Diferenças entre edições de "Macunaíma"

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m (Ligação redirecionava para o quarto livro de poesia Manuel Bandeira.)
{{AP|Pré-modernismo|Modernismo no Brasil|Movimento antropofágico|Semana de Arte Moderna}}
 
''Macunaíma'' é geralmente considerado um fruto paradigmático do [[Modernismo brasileiro]], um movimento que procurou romper com a tradição definindo um período de questionamentos e buscas por formas de pensamento e expressão que fossem mais adequadas a uma conjuntura que se transformava rapidamente sob o impacto de mudanças sociais, do progresso científico e tecnológico, da industrialização, da urbanização, e de novos modos de entender a sociedade, inaugurados por correntes filosóficas e políticas como o [[Anarquismo]] e o [[Marxismo]]. No campo da cultura e da arte, o [[Futurismo]], o [[Cubismo]], o [[Dadaísmo]], o [[Expressionismo]] e o [[Surrealismo]] revolucionavam a Europa, introduzindo a abstração, o irracional e a liberdade expressiva, estendendo seus efeitos ao Brasil. Entre os pioneiros das novas tendências no país estavam [[Oswald de Andrade]], Mário de Andrade, [[Guilherme de Almeida]], [[Ronald de Carvalho]], [[Menotti del Picchia]], [[Graça Aranha]], [[Villa-Lobos]], [[Manuel Bandeira]], [[Anita Malfatti]] e [[Victor Brecheret]]. Em 1922, com a participação de muitos pioneiros, foi organizada a [[Semana de Arte Moderna de 1922|Semana de Arte Moderna]], tida como o marco inaugural do movimento, mas antes disso muitas experiências já vinham sendo feitas. O Modernismo usualmente é dividido em três fases, e é na primeira, chamada de "heroica", a mais radical e iconoclasta, que ''Macunaíma'' surge. A influência de correntes estrangeiras foi fundamental nesse período, mas logo se entendeu que seria necessário, além de abandonar tradições desgastadas, dogmáticas e já sem sentido, valorizar o que havia de especificamente nacional, especialmente as culturas popular, negra e indígena, historicamente marginalizadas. Propunham uma revisão crítica da história, do [[colonialismo]] e do processo civilizatório, enfatizando a multiculturalidade, a necessidade de atualização e a liberdade de pensamento e expressão. Ao mesmo tempo, queriam afastar o "complexo de colonizado", que fazia o país permanecer dependente em excesso dos referenciais estrangeiros. Na literatura procurou-se ultrapassar o preciosismo, os modos retóricos, o estilo erudito e artificialista dos escritores [[literatura do romantismo|românticos]] e [[parnasianismo|parnasianos]], absorvendo a fala coloquial, as gírias, os folclores e os regionalismos, desenvolvendo um gosto pelo esboço, pelo fragmento, pelo primitivo, pelo irracional e pela colagem de textos de diferentes origens e características, o que repercutiu na forma e na estrutura, que se tornam imprevisíveis, descontínuas e irregulares.<ref>[http://enciclopedia.itaucultural.org.br/termo12177/modernismo-primeira-geracao "Modernismo (Primeira Geração)"]. In: Enciclopédia Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. Itaú Cultural, 2018</ref><ref name="Daufenback">Daufenback, Vanessa. [https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/98967/daufenback_v_me_arafcl.pdf?sequence=1 ''Mário de Andrade e a cultura popular brasileira'']. Mestrado. Universidade Estadual Paulista, 2008, pp. 45-75 </ref><ref>Sotomayor, Yana Tamayo. [http://anpap.org.br/anais/2008/artigos/199.pdf "O projeto moderno brasileiro: de modernas a modestas utopias"]. In: ''17° Encontro Nacional da Associação Nacional de Pesquisadores em Artes Plásticas: Panorama da Pesquisa em Artes Visuais''. Florianópolis, 19-23/08/2008</ref> Numa carta a Alberto de Oliveira de 1924 descrevendo o movimento, Mário de Andrade escreveu:
[[File:Modernistas 1922.jpg|thumb|Mário de Andrade, de chapéu, com outros modernistas em 1922.]]
 
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