Diferenças entre edições de "Riachuelo (encouraçado de esquadra)"

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|estado = Naufragado
<!-- Características gerais -->
|tipo = Encouraçado a vapor[[Couraçado]]
|classe = [[Classe Riachuelo (1883)|Classe ''Riachuelo'']]
|deslocamento = {{converter|6100|t|kg|o=l}}
|custo = [[Libra esterlina|£]] 365 mil
|comprimento = {{converter|97.72|m|ft|o=l}}
|boca = {{converter|1715.1625|m|ft|o=l}}
|calado = {{converter|5.6094|m|ft|o=l}}
|propulsão = vela, com três mastros armado em Barca<br />8 caldeiras cilíndricas a carvão<br />2 máquinas combinadas de três cilindros a vapor<br />{{converter|6.000|hp|kW|o=l}}
|velocidade = 16 nós (30 km/h)
O '''''Riachuelo''''' foi um [[navio de guerra]] do tipo encouraçado de esquadra,<ref name=":1" /> couraçado de torre{{Sfn|Gibbons|1983|p=113}} ou, simplesmente, [[couraçado]],{{Sfn|Val|2015|p=52}} operado pela [[Armada Imperial Brasileira]] e pela [[Marinha do Brasil]], após a [[Proclamação da República do Brasil|Proclamação da República]], e a primeira embarcação da [[Classe Riachuelo (1883)|Classe ''Riachuelo'']], seguido pelo [[Encouraçado Aquidabã|encouraçado ''Aquidabã'']]. O ''Riachuelo'' foi construído nos estaleiros de [[Samuda & Brothers]] no [[Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda|Reino Unido]] como parte do projeto brasileiro de aquisição de modernos navios couraçados, sendo incorporado à armada em 19 de novembro de 1883. Deslocava 6 100 toneladas e era equipado com duas torres de artilharia com quatro canhões de 229 milímetros, apoiados por uma bateria secundária de quatro canhões de 6 polegadas. À época de sua construção, era um dos mais avançado navios de guerra.
 
Entre os anos 1884 e 1885, a embarcação figurou entre os navios da [[Esquadra de Evoluções]], núcleo mais moderno da armada imperial. Após a [[Proclamação da República do Brasil|Proclamação da República]], o ''Riachuelo'' foi destacado para escoltar o [[paquete]] ''[[Alagoas (paquete)|Alagoas]]'', que levou a [[Família imperial brasileira|Família Imperial Brasileira]] para o exílio na [[Europa]], em 17 de novembro de 1889. Cerca de dois anos depois, irrompeu a [[Revolta da Armada]], porém, o ''Riachuelo'' não participou (à exceção de alguns oficiais do encouraçado). Pelo contrário, a marinha apressou-se em enviar o navio para Europa para não tomar parte na rebelião. No continente europeu, passou por modificações que aumentaram seu poderio ofensivo e sua estabilidade. Suas principais comissões foram levar a bordo o presidente [[Campos Sales]] em visita oficial à [[Argentina]], em 1900, e o Contra-Almirante [[Duarte Huet de Bacelar Pinto Guedes|Huet de Bacellar]], para acompanhar a construção e receber os novos [[encouraçado]]s encomendados ''[[Minas Geraes (couraçado)|Minas Gerais]]'' e o ''[[São Paulo (couraçado)|São Paulo]]'', em 1907. Foi desativado em 1910.
 
== Construção ==
Em meados de 1880, o então [[Lista de ministros da Marinha do Brasil|Ministro da Marinha]] Almirante [[José Rodrigues de Lima Duarte]], apresentou um relatório à Assembleia Legislativa sobre a urgência de se modernizar a Marinha Imperial, com a adoção de então modernos navios [[encouraçados]]. O almirante desejava a aquisição destes tipos de navios a fim de valer a posição que o império tinha naquele período perante outras nações marítimas.<ref>{{citar periódico|ultimo=Lima Duarte|primeiro=Almirante José Rodrigues|data=1880|titulo=Relatório apresentado à Assembleia Geral Legislativa na 3.ª Sessão da 17.ª Legislatura|url=http://fortalezas.org/midias/arquivos/3948.pdf|jornal=Ministério da Marinha|pagina=22|acessodata=26/08/2020}}</ref>
 
