Diferenças entre edições de "Vidas Secas"

sem resumo de edição
| seguido_por = ''[[A Terra dos Meninos Pelados]]''
}}
'''''Vidas Secas''''' é um influente e importante [[romance]] do [[escritor]] brasileiro [[Graciliano Ramos]], escrito entre [[1937 no Brasil|1937]] e [[1938 no Brasil|1938]], publicado originalmente em '38 pela antológica [[Livraria José Olympio Editora]], hoje editado pela [[Editora Record]], e considerado por muitos como a maior obra do autor. Quarto e último romance de Graciliano, [[Narrativa em terceira pessoa|narrado em terceira pessoa]], ''Vidas Secas'' aborda uma família de [[retirante]]s do [[sertão brasileiro|sertão nordestino]] condicionada a uma vida subumana, diante de problemas como a [[seca]], a [[miséria]], a [[fome]], a [[desigualdade social]], as [[lutas de classes]] e, consecutivamente, o caleidoscópio de sentimentos, pensamentos, desejos e emoções, misturados à aspereza e ao clima do [[semiárido brasileiro|semiárido]], que a condição lhes obriga a viver e a procurar meios de sobrevivência, expressando, assim, um espelhamento artístico ainda muito forte com a denúncia política e a situação histórico-social.
 
Durante o processo editorial do livro, Graciliano mostrou-se inteiramente cuidadoso com sua criação. Por conta da consciência social que existe no conteúdo do livro, moldada através de uma estrutura dramática [[realista]], o enredo tem sido analisado pelos críticos por meio da relação do humano com os meios naturais e socioeconômicos. No entanto, em ''Vidas Secas'' Graciliano contornou alguns estilos literários de sua época ligados ao [[regionalismo]], o que lhe proporcionou pontos positivos ou até inovadores. Unindo denúncia e elaboração artística, Graciliano, por exemplo, sendo [[comunista]]{{nota de rodapé|Graciliano Ramos, que havia sido [[prefeito]] de [[Palmeira dos Índios]] em [[1927 no Brasil|1927]], chegou a ser preso em [[1936 no Brasil|1936]] como comunista durante a reação da [[ditadura Vargas]] contra a [[Intentona Comunista]] em [[Maceió]] e levado para o [[Rio de Janeiro]], experiência que servirá como base para as suas ''[[Memórias do Cárcere]]'' (1953).<ref>Achcar, 2001, p. 126.</ref> Foi liberado após onze meses sem ser acusado nem julgado. Em [[1945 no Brasil|1945]], ingressa no [[Partido Comunista Brasileiro]] (PCB).<ref>Ramos, 1995 ("Dados biográficos de Graciliano Ramos", págs. 218-219).</ref>}} e político engajado, foi cauteloso nas tradicionais ingerências do narrador opiniático e evitou o protesto vulgar ou o panfletarismo (que poderia usar, como outros autores da época, para criticar os aspectos sociais do Brasil), o que o fez ser reconhecido por um "estilo seco, reduzido ao mínimo de palavras", mas provavelmente mais impactante do que se fosse de outra forma, acrescido de algumas inovações técnicas e de abordagem, como a quebra com a cronologia tradicional entre os capítulos. Tal escritura influenciou gerações de escritores até hoje, conforme podemos cotejar na obra de [[Euclides Neto]], [[Rubem Braga]], [[Milton Hatoum]], [[Itamar Vieira Junior]] e muitos outros.
22 058

edições