Diferenças entre edições de "Montanha (Revolução Francesa)"

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{{Info/Partido político do Brasil|nome_partido=A Montanha|nome_original=La Montagne|colorcode=red|logo_partido=[[File:La Montagne emblem, 1793 version.svg|180px]]|fundado=1792|registro=1799|sede=[[Paris]], {{FRA}}|ideologia={{Lista simples|
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*[[Centralismo]]
*[[Jacobinismo]]
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Na [[história]] da [[Revolução Francesa]], A '''Montanha''' ({{lang-fr|link=no|''La Montagne''}}) foi um grupo político na [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção Nacional]]. Seus membros eram chamados '''Montanheses''' ({{lang-fr|link=no|''les Montagnards''}}).
 
= A Montanha - Revolução Francesa "La Montagne" =
Durante a Revolução, os deputados da [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembléia Legislativa]] de [[1791]] que ocupavam os bancos mais elevados da Assembléia – "''a Montanha''" – tomaram o nome de ''montanheses'', enquanto os deputados dos bancos mais baixos – "''[[Planície (Revolução Francesa)|a Planície]]''" – receberam o nome de ''marais''.
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[[Montanha (Revolução Francesa)#mw-head|Saltar para a navegação]][[Montanha (Revolução Francesa)|Saltar para a pesquisa]]
Favoráveis à [[República]], dominados por [[Georges Jacques Danton|Georges Danton]], [[Jean-Paul Marat]] e [[Maximilien de Robespierre]], os Montanheses conheceram seu apogeu na primavera de [[1793]], com 300 deputados na Assembléia Nacional, na maior parte eleitos pelo departamento do [[Sena]] e de grandes cidades. Hostis à [[Monarquia]], favoráveis a uma democracia centralizada, os Montanheses, próximos à pequena [[burguesia]], apoiavam-se nos ''[[sans-culottes]]'' e combatiam os [[Girondino|girondinos]], representantes da [[burguesia]] abastada, que conseguiram derrubar do poder em [[Jornadas de 31 de Maio e 2 de Junho de 1793|2 de Junho de 1793]].
 
Na [[história]] da '''[[Revolução Francesa]],''' [[Montanha (Revolução Francesa)|'''A''' '''Montanha''']] (em [[Língua francesa|francês]]: ''La Montagne'') foi um grupo político de tendências revolucionárias cujos integrantes em sua maioria pertenciam a média e baixa burguesia na [[Convenção (Revolução Francesa)|'''Convenção Nacional''']] – denominação dada ao [[regime político]] que vigorou na [[França]] entre 20 de setembro de 1792 e 26 de outubro de 1795. Por ocuparem os bancos superiores na [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembléia Legislativa,]] seus integrantes eram chamados de '''Montanheses''' (em [[Língua francesa|francês]]: ''les Montagnards''). Por ser um grupo muito diversificado, seus líderes foram numerosos, sendo que os mais conhecidos foram [[Louis Antoine Léon de Saint-Just]], [[Georges Jacques Danton]] e [[Maximilien de Robespierre|Maximilien de Robespierre.]]
Dominando a [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção]] e o [[Comitê de Salvação Pública]], impuseram uma política de [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]]. Os Montanheses cindiram-se, então, entre os partidários de uma aliança com o povo e de medidas sociais, liderados por [[Maximilien de Robespierre]] e os partidários de um "Terror pontual", liderados por Danton.
[[Ficheiro:Gjdanton.jpg|thumb|180px|Danton, Ministro da Justiça em 7 de Setembro de 1792.]]
Muitos deputados montanheses eram próximos aos [[enragés]], de [[Jacques Roux]], ou aos [[hebertistas]], de [[Jacques Hébert]].
 