O encouraçado foi construído pelos estaleiros [[Samuda & Brothers|''Samuda & Brothers'']], no Reino Unido. A sua [[Batimento de quilha|quilha foi batida]] em [[31 de agosto]] de [[1881]], tendo sido lançado ao mar em [[7 de junho]] de [[1883]] e incorporado à Armada Imperial Brasileira em [[19 de novembro]] de 1883. O seu primeiro comandante foi o Capitão-de-Mar-e-Guerra [[Eduardo Wandenkolk]] - mais tarde Primeiro Ministro da Marinha, após a [[Proclamação da República Brasileira]]. Deve seu nome à [[Batalha Naval do Riachuelo]], travada em 11 de junho de 1865. Assim que chegou ao Brasil, tendo aportado ao Rio de Janeiro, então capital do Império, em 13 de novembro de 1884, a embarcação foi subordinada à [[Esquadra de Evoluções]], sob o comando do Almirante [[Barão de Jaceguai]], entre os anos de 1882 e [[1885]].<ref>{{citar livrosfn|título=100 anos Força de Submarinos|ultimo=Brasil|primeiro=Marinha do|editora=Fundação Getúlio Vargas|ano=2014|local=Rio de Janeiro|páginap=45|isbn=978-85-64878-21-1}}</ref><ref name=":0">{{citar periódico|ultimo=DPHDM|titulo=Encouraçado Riachuelo|url=https://www.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/RiachueloEncouracado1884-1910.pdf|jornal=Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha|publicado=Marinha do Brasil|pagina=2|acessodata=27/08/2020}}</ref><ref name=":1" />[[Ficheiro:Riachuelo (ship, 1884) - Brassey's Naval Annual 1887.png|esquerda|miniaturadaimagem|Desenho do ''Riachuelo'']]A Comissão Naval designada para acompanhar a construção e receber ambos os encouraçados foi presidida pelo Contra-Almirante [[José da Costa Azevedo]], assessorado pelo Engenheiro Naval [[Trajano de Carvalho]]. A introdução do ''Riachuelo'' representou uma significativa vantagem no poderio militar da frota brasileira.<ref name=":5">{{citar periódico|ultimo=DPHDM|titulo=Encouraçado Riachuelo|url=https://www.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/RiachueloEncouracado1884-1910.pdf|jornal=Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha|publicado=Marinha do Brasil|pagina=1|acessodata=04/05/2021}}</ref> Quando terminado, era uma dos mais avançados navios de seu tempo, além de um modelo em seu gênero.<ref>{{Citar web |ultimo=DefesaTV |primeiro=Redação |url=https://www.defesa.tv.br/a-poderosa-marinha-imperial-brasileira/ |titulo=A Poderosa Marinha Imperial Brasileira |data=2020-11-01 |acessodata=2021-05-05 |website=DEFESA TV |lingua=pt-BR}}</ref> Sobre o ''Riachuelo'', Hilary A. Albert, chefe do ''"House Naval Affairs Committee"'', alertando o congresso americano em 1883 comentou: ''“Se toda essa nossa marinha velha fosse colocada em um arranjo de batalha no meio do oceano e confrontados com o ''Riachuelo'' é duvidoso que uma única embarcação portando a bandeira americana voltasse ao porto."<ref>{{citar web|URL=http://usnhistory.navylive.dodlive.mil/2013/11/18/remember-the-maine-a-first-of-its-kind-warship/|título=Remember the Maine, A First-of-its-Kind Warship|autor=|data=18 de novembro de 2013|publicado=The Sextant|acessodata=1 de junho de 2017}}</ref> ''A preocupação norte-americana com a construção do ''Riachuelo'' levou o congresso a deliberar sobre a situação em que se encontrava a frota do país. De fato, o encouraçado brasileiro influenciou os estados[[Estados unidosUnidos]] a desenvolverem navios que pudessem fazer frente às outras potências.{{Sfn|Friedman|1985|pp=17, 20, 24}}
 
== Características ==
O ''Riachuelo'' era feito de [[aço]] trabalhado em [[forno Siemens-Martin]], com o metal recobrindo o casco com duas camadas de seis polegadas e forrado externamente com cobre. O navio era dividido em 58 compartimentos [[Estanqueidade|estanques]] e [[fundo duplo]] subdividido em dezesseis compartimentos. A roda de proa, cadaste e o leme foram construídos em [[bronze]]; couraça do casco de face acerada, constituída por uma cinta de 250 pés de extensão de 11 polegadas a meio comprimento do [[costado]], onde protegia as máquinas, [[caldeiras]] e [[Paiol|paióis]], sendo no comprimento restante reduzida a 10 polegadas de espessura e na parte submersa do casco uma parte com 10 e outra com 7 polegadas.<ref name=":4" />
 
