Diferenças entre edições de "John Langshaw Austin"

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=== Atos da fala ===
São coisas feitas com palavras (Austin 1962b, 1956b, 1963), onde qualquer sentença pode ser usada para realizar uma variedade de atos linguísticos. Se em declarações produzimos aquilo que pode ser considerado "verdadeiro ou falso", em '''atos performativos''' não precisamos produzir coisas que são verificáveis pela verdade ou falsidade. Os atos ou enunciados performativos podem ser '''atos locucionários''' (locutionary acts), '''atos ilocucionários''' (illocutionary act) e '''atos perlocucionários''', que poderia ser a distinção entre dizer alguma coisa, alguma coisa com alguma ênfase e os efeitos de se dizer alguma coisa ou de conseguir que alguém faça alguma coisa que se deseje (1962b: 83–164).
 
== A contribuição de Austin para a linguagem ==
Austin dedicou-se ao estudo do uso da linguagem ordinária e revolucionou a filosofia analítica, na década de 40. Questionou postulados fundamentais da linguística enquanto ciência autônoma, além de promover grandes discussões sobre a filosofia da linguagem. Deste modo, distanciou-se da filosofia tradicional e trouxe à tona a discussão sobre os enunciados performativos e enunciados constativos.
 
Segundo Ottoni (2002),<ref>{{Citar periódico|ultimo=Ottoni|primeiro=Paulo|titulo=John Langshaw Austin and the Performative View of Language|jornal=DELTA: Documentação de Estudos em Lingüística Teórica e Aplicada|volume=18|numero=1|paginas=117–143|issn=0102-4450|doi=10.1590/S0102-44502002000100005|url=http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0102-44502002000100005&lng=en&nrm=iso&tlng=pt}}</ref>, Austin traz uma nova abordagem para a linguagem sem se preocupar com as fronteiras entre a linguística e a filosofia. Ottoni (2002) chama tal abordagem de ''visão performativa''. Este modo inovador de tratar a linguagem ordinária, gera uma reorganização tanto na linguística como na filosofia.
 
A filosofia fica dividida entre a Filosofia Analítica de Oxford e a Filosofia Construtivista. Na linguística, existe o grupo de linguistas que entende a linguística como ciência autônoma e a aproxima das ciências exatas. De outro modo, existe o grupo que se aproxima da linguística filosófica. Para melhor compreender o cenário construído com as novas propostas de Austin ver Ottoni (2002).
 
== A teoria dos atos de fala ==
Austin apresentou dois tipos de enunciados: os constativos e os performativos.<ref>{{Citar web|url=http://www.filologia.org.br/viiifelin/41.htm|titulo=TEORIA DOS ATOS DE FALA|acessodata=2017-01-06|obra=www.filologia.org.br}}</ref>. Os enunciados constativos descrevem ou relatam um estado de coisas e podem ser valorados como verdadeiros ou falsos. Isto é, são relatos, descrições ou afirmações, como por exemplo, a ''menina tem seis anos'', ''João foi à farmácia'', ''está calor hoje''. Tais enunciados recebem o valor de verdadeiro, se estiverem adequados a um contexto/circunstância. De modo contrário, esses enunciados recebem o valor de falso, se não estiverem adequados a um contextos/circunstância.
 
Ottoni (2002) reproduz a fala de Austin sobre a verdade ou falsidade dos enunciados: ''“pois'' (''deixando de fora os chamados enunciados ‘analíticos’'') ''a questão da verdade ou falsidade não depende somente de saber o que'' é ''uma frase nem mesmo do que'' significa'', mas, falando de modo geral, das circunstâncias em que se deu seu enunciado''.” (Austin 1962, p. 142). Ou seja, para considerar uma sentença verdadeira ou falsa deve-se considerar os objetivos e intenções do falante, as circunstâncias do enunciado e as obrigações que são assumidas ao se afirmar algo.
Os enunciados performativos, quando ditos, realizam ações, por exemplo, o''rdeno que você saia'', ''eu te perdoo'', ''declaro aberta a sessão.'' Estes enunciados não descrevem ou relatam coisas, por isso, não podem ser valorados como falsos ou verdadeiros, mas sim executam atos (ato de ordenar, batizar, condenar, perdoar, abrir uma sessão, etc.). Quando um enunciado performativo é realizado/dito, está sendo concretizado um ato/ação. No exemplo, ''declaro aberta a sessão'', este enunciado não informa sobre a abertura da sessão, mas este enunciado é a concretização do ato de abrir a sessão.
 