Durante a [[Revolução Francesa|Revolução]], os deputados da [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembleia Legislativa]] de [[1791]] que ocupavam os bancos mais elevados da Assembleia – "''a Montanha''" tomaram o nome de ''montanheses'', enquanto os deputados dos bancos mais baixos – "''[[Planície (Revolução Francesa)|a Planície]]''", receberam o nome de ''marais''. Apoiados pelo grupo [[Sans-culottes|sans-culottes –]] representantes da massa popular – a Montanha defendia os [[Republicanismo|ideais republicanos]] e primeiro os monarquistas e depois os [[Girondino|girondinos]], cujos membros em sua maioria pertenciam a alta [[burguesia]] provincial e que depois foram derrubados do poder em 02 de Junho de 1793.<ref>Stéphane Rials, Révolution et contre-révolution au XIXe siècle, DUC/Albatros, Paris, 1987, p. 155, e R. Huard, "Montagne rouge et Montagne blanche en Languedoc-Roussillon sous la Seconde République", em Droite et gauche de 1789 à nos jours, publicações da Universidade Paul-Valéry, Montpellier III, 1975, pp. 139-160.</ref>
Com os hebertistas clamando por uma nova insurreição e tendo fracassado qualquer tentativa de apaziguamento, o governo revolucionário faz prender, na noite de [[3 de março]] de [[1794]] (13-14 [[Ventoso]] do Ano II), Hérbert e as principais figuras do [[Clube dos Cordeliers]]. Todos são condenados à morte e executados vinte dias depois, em [[24 de março]] de [[1794]]. Na sequência, foi a vez dos "indulgentes" – que faziam campanha para derrubar o governo, acabar com o Terror e negociar uma paz rápida com a coalizão de monarquias – serem eliminados. Presos, são condenados à morte em [[5 de abril]] de [[1794]] (4 [[Germinal (mês)|Germinal]] do Ano II) e [[guilhotina]]dos.
 
Também denominados de [[Clube dos Jacobinos|jacobinos,]] por frequentarem o clube radical “Sociedade dos Amigos da Constituição de 1789” que ficava no convento dos jacobinos em Paris, os Montanheses defendiam o regime político republicano e a democracia. <ref name=":0">VOVELLE, Michel (2012). A Revolução Francesa 1789 - 1799. São Paulo: Editora Unesp. p. 38 a 44.</ref><ref name=":1">SOBOUL, Albert (2007). A Revolução Francesa. Rio de Janeiro: Difel - 9ª edição. Cap II. </ref>
Após a queda de [[Maximilien de Robespierre]] e seus partidários em [[27 de julho]] de [[1794]], os montanheses (que se costumou qualificar de "montanheses do Ano III", em contraposição aos "montanheses dantonistas", que se tinham aliado aos moderados do [[Planície (Revolução Francesa)|marais]]), cada vez menos numerosos, tentaram opor-se à Convenção Thermidoriana, mas em vão. Foram em grande parte eliminados, após as insurreições do 12 Germinal do Ano III e a insurreição do 1º [[Pradial]] do Ano III.
 
== Principais representantes ==
Sob a [[Segunda República Francesa|Segunda República]], os deputados da extrema esquerda ([[Armand Barbès]], [[Alexandre Ledru-Rollin|Alexandre-Auguste Ledru-Rollin]]) retomaram o nome de Montanha para designar seu grupo político, enquanto que os realistas legitimistas mais exaltados, partidários de "um apelo ao povo" e convencidos de que o [[sufrágio universal]] terminaria por restabelecer a [[monarquia]], adotou o nome de "Montanha Branca"<ref>Stéphane Rials, ''Révolution et contre-révolution au XIXe siècle'', DUC/Albatros, Paris, 1987, p. 155, e R. Huard, "Montagne rouge et Montagne blanche en Languedoc-Roussillon sous la Seconde République", em ''Droite et gauche de 1789 à nos jours'', publicações da Universidade Paul-Valéry, Montpellier III, 1975, pp. 139-160.</ref>.
[[Ficheiro:Robespierre.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|171x171px|Retrato de '''''Maximilie''''''''''n de Robespierre (1758-1794)'''''.
 
