvimento da produção fílmica, através da operacionalização do revólver fotográfico de Janssen,<ref name="cinema"/><ref name="pubmed">{{citar q|Q38669509}}</ref> este tido como um dos precursores do cinema. Credita-se a Almeida ainda ter sido o primeiro brasileiro a visitar o Japão e a publicar uma obra sobre tanto o Japão quanto a China. ''Da França ao Japão'' foi a primeira obra ocidental sobre o Japão desde o fim do [[Sakoku|período isolacionista do país]], embora ''[[Madame Chrysanthème]]'' (1887), do francês [[Pierre Loti]], seja reconhecida mais amplamente como pioneira e mais influente devido à então dominante língua francesa.<ref name="hashimoto">{{citar q|Q100337294|page=105}}</ref> Em 2020, a [[Embaixada do Brasil em Tóquio]] celebrou as contribuições de Almeida à ciência e ressaltou o ineditismo de sua visita ao Japão.<ref>{{citar web|url=https://www.instagram.com/p/CFvWJXGpX5i/|título=金星、ブラジルと日本|autor =Embaixada do Brasil em Tóquio|publicado=Instagram|lingua=pt|data=30 de setembro de 2020|acessodata=6 de outubro de 2020}}</ref>
 
==Obras==
{{Correlatos
|commons=Category:Francisco Antônio de Almeida Júnior
|wikisource=Autor:Francisco Antônio de Almeida Júnior
|}}
Segue a lista de obras produzidas por Francisco Antônio de Almeida:<ref name="dicc" />
 
*''[[Passage de Vénus]]'' (1874)
*''{{ws|[[:la:s:De motibus Aeris|De motibus aeris]]}}'' (1876)<ref name="motibus" />
*''Notícia sobre as minas de ferro de Jacupiranguinha e bases de um projeto de exploração'' (1878)
*''A Paralaxe do Sol e as Passagens de Vênus'' (1878)
*''{{ws|[[s:Da França ao Japão|Da França ao Japão: narração de viagem e descrição histórica, usos e costumes dos habitantes da China, do Japão e de outros países da Ásia]]}}'' (1879)
**''[[:File:Carta do Império do Japão.jpg|Carta do Império do Japão]]'' (contida na obra supracitada)
*''A Federação e a Monarquia'' (1889){{nota de rodapé|Sacramento Blake registra a obra como "A federação e a república", informação repetida por diversos pesquisadores, mas o cujo título correto é "A Federação e a Monarquia", tal como registrado no periódico [http://memoria.bn.br/pdf/373370/per373370_1889_00073.pdf ''A Epocha''], de 16 de novembro 1889, e no [http://acervo.bn.br/sophia_web/acervo/detalhe/759823 acervo da Biblioteca Nacional].}}<ref>{{Citar periódico |url=http://memoria.bn.br/pdf/373370/per373370_1889_00073.pdf |titulo=A Federação e a Monarchia |jornal=A Epocha |data=1889-11-16 |numero=73}}</ref>
 
{{notas}}
{{Referências}}
{{controle de autoridade}}
{{DEFAULTSORT:ALMEIDA JUNIOR, Francisco Antonio de}}
 
[[Categoria:Astrônomos do Brasil do século XIX]]
[[Categoria:Professores universitários do Brasil]]
[[Categoria:Escritores do Rio de Janeiro]]
[[Categoria:Engenheiros do Rio de Janeiro]]
[[Categoria:Diplomatas do Brasil]]
[[Categoria:Cavaleiros da Imperial Ordem da Rosa]]