É preciso ressaltar que apenas dizer um enunciado performativo não é a garantia da concretização do ato,<ref>{{citar periódico|ultimo=Freitas|primeiro=Adriano|titulo=Há um problema com a teoria dos atos de fala de Austin?|jornal=Revista Estudos Filosóficos|doi=|url=http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/revistaestudosfilosoficos/art2-rev2.pdf|acessadoem=}}</ref>, é necessário que o enunciado performativo seja realizado dentro de um contexto/circunstância adequado. Austin denominou ''condições de felicidade'' a adequação do enunciado performativo ao contexto em que é realizado/dito. No exemplo, ''eu te batizo em nome do pai, do filho e do espírito santo'', se dito por um engenheiro em seu ambiente de trabalho, o ato performativo não se concretiza, ou seja, é infeliz. Mas quando dito por um padre durante uma cerimônia na igreja, o ato do batizado se concretiza, ou seja, é feliz.
 
Para que um enunciado performativo seja uma ação, é preciso que alguns critérios sejam satisfeitos: o falante deve ter autoridade para executar o ato (deve ser autoridade para dizer o enunciado performativo) e as circunstâncias devem ser apropriadas.
As condições de infelicidade mais específicas do performativo são:
 
·        * Nulo ou sem efeito. Quando o orador não tem autoridade para dizer o enunciado. Por exemplo, se um caminhoneiro fala para seu companheiro de viagem: ''eu te condeno a 10 anos de prisão''.
* O abuso da fórmula ou falta de sinceridade. Por exemplo, quando se diz: ''eu prometo'', mas não há intenção de cumprir a promessa.
 
·*         O abuso da fórmula ouA faltaquebra de sinceridadecompromisso. Por exemplo, quandoQuando se diz: ''eu prometote perdoo'', mas não há intenção de cumprirfato ao perdão da promessapessoa.
 
·        A quebra de compromisso. Quando se diz: ''eu te perdoo'', mas não há de fato o perdão da pessoa.
 
Austin tenta elaborar um critério gramatical para os enunciados performativos: verbo na primeira pessoa do singular do presente do indicativo, na forma afirmativa e na voz ativa. Por exemplo, ''eu prometo que''...
 
== John Searle ==
As teorias de Austin foram propagadas nos [[Estados Unidos]] por seu aluno [[John Searle]]. Searle com sua obra ''Speech Acts Theory'' (1969).<ref> Os actos de fala: um ensaio de filosofia da linguagem (Coimbra: Livraria Almedina, 1981)</ref>. Também o filósofo [[França|francês]] [[Jacques Derrida]] desenvolve uma teoria da linguagem baseada no trabalho de Austin.<ref>
Cornelia Vismann, Jurisprudence: A Transfer-Science, 10 LAW AND CRITIQUE 279-286 (1999)[http://www.germanlawjournal.org/pdfs/Vol06No01/PDF_Vol_06_No_01_005-13_SI_Vismann.pdf{{Ligação inativa|1={{subst:DATA}} }}]]
</ref>.
CRITIQUE 279-286 (1999)[http://www.germanlawjournal.org/pdfs/Vol06No01/PDF_Vol_06_No_01_005-13_SI_Vismann.pdf{{Ligação inativa|1={{subst:DATA}} }}]]
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{{Referências}}