]][[Ficheiro:Anonymous - Portrait de Louis-Antoine de Saint-Just (1767-1794), homme politique. - P859 - Musée Carnavalet.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|162x162px|Retrato de '''''Louis-Antoine de Saint-Just (1767-1794).''''']]Por ser um movimento amplo e diversificado, a Montanha não contava com uma liderança unificada. Entretanto, alguns nomes se destacaram por seus feitos políticos. É o caso de [[Maximilien de Robespierre|Maximilien François Marie Isidore de Robespierre]], nascido em 06 de Maio de 1758, em [[Arras (França)|Arras]].<ref>MCPHEE, Peter. Robespierre: una vida revolucionaria. Ediciones Península. Fevereiro 2015. Pp, 8-15.</ref> [[Maximilien de Robespierre|Robespierre]] foi um destacado jovem advogado, representante do distrito de Arras na [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembleia Nacional]] e se tornou um dos principais apoiadores do governo revolucionário. [[Maximilien de Robespierre|Robespierre]] sabia das implicações dessa nova forma de governo e deixava claro que a defesa da [[Revolução Francesa|Revolução]] significava um estado de guerra contra seus opositores. Os seus apoiadores chamavam-lhe de "O Incorruptível", e, durante a [[Convenção Nacional]], ele encarnou a tendência mais radical da [[Revolução Francesa|Revolução]].
== Bibliografia ==
* Alphonse Esquiros, ''Histoire des Montagnards'', Librairie de la Renaissance, Paris, 1875 (edição de), 543&nbsp;p.
* [[Albert Mathiez]], ''Girondins et Montagnards'', 1ª edição : Firmin-Didot, Paris, 1930, VII-305&nbsp;p. –&nbsp; Réédition en fac-simile&nbsp;: Éditions de la Passion, Montreuil, 1988, VII-305&nbsp;p. {{ISBN|2-906229-04-0}}
* Jeanne Grall, ''Girondins et Montagnards : les dessous d'une insurrection : 1793'', Éditions Ouest-France, Rennes, 1989&nbsp;p.{{ISBN|2737302439}}
 
Outro nome que teve forte relevância foi o de [[Louis Antoine Léon de Saint-Just|Louis-Antoine de Saint-Just,]] um aspirante a literato, que foi eleito para a convenção em 05 de Setembro de 1792, e votou pela execução do rei. Em 30 de maio de 1793 foi eleito membro do [[Comitê de Salvação Pública]], por sua intransigência durante o período de Terror, foi apelidado "arcanjo do Terror" e "arcanjo da Revolução". Um terceiro nome de força foi o de [[Georges Jacques Danton]] nasceu em uma família da pequena burguesia, no dia 26 de outubro de 1759, em uma cidade chamada [[Arcis-sur-Aube]], e a partir do estouro da Revolução em 1789, este jovem advogado  transformou-se em líder das massas populares de Paris. Em 1793 propôs a criação de um sistema de Comitês que exerceriam o poder executivo, ante a situação de emergência criada pelas ameaças interiores e exteriores contra o regime revolucionário. Ele mesmo chegou a presidir o mais importante, o [[Comitê de Salvação Pública]]; entretanto, três meses mais tarde, foi substituído por [[Maximilien de Robespierre|Robespierre]], dando início ao período de [[ditadura]] revolucionária dos montanheses.
{{Referências}}
[[Ficheiro:Viva a montanha! Revolução Francesa. .jpg|miniaturadaimagem|357x357px|Béricourt, E. '''''Viva a montanha; viva a única e indivisível República.''''' Paris, Bnf.]][[Ficheiro:Anonyme - Portrait de Georges Danton (1759-1794), orateur et homme politique - P712 - musée Carnavalet.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|162x162px|Retrato de '''''Georges Danton (1759-1794).''''' ]]
== O Governo Revolucionário ==
Os grupos políticos participantes da [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembleia Nacional]] estavam divididos entre ''direita, centro e esquerda'': Os realistas e moderados se localizavam do lado direito na [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembleia Nacional]]. A [[Planície (Revolução Francesa)|Planície]] ou Pântano, localizava-se no centro das sessões e se caracterizou por posições políticas fluídas, apoiando ora um lado, ora outro. E na esquerda, localizava-se a [[Montanha (Revolução Francesa)|Montanha]], grupo mais radical que passou a apoiar a instituição de um regime republicano.
 