Nos extremos do casco, havia uma couraça inclinada de 3 polegadas com 15 graus de inclinação. Deslocava 6 100 toneladas, tinha 97,72 m de comprimento, 15,25 m de boca, 5,94 m de calado, 20,6 polegadas de calado máximo e um pano envergado junto à barca.<ref name=":4">{{citar periódico|ultimo=DPHDM|titulo=Encouraçado Riachuelo|url=https://www.marinha.mil.br/dphdm/sites/www.marinha.mil.br.dphdm/files/RiachueloEncouracado1884-1910.pdf|jornal=Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha|publicado=Marinha do Brasil|paginas=2-3|acessodata=27/08/2020}}</ref> Seu poder ofensivo constituía-se de duas torres, dispostas em diagonal, uma a [[Boreste|BE]] e outra a [[Bombordo|BB]], com dois canhões de [[retrocarga]] ''Withworth'' de 9 polegadas cada; quatro canhões de 6 polegadas{{Nota de rodapé|nota=De acordo com a [[Diretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha|DPHDM]], eram seis canhões de 5,5 polegadas.<ref>{{Citar web |urlname=https"://www.naval.com.br/ngb/R/R017/R017.htm1" |titulo=NGB - Encouraçado de Esquadra Riachuelo |acessodata=2021-04-20 |website=www.naval.com.br}}</ref>}} em quatro reparos singelos; 2 canhões de rápida cadência; 15 metralhadoras ''[[Nordenfelt (metralhadora)|Nordenfelt]]''; 5 [[Portinhola|portinholas]] para [[lança-torpedos]] de 18 polegadas sendo três na superfície e dois submersos.<ref name=":0" /><ref name=":1" /> A tripulação constituía-se de 350 homens.<ref name=":5" />
 
== História ==
 
[[Ficheiro:Riachuelo LOC det.4a15955.jpg|esquerda|miniaturadaimagem|''Riachuelo'' em 1907|300x300px]]
Após testes de máquinas para avaliar seu desempenho, o ''Riachuelo'' voltou ao Brasil novamente como nau capitânia da Esquadra e, em 1900, capitaneou um grupo-tarefa designado para levar o presidente [[Campos Sales]] em visita oficial à [[Argentina]], acompanhado pelos cruzadores ''[[cruzador Barroso (cruzador)|Barroso]]'' e ''[[Tamoio (cruzador)|Tamoio]]''. Esse grupo-tarefa ficou conhecido como ''Divisão Branca.'' Em 1907 realizou a sua última missão importante, conduzindo a bordo a Comissão Naval Brasileira, presidida pelo Contra-Almirante [[Duarte Huet de Bacelar Pinto Guedes|Huet de Bacellar]], designada para acompanhar a construção e receber os novos [[encouraçado]]s encomendados dentro do Plano Naval de 1906: os encouraçados ''[[Minas Geraes (couraçado)|Minas Geraes]]'' e ''[[São Paulo (couraçado)|São Paulo]]''. No mesmo ano, o encouraçado participou do evento da Revista Naval Internacional de Hampton Roads, nos Estados Unidos, em conjunto novamente com os cruzadores ''Barroso'' e ''Tamoio.'' O ''Riachuelo'' foi desativado de forma definitiva em 28 de março de 1910 e seguiu a reboque para um desmanche na Europa, porém, acabou por naufragar durante um violento temporal antes de chegar ao destino.<ref name=":2" /><ref name=":1" /><ref>{{Citar web |url=https://www.naval.com.br/ngb/F/F022/F022-1CO.htm |titulo=NGB - Almirante Duarte Huet de Bacelar Pinto Guedes |acessodata=2021-05-04 |website=www.naval.com.br}}</ref>
 
== Ver também ==
* [[Lista de navios descomissionados da Marinha do Brasil]]
{{Notas}}{{referências}}
{{referências}}
 
== Bibliografia ==
{{InícioRef|2}}
*{{citar livro|título=100 anos Força de Submarinos|ultimo=Brasil|primeiro=Marinha do|editora=Fundação Getúlio Vargas|ano=2014|local=Rio de Janeiro|página=45|isbn=978-85-64878-21-1}}
*{{Citar livro|título=U.S. battleships : an illustrated design history|ultimo=Friedman|primeiro=Norman|editora=Naval Institute Press|ano=1985|local=Annapolis, Md.|isbn=978-0-87021-715-9|ref=harv}}
*{{Citar livro|título=The Brazilian Imperial Navy Ironclads, 1865-1874|ultimo=Gratz|primeiro=George A.|editora=Conway Maritime Press|ano=1999|local=London|isbn=0-85177-724-4|ref=harv}}
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