Diferenças entre edições de "Scriptorium"

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Palavra errada.
m (Explicação mais detalhada de uma frase.)
m (Palavra errada.)
É comum encontrar nos [[manuscrito]]s medievais erros de escrita cometidos por [[copista]]s. Entre as principais causas de erros ortográficos estão a falta de familiaridade com a língua na qual se estava escrevendo e a desatenção. Além disso, poderia haver uma troca de palavra por um [[sinônimo]] feita intencionalmente pelo escriba, mas que acabava sendo escrito da forma errada.{{sfn|Lor|2018}} Outros motivos que poderiam levar os copistas a cometer erros na escrita era a baixa iluminação do lugar onde escreviam, a penosa e longa carga de trabalho e a cansativa repetição do mesmo movimento por horas. Um dos exemplos mais ilustrativos destes erros aconteceu no [[códice]] conhecido como [[Bíblia Maldita]], escrita no {{séc|XVII}}. Na hora de escrever o sexto [[mandamento]], o copista se confundiu e em vez de condenar a prática do [[adultério]], a bíblia maldita acaba por incentivar o leitor a cometer este pecado ao conter as palavras "cometerás adultério" ao invés de "não cometerás adultério".{{sfn|Lara|2018}}
 
Reclamar da negligência dos copistas, de seus erros de tradução e de ortografia, eram atitudes recorrentes desde ao menos a [[patrística]].{{sfn|Chazan|2006|p=242}} Por outro lado, entre as preocupações constantes dos autores cristãos e da [[literatura medieval]] em geral estavam o mapeamento e o detalhamento das atividades do [[Demónio|demônio]].{{sfn|Jennings|1977|p=1}} Era uma prática comum na [[Idade Média]] explicar o que dava errado a partir da atuação de demônios. Foi inventadonomeado um demônio para praticamente todo mal que acontecia na vida cotidiana.{{sfn|Luaces|1994|p=109}}
 
É difícil identificar exatamente quando o mapeamento das atividades dos demônios começaram a ser feitas. Sabe-se, porém, que desde a [[Idade Antiga|Antiguidade]] os olhos e as cabeças dos demônios eram raspados das imagens por medo de possíveis interações dele com quem estava olhando para a imagem.{{sfn|Luaces|1994|p=106}} Também pode-se afirmar que no monastério de Silos, desde o ano 1100, já se conheciam os diferentes demônios que serviam o [[Diabo]], demônio principal. [[Titivillus]] era um desses demônios, que contribuía, em especial, para que os escribas cometessem os mais diversos erros ao exercerem as suas funções no ''scriptorium''.{{sfn|Luaces|1994|p=109}} Nos ''Sermones Vulgares'' de [[Jacques de Vitry]], publicado por volta de 1220, encontramos a descrição de um demônio carregando um pesado saco cheio de erros gramaticais, pensamentos ociosos e palavras impróprias proferidas durante uma missa. Pouco mais tarde, Caesarius de Heisterbach, em seu ''Dialogos Miraculorum,'' finalizado em torno do ano 1230, falava também de um certo demônio que com uma mão saqueava palavras erradas que causam tumulto e confusão. Com a outra mão, os erros eram levadas ao ombro oposto, onde seriam igualmente depositados em uma grande sacola.{{sfn|Jennings|1977|p=11-25}}
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