Durante a chamada "segunda fase da [[Revolução Francesa]]" foi instaurada a [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção Nacional]] também conhecida apenas como [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção]], que substituiu a [[Assembleia Nacional Legislativa (Revolução Francesa)|Assembleia Nacional]] durante o período de 1792 a 1794. Havia uma disputa de interesses políticos e ideológicos entre a direita, agora apelidada de Gironda [[Girondino|(girondinos]]), e a Montanha ([[Jacobinismo|jacobinos]]) com relação aos rumos da Revolução. Ambos de origem burguesa, mas divergentes em suas ideias, sendo a Gironda a porta voz da burguesia de negócios contra as demandas dos [[sans-culottes]] e dos Montanheses (que estavam mais próximos dos [[sans-culottes]]) e tinham um desejo de unir as massas populares orientando-as politicamente.<ref>SOBOUL, Albert. Noventa e Três, Republica burguesa ou Democracia popular? (1792-1795). Revolução Francesa. P.57-62</ref>
[[Ficheiro:Execution of Louis XVI.jpg|miniaturadaimagem|273x273px|Helman, Isidore Stanislas. '''''Dia de 21 de janeiro de 1793, a morte de Louis Capet na Praça da Revolução.''''' Paris, Bnf. ]]
O antagonismo entre girondinos e montanheses se agravou com as discussões que envolviam o julgamento do rei [[Luís XVI de França|Luís XVI]]. Havia pressão popular para dar continuidade ao processo, levando o rei o a julgamento. Dentro da [[Assembleia Nacional Constituinte (França)|Assembleia]] as discussões acirradas se dividiram entre a Montanha, que exigia a pena capital e a Gironda que optava por uma pena menos sumária. Dos 718 deputados, a Montanha conseguiu 387 votos e o rei foi executado em 21 de janeiro de 1793. Após a execução de [[Luís XVI de França|Luís XVI]], o sentimento anti-monárquico entre os Sans-Culottes de Paris prevaleceu, contrariando as intenções girondinas de compromisso com a [[aristocracia]]<nowiki/>o. Impulsionados pelo apoio populares, os [[Jacobinismo|jacobinos]] acusaram os [[Girondino|girondinos]] de traição à [[Revolução Francesa|Revolução]] pela tentativa de defesa da vida do rei e os expulsaram da Assembleia Nacional. Após combater seus adversários políticos, a [[Montanha (Revolução Francesa)|Montanha]] se apropriou do poder e passou a controlar a Convenção.<ref name=":0" />
 
Com a queda dos [[Girondino|girondinos]], a guerra civil se espalhou pelo país. Para conter as revoltas criou-se o [[Tribunal Revolucionário]], uma rede de vigilância nas cidades e aldeias ([[Comité de Segurança Geral|Comitê de Segurança Geral]]) e um [[Comitê de Salvação Pública]]. Os líderes e apoiadores da Gironda foram perseguidos e condenados, surgiu então, na França, um período de forte repressão política conhecido como [[Terror (Revolução Francesa)|Grande Terror]], o auge do poder Jacobino; esse período serviu para consolidar o poder desse partido e para tomar as medidas mais radicais e difíceis em prol da revolução.<ref name=":0" />
{{Revolução Francesa}}
 
A organização desse governo revolucionário – julho a dezembro de 1793 – era feita na Convenção pelos montanheses e seu poder executivo era o [[Comitê de Salvação Pública]] (que ocupava uma posição central na organização revolucionária).Os [[sans-culottes]] permaneceram no centro do dinamismo revolucionário e contribuíram com o governo revolucionário até o fim de 1793.<ref name=":0" />
 
Os [[Jacobinismo|jacobinos]], a princípio, não eram um grupo com ideias homogêneas sendo compostos por políticos [[Monarquia|monárquicos]], [[Republicanismo|republicanos]] moderados e [[Democracia|democratas]] radicais. As ideias dos [[jacobinos]] passaram a ser mais radicais durante a [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção]] e a política do [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]]. No inverno de 1793, os Montanheses dividiram-se entre os partidários da democracia direta e da descristianização (Hebertistas), os defensores do desmonte gradual da política do Terror (indulgentes, liderados por [[Georges Jacques Danton|Georges Danton]]) e os robespierristas que apoiavam a continuidade da política de salvação pública e de repressão aos contra-revolucionários .<ref>COGGIOLA, Osvaldo. Novamente, a Revolução Francesa. São Paulo. Projeto História, p. 302</ref>
{{esboço-históriafr}}
[[Ficheiro:A execução do famoso Brissot e seus cúmplices.jpg|miniaturadaimagem|273x273px|'''''A execução do famoso Brissot e seus cúmplices, 1794'''''. Paris, Bnf.]]
 
