Diferenças entre edições de "Montanhas de Congue"

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'''Montanhas Kong''' foi como foi chamada uma suposta cadeia montanhosa traçada em mapas do [[África|continente africano]] de 1798 até o final da década de 1880<ref name="bbc">[https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55529608 bbc.com/] ''A curiosa história das montanhas Kong, a cordilheira inexistente que esteve nos mapas por um século''</ref>. Seu nome remetia à cidade de [[Congue (Costa do Marfim)|Kong]], capital do império homônimo que prosperou durante os [[Século]]s [[Século XVIII|XVIII]] e [[Século XIX]] na atual [[Costa do Marfim]].
 
EmDescritas como contendo "''cumes cobertos de neve em boa parte do ano (...) com sua altura, tocavam o céu''", em alguns mapas, as Montanhas Kong chegaram a atravessar todo o [[África|continente africano]], de [[leste]] a [[oeste]], como um muro que separava o [[deserto do Saara]] do sul do continente<ref name="bbc"/>. Atualmente sabe-se que estas montanhas não existem<ref name="bbc"/>.
 
== História ==
[[File:AfriqueOuest1880.jpg|right|200px|thumb|As Montanhas Kong em um mapa francês de 1881.]]
O primeiro relato das supostas montanhas foi feito pelo explorador escocês [[Mungo Park]], que viajou ao interior dos atuais [[Senegal]] e [[Mali]], entre os anos de [[1795]] e [[1797]] em busca das nascentes do [[rio Níger]]<ref name="bbc"/>. OEm mapa resultante das explorações da área pelo [[Mungo Park]]1799, quefoi mostroupublicado aseu extensão da cadeiarelato de montanhasviagem pelaem primeiraum vez, foi produzido pelo cartógrafojornal inglês [[James Rennell]], e representavam o [[rio Níger]] como evaporando para o interior em [[Wangara]], [[Burkina Faso]]. A partir do momento em que ascontinha ilustrações dedas [[Jamesformas Rennell|Rennell]]rochosas foramencontradas divulgadas, a grande maioria dos mapas comerciais da África até o fim do [[Século XIX]] passaram a incluir as montanhas Kong<refpelo name="bbc"/>escocês.
 
O mapa resultante das explorações de área pelo [[Mungo Park]], que mostrou a extensão da cadeia de montanhas pela primeira vez, foi produzido pelo cartógrafo inglês [[James Rennell]], e representavam o [[rio Níger]] como evaporando para o interior em [[Wangara]], [[Burkina Faso]]. [[James Rennell|Renell]] acreditava que o [[rio Níger]] ia em direção ao leste e desaguava em um delta interior. A presença das montanhas confirmava o pensamento de [[James Rennell|Renell]], já que a cordilheira impedia o curso do rio para o sul.
 
As representações de [[James Rennell|Renell]], então, foram divulgadas em diversos mapas comerciais africanos. A partir do momento em que elas foram divulgadas, a grande maioria dos mapas comerciais da África até o fim do [[Século XIX]] passaram a incluir as montanhas Kong<ref name="bbc"/>. Os cartógrafos, porém, atribuíram muitas variações para à cordilheira. Os historiadores Thomas Basset e Phillip Porter identificaram quarenta mapas mostrando as montanhas publicadas entre 1798 e 1892<ref>Thomas J. Bassett and Philip W. Porter, “From the Best Authorities’: The Mountains of Kong in the Cartography of West Africa,” The Journal of African History 32, No. 1, 1991, 368.</ref>.
 
O fabricante alemão de mapas [[Johann Reinecke]], por exemplo, incluiu as montanhas em seu mapa de 1804, chamando a cadeia montanhosa de "Geburg Kong". Em 1805, o artista londrino [[John Cary]] mostrou pela primeira vez a ligação da cadeia montanhosa com as [[Montanhas da Lua]].
 
A "''Géographie de l'abbé Gaultier''" (Geografia do Padre Gaultier), de 1833, refere-se às Montanhas Kong como uma das "oito principais montanhas da África"; elesque "separam Nigritia da [[Guiné]]" e são uma continuação das "Montanhas da Serra Leoa na Senegambia".
 
Na 4ª edição do "''[[Meyers Konversations-Lexikon]]''" de 1880 (em alemão), as Montanhas Kong são descritas como, entre outras coisas, "''montanhas inexploradas, que se estendem ao norte da costa da Guiné Alta por um comprimento de 800 a 1.000 km entre a 7ª e a 9ª latitude norte até a 1ª longitude oeste de [[Greenwich]]''". No extremo leste está a cidade de "''[[Congue (Costa do Marfim)|Kong]], que ainda não entrou em um europeu, mas que de acordo com a declaração do Eingebornen é suposto ser o maior mercado nessas áreas e fabricar tecidos de algodão, que estão em nome do [[Sudão]]''"<ref>Autorenkollektiv: [http://www.retrobibliothek.de/retrobib/seite.html?id=109605 ''Meyers Konversations-Lexikon.''] Verlag des Bibliographischen Instituts, Leipzig und Wien, Vierte Auflage, 1885–1892.</ref>.
Apesar das constantes falhas de outras explorações posteriores para localizar a cadeia de montanhas, ela continuou a aparecer em mapas até o final do [[Século XIX]]<ref>{{cite book|last=Stock|first=Robert|title=Africa South of the Sahara: A Geographical Interpretation|year=2004|publisher=The Guilford Press|isbn=1-57230-868-0}}</ref>.
 
A grande maioria dos cartógrafos pararam de incluir as montanhas nos mapas depois que o explorador francês [[Louis Gustave Binger]] estabeleceu que as montanhas não existiam, em sua expedição de 1887-1889 para mapear o [[rio Níger]] a partir de sua foz no [[Golfo da Guiné]] e em toda a [[Costa do Marfim]]. Percebendo a inexistência da cordilheira, ele relatou o fato à Sociedade Geográfica de Paris quando retornou para sua cidade natal.
 
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