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{{Info/Livro
| nome =História Augusta
| imagem =Historia Augusta, seu Vitae Romanorum Caesarum - Upper cover (Davis643).jpg
| legenda =
| autor = Scriptores Historiae Augustae
| seguido_por =
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'''História Augusta''' ({{lang-la|'''''Historiae Augustae'''''}}) é uma coleção de biografias de [[imperadores romanos]], escrita, provavelmente, no final do [[século IV]]. O nome pelo qual a obra é conhecida foi dado pelo erudito francês [[Isaac Casaubon]] em 1603. Seus autores, cujos nomes são desconhecidos, são chamados genericamente de '''''Scriptores Historiae Augustae''''' na literatura acadêmica.
 
A '''''Historia Augusta''''' é uma coleção de biografias romanas tardias, escrita em [[latim]], sobre os imperadores romanos, seus colegas mais jovens, herdeiros designados e usurpadores de 117 a 284 d.C. Supostamente inspirada na obra semelhante de [[Suetónio|Suetônio]], ''Os Doze Césares'', apresenta-se como uma compilação de obras de seis diferentes autores (conhecidos coletivamente como ''Scriptores Historiae Augustae''), escritas durante os reinados de [[Diocleciano]] e [[Constantino|Constantino I]] e dirigidas a esses imperadores ou outros personagens importantes na [[Roma Antiga]]. A coleção, conforme existente, compreende trinta biografias, a maioria das quais contém a vida de um único imperador, mas algumas incluem um grupo de dois ou mais, agrupados simplesmente porque esses imperadores eram semelhantes ou contemporâneos.<ref>Magie, David (1921). ''[http://penelope.uchicago.edu/Thayer/E/Roman/Texts/Historia_Augusta/home.html A Historia Augusta]''. Londres e Harvard: Loeb Classical Library, p. xii.</ref>
== História ==
A obra abrange o período entre o principado de [[Adriano]] ([[117]]-[[138]]) até [[Carino]] ([[283]] -[[285]]). As biografias dos imperadores do período entre [[244]] e [[259]] ([[Filipe, o Árabe]], [[Décio]], [[Treboniano Galo]] e [[Emiliano]]) estão ausentes, criando uma lacuna. As biografias podem ser divididas em duas partes:
 
A verdadeira autoria da obra, sua data real, sua confiabilidade e seu propósito há muito são motivo de controvérsia por historiadores e estudiosos, desde que Hermann Dessau em 1889 rejeitou a data e a autoria conforme declaradas no manuscrito. Os principais problemas incluem a natureza das fontes usadas e quanto do conteúdo é pura ficção. Por exemplo, a coleção contém ao todo cerca de 150 supostos documentos, incluindo 68 cartas, 60 discursos e propostas ao povo ou ao Senado e 20 decretos e aclamações senatoriais. Praticamente todos eles agora são considerados fraudulentos.<ref>Magie 1921, pp. Xx – xxi.</ref>
*[[Adriano]] a [[Gordiano III|Gordiano II]] (117-244)
*[[Valeriano]] a [[Carino]] (253-285)
 
Na segunda década do [[século XXI]], o consenso geral apoiou a posição de que havia apenas um único autor, que escreveu no final do [[século IV]] ou no início do [[século V]], que estava interessado em misturar questões contemporâneas (políticas, religiosas e sociais) nas vidas dos imperadores do [[século III]]. Há ainda consenso de que o autor usou os elementos fictícios na obra para destacar referências a outras obras publicadas, como [[Cícero]] e [[Ammianus Marcellinus]], em um jogo alegórico complexo. Apesar dos enigmas, é o único relato contínuo em latim durante grande parte de seu período e, portanto, é continuamente reavaliado. Os historiadores modernos não estão dispostos a abandoná-lo como uma fonte única de informações possíveis, apesar de sua óbvia falta de confiança em muitos níveis.<ref>Breisach, Ernst (2007). ''[https://books.google.com/books?id=JDFbWtQcp1IC Historiography: Ancient, Medieval, and Modern, 3rd ed]''. Chicago: University of Chicago Press. ISBN <bdi>978-0-226-07284-5, p. 75.</bdi></ref>
A primeira parte é dedicada a [[Diocleciano]] e a primeira vista pareceria haver sido escrita durante o reinado deste imperador (284-305) por quatro autores: Espartano, Capitolino, Lampridídeo e Galicano. A segunda parte está dedicada a [[Constantino I]] (306-337), e seus autores teriam sido [[Flávio Vopisco]] e [[Trebélio Polião]]. Porém, já em 1889 foi sugerido pelo estudioso alemão [[Hermann Dessau|Hermana Dessua]] que estes autores são fictícios, e que a obra foi escrita em realidade por um único autor anônimo. Análises línguísticas realizadas posteriormente confirmaram essa hipótese, e atualmente a data de composição mais provável para a obra situa-se entre a segunda metade do século IV e o começo do século V.
 
== Referências ==
Além dos nomes dos autores, a ''Historia'' contém inúmeras falsificações, com augúrios e eventos completamente inventados, assim como datas impossíveis, especialmente na segunda parte da obra. De maneira geral, as biografias dos personagens menores, com co-imperadores e usurpadores, são pura ficção. Porém, as descrições da vida e feitos dos principais imperadores parecem ser mais autênticas.
 
==Referências==
*Introdução à ''História Augusta'' em ''Livius.org'' [http://www.livius.org/hi-hn/ha/hist_aug.html] {{en}}
 
== Ligações externas ==