= Montanheses, Jacobinos e Sans-Culottes =
[[Categoria:Grupos políticos da Revolução Francesa|Montanha]]
A relação entre os [[Jacobinismo|jacobinos]], [[Montanha (Revolução Francesa)|montanheses]] e [[sans-culottes]] passou a se dar de forma mais conjunta a partir da expulsão dos [[Girondino|girondinos]] da [[Convenção (Revolução Francesa)|Convenção]], os quais dirigiam a organização revolucionária no início de Junho de 1793. Sob pressão dos [[sans-culottes]] e da [[Guarda Nacional Francesa|Guarda Nacional]], os montanheses expulsaram os deputados girondinos e a partir desse momento, a direção da organização revolucionária ficou sob a aliança dos [[Jacobinismo|jacobinos]] e [[sans-culottes]]. A organização do governo revolucionário por esses grupos se deu para “disciplinar o ímpeto popular e conservar a aliança burguesa”<ref name=":1" />, pois as massas populares fizeram pressão para serem aprovadas as grandes medidas de salvação pública e naquele momento era necessário que se mantivesse uma unidade revolucionária.
[[Ficheiro:T0000001 (4).jpg|miniaturadaimagem|275x275px|Berthault, Pierre-Gabriel. '''''Interior de um Comitê Revolucionário sob o regime do Terror: anos 1793 e 1794, ou anos 2.e e 3.e da República.''''' 1797. Paris, Bnf.]]
A partir do ano II deste governo revolucionário aparecem duas séries de problemas: O primeiro de ordem política era “como conciliar o comportamento próprio aos [[sans-culottes]] com as exigências da ditadura revolucionária e as necessidades da defesa nacional?”. E o segundo de ordem social, que consistia em “como conciliar as aspirações e reivindicações econômicas dos [[sans-culottes]] com as exigências da burguesia que permanece o elemento dirigente da [[Revolução Francesa|Revolução]]?”. Por conseguinte, a pressão das massas populares fez com que fossem aprovadas as grandes medidas revolucionárias, como a [[Terror (Revolução Francesa)|implementação do terror]], a taxação do preço máximo para os gêneros alimentícios e uma economia dirigida. Para o governo revolucionário a [[Terror (Revolução Francesa)|implementação do terror]] evitaria a ação direta do povo e permitiria o controle sobre suas manifestações de violência.<ref name=":1" />  
 
Desse modo, as liberdades de ação do movimento popular foram sufocadas pela autoridade governamental. A prioridade do [[Comitê de Salvação Pública]] passou a ser as exigências da Defesa Nacional. No outono de 1793 era perceptível a vontade do [[Comitê de Salvação Pública]] de se distanciar das massas populares, principalmente com a suspensão da descristianização e com os ataques às organizações populares. Assim, a relação entre esses grupos evidenciava uma crise política que viria a trazer consequências para a organização popular, para o governo revolucionário e para a [[Revolução Francesa|Revolução]].
 
== Da luta de Facções ao Termidor ==
[[Ficheiro:Le Peuple Français.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|415x415px|Chataignier, Alexis. '''''O povo francês, onda do regime de Robespierre.''''' Paris, Bnf. ]]
[[Ficheiro:Execução de Robespierre e seus cúmplices..jpg|miniaturadaimagem|277x277px|'''''Execução de Robespierre e seus cúmplices.''''' Paris, Bnf. ]]Com os [[hebertistas ]] clamando por uma nova insurreição e tendo fracassado qualquer tentativa de apaziguamento, o governo revolucionário faz prenderprendeu, na noite de [[3 de março|03 de março]] de [[1794]] (13-14 [[Ventoso]] do Ano II), Hérbert e as principais figuras do [[Clube dos Cordeliers]]. Todos sãoforam condenados à morte e executados vinte dias depois, em [[24 de março]] de [[1794]]. Na sequência, foi a vez dos "indulgentes" – que faziam campanha para derrubar o governo, acabar com o Terror e negociar uma paz rápida com a coalizão de monarquias – serem eliminados. Presos, sãoforam condenados à morte em [[5 de abril|05 de abril]] de [[1794]] (4 [[Germinal (mês)|Germinal]] do Ano II) e [[guilhotinaGuilhotina|guilhotinados]]dos.<ref>COGGIOLA, Osvaldo. “Novamente, a Revolução Francesa”, Projeto História, São Paulo, n. 47, pp. 200, Ago. 2013</ref>
 
O [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]] tomou proporções absurdas, mas foi bem sucedido para a vitória da Revolução contra a invasão estrangeira e as revoltas monarquistas. O período do [[Terror (Revolução Francesa)|Terror]] chegou ao fim em 1794, quando uma coalizão entre os sobreviventes das antigas facções e a Planície resolveu eliminar Robespierre e seus partidários. Após a queda de [[Maximilien de Robespierre]] em [[27 de julho]] de [[1794]], os montanheses (que se qualificavam de "Montanheses do Ano III", em contraposição aos "Montanheses Dantonistas"), cada vez menos numerosos, tentaram opor-se à [[Termidor|Convenção Termidoriana]] mas em vão e foram em grande parte perseguidos e executados. Sob a [[Segunda República Francesa|Segunda República]], os deputados extremistas (Armand Barbès, Alexandre-Auguste Ledru-Rollin) retomaram o nome de Montanha para designar seu grupo político, enquanto que os realistas legitimistas mais exaltados, partidários de "um apelo ao povo" e convencidos de que o [[sufrágio universal]] terminaria por restabelecer a [[monarquia]], adotou o nome de "Montanha Branca".
 
 
 
 
 
'''''*Este artigo se trata de um projeto realizado pelos alunos de História da Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP com objetivo de contribuir para o crescimento e relevância acadêmica dos verbetes publicados na Wikipédia. O s textos e referencias bibliográficas foram frutos de dedicação e pesquisas de fontes seguras conforme registrado no próprio artigo.'''''
 
== Bibliografia ==
 
* AlphonseESQUIROS, EsquirosAlphonse, ''Histoire des Montagnards'', Librairie de la Renaissance, Paris, 1875 (edição de) 1875, 543&nbsp;p. 543.
* [[Albert Mathiez]]MATHIEZ, Albert. ''Girondins et Montagnards'', 1ª edição : Firmin-Didot, Paris, 1930, VII-305&nbsp; p. –&nbsp;  Réédition en fac-simile&nbsp; : Éditions de la Passion, Montreuil, 1988, Cap. VII-305&nbsp; p.305. {{<small>ISBN| 2-906229-04-0}}</small>
* Jeanne GrallGRALL, Jeanne. ''Girondins et Montagnards : les dessous d'une insurrection : 1793'', Éditions Ouest-France, Rennes, 1989&nbsp;p .{{<small>ISBN| 2737302439}}</small>
* TULARD, Jean; RIALS, Stéphane; BLUCHE, Frédéric. ''Revolução Francesa (1789-1799''). 1ª. ed. [​S. l.​]: L&PM, 2009. ISBN 8525418676
* OLIVEIRA, Josemar Machado de. ''Robespierre e a "oposição de esquerda" as contradições da democracia revolucionária''. Dimensões. Volume 13. 2001.
* SOBOUL, Albert. ''A revolução francesa''. Rio de Janeiro: Editora Bertrand Brasil, 2007. Cap II.
* COGGIOLA, Osvaldo. ''“Novamente, a Revolução Francesa”'', Projeto História, São Paulo, n. 47, Ago. 2013.
* VOVELLE, MIchel. ''La Révólution française expliqué à ma petite-fille''. Paris: Le Seuil, 2006. [Ed. bras. A revolução francesa explicada à minha neta. São Paulo: Editora da Unesp, 2007]
* VOVELLE, Michel. ''A Revolução Francesa 1789 - 1799''. São Paulo: Editora Unesp. 2012. p. 38 a 44.
* CARLOS, William Geovane. ''Considerações iniciais sobre a convenção jacobina na Revolução francesa''. VIII Congresso Internacional de História - XXII Semana de História, 2017.
 
{{= Referências}